au Maroc indépendant
1- LA LEGISLATION ET L’EMPREINTE MAROCAINE DANS LA STRUCTURATION DE LA PSYCHIATRIE DURANT LA PERIODE
Conforme já mencionado, para Koch e Travaglia (1999 e 2002), para que um texto seja considerado como tal, é preciso que tenha coerência, que haja a possibilidade de lhe calcular o sentido. Assim, o conceito de coerência liga-se à construção de sentido para um dado texto; corresponde ao princípio de interpretabilidade elementar que faz com que um discurso faça sentido para os usuários. A coerência está, pois, relacionada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação, considerando-se, fundamentalmente, locutor e interlocutor.
De igual maneira, segundo defendem Beaugrande e Dressler (1981), para que um enunciado constitua texto, é preciso haver unicidade temática ou relação entre os elementos
que o constituem, e continuidade de sentido ativada pelas seqüências de orações que o formam. E, além disso, a textualidade pode ser construída não meramente a partir de conteúdos explícitos, mas também a partir de elementos pragmáticos, o que implica entender quando se trata de uma ordem, de um pedido, de uma ameaça e de uma jura, por exemplo.
Frente ao conceito de texto e considerando os elementos constituintes textuais que colaboram para o estabelecimento da coerência, Van Dijk e Kintsch (1983) e Van Dijk (1981) afirmam que o discurso pode ser caracterizado em dois níveis: o das sentenças e suas conexões lineares, e o do discurso, ou fragmentos de textos, mas tomados como um todo significativo. Essa distinção (não estanque, uma vez que há interdependência entre os níveis) implica a diferenciação entre nível local ou microestrutural e nível global ou macroestrutural de análise:
Distinguimos entre dois tipos de coerência, coerência local e global. Coerência local é definida por relações (pares) entre orações de uma sucessão textual. Coerência global é definida em termos de (operações em) conjuntos de orações, por exemplo, pelo discurso como um todo. Coerência global também é conhecida, em condições mais intuitivas, como o ‘tema’, ‘idéia’, ‘fim’ ou ‘essência’ de um discurso ou de uma passagem do discurso. É feita explícita em termos de macroestruturas semânticas. Estas são derivadas de sucessões do texto denominadas macro-regras que apagam ou selecionam informação (proposições), generalizam ou constroem proposições interligadas. Macroestruturas, respondendo pela coerência global de um texto, também são necessárias como ‘base’ para relações de coerência locais [...]. (VAN DIJK, 1981, p. 268, tradução nossa )13
A partir do excerto acima, percebemos que a coerência local é definida por meio de relações estabelecidas entre enunciados, numa seqüenciação de sentenças. Trata-se do bom uso dos elementos da língua, unidades menores que contribuirão para a construção do sentido
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We distinguish between two kinds of coherence, viz. Local and global coherence. Local coherence is defined for (pairwise) relations between sentences of a textual sequence. Global coherence is defined in terms of (operations on) whole sets of sentences, e.g. for the discourse as a whole. Global coherence is also known, in more intuitive terms, as the ‘theme’, ‘idea’, ‘upshot’ or ‘gist’ of a discourse or a passage of the discourse. It is made explicit in terms of semantic macrostructures. These are derived from sequences of the text by so-called macro-rules, which delete or select information (propositions), generalize, or construct more embracing propositions. Macrostructures, accounting for the global coherence of a text, are also necessary as the ‘basis’ for local coherence relations [...].
do texto em sua totalidade. Já a coerência global caracteriza o discurso como um todo, e ainda pode estar relacionada a fragmentos maiores de um discurso, sendo de natureza mais geral.
Em se tratando de coerência local, além de outras classificações que posteriormente serão discutidas, Van Dijk (1981) e Van Dijk e Kintsch (1983) mencionam que se pode ainda distinguir dois tipos de relações: aquelas fixadas entre orações (relações de conexão) e aquelas estabelecidas entre proposições expressas pelas sentenças. Assim, necessariamente, além de os fatos14 denotados pelas orações terem de estar relacionados a um mundo possível, devem ainda constituir um curso de eventos. Veja-se o exemplo dado por Van Dijk e Kintsch (1983, p. 269): a assertiva “Peter foi ao cinema. Ele tem olhos azuis.” não é coerente. Embora faça duas referências ao mesmo indivíduo, as orações não têm seus conteúdos relacionados, seja em termos condicionais ou temporais, por exemplo.
Van Dijk (1981) postula que há uma série de razões para a distinção teórica entre relações de conexão (entre as orações) e relações entre proposições (em que se representa um curso de eventos). Uma delas trata-se do fato de que a macroestrutura semântica torna explícita a noção intuitiva importante de “tópico do discurso”: mostra a respeito de que um dado discurso trata, seu foco temático, porém não partindo da análise de sentenças individuais. Além disso, a noção de “tópico do discurso” é necessária para a explicação da coerência linear (nesse caso, parece que Van Dijk aproxima coerência e coesão15) entre as sentenças de um discurso: dois enunciados apenas podem ser ditos conectados, caso se considere o tópico discursivo da conversação. É em relação a este que se afirma ser algo pertinente ou não em um dado texto.
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Segundo os autores – Van Dijk (1981) e Van Dijk e Kintsch (1983), fatos são, simplesmente, fragmentos de um mundo possível, o que não se relaciona ao valor de verdade.
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Vale a ressalva de que coesão e coerência, em algumas circunstâncias, tendem a se separarem por linhas tênues. Segundo Koch (2003b, p. 53-58), a distinção entre ambas apaga-se: 1) quando se tem anáfora profunda, mediada ou semântica; 2) dependendo da forma como é feita a remissão (constituindo-se índices de atitudes, crenças, valores etc.); 3) quando se tem referência por expressões definidas (que atendem aos propósitos do locutor, segundo os interesses desse); 4) conforme a seleção lexical (que tende a influenciar no cálculo do sentido, inclusive possibilitando a produção de outros sentidos); 5) quando ocorre ambigüidade referencial; 6) quando o encadeamento de sentenças se dá por justaposição.
Além disso, segundo Van Dijk e Kintsch (1977 e 1978, apud VAN DIJK, 1981), no nível cognitivo, são introduzidas macroestruturas como um componente necessário no processamento de informações complexas. Para planejar, executar, controlar o discurso no processo de produção, e para entender, armazenar, recuperar e reproduzir o discurso, é fundamental um macronível de processamento, porque
Um usuário comum da língua é incapaz de armazenar e recuperar todas as orações individuais (proposições) de um discurso, e ainda assim entende o discurso como um todo coerente, sendo capaz de recordá-lo e resumi-lo sem necessariamente ter acesso às proposições individuais. (VAN DIJK, 1981, p. 197, tradução nossa) 16
Isso significa que, durante o fornecimento e captação de informações do discurso, o leitor constrói uma série de macroestruturas com base na interpretação das respectivas orações. Tais macroestruturas permitem organizar e reduzir a informação altamente complexa a um tamanho manejável. Assim, fragmentos de um discurso são significativos, localmente coerentes, apenas se se considerar as macroestruturas (os temas). O próprio Van Dijk (1981, p. 268) apresenta os seguintes exemplos para melhor ilustrar esse posicionamento teórico:
(1) Comprei um bilhete e fui para meu assento.17
(2) Comprei um bilhete e caminhei para a plataforma. (3) Comprei um bilhete e pulei na piscina.
Segundo os autores, as orações acima transcritas só têm sentido se levarmos em consideração seus respectivos temas: “Fui ao cinema”, “Peguei um trem”, “Fui nadar”, por exemplo.
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A normal language user is unable to store and retrieve all individual sentences (propositions) of a discourse, and yet understands the discourse as a coherent whole, being able to recall and summarize it without necessarily having access to the individual propositions.
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Dessa forma, consideramos que, apesar de haver dois níveis de coerência, não podemos desvinculá-los totalmente, cada um constituindo uma seção à parte. É preciso entender que há uma interdependência entre a coerência local e a global. Enfim, trata-se de um par de conceitos que devem ser definidos um em relação ao outro, de modo que um só faz sentido se se considerar a sua outra parte.