Lecraw (1977) e Wells (1977; 1983) defendem que os IED das multinacio- nais situadas em países periféricos resultam da habilidade em adaptar as tecnolo- gias licenciadas de países desenvolvidos às condições locais de baixa economia de escala, em produtos sem diferenciação e sob a competição à base de preços. Os dois autores sofrem forte influência dos pressupostos de ciclo de vida do pro- duto, isto é, para eles, as empresas multinacionais da periferia atuariam em se- tores cujas tecnologias seriam maduras, de fácil absorção e pouca mudança, e ajustariam essa tecnologia tanto ao mercado local quanto aos países receptores de seus investimentos.
Portanto, a principal vantagem das multinacionais da periferia residiria na capacidade de adaptar tecnologias de grande escala à realidade de economias pe- quenas, nos baixos custos com engenheiros e administradores expatriados – com poucas regalias – e na maior utilização de componentes locais. Os autores sa- lientam quatro tipos de adaptação tecnológica: i) introdução de inovações ca- pazes de usar escalas pequenas sem sacrifício da eficiência; ii) modificações nas mesmas maquinarias e equipamentos para múltiplos propósitos (economia de escopo); iii) adaptações das máquinas e equipamentos para uma utilização má- xima das matérias-primas disponíveis; iv) tecnologias mais intensivas em tra- balho e que não acarretem aumento de custos.
Para Kumar (1982, p.408), essas vantagens específicas de propriedade das empresas (economia de escala pequena, baixos salários, poucas regalias, etc.) ajudam a compreender apenas uma parte da história e não explicam a preferência das empresas pelos “investimentos diretos sobre exportação ou suas decisões sobre a localização de suas fábricas além-mar. Essas podem ser mais bem expli- cadas pelos fatores específicos de localização que motivam uma firma a investir em um conjunto particular de países”.
Desse modo, alguns fatores específicos de localização – as barreiras às im- portações nos países hospedeiros, a intenção de vender tecnologias manufatu- reiras para firmas de países com mesmo nível de desenvolvimento, a vantagem de custos de produção menores em outros “países em desenvolvimento”, a pro- cura por matérias-primas, etc. – são, também, importantes para a compreensão da internacionalização. Kumar (1982) chega às mesmas conclusões de Lecraw e Wells, mas traz à tona a importância de alguns fatores espaciais para explicar os investimentos que vão além das vantagens de propriedade.
Segundo Lall (1983, p.624), “seria insensato generalizar, a partir dessas ob- servações, que escala pequena, baixa tecnologia, trabalho intensivo e controle barato são fontes distintas de vantagens competitivas vis-à-vis empresas multi- nacionais dos países desenvolvidos”. Esse pressuposto conduz à visão de que as empresas multinacionais periféricas não conseguirão sobreviver à competição selvagem da produção internacional. Lall (1983) defende que as vantagens das multinacionais periféricas não estão baseadas na adaptação tecnológica, mas em mudanças tecnológicas localizadas.
A proposição de mudança tecnológica localizada é uma contribuição impor- tante das vantagens específicas das multinacionais da periferia vis-à-vis multina- cionais dos países desenvolvidos. Estas contam com vantagens provenientes da fronteira tecnológica e comercialização sofisticada, enquanto aquelas possuem habilidades de inovar em diferentes maneiras – comercialização, produção e co- nhecimento tecnológico –, de acordo com as características ambientais de seus mercados domésticos.
Para Lall (1980), as empresas dos países periféricos apresentam três estágios de aprendizado das tecnologias estrangeiras:
• Elementares
a) Learning by doing (aprender fazendo): utilização da tecnologia mais efi- cientemente por meio da experiência dos trabalhadores.
b) Learning by adapting (aprender por adaptação): realização de algumas adaptações dentro da instalação industrial para uma dada tecnologia ou adaptação de um produto às necessidades particulares.
• Intermediárias
a) Learning by design (aprender pelo desenho): reprodução dos equipa- mentos importados e dos processos de produção.
b) Learning by improved design (aprender por desenho melhorado): os equi- pamentos são mudados e adaptados às condições locais.
• Avançadas
a) Learning by setting up complete production systems (aprender pela mon- tagem completa dos sistemas de produção): habilidades de produzir itens de equipamentos, engenharia e adaptação de fábricas inteiras ou instala- ções para necessidades específicas. Nesse estágio, as empresas adquirem a capacidade de oferecer serviços de consultoria e de instalação de plantas industriais.
b) Learning by innovation (aprender pela inovação): capacidade de oferecer novos produtos e processos com o avanço em P&D básica.
Resumindo, segundo as proposições de Lall (1980), as empresas situadas em países periféricos podem avançar para atividades inovativas que são diferentes daquelas realizadas pelas empresas de países que estão na fronteira tecnológica. Contudo, todos os autores recebem, cada um a seu modo, demasiada influência dos pressupostos de ciclo de vida do produto e de vantagens oligopolistas em inovação, produtos maduros e senis. Lecraw (1977) e Wells (1977; 1983) as- sumem que as empresas multinacionais periféricas possuem vantagens oligopó- licas em indústrias maduras, Kumar (1982) aceita essa ideia, mas enfatiza a dimensão espacial e Lall (1980; 1983) defende que as empresas inovam con- forme as condições ambientais onde estão situadas.
Cantwell & Tollentino (1990) e Tollentino (1993), tendo como objeto de análise as corporações da Coreia do Sul e de Taiwan, destacam que os IED come- çaram a ser destinados a indústrias mais complexas – automobilística, eletrônica, etc. – e em direção aos países desenvolvidos. Para eles, os países apresentaram um upgrade na estrutura industrial e um avanço das competências tecnológicas (longo processo de acumulação tecnológica). As vantagens tecnológicas não são aquelas decorrentes de indústrias maduras, ajustadas às condições “ambientais” do Terceiro Mundo, tampouco de mudanças localizadas. Muitas empresas asiá- ticas têm sido capazes de inovar e de seguir um caminho baseado em aspectos organizacionais e em engenharia de produção.
Ao defenderem que as mudanças estruturais na indústria dos países subde- senvolvidos resultaram na expansão das competências tecnológicas das empresas – por meio de um processo acumulativo, os autores propõem a teoria da compe- tência tecnológica da produção internacional. A existência e a acumulação de
competências tecnológicas são os fatores que, no plano microeconômico, corro- boram o pressuposto de que mudanças nas vantagens de localização causam mu- danças nas vantagens de propriedade, de modo a impulsionar os IED.
Dunning (1988) e Dunning, Hoesel & Narula (1997), com base num arca- bouço mais sofisticado, relacionam os estágios de desenvolvimento dos inves- timentos às diferentes ondas de internacionalização de empresas de países subdesenvolvidos (Quadro 4).
Quadro 4 – Características dos investimentos diretos estrangeiros nos diferentes es- tágios do caminho de desenvolvimento do investimento
Primeira onda Estágio 2 Segunda onda Estágio 3 Empresas multinacionais convencionais Estágio 4 Destinação
IED regionais: países vizinhos e outros países em desenvolvimento.
Majoritariamente ainda regional, mas expandindo para uma base global.
Base global.
Motivação
Procurando recursos e mercados nos países em desenvolvimento. Em países em desenvolvimento: procurando recursos e mercados. Em países industriais: procurando ativos e mercados. Procurando eficiência, motivação. Empresas multinacionais visam ao uso otimizado de cada vantagem comparativa e competitiva dos países.
Tipos de IED externos Em países em desenvolvimento: intensivo em ativos naturais, produção em pequenas escalas em indústrias leves (Heksher-Ohlin), movendo- -se em direção às indústrias smithianas sem
diferenciação.
Em países em
desenvolvimento: setores
intensivos em ativos naturais como na primeira onda.
Em países industriais:
a) tipo montagem, IED procurando mercados primeiramente em indústrias smithianas. b) Investimentos procurando ativos em indústrias schumpeterianas. Setores intensivos em capital e conhecimento (schumpeteriano). Índice de capital/trabalho dependente de ativos naturais/criados do país de origem. Vantagens de propriedade Primeiramente específicas do país de origem
Tanto da firma como dos países de origem.
Principalmente vantagens avançadas específicas da firma (propriedade dos ativos e da condição de transnacional).
Primeira onda Estágio 2 Segunda onda Estágio 3 Empresas multinacionais convencionais Estágio 4 Exemplos de vantagens de propriedade 1. Propriedade do grupo conglomerado. 2. Tecnologia (principalmente adaptada). 3. Gerenciamento adaptado às condições do Terceiro Mundo.
4. Baixos custos (incluindo pessoal de gerência e técnico). 5. Vantagens étnicas. 1. Propriedade do grupo conglomerado. 2. Gerência adaptada às condições do Terceiro Mundo.
3. Baixos custos (incluindo pessoal de gerência e técnico). 4. Vantagens étnicas. 5. Alguns produtos diferenciados. 6. Habilidades de marketing limitadas.
7. Controle vertical sobre mercados de fatores/ produtos. 8. Capital subsidiado. 1. Tamanho grande – economias de escala. 2. Acesso a mercados de capitais. 3. Tecnologia. 4. Diferenciação de produtos. 5. Know-how de marketing. 6. Habilidades de marketing
além das fronteiras. 7. Atividades intrafirmas
eficientes globalmente. 8. Controle vertical sobre mercados de fatores/ produtos.
Fonte: Dunning, Hoesel & Narula, 1997. Santos, L. B. (Org.), 2008.
Segundo Dunning, Hoesel & Narula (1997), o segundo estágio de desenvol- vimento corresponde à primeira onda de IED de empresas de países do Terceiro Mundo, estudada por autores como Lecraw, Wells, Lall e Kumar. Os IED são destinados a países próximos (nos continentes africano e latino-americano), portanto são regionais, à procura de recursos naturais e de mercados. As vantagens das empresas multinacionais do Terceiro Mundo (EMNTM) são, ba- sicamente, específicas de seus países de origem, quanto à localização espacial, e resultantes de práticas conglomerais e étnicas, adaptação tecnológica, baixos custos e gerenciamento adaptado quanto à propriedade.
Seguindo o modelo proposto por Dunning, Hoesel & Narula (1997), a pri- meira onda de investimentos no exterior das EMNTM, principalmente as la- tino-americanas, ocorreu num momento marcado por barreiras comerciais à entrada de produtos e pela promoção de uma política de SI, principalmente nos anos 1960 e 1970. As EMNTM, portanto, souberam aproveitar um ambiente restritivo à competição e utilizaram as vantagens específicas do país de origem para investirem em países, geralmente vizinhos, de igual ou menor nível de desen- volvimento.
A segunda onda de IED é encabeçada por empresas e países subdesenvol- vidos situados no estágio 3 do ciclo de desenvolvimento do investimento. Nessa onda, apesar do caráter regional, a expansão geográfica das empresas esboça si-
nais de configuração de uma topologia global, com a procura de recursos natu- rais e mercados nos países “em desenvolvimento” e nos países desenvolvidos, ativos (marcas, distribuição e know-how) e mercados. As vantagens de proprie- dade resultam tanto dos países onde estão estabelecidas quanto das próprias companhias, abrangendo conglomeração, adaptação tecnológica, redução de custos, ligações étnicas, pequena diferenciação dos produtos, integração vertical das atividades, capital subsidiado.
Dunning, Hoesel & Narula (1997a), revendo os estágios e/ou ciclos de desen- volvimento do investimento, incorporam os elementos da globalização e os fa- tores endógenos de cada país, principalmente o papel do Estado no upgrade das vantagens de localização e de propriedade. Sobre a segunda onda de IED dos países em desenvolvimento, eles afirmam:
[…] a “nova” onda de IED resulta das mudanças na estrutura da economia mundial, que são, por sua vez, resultado da globalização e da regionalização da atividade econômica. Esses fenômenos estão associados com, inter alia, a) avanços tecnológicos dramáticos dentro de setores; e b) a liberalização dos mer- cados tanto quanto o estabelecimento dos blocos regionais de negócios. Suge- rimos, aqui, que essas mudanças têm impactado diferentes países em extensões diferentes e que a existência de uma segunda onda de EMNTM pode simples- mente representar uma parte da primeira onda quando as economias principais responderam com mais sucesso à globalização. (Dunning, Hoesel & Narula, 1997a, p.2)
Desse modo, a segunda onda é marcada pela ampla liberação comercial, pelo declínio das vantagens de propriedade específicas ao país de origem e pelo acir- ramento da competição entre as empresas de países subdesenvolvidos e as em- presas multinacionais dos países desenvolvidos. O processo de globalização encurtou o ciclo de vida dos produtos e impôs a necessidade de altos investi- mentos em P&D, a atuação disseminada em vários mercados e o imperativo de realizar investimentos à procura de ativos, forçando, dessa maneira, os governos a promoverem ativamente a reestruturação de suas economias.
Na opinião de Dunning, Hoesel & Narula (1997a), os governos dos países do Leste Asiático ou Novos Países Industrializados (NIP) desempenharam um papel importante na determinação do índice e da direção do crescimento e da reestruturação econômica, com subsídios e políticas interagindo com as estraté- gias das firmas. Os governos da Coreia do Sul e de Taiwan, diante da erosão da competitividade das vantagens de suas empresas – ancoradas fortemente em fa- tores específicos de localização –, promoveram políticas drásticas de liberdade à
entrada e saída de capital e patrocinaram, por meio de empréstimos e incentivos tarifários, as suas empresas para que investissem em outros mercados.
Subjacente ao modelo de desenvolvimento do investimento, cuja base empí- rica é o aumento dos IED de alguns países asiáticos como Coreia do Sul e Taiwan, está a ideia de que as políticas estatais visando à elevação das vantagens de locali- zação geraram o avanço das vantagens de propriedade das empresas. Assim, companhias coreanas e taiwanesas, diante do desenvolvimento industrial e da elevação dos níveis de renda em seus países, direcionaram IED atrelados a baixos custos de trabalho e recursos naturais para países situados nos estágios 1 e 2, en- quanto os IED à procura de ativos (tecnologia, marca, redes de distribuição, etc.) foram alocados a países de estágios 4 e 5.
O modelo proposto por Dunning, Hoesel & Narula (1997a) vai ao encontro do paradigma dominante, o eclético, porque procura atrelar as vantagens de lo- calização de um país com as vantagens de propriedade desenvolvidas pelas firmas. Assim, os autores, enviesados pela perspectiva do paradigma eclético, tendem a analisar as empresas multinacionais situadas em países subdesenvol- vidos pela ótica das vantagens, enquanto aqueles que partem da ideia de modelos de desenvolvimento do investimento priorizam os estilos de desenvolvimento, as políticas públicas e o grau de abertura econômica.
Mais recentemente, Cuervo-Cazurra & Genc (2008) trouxeram novos ele- mentos para analisar as capacidades construídas pelas empresas conforme as suas condições ambientais, com o destaque ao desenvolvimento institucional. Para eles, se as multinacionais de “países em desenvolvimento” são, por um lado, menos competitivas que as de países desenvolvidos – por causa, principalmente, das instituições subdesenvolvidas, por outro lado, elas transformam essas des- vantagens em vantagens e se tornam mais competitivas quando começam a atuar em países menos desenvolvidos, cujo ambiente institucional (leis e regulações que governam a atividade econômica) é difícil.
Para os autores, todas as EM possuem vantagens de propriedade de recursos específicos que lhes possibilita se internacionalizar. A diferença é que as MN de países desenvolvidos possuem vantagens em marca e publicidade, enquanto as dos países subdesenvolvidos destacam-se pela familiaridade com ambientes ins- titucionais mais difíceis existentes em seus espaços de origem e pela habilidade em administrar negócios em tais ambientes (Cuervo-Cazurra & Genc, 2008, p.959-60). Desse modo,
[…] apesar de ser menor, ter menos recursos sofisticados e vir de mercados lo- cais problemáticos com ambientes de governança insuficientemente desenvol-
vidos, as multinacionais de países em desenvolvimento podem ainda ser bem-sucedidas em sua internacionalização […] porque […] a competição entre as empresas multinacionais pode ser baseada em recursos que ajudam as firmas a competir em uma indústria, bem como naqueles que ajudam a operar em um ambiente institucional. (Idem, p.976)
Ao longo do artigo, com base numa análise econométrica, os autores buscam validar a hipótese de que em países onde for menor o poder de expressão e res- ponsabilidade dos cidadãos na escolha dos seus governantes, menor a eficiência governamental, menor a qualidade regulatória, menor o domínio da lei e menor o controle da corrupção, aí haverá a predominância de multinacionais de “países em desenvolvimento” entre as maiores subsidiárias de firmas estrangeiras.
Mathews (2006) parte de fatores como globalização e papel do Estado para explicar as vantagens das empresas multinacionais de “países periféricos”. Para ele, existe uma complementaridade entre as características da economia global emergente e as inovações estratégicas e organizacionais das empresas retar datárias e das novas entrantes, e essa complementaridade direciona o excep- cional sucesso das firmas do Pacífico asiático que se estabelecem como sérias jogadoras globais. O seu argumento é de que firmas multinacionais – Acer, Le- novo, Mittal Steel, City Developments, etc. – são precursoras de um novo tipo de multinacional, a qual é perfeitamente adaptada às novas condições da globali- zação. Essas empresas estão construindo seus próprios futuros com as condições fortuitas criadas pela globalização econômica.
Essas novas multinacionais ajudam a expor as fraquezas e os limites das teo- rias existentes sobre a internacionalização de empresas, porque elas não ado- taram uma postura gradual e preventiva, tampouco se internacionalizam com base em vantagens próprias (propriedade, internalização e localização). Para Mathews (2006), as mudanças na economia mundial, em especial o seu caráter interligado globalmente, são as responsáveis pelas novas abordagens da interna- cionalização de empresas.
Segundo o autor, as novas multinacionais são marcadas por três caracterís- ticas: i) internacionalização acelerada, seja por meio de contratos interfirmas, seja por seguir os consumidores; ii) inovação organizacional, começando a se in- ternacionalizar mediante adoção de uma atitude global; iii) inovação estratégica, encontrando meios de complementar as estratégias a partir de contratos, licen- ciamento de novas tecnologias, projetos em conjunto e alianças.
As novas empresas que estão emergindo não se preocupam em explorar ativos existentes ou recursos, mas em ganhar acesso a recursos por meio de sua
expansão internacional. Mathews (2006) propõe a base analítica por ele denomi- nada de LLL: ligação (linkage), alavancagem (leverage) e aprendizado (learning). Os três recursos podem ser compreendidos desta maneira:
1) Ligação: os recursos podem ser adquiridos externamente e é, portanto, necessária uma postura global das empresas, aqui entendida como fonte de vantagem.
2) Alavancagem: maneiras pelas quais as ligações podem ser estabelecidas com as multinacionais dos países desenvolvidos ou parceiros para que os recursos possam ser potencializados.
3) Aprendizado: repetidas aplicações de ligação e alavancagem podem re- sultar no aprendizado da firma para performances mais eficientes. Esse novo paradigma é, segundo seu proponente, o resultado da constatação de que, longe de um mundo homogêneo que se formou à imagem e semelhança de um punhado de multinacionais – geralmente dos países desenvolvidos –, a globa- lização criou as oportunidades para o surgimento de novas companhias, de portes médio a grande, que estão conseguindo obter vantagens do caráter interligado e complementar das múltiplas redes da economia global.
Child & Rodrigues (2005) corroboram as suposições do paradigma LLL quando destacam que as empresas chinesas não estão se internacionalizando em função de uma vantagem tecnológica por elas controlada, mas sim com a fina- lidade de diminuir suas desvantagens competitivas em relação às companhias líde res, por meio de uma estratégia que visa ganhar acesso à tecnologia e capa- cidade de desenvolvimento e adquirir marcas internacionais consolidadas. Por isso, defendem a perspectiva “intenção estratégica”, isto é, os IED se constituem numa tática proativa das empresas na busca de ativos estratégicos que lhes possi- bilite corrigir suas deficiências competitivas.
Essas estratégias de internacionalização têm sido perseguidas a partir de três maneiras. A primeira é a internacionalização interna que envolve a manufatura de equipamento original – com o direito de produzir para as empresas líderes – e as joint ventures. A segunda é uma estratégia agressiva de aquisições de ativos no exterior, com a finalidade de acessar tecnologias e marcas conhecidas. A terceira e última estratégia é a expansão internacional orgânica, geralmente denominada de investimentos greenfields, mediante a construção de unidades produtivas no exterior, seja em países próximos e de mesmo nível de desenvolvimento, seja em países desenvolvidos.
Child & Rodrigues (2005) mostram que as empresas chinesas têm perse- guido, às vezes, mais de uma estratégia de internacionalização e que, por trás de
cada uma delas, têm procurado atingir alguns objetivos. Na internacionalização interna, envolvendo manufatura de equipamento original e joint venture, as em- presas têm buscado construir uma reputação internacional para lançar, futu- ramente, suas marcas próprias e a oportunidade para aprender e diminuir as desvantagens de ser estrangeiro. A internacionalização por meio de aquisição tem como fulcro assegurar rapidamente marcas e tecnologias às vantagens de custo. Finalmente, a expansão internacional orgânica tem possibilitado a contra- tação de pessoal próprio, a adoção das heranças administrativas e a redução das