Chapitre 1 Le cadre théorique
2.1 La ségrégation socio-spatiale à Sidi Aich
2.1.2 La rive fréquentée par les enquêtés
A pesquisa qualitativa procura entender e interpretar fenômenos sociais inseridos no mundo social, de forma a constituir significado para o que é construído pelo homem, colaborando, assim, para que a realidade não seja única e acabada, mas que seja múltipla e complexa (GRANDE; KLEIMAN, 2007). Considerando, portanto, o envolvimento de questões relativas ao poder, à ideologia, à história e à subjetividade, de forma que a metodologia de pesquisa se conduza de maneira ética e com olhar voltado ao contexto político-social da prática da pesquisa ao pensar no potencial emancipatório que esta pode ter (GRANDE e KLEIMAN, 2007). Dessa forma, a pesquisa pode vir a colaborar com os grupos dos menos poderosos, dos mais pobres, dos menos escolarizados, no sentido de expor os resultados reais da pesquisa, mostrando as situações de poder (GRANDE; KLEIMAN, 2007),
de manipulação e, às vezes, de violência pelos quais passam os grupos menos representados na sociedade. No entanto, há de se tomar cuidado com os resultados de pesquisa, para que não sejam utilizados para contribuir com a desvalorização desses grupos menos representados.
Nesse processo estão envolvidos sujeitos sociais fragilizados em processo de aprendizagem, por isso, a/o pesquisadora/or tem o papel de estar atenta/o a todos os detalhes da pesquisa (GRANDE; KLEIMAN 2007), uma vez que:
a pesquisa qualitativa, ou interpretativa, está preocupada em como o mundo social é interpretado e experiênciado, entendido e produzido, baseando-se em métodos de geração de dados flexíveis e sensíveis ao contexto social em que o dado foi gerado. No entanto esse processo de geração de dados exige do pesquisador capacidade de pensar e agir estrategicamente, ao combinar preocupações intelectuais, filosóficas, técnicas, práticas e éticas para estar consciente das decisões tomadas e suas consequências [...] a pesquisa qualitativa está atenta para apreender a realidade complexa e as várias vozes que constituem o mundo social, envolvendo questões realistas a poder, ideologia, história e subjetividade, (GRANDE e KLEIMAN, 2007, p. 102).
Esse tipo de pesquisa exige postura de ordem crítica, ética, social, intelectual e prática por parte da/o pesquisadora/or para interpretar os dados gerados sem manipulação, comprometendo-se a apresentar resultados reais e verdadeiros. Bortoni-Ricardo (2008), no entanto, se refere à pesquisa qualitativa na sala de aula como uma forma de questionar a rotineira prática docente, na qual as/os atoras/es escolares acostumam-se tanto às suas rotinas que possuem dificuldades para perceber certos padrões estruturais de rotina existentes no ambiente escolar, ocasionando, em determinados momentos, a exclusão de certos sujeitos, neste ambiente, geralmente os corpos negros, homossexuais, travestis, transexuais, dentre as demais identidades.
Dessa forma, desenvolver uma pesquisa em Linguística Aplicada utilizando a metodologia qualitativa é relevante, pelo fato de esse tipo de pesquisa se propor a investigar como o mundo social é interpretado, experienciado, entendido e produzido, possibilitando as/aos estudantes participarem da construção de um currículo mais propício para acolher todas as identidades, garantindo um ambiente sem violência e preconceito para as pessoas que se encontram no espaço educacional. Grande e Kleiman (2007) afirmam que a pesquisa qualitativa tenta compreender a realidade complexa e as várias vozes que constituem o mundo social, de forma a permanecer atenta ao envolvimento de questões relativas ao poder, à ideologia, à história e à subjetividade.
Nesse sentido, minha pesquisa é de cunho qualitativo, a qual interpreta questões do mundo social relacionadas às identidades de raça, de gênero e de sexualidade no
ensino/aprendizagem da língua inglesa, como instrumento para desestabilizar o poder causador de sofrimento, de violência, de preconceito, de machismo, de sexismo, de homofobia, principalmente no ambiente escolar. Local este que recebe sujeitos distintos de gênero, de raça e de sexualidade, dada a necessidade de propor que, ao mesmo tempo que as/os estudantes adquiram a proficiência na língua, elas/eles também possam construir-se a si mesmas/os, e a quem se encontra a sua volta, considerando as suas identidades de raça, de gênero e de sexualidade.
2. 2.1 PESQUISA DO TIPO ETNOGRÁFICA
Até o início dos anos 70, a pesquisa de sala de aula utilizava basicamente de esquemas de observação que visavam registrar comportamentos de professoras/res e estudantes em situação de interação. Por isso, esses estudos tornaram-se conhecidos como “análises de interação” (ANDRÉ, 2010). Sendo, segundo André (2010), os primeiros trabalhos publicados no Brasil sobre o uso da abordagem etnográfica em educação sob influência dos trabalhos realizados na área de avaliação, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na década de 1980, a pesquisa do tipo etnográfico ganhou muita popularidade na área de educação. Muitos trabalhos foram produzidos com a preocupação de descrever as atividades de sala de aula e as representações das/os atoras/es escolares.
A maior parte desses trabalhos surgiu nos centros de pós-graduação em educação do Brasil, em forma de dissertações, de teses e de pesquisas realizadas pelos docentes. A cada ano, novos trabalhos foram surgindo, diversificando-se em seus objetivos, fundamentos e procedimentos, de modo que, no início dos anos 90, com uma produção regular e consistente, já foi possível fazer um balanço crítico dessa produção e identificar não só suas contribuições, mas também seus principais problemas (ANDRÉ, 2010).
Assim, “a pesquisa do tipo etnográfico, que se caracteriza fundamentalmente por um contato direto do pesquisador com a situação pesquisada, permite reconstruir os processos e as relações que configuram a experiência escolar diária” (ANDRÉ, 2010, p. 56). Vindo por meio de técnicas etnográficas de observação participante e de entrevistas intensivas, possibilitando documentar o não documentado, ou seja, desvelar os encontros e desencontros que permeiam o dia a dia da prática escolar, descrevendo ações e representações de quem se encontra neste ambiente, de forma a reconstruir suas linguagens, suas formas de comunicação e os significados que são criados e recriados no cotidiano do fazer pedagógico.
Conforme André (2010), esse tipo de pesquisa permite que se chegue bem perto da escola para tentar entender como operam no seu dia a dia os mecanismos de dominação e de resistência, de opressão e de contestação, ao mesmo tempo que são veiculados e reelaborados conhecimentos, atitudes, valores, crenças, modos de ver e de sentir a realidade e o mundo. Assim, conforme André (2010), conhecer a escola mais de perto significa se aprofundar nas relações e interações que constituem o dia a dia escolar, conhecendo as forças que impulsionam ou que retêm a rotina escolar, identificando as estruturas de poder e os modos de organização do ambiente escolar, de forma a entender o papel e a atuação de cada sujeito nessa complexa interação em que as ações, as relações e os conteúdos são construídos, negados, reconstruídos ou modificados.
Neste contexto, o processo etnográfico é aberto e flexível, mas isso não significa ausência de referencial teórico, pois a definição do objeto de estudo é sempre feita por causa de um alvo que se busca e de um interesse específico por conhecer, o que implica uma escolha teórica que pode e deve ser explicitada ao longo do estudo (ANDRÉ, 2010). Para que se possa apreender o dinamismo próprio da vida escolar, é preciso estudá-la, conforme André (2010), em pelo menos três dimensões: a institucional, ou organizacional, a instrucional, ou pedagógica, e a sociopolítica/cultural. Essas três dimensões não podem ser consideradas isoladamente, mas como uma unidade de múltiplas inter-relações, por meio das quais se procura compreender a dinâmica social expressa no cotidiano escolar. Contudo, a/o pesquisadora/or não pretende comprovar teorias nem fazer “grandes” generalizações. O que se busca é descrever a situação, compreendê-la, revelar os seus múltiplos significados, deixando-a para a/o leitora/or decidir se as interpretações podem, ou não, ser generalizáveis (ANDRÉ, 1995).
Dessa forma, optei por este tipo de pesquisa etnográfica, pela possiblidade de se aproximar do ambiente escolar, com flexibilidade na organização da pesquisa, a qual durou 3 meses, contando com 5 encontros para a geração de dados. A pesquisa, então, foi dividida em dois momentos, sendo, no primeiro momento, a participação de toda a turma da 2ª Série do Ensino Médio, turno da manhã, e, em um segundo momento, contando somente com 8 estudantes desta turma. A escola escolhida para realizar a pesquisa foi a Escola Estadual Zumbi dos Palmares, no Município de Prudentópolis-PR, a qual me proporcionou acesso tranquilo e acessível para realizar a geração de dados. Assim, pude investigar e compreender como as/os estudantes percebem as questões de raça, de gênero e de sexualidade neste ambiente, mais especificamente nas aulas de língua inglesa. A presente pesquisa se propôs, então, a investigar: como as/os estudantes percebem as identidades de raça, de gênero e de
sexualidade na sala de aula de língua inglesa, e também, quais as razões de incluir as identidades de raça, de gênero e de sexualidade nas aulas de língua inglesa na perspectiva das/os estudantes. Os resultados obtidos com a pesquisa tem o intuito de contribuir para (re)pensar e (re)construir um currículo escolar mais acolhedor e respeitoso para com as identidades de raça, de gênero e de sexualidade.
2.2.2 ESTUDO DE CASO
De acordo com Ventura (2007) e Yin (2001), o estudo de caso é geralmente organizado em torno das questões: como e por quê, possibilitando observação direta e uma sistemática de entrevistas. Esse tipo de pesquisa (estudo de caso) contribui, de forma inigualável, para a compreensão dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos (YIN, 2001). Fornece possibilidades de retratar situações vivas no dia a dia escolar, sem prejuízo de sua complexidade e de sua dinâmica natural: com possibilidade de oferecer insights e conhecimentos que clarifiquem ao leitor os vários sentidos do fenômeno estudado, possibilitando a descoberta de novas significações, novas relações, novas experiências (ANDRÉ, 1995).
No entanto, esses insights podem vir a se tornar hipóteses que sirvam para estruturar futuras pesquisas, o que torna o estudo de caso relevante na construção de novas teorias e no avanço do conhecimento nessa área, tendo a vantagem que o estudo de caso permite que a/o pesquisadora/or parta de um esquema teórico aberto, o qual possibilita novas descobertas e novas relações. Entretanto, há de se ter o cuidado para não se perder na acumulação de dados e/ou análise superficial e inconsistente. Outra qualidade importante do estudo de caso é o potencial de contribuição para os problemas da prática educacional, fornecendo informações valiosas para medidas práticas e decisões políticas nesse espaço. Esse tipo de pesquisa conta com a sensibilidade e o preparo da/o pesquisadora/or, porque ela/ele se torna o principal instrumento de geração e de análise de dados (ANDRÉ, 1995). E, por fim, se faz necessário acrescentar as questões éticas, as quais possibilitam a/ao pesquisadora/or conhecer e utilizá- las, de forma a evitar constrangimento no decorrer da pesquisa.
Dessa forma, a escolha pela pesquisa "estudo de caso" é decorrente da possibilidade “de um levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob todos os aspectos, (MARCONI; LAKATOS, 2011) neste caso, a investigação ocorreu com um grupo de estudantes nas aulas de língua inglesa, considerando como as questões de raça,
de gênero e de sexualidade são vistas e vividas no ambiente escolar, de modo que a língua possa colaborar para romper com o silenciamento e a exclusão dessas identidades neste ambiente.