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Dans le document CARTIER SAADA S.A. (Page 75-79)

3.3.1 Documento (Fichas de Matrícula)

A análise documental pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, como no caso deste trabalho, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema. Para Lüdke e André (1986, p. 38) são considerados documentos:

[...] quaisquer materiais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre o comportamento humano. Incluem desde leis e regulamentos, normas, pareceres, cartas, memorandos, diários pessoais, autobiografias, jornais, discursos, roteiros de programas de rádio e televisão até livros, estatísticas e arquivos escolares. Não é apenas uma fonte de informação contextualizada, mas integram um determinado contexto e fornecem informações sobre o mesmo.

Nesta pesquisa, foi utilizada a técnica de análise documental para a realização do levantamento dos dados pessoais dos egressos das turmas dos anos de 2009 e do ano de 2010.

Foram solicitadas à Secretaria do MECM da UEPB as fichas de matrícula que constam no Sistema de Controle Acadêmico da Pós-Graduação, com a finalidade de identificar a quantidade de egressos nos anos de 2009 e 2010, suas distribuições entre Ensino de Física e Educação Matemática, formação acadêmica, atuação profissional, localidades de moradias, contatos com email e telefones. Posterior a isso, foi realizado um fichamento contendo informações sobre o curso de formação acadêmica (Licenciatura em Matemática ou Física), nome completo, endereço residencial, número de telefone e email, informações essas essenciais para iniciar o contato com os sujeitos.

Tendo fichado os dados, chegou-se ao momento da elaboração do questionário para realizar a seleção (filtragem) dos dados dos sujeitos.

3.3.2 Questionário e Entrevista

Utilizou-se questionário e entrevista para a coleta de dados. Questionário é um instrumento de coleta de dados com questões a serem respondidas por escrito sem a intervenção direta do pesquisador. Entrevista exige a presença do pesquisador, a fim de obter dos sujeitos as informações importantes para responder ao problema. Conforme Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 79):

Tanto o questionário quanto a entrevista devem ser cuidadosamente planejados, de forma que as questões especifiquem claramente o conteúdo que se pretende seja abordado pelo sujeito. A entrevista tem a vantagem de envolver uma relação pessoal entre pesquisador/sujeito, o que facilita um maior esclarecimento de pontos nebulosos. Porém, se por um lado a entrevista tem a vantagem de maior flexibilidade em relação ao questionário, esse tem a vantagem de poder ser utilizado em um grande número de pessoas ao mesmo tempo.

No caso desta pesquisa, preparou-se um questionário (Apêndice B) com onze questões abertas, elaboradas com objetivos bem definidos no sentido de obter informações relevantes sobre o professor mestre com relação ao número de instituições em que leciona, há quanto tempo leciona; motivos do ingresso no mestrado; mudança no projeto inicial; o que motivou chegar ao objeto de estudo de sua pesquisa; as contribuições do objeto de estudo na prática de sala de aula; as produções acadêmicas e a influência do mestrado na vida pessoal e os impactos percebidos em relação ao ambiente entre outras.

Constatou-se que, de forma explícita, as questões não contemplaram o tema saberes docente e concepções no processo de ensino e aprendizagem, mas a partir delas foi possível confrontar o perfil do professor com suas práticas docentes.

A entrevista foi realizada com o objetivo de obter dados mais peculiares do questionário, principalmente com as questões de ensino e aprendizagem. No momento da entrevista, objetivou-se conhecer a história da vida estudantil do professor (até o presente momento), buscando compreender também elementos significativos do processo de ensino e aprendizagem por meio dos relatos orais, no sentido de identificar como se dá a dinâmica das aulas do professor, em especial das práticas docentes.

As entrevistas (Apêndice F e G) distinguem-se dos outros métodos de recolha de dados porque se caracterizam pela “aplicação dos processos fundamentais de comunicação e de interação humana” (QUIVY; CAMPENHOUDT, 1992, p. 193). Dentro do âmbito das entrevistas, Lüdke e André (1986, p. 34) afirmam que “o tipo de entrevista mais adequado para o trabalho de pesquisa que se faz atualmente em Educação aproxima-se dos esquemas mais livres, menos estruturados”.

No sentido de captar maiores detalhes optou-se pelas entrevistas semiestruturadas gravadas em áudio/vídeo para que o professor se sentisse livre e espontâneo para expor suas argumentações.

3.3.3 Gravador de Áudio (MP3) e Vídeo

Para registrar as entrevistas, fez-se uso do gravador de áudio, visando a explorar todos os detalhes nas entrevistas e observações, pois, de acordo com Bogdan e Biklen (1994, p.172), “quando um estudo envolve entrevistas extensas ou quando a entrevista é a técnica principal do estudo, recomenda-se que use um gravador”. Assim, a utilização de gravador durante a entrevista levanta algumas considerações especiais, em termos das relações de investigação.

Vianna (2007) relata que as observações podem ser registradas em forma narrativa ou em gravadores (vídeo ou audiotapes) e, posteriormente, transformadas em quadros interpretativos, classificações ou medidas dos vários elementos de um comportamento, não existindo um tipo ideal para registro dos dados observados.

A opção de filmar as entrevistas foi relevante, pois possibilitou a captura de cenas pertinentes que podem ser revistas e analisadas quantas vezes forem necessárias. Por meio do filme, foi possível distinguir detalhes e fatos que pudessem passar despercebidos pela natureza do próprio conteúdo abordado. As filmagens foram feitas pela própria pesquisadora. O gravador de áudio (MP3) foi usado durante a realização das entrevistas.

Tendo definido como as entrevistas foram registradas, seguem-se as especificidades sobre a observação realizada.

3.3.4 Observação

A escolha da observação direta como uma das técnicas de recolha de dados, une-se ao fato de o pesquisador poder capturar melhor as perspectivas do sujeito. Borg, Gall e Gall (1989, p. 385) referem que:

O pesquisador é o principal instrumento de recolha de dados porque, dada à multiplicidade de dimensões dos fenômenos em estudo, nenhum instrumento não humano é suficientemente flexível para se adaptar à complexidade das situações.

A observação direta permite que o observador se aproxime das convicções das pessoas, conforme Lüdke e André (1986, p. 26), os quais ainda afirmam que “na medida em [...] que acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode apreender a sua visão do mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações”.

A necessidade de nortear a observação é uma preocupação apontada por Lüdke e André (1986), referindo que sem deixar de ter a perspectiva do global da situação, o pesquisador não se deve desviar muito dos seus focos de estudo, de acordo com o quadro teórico traçado. Neste contexto, a existência de um roteiro assume particular relevância para que ele “[...] oriente a sua observação em torno de alguns aspectos, de modo que não termine com um amontoado de informações irrelevantes, nem deixe de obter certos dados” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 30).

Alguns autores apresentam sugestões do que deve ser incluído nas observações de campo. Segundo Bogdan e Biklen (1994), as observações devem ter uma parte descritiva, trazer mais detalher para analise, revelando o que o questionário e entrevista deixam a desejar, de forma reflexiva e analítica. De acordo com estes autores, a componente descritiva deve incluir: (i) descrição dos sujeitos; (ii) reconstituição dos diálogos; (iii) descrição dos locais onde decorre a observação; (iv) descrição dos eventos especiais; (v) descrição das atividades e dos comportamentos das pessoas observadas; (vi) comportamento do pesquisador. Enquanto a componente reflexiva deve incluir: (i) reflexões analíticas, traduzidas na forma de novas ideias; (ii) reflexões de índole metodológica; (iii) dilemas étnicos e conflitos; (iv) mudanças de perspectivas do pesquisador.

As observações realizadas neste estudo possuem registros audiovisuais gravados. Portanto, o roteiro de observação permite orientar o observador para os aspectos que se consideram o foco da investigação. Na mesma linha, Lüdke e André (1986, p. 25) salientam que as observações feitas da realidade estão relacionadas com a história pessoal de cada um, privilegiando deste modo determinados aspectos em detrimento de outros. Atendendo a este fato, as autoras colocam uma questão pertinente: “Como então confiar na observação como um método científico?”. E avançam logo com o seguinte argumento:

Para que se torne num instrumento válido e fidedigno de investigação científica, a observação precisa ser antes de tudo controlada e sistemática. Isso implica a existência de um planejamento cuidadoso do trabalho e uma preparação rigorosa do observador (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 25).

As observações foram realizadas no período de abril a maio do ano de 2012, nas instituições que Luzia e Pedro trabalham, totalizando assim 6 aulas observadas para cada um. Após a definição dos instrumentos utilizados na pesquisa, passa-se agora à definição concernente à coleta dos dados.

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