Chapitre 1 : Contexte géographique, problématiques et cadre méthodologique
2. Résultats et discussions
2.1. Le rapport AP/NAP
Nesta secção apresentamos o desenvolvimento profissional da professora-investigadora enquanto professora e investigadora que concebeu e implementou a sequência didática. Para a
análise do desenvolvimento profissional da professora-investigadora realizámos uma meta- reflexão, tendo em conta as dimensões do conhecimento profissional e a importância da conceção e implementação do projeto de intervenção-investigação. Para que esta análise fosse o mais rigorosa e imparcial possível, esta compreende a análise da opinião de diferentes intervenientes, nomeadamente da própria professora-investigadora, da professora orientadora cooperante e da professora orientadora de Prática Pedagógica Supervisionada.
Começando a análise do desenvolvimento profissional e, tendo em conta as dimensões do conhecimento profissional traçadas por Shulman (1987), optou-se por fazer uma pequena introdução de cada dimensão analisada e eleger apenas uma evidência do desenvolvimento para cada uma delas.
Antes da implementação do projeto, no momento da preparação e planificação das sessões e na procura de resposta para algumas questões colocadas pelos alunos, recorremos à pesquisa em diferentes fontes para dissipar algumas dúvidas ou aprofundar determinados conteúdos desenvolvendo o conhecimento do conteúdo.
“No meu caso, sinto que houve uma ligeira melhoria aquando da reformulação das planificações, incluindo um enquadramento teórico. Além disso, a necessidade de pesquisar e selecionar alguns sites para consulta e seleção de informação sobre determinada temática, por parte dos alunos, obrigou a este discernimento quanto às fontes recomendadas. Acima de tudo considero importante ''beber'' de várias fontes mas ter um olhar crítico sobre as mesmas e não limitar a pesquisa apenas a um livro, como acontece com os professores que se centram apenas no manual.”
(Transcrição da reflexão final de Prática Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
No momento da planificação, foi ainda necessário um conhecimento do curriculum, mas um conhecimento que não fosse centrado apenas nos conteúdos mas que fizesse uma abordagem integrada do currículo, implicando o desenvolvimento de aprendizagens ao nível dos conhecimentos, capacidades, atitudes e valores.
“Todavia, com a reformulação ou revogação de alguns programas, currículos e metas de aprendizagem, as orientações são confusas e a sua leitura é difícil para os próprios professores, que acabam por trabalhar à luz de documentos já extintos. A nossa opção (da díade) foi tentar relacionar todas as áreas em
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conhecimentos, ao nível dos conteúdos, capacidades e atitudes e valores. Isto é, olhar para o currículo através de ''uma concepção de currículo que procura relações em todas as direcções, e que devido a esse tipo de união especial, é dado o nome integração curricular'' (Beane, 1997 referenciado em Beane, 2003, p. 94).”
(Transcrição da reflexão final de Prática Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
Quanto à organização e gestão do processo de ensino e aprendizagem, revelou-se crucial um conhecimento pedagógico geral que possibilitasse uma boa gestão do tempo, dos diferentes ritmos das crianças e uma organização das atividades e da própria sala de aula.
“Quanto à gestão dos diferentes ritmos das crianças e à gestão do tempo, penso que tanto eu como a minha colega de díade nos apercebemos que deveríamos desenvolver estratégias para colmatar essas diferenças e optamos assim por, em alguns momentos, pedir aos alunos, que já terminaram as suas tarefas, que ajudem os colegas que estão mais atrasados. Esta estratégia não pretende tirar- nos trabalho ou ocupar as crianças mas sim permitir que a colaboração entre pares aconteça e ambos possam aprender com a mesma.” (Transcrição da
reflexão intermédia da Prática Pedagógica – 11 de novembro de 2012)
Em relação ao conhecimento dos fins sublinho a importância da definição de aprendizagens para que a planificação das atividades seja enquadrada teoricamente e metodologicamente.
Sinto que evolui muito quanto ao conhecimento dos fins, com a necessidade de definir aprendizagens ao nível dos conteúdos, capacidades e valores e ainda objetivos para cada atividade, na fase de planificação. Agora sinto que é crucial compreendermos o que queremos fazer aprender antes de planificar, porque só com as aprendizagens esperadas se consegue avaliar a pertinência da atividade e as estratégias que irão ser mobilizadas. (Transcrição da reflexão final de Prática
Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
Além disso é importante que se conheçam os valores educacionais e que se respeitem todos e cada um com as suas especificidades e para isso é importante um conhecimento dos aprendentes.
“Também me preocupei com o acompanhamento individual dos alunos nas diversas tarefas e em dar um feedback dos seus resultados, fazendo-os refletir, reformular ou corrigir algumas tarefas mas também dando os parabéns sempre que as atividades eram realizadas corretamente, de forma crítica e criativa. Além disso senti necessidade de manter os alunos em tarefas produtivas e implicados e em alguns casos planifiquei atividades extra ou sugeri que ajudassem os colegas quando terminassem um trabalho anterior”. (Transcrição da reflexão final de
Prática Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
Quanto à capacidade de tornar qualquer conteúdo compreensível pelos aprendentes, conhecimento pedagógico de conteúdo, sentimos que era necessário que as atividades fossem significativas e que houvesse uma preparação prévia acerca dos conteúdos, por parte do professor. Além disso é bom sabermos factos ou curiosidades acerca de determinada temática, que se possam dizer às crianças motivando-as para a pesquisa ou aprofundamento desse conteúdo.
“A questão é que nem sempre somos capazes de ensinar um determinado conteúdo, apesar de que o dominemos. Há quem defenda que só sabemos algo realmente bem quando o explicamos a outra pessoa, mas a verdade é que senti que, apesar das ideias estarem claras para mim, quando as tentava explicar nem sempre funcionava. Nesses momentos revelaram-se fundamentais algumas notas que fazia todos os dias à noite, pensando em possíveis respostas e possíveis ligações que poderia fazer entre as ideias e a atividade planeada.” (Transcrição da
reflexão final de Prática Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
O conhecimento dos contextos, última dimensão do conhecimento profissional definida por Shulman (1987), revela-se crucial no revestimento de significado das aprendizagens, mas também na articulação escola-comunidade.
“A nível do projeto de intervenção-investigação, sentimos que, tendo em conta esta dimensão, foi importante a visita ao supermercado Pingo Doce, a visita dos jogadores do Beira-Mar à escola e o workshop com uma nutricionista do distrito
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McKeachie & Berliner (1990 citados em Beane, 2003) ''Quanto mais um acontecimento é, significativo, mais profunda ou elaboradamente processado, mais situado em contexto, e mais enraizado num conhecimento cultural, de fundo, metacognitivo e pessoal, mais rapidamente é compreendido, aprendido e recordado'' (p.95) ”. (Transcrição da reflexão final de Prática Pedagógica - 20 de
dezembro de 2012)
Em relação ao conhecimento sobre si próprio, registaram-se evidências não só pela própria professora-investigadora como pela professora orientadora cooperante e a professora orientadora de Prática Pedagógica Supervisionada.
“No desenvolvimento da aula, tenho noção que falo demasiado rápido e que muitas vezes tenho que encontrar outras estratégias para que os alunos compreendam o que digo, como pedir a algum aluno que repita o que eu disse com palavras suas. Além disso, temo usar, por vezes, palavras demasiado difíceis e por isso tenho a preocupação de ir introduzindo alguns sinónimos ou de ir associando essa palavra a alguma já conhecida ou explorada noutro momento. No que se refere às questões colocadas, tento ser clara e reformulo-as sempre que necessário para que as respostas não sejam influenciadas pela má compreensão das mesmas. No desenvolvimento da aula e na gestão da sala tenho ainda especial atenção na circulação pela sala para ter visibilidade de toda a turma, sem prejuízo da atenção individualizada. Na existência de um aluno que perturba o normal desenrolar da aula, uma das estratégias utilizadas é colocar uma questão relacionada com a temática ao aluno que está a perturbar e fazê-lo compreender que estava a ter um comportamento desadequado sem ter de chamá-lo à atenção. Desta forma não o repreendo mas implico-o no processo e faço com que ele mesmo analise a sua postura na sala.” (Transcrição da reflexão final de Prática
Pedagógica - 20 de dezembro de 2012)
“Demonstra conhecimento nas diferentes vertentes e sobretudo de uma profissional aberta, responsável e dinâmica.” (POC num comentário à reflexão
“Revela responsabilidade, atitude crítica, ação comprometida e vontade de fazer sempre mais e melhor.” (POPPS no comentário ao portfolio reflexivo realizado no
âmbito da Prática Pedagógica Supervisionada)
Por último, tivemos em conta a importância da articulação entre os projetos da díade, o trabalho em equipa e o impacte no desenvolvimento profissional da professora orientadora cooperante. Salientamos assim duas evidências, uma da professora-investigadora e uma da professora orientadora cooperante.
“Em primeiro lugar, senti que foi importante a ligação entre os dois projetos, o meu e o da minha colega, que se mostraram perfeitamente compatíveis. Assim, se um dia aprendiam os nutrientes necessários para uma alimentação saudável, no outro aprendiam os critérios que deveriam ter em conta para escolher produtos ricos nesses nutrientes, os cuidados que deviam ter com o lixo produzido ao comprá-los e as consequências, para o ambiente, da sua produção. Além disso, o verdadeiro trabalho em equipa e a cumplicidade entre a díade, o acompanhamento e ajuda dado pela orientadora cooperante e as reflexões guiadas pelas orientadoras da universidade revelaram-se essenciais para o desenvolvimento do projeto.” (Transcrição da reflexão final de Prática Pedagógica
- 20 de dezembro de 2012)
“Promoveu o meu desenvolvimento profissional: os meus conhecimentos científicos e didáticos melhoraram, proporcionou troca de experiências e momentos de reflexão e de reformulação de práticas. Se a implementação deste projeto resultou de um trabalho em equipa, em que todos estão implicados, então também teve impacte no desenvolvimento profissional das estagiárias e deste modo melhorou as suas competências enquanto futuras professoras e enquanto investigadoras.” (Transcrição da entrevista à professora orientadora cooperante)
Terminada a análise do impacte do projeto no desenvolvimento profissional da futura docente revelou-se crucial a análise do desenvolvimento de competências enquanto investigadora. Retomando a citação de Alarcão, referida no capítulo 1 deste relatório, “todo o professor verdadeiramente merecedor deste nome é, no seu fundo, um investigador e a sua
Página | 91 investigação revela-se assim crucial na atribuição de sentido às experiências vivenciadas na Prática Pedagógica através do desenvolvimento profissional e da fundamentação das práticas com base no conhecimento de outros.
Alarcão (2001) enunciou um conjunto de competências essenciais à vivência dos professores-investigadores dividindo-as e sistematizando-as por atitudes, competências de ação, competências metodológicas e competências de comunicação.
Começando pelas atitudes, a autora elenca algumas como o espírito aberto, o compromisso, o respeito pelas ideias do outro e a capacidade de se sentir questionado. Estas atitudes foram mencionadas em comentários de reflexões pelas orientadoras, como citado anteriormente na dimensão do “conhecimento sobre si próprio”. Já nas competências de ação, Alarcão (2001) destaca a colaboração, a capacidade de trabalhar em grupo e a decisão no desenvolvimento, execução e avaliação de projetos, competências desenvolvidas através da articulação dos projetos da díade, das reuniões efetuadas com as professoras orientadoras e ao longo da conceção, implementação e avaliação deste projeto.
Ao nível das competências metodológicas, na recolha de dados foi importante a observação, a formulação de questões de investigação e a leitura e aprofundamento acerca das técnicas e instrumentos de recolhas de dados. Isto porque, mesmo que já fossem usadas antes, não havia conhecimento que eram técnicas de investigação e desconheciam-se também os procedimentos a adotar. A observação, a compilação documental, o inquérito por questionário e o inquérito por entrevista foram as técnicas adotadas e implicaram aprofundamento teórico para a conceção das grelhas de observação, para a conceção do questionário e do guião da entrevista. Nesta fase sentimos falta de experiência em investigação em alguns aspetos como a importância da vídeo-gravação, como instrumento de apoio à técnica da observação. Assim, foi crucial nesta fase o apoio das professoras orientadoras que alertaram para a importância da vídeo-gravação e das notas de campo e nos ajudaram na conceção do questionário e do guião da entrevista, colmatando algumas lacunas.
Na análise dos dados foi igualmente importante a descoberta e utilização de alguns
softwares que tornaram a análise mais rigorosa e possibilitaram uma abordagem mais
aprofundada dos dados. Destaca-se o webQDA, software de análise qualitativa que funcionou como instrumento de apoio à técnica de análise de conteúdo e o IBM SPSS, software de análise quantitativa que foi adotado como instrumento de apoio à análise quantitativa dos questionários. Por último, quanto às competências de comunicação, em específico a clareza do discurso e o diálogo argumentativo e interpretativo, destacamos o facto de a professora-investigadora, no
início do projeto de intervenção-investigação, ter alguma dificuldade em falar pausadamente e além disso ser pouco explícita nas informações ou explicações no decorrer de algumas atividades. Contudo, ao longo do projeto houve um esforço por colmatar essa falha e aos poucos o discurso ficou mais claro. Quanto ao diálogo argumentativo e interpretativo, a reflexão realizada no fim de cada sessão foi potenciadora do pensamento crítico e da argumentação, dado que analisávamos os pontos mais positivos e menos positivos de cada sessão e justificávamos as opções adotadas.
Concluindo, podemos afirmar que houve desenvolvimento profissional da professora- investigadora tanto como professora onde desempenhou a Prática Pedagógica Supervisionada, como enquanto investigadora que concebeu, implementou e avaliou a sequência didática.