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le module GPS Sony Ericsson GM47 Troisième partie

Todos os procedimentos foram realizados no Laboratório de Psicofisiologia do ICEB do Campus Morro do Cruzeiro da UFOP entre às 8 e 18 horas. A luminosidade externa era controlada através de cortinas e a iluminação artificial estava sempre ligada. Os voluntários

foram informados de que todos os seus dados coletados seriam armazenados no laboratório onde se realizaram os experimentos, sendo os questionários guardados em armários trancados e os dados eletromiográficos salvos em computadores com senha onde apenas os pesquisadores teriam acesso.

Para realizar o experimento, dois pesquisadores sempre estavam presentes no Laboratório de Psicofisiologia e foram denominados Experimentador 1 e Experimentador 2. A equipe total de pesquisadores que compunham o presente estudo possuía dois pesquisadores que atuaram como Experimentador 1 e quatro pesquisadores que atuaram como Experimentador 2. O único pesquisador que teve contato direto com o voluntário foi o Experimentador 1. Esta decisão foi tomada para que houvesse a maior padronização possível de abordagens entre os experimentos. Portanto, o Experimentador 1 era responsável por recepcionar o voluntário, esclarecer dúvidas, colocar os eletrodos e dar instruções. O Experimentador 2, por sua vez, organizava todos os aparatos necessários para a realização dos experimentos, como separação de eletrodos, regulação de temperatura da sala de experimentos (aproximadamente 21ºC), enumeração do envelope do voluntário, além de iniciar os registros das coletas de dados e de verificar problemas de qualquer natureza que poderiam ocorrer durante o experimento.

O voluntário chegava no horário agendado no Laboratório de Psicofisiologia, onde era recebido pelo Experimentador 1 e levado à sala de experimentos. Duas cópias do TCLE eram entregues e o voluntário era instruído a lê-las atentamente e, caso concordasse em participar da pesquisa, as assinasse. Uma vez assinadas, uma das cópias do TCLE era colocada em uma pasta, na qual os TCLEs de todos os voluntários eram guardados, impossibilitando a identificação do voluntário. A outra cópia pertencia ao voluntário.

O Experimentador 1 explicava brevemente o experimento; esclarecia que as coletas seriam feitas por meio de eletrodos que não causariam nenhum choque ou dor ao participante; que todos os questionários a serem respondidos seriam enumerados e não nominais; e, sendo a pesquisa de caráter voluntário, o participante era livre para interrompê-la a qualquer momento. Logo em seguida, o voluntário preenchia o questionário sobre saúde e hábitos gerais e as duas escalas de empatia (Escala de Contágio Emocional e IRI) e, quando o experimento terminava, os questionários eram, então, colocados no envelope com a numeração do participante.

O voluntário era orientado a higienizar o rosto para a colocação dos eletrodos. O Experimentador 1 indicava o banheiro para o participante e entregava a ele um frasco com sabonete neutro e hipoalergênico, para a lavagem do rosto, e papel toalha. Assim que o voluntário retornava, sentava-se em uma poltrona confortável e dava-se início à colocação de eletrodos.

O Experimentador 1 fazia uma segunda higienização da pele do participante, apenas no local de colocação dos eletrodos, com álcool 70% e, então, esfoliava levemente a região com uma folha de papel toalha. Os sinais de EMG foram coletados dos músculos CS e ZM. Para tanto, utilizamos eletrodos de cloreto de prata (Ag-AgCl) com quatro milímetros de diâmetro, sendo utilizados dois eletrodos para o registro de cada músculo, sempre do lado esquerdo da face. O posicionamento dos eletrodos seguiu o método proposto Fridlund e Cacioppo (1986)

Para a colocação dos eletrodos para o ZM, se media a distância entre a depressão pré-auricular e o canto da boca e se colocava o primeiro eletrodo no ponto médio dessa distância. O outro eletrodo era colocado abaixo, em diagonal de 1 a 1,5 cm de distância do primeiro (Figura 6) (Fridlund e Cacioppo, 1986). Para a mensuração da atividade do músculo CS, o primeiro eletrodo foi colocado acima da sobrancelha na linha imaginária na direção do canto interno do olho e o segundo 1cm acima e um pouco látero-diagonal (Figura 6).

Figura 6: Desenho esquemático da colocação de eletrodos para coleta da atividade dos músculos corrugador do supercílio (à esquerda) e zigomático maior (à direita) (Adaptado de Fridlund e Cacioppo, 1986).

Após o posicionamento dos eletrodos, o voluntário recebeu orientações para se manter relaxado, sentado, em uma posição confortável e se movimentar o mínimo possível. O Experimentador 2 fazia a verificação do registro do sinal de EMG no computador após a colocação dos eletrodos. A verificação do registro do músculo ZM e CS foi feita, solicitando que o voluntário sorrisse e franzisse a sobrancelha, respectivamente. Caso o sinal de EMG do ZM aumentasse sua amplitude no momento que o voluntário sorrisse, e o sinal de EMG do

CS aumentasse a sua amplitude no momento que o voluntário franzisse a sobrancelha, era dada continuidade ao experimento. Caso houvesse algum problema na recepção do sinal, os eletrodos eram retirados, o local da pele era limpo novamente e os eletrodos eram limpos e recolocados.

O voluntário era informado de que haveria instruções nas telas sobre o prosseguimento do experimento. Sua tarefa consistia em assistir, primeiramente, a um Bloco Treino (texto e fotografias neutras), antes de iniciar o experimento propriamente dito, que possuía dois blocos de texto e fotografias. Era reforçado para que o voluntário se mexesse o mínimo possível e se mantivesse em uma posição confortável e relaxada. O Experimentador 1 se retirava da sala de experimentos antes do início do Bloco Treino. Este iniciava-se com uma tela preta com 1 minuto de duração, seguida da exibição de um texto com tempo de livre leitura de forma a contextualizar as fotografias a serem observadas em seguida. Todos os momentos de tempo livre para leitura eram indicados para o voluntário na tela do computador, além de ser instruído a apertar a barra de espaço do teclado ao finalizar a leitura. Após o texto, cada foto ficava acesa na tela durante 4 segundos. Entre a exibição de uma foto e outra, era exibida uma tela preta com ponto de fixação que tinha seu tempo de exibição variando, aleatoriamente, entre 4 e 5 segundos. Após a última foto, novamente era exibida uma tela preta com duração de 1 min (Figura 7). As fotografias neutras foram exibidas apenas durante o Bloco Treino e não foram utilizadas para a análise de EMG.

Caso qualquer intercorrência acontecesse durante o Bloco Treino, como a perda do sinal da atividade eletromiográfica ou desconforto por parte do voluntário, seria possível realizar correções e ajustes sem prejudicar o experimento. Sendo assim, uma vez que o Bloco Treino terminava, o Experimentador 1 retornava à sala de experimentos para fazer ajustes e perguntar ao voluntário se havia algum desconforto ou problema. Nesse momento, então, o voluntário preenchia pela primeira vez as escalas de estado emocional (Escalas de Estado A): Comportamento Altruísta e Estado Afiliativo.

O experimento propriamente dito consistia em dois blocos de textos e fotos (com interação e sem interação). Cada participante era alocado, aleatoriamente, em uma das 4 condições experimentais: i) COM 1 no primeiro bloco e SEM 15 no segundo bloco (Figura 8i); ii) COM 15 no primeiro bloco e SEM 1 no segundo bloco (Figura 8ii); iii) SEM 1 no primeiro bloco e COM 15 no segundo bloco (Figura 8iii); e iv) SEM 15 no primeiro bloco e COM 1 no segundo bloco (Figura 8iv). Uma vez decidida a sequência experimental a ser exibida para o voluntário, o Bloco 1 era iniciado.

Figura 7: Sequência experimental do Bloco Treino: apresentação de tela preta durante 1 minuto seguida da exibição de um texto sobre a importância do uso de utensílios e exibição de 4 fotografias neutras (retiradas do catálogo IAPS), cada uma com duração de 4 segundos. Cada foto era sucedida de uma tela preta com ponto de fixação com duração variando, aleatoriamente, de 4 a 5 segundos. Após a exibição da última fotografia, uma segunda tela preta era apresentada durante 1 minuto.

Este se iniciava com uma tela preta com duração de 3 minutos. Em seguida, era apresentado um texto com tempo livre de leitura, que podia ser relacionado às fotos com interação ou sem interação. Na sequência, eram exibidas 14 fotos (com interação ou sem interação, de acordo com a sequência experimental previamente estabelecida), sendo que cada foto era exibida por 4 segundos e sucedidas por uma tela preta com ponto de fixação e com tempo de exibição variando, aleatoriamente, entre 4 e 5 segundos. Após a última foto, novamente era exibida uma tela preta com duração de 3 minutos.

Logo após a exibição do primeiro bloco de fotografias, o voluntário tinha um intervalo em que era instruído a se movimentar com cuidado, caso quisesse, e a preencher as Escalas de Estado B (Comportamento Altruísta e Estado Afiliativo). Assim que o voluntário terminava de preencher as escalas, iniciava-se o Bloco 2, respeitando a sequência experimental previamente determinada. Por fim, o voluntário preenchia as Escalas de Estado C (Comportamento Altruísta e Estado Afiliativo) e a escala de Grooming Mútuo, e finalizava-se o experimento com a retirada dos eletrodos colocados no participante e agradecimento pela participação. A duração total da sessão experimental era de cerca de 1 hora e 15 minutos.

Figura 8: Desenho experimental. Todos os voluntários eram recepcionados, levados à sala de experimentos, liam e assinavam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Logo após eles preenchiam questionários de Saúde e Hábitos Gerais, além de escalas de Empatia (Contágio Emocional e Índice de Reatividade Interpessoal). Em seguida, os participantes eram orientados a higienizarem o rosto para a colocação de eletrodos. Uma vez que a colocação de eletrodos era finalizada, os participantes realizavam um treino contendo um texto sobre a utilização de objetos e visualizavam fotos neutras. Então, preenchiam Escalas de Estado A (Estado Afiliativo e Comportamento Altruísta). A partir de então, os voluntários visualizavam dois blocos de fotos de interesse, sempre contendo um texto relativo à interação social precedendo fotos de pessoas interagindo e um texto sobre isolamento social precedendo as fotos de pessoas não interagindo. Os blocos eram separados por um intervalo, no qual os voluntários preenchiam as Escalas de Estado B (Estado Afiliativo e Comportamento Altruísta). Os voluntários poderiam ser alocados em 4 condições onde: (i) o voluntário visualizava as fotos do subgrupo COM 1 no Bloco 1 e as fotos do subgrupo SEM 15 no Bloco 2; (ii) o voluntário visualizava as fotos do subgrupo COM 15 no Bloco 1 e as fotos do subgrupo SEM 1 no Bloco 2; (iii) o voluntário visualizava as fotos do subgrupo SEM 1 no Bloco 1 e as fotos do subgrupo COM 15 no Bloco 2; e (iv) o voluntário visualizava as fotos do subgrupo SEM 15 no Bloco 1 e as fotos do subgrupo COM 1 no Bloco 2. Por fim, após a visualização dos dois blocos experimentais, os voluntários preenchiam as Escalas de Estados C (Estado Afiliativo e Comportamento Altruísta) e a escala de Grooming Mútuo.

5.6 ANÁLISES ESTATÍSTICAS

Foi utilizado o software Microsoft Office Excel 2016© (Copyright Microsoft Corporation

2016) para a construção do banco de dados. As análises estatísticas foram feitas no software Statistica 10.0 (StatSoft, Inc.), enquanto a construção dos gráficos foi realizada no software GraphPad Prism 6.0 (GraphPad Software, Inc.). Para o cálculo de retiradas de outliers, foi feita a média mais ou menos três vezes o desvio padrão de cada 0,5 segundo de exibição das fotografias. Caso a resposta eletromiográfica do voluntário não estivesse dentro desse intervalo, o voluntário era eliminado por completo das análises. O teste de Shapiro-Wilk foi realizado para verificar a normalidade dos dados.

Visto que os dados eletromiográficos não apresentaram distribuição normal, foi utilizada a Análise de Variância (ANOVA) para Medidas Repetidas de Friedman para análises da reatividade dos músculos ao longo da exibição das fotografias (8 tempos de 0,5 segundo); teste de Wilcoxon para amostras pareadas para comparação ao longo dos 8 tempos dentro de cada sequência e comparação entre a média de atividade muscular durante a exibição de fotos com e sem interação; teste U de Mann-Whitney para comparação da reatividade média dos músculos nas diferentes sequências experimentais. Correlações de Spearman foram utilizadas para investigar associações entre a reatividade média dos músculos faciais durante o tempo total de exibição das fotos e as pontuações das escalas de Empatia (Contágio Emocional e IRI), Grooming Mútuo e Estados Emocionais (Comportamento Altruísta e Estados Afiliativos).

Foram utilizadas, ainda, para as escalas que possuíram distribuição normal, a Análise de Variância de Medidas Repetidas e pós-teste de Fisher para comparação dos estados emocionais antes e após a exibição das fotos e para as escalas que possuíram distribuição não-normal, a Análise de Variância para Medidas Repetidas de Friedman, seguida do teste de Wilcoxon para amostras pareadas. As pontuações de todas as escalas foram utilizadas em seu valor bruto. O nível de significância adotado foi de 0,05.

6 RESULTADOS

6.1 ELETROMIOGRAFIA FACIAL

Inicialmente, investigamos se a atividade dos músculos da face estudados (ZM e CS) se diferenciaria entre as fotos com e sem interação social, ainda que estas possuam a mesma valência e ativação emocional.

6.1.1 ZIGOMÁTICO MAIOR

Após a retirada de outliers, 69 indivíduos (44 mulheres e 25 homens; média de idade = 23,40 anos, DP = 2,84) compuseram a amostra para as análises estatísticas. A fim de verificar se houve efeito da ordem de exibição dos estímulos (com interação seguidos dos sem interação ou sem interação seguidos dos com interação), comparamos a atividade do ZM durante a visualização das fotos “com Interação” e “sem interação” em ambas as sequências experimentais. Ou seja, se a amplitude do ZM foi diferente quando o indivíduo visualizava fotos com interação antes das sem interação em relação à visualização das fotos sem interação antes das com interação. Não houve diferença entre a amplitude do ZM durante as fotos com interação independente da ordem de exibição (U = 577,000; p = 0,92), bem como para as fotos sem interação (U = 563,00; p = 0,79).

Ao se comparar a média da amplitude de ativação do ZM durante a exibição das fotos, observou-se maior atividade durante as fotos com interação do que durante as fotos sem interação (Mediana com interação: 0,076 µV; Mediana sem interação: 0,011 µV; p = 0,011) (Figura 9). Como esperado, as fotos com interação causaram maior ativação do ZM do que as fotos sem interação, ou seja, diante de estímulos de interação social, os indivíduos tendem a apresentar maior expressão de sorriso que diante de estímulos sem interação social, ainda que estes estímulos estejam pareados para valência e ativação emocional.

Figura 9: Medianas das amplitudes de atividade do músculo zigomático maior durante o tempo total (4 segundos) de exibição das fotos com interação social (0,076 µV) e durante o tempo total de exibição das fotos sem interação social (0,011 µV). O teste de Wilcoxon indicou diferença significativa entre as amplitudes (p = 0,011) na comparação entre as duas condições.

A partir de então, realizamos comparações para verificar se existe diferença entre a atividade do ZM durante a exibição das fotos com interação e sem interação, utilizando uma janela de análise a cada 500 ms ao longo dos 4 s de exibição de cada u ma das fotos. O teste de ANOVA de Friedman indicou uma diferença significativa da atividade do ZM ao longo da visualização das fotos (χ = 48,64; p < 0,001). Essa diferença permanece verdadeira quando se compara a atividade do ZM durante as fotos com interação (χ = 27,78; p < 0,001), porém não ocorre para as fotos sem interação (χ = 9,27; p = 0,23).

Ao longo da visualização das fotos com interação, temos uma diferença entre segundos consecutivos desde o começo da exibição das fotos até 2,0 s (entre 0,5 s e 1,0 s: Z = 2,34; p = 0,019; entre 1,0 s e 1,5 s: Z = 2,95; p = 0,003; entre 1,5 s e 2,0 s: Z = 2,21; p = 0,027) (Figura 10). Comparando-se as fotos com e sem interação no mesmo momento, observa-se uma maior atividade do ZM durante as fotos com interação do que durante as fotos sem interação a partir de 2,5 s após o início da visualização das fotos até o seu apagar (2,5 s: Z = 2,11; p = 0,035; 3,0 s: Z = 2,38; p = 0,017; 3,5s : Z = 3,40; p < 0,001; 4,0 s: Z = 2,64; p < 0,01) (Figura 10). Desta forma, fracionando a atividade do ZM durante os 4 segundos de exibição das fotos, verificamos que há um aumento da atividade até o segundo 2,0 de exibição das fotos com interação social e a partir do segundo 2,5, as fotos com interação causam maior sorriso que as fotos sem interação. As fotos sem interação não causaram aumento ou diminuição da expressão do sorriso dos indivíduos que as observavam.

Com Interação Sem Interação

-4

-2

0

2

4

6

8

Figura 10: Amplitude do sinal eletromiográfico do músculo zigomático maior durante a exibição das fotos “com interação social” (em azul) e “sem interação social” (em vermelho). Os valores correspondem às medianas da amplitude da reatividade do músculo zigomático maior em cada uma das condições experimentais. ANOVA de Friedman de medidas repetidas indicaram diferenças significativas para a condição “com interação social” ao longo do tempo de exibição das fotos e em comparação à condição “sem interação” social. Não há diferenças significativas ao longo da condição “sem interação” social. Os valores estão corrigidos pela linha de base. * p < 0,05 para segundos consecutivos durante a exibição das fotos com interação social; ** p < 0,05 comparando-se fotos com e sem interação social.

Sabe-se que existe uma associação bem determinada entre a contração dos músculos da face e a valência dos estímulos apresentados (Bradley et al., 2001; Hess e Fischer, 2013). Entretanto, esperávamos que haveria diferenças entre as respostas fisiológicas e psicométricas de indivíduos visualizando estímulos de interação social e estímulos sem interação social controlados para valência e ativação, dado puramente ao contexto social e não mais devido à valência e ativação dos estímulos. Para tanto, pareamos tais estímulos segundo valência e ativação emocional e verificamos se existe correlação entre os valores de valência e a atividade do ZM.

Inicialmente, observamos uma correlação positiva entre a valência das fotografias utilizadas e a amplitude do sinal do ZM (rho = 0,494, p < 0,001). Porém, ao se avaliar separadamente as fotos com interação e sem interação, a correlação positiva persiste apenas para a valência das fotos sem interação e a amplitude do ZM (rho = 0,478; p = 0,02), enquanto não é significativa para a valência das fotos com interação social e a amplitude do ZM (rho = 0,337; p = 0,08). A ativação emocional das fotografias não apresentou correlação com a

A m p lit u d e M éd ia - Z ig o m át ic o M ai o r (µ V )

0,5

1,0

1,5

2,0

2,5

3,0

3,5

4,0

amplitude do ZM no geral (rho = 0,059; p = 0,66), nem separadamente (Com interação rho = 0,15; p = 0,43; sem interação rho = 0,07; p = 0,72). Ou seja, para as fotos sem interação, a atividade do ZM é influenciada pela valência do estímulo. Contudo, para as fotos com interação, a valência não causa interferência na resposta do ZM, sendo, portanto, que o contexto mais social por si só parece ser responsável pela maior amplitude do músculo. Sendo assim, podemos sugerir que estímulos de interação social causam a expressão de sorriso independente de seu nível de agradabilidade, enquanto estímulos sem uma interação social tem sua resposta de sorriso em função do seu nível de agradabilidade (valência do estímulo).

6.1.2 CORRUGADOR DO SUPERCÍLIO

Após a retirada de outliers, 68 indivíduos (40 mulheres e 28 homens; média de idade = 23,5 anos, DP = 3,09) compuseram a amostra para as análises estatísticas. A fim de verificar se houve efeito da ordem de exibição dos estímulos (com interação seguidos dos sem interação ou sem interação seguidos dos com interação), comparamos a atividade do CS durante as fotos “com interação” e “sem interação” em ambas as sequências experimentais. Ou seja, se a amplitude do CS foi diferente quando o indivíduo visualizou primeiro as fotos com interação em relação às fotos sem interação ou vice-versa. Não houve diferença entre a amplitude do CS durante a visualização das fotos com interação independente da ordem de exibição (U = 456,000; p = 0,15, bem como para as fotos sem interação (U = 560,00; p = 0,87). Esperava-se uma maior atividade do CS, ou nenhuma diferença, durante a exibição das fotos sem interação quando comparadas as fotos com interação, visto que apesar de ambos os blocos de fotos terem a mesma valência, as fotos sem interação foram contextualizadas previamente pelo texto como sendo uma situação negativa. Não houve diferença ao se comparar a média da amplitude de ativação do CS durante a exibição das fotos com interação ou sem interação (Mediana com interação: -0,06 µV; Mediana sem interação: -0,03 µV; p = 0,07). Desta forma, a expressão de franzir o cenho não diferiu de acordo com o contexto de interação social.

Comparando-se a amplitude de atividade do CS ao longo do tempo de exibição das fotos (4 s), o teste de ANOVA de Friedman indicou uma diferença significativa da atividade do CS ao longo da visualização das fotos (χ = 32,30; p = 0,006). Essa diferença permanece verdadeira quando se compara a atividade do CS ao longo da visualização das fotos com interação (χ = 31,50; p < 0,001) e também das fotos sem interação (χ = 19,60; p = 0,006). Tanto para o bloco SEM interação (z = 3,21; p < 0,001) quanto para o bloco COM interação existe diferença entre 0,5 s e 1,0 s (z = 4,23; p < 0,001). Entretanto, não existe diferença na

atividade do CS comparando ponto a ponto entre as fotos com interação e sem interação (p > 0,1 para todas as comparações) (Figura 11). Sendo assim, independente do contexto apresentado (com ou sem interação social), houve um relaxamento imediato do CS.

Figura 11: Atividade do músculo corrugador do supercílio durante a exibição das fotos com interação social (em azul) e sem interação social (em vermelho). ANOVA de Friedman de medidas repetidas não indicaram diferenças significativas entre a condição “com interação” e “sem interação” social. Houve apenas um efeito de relaxamento inicial transitório dos músculos faciais para ambas as condições

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