Os sistemas de alarme são necessários para advertir os enfermeiros sobre a ocorrência de problemas na ventilação mecânica, e devem permanecer sempre ligados e com valores limites dos parâmetros ajustados adequa- damente às necessidades do paciente. O disparo dos alarmes pode estar relacionado à condição do paciente, ao ventilador ou ao circuito ventilató- rio. Os alarmes de baixa pressão advertem para a desconexão do paciente do ventilador ou para extravasamentos do circuito. Já os alarmes de alta pressão advertem para as pressões crescentes. Os alarmes de falha elétrica são necessários para todos os ventiladores. Os alarmes nunca devem ser ignorados ou desligados, e o disparo de qualquer alarme deve ter sua cau- sa avaliada imediatamente. Algumas condutas relacionadas ao disparo de alarmes de ventiladores mecânicos estão no quadro abaixo.
Quadro 6: Condutas relacionadas ao disparo de alarmes de ventiladores mecânicos
Tipo de alarme Possíveis causas Conduta
Alarme de aumento de pressão em vias aéreas.
Mau funcionamento das válvulas do ventilador, conexão errada das traqueias do circuito com o paciente, obstrução ou dobradura do circuito, intubação seletiva. Diminuição da complacência pulmonar, ascite e dis- tensão abdominal, pneumotórax es- pontâneo e hipertensivo, pneumonia, atelectasia, edema agudo pulmonar (EAP), derrame pleural, broncoes- pasmo, hipersecreção e tampões mucosos (“rolhas” de secreção). Tosse e mordida do tubo orotraqueal, assincronismo paciente/ventilador, presença de água condensada no circuito e valor limite baixo.
Aspirar secreções, posicionar ou trocar TOT/TQT (obstrução), aferir a pressão do cuff, tranquilizar o paciente e avaliar ajuste da sedação, rever parâmetros (VC, FR, fluxo, I:E), ajustar sensibilidade e alarmes, corrigir dobraduras do circuito, retirar água condensada do circuito e usar coletores, ajustar o limite máximo acima da pressão de pico se essa não for excessiva.
Alarme de pressão baixa em vias aéreas
Melhora da complacência pulmonar, como a melhora do quadro de edema agudo pulmonar. Diminuição da resistência à passagem do fluxo de ar, como a desconexão ou “fratura” do circuito, vazamento ao redor da via aérea artificial, fístula broncopleural, vazamento na válvula expiratória; pressão insuficiente na rede de gases, desconexão do paciente do ventilador.
Verificar o balonete, a posição e o tamanho do dispositivo ventilatório. Observar se há vazamento no balonete do tubo. Verificar o dreno torácico: se houver perda de ar, deve-se auscultar o paciente e verificar a ventilação. Checar as conexões e coletores, trocando as pe- ças defeituosas, ventilar manualmente o paciente e checar a rede e a necessidade de trocar as válvulas redutoras, corrigir os parâmetros e ajustar os alarmes.
Alarme de diminuição de volume
Desconexões ou fratura dos circuitos, balonete desinsuflado ou fura- do, presença de ar extra-alveolar (barotrauma), circuito complacente, piora da complacência e aumento da resistência à passagem do fluxo de ar, fluxo inspiratório inadequado, comprometimento da válvula expi- ratória, permitindo escape na fase inspiratória.
As ações de enfermagem são as mesmas adotadas frente aos alarmes de pressões baixas descritas acima
Alarme de aumento de volume
São relacionadas com situações de aumento da complacência ou dimi- nuição da resistência à passagem do fluxo. Podem ocasionar volutrau- ma, indicando lesões pulmonares relacionadas a repetidas distensões e pressurização do tórax, incluindo al- terações da permeabilidade vascular, uma cascata de reações inflamató- rias e dano alveolar difuso.
Checar os ajustes dos parâmetros ventilatórios, atentar para os ciclos respi- ratórios com altos volumes e se possível reduzir os valores pressóricos. Alarme da fração inspirada de oxigênio (FiO2): a ocorrência de pressões inadequadas de oxigênio e ar comprimido sempre dispara o alarme pelo misturador de gases (blender).
FiO2 baixa
Fonte de oxigênio com a pressão baixa, fechada ou com defeito no blender. Ou, ainda, pode estar alto se a fonte de ar comprimido estiver com a pressão baixa, fechada ou com defeito no blender.
Em condições de alarmes de altera- ções da FiO2 (valores diferentes da concentração prescrita), deve-se: calibrar o sensor, chamar a assistência técnica, verificar a pressão da rede e trocar as válvulas redutoras. Deve-se ficar atento para que o paciente não apresente des- conforto respiratório por
hipóxia e observar sinais clínicos de desconforto respiratório, como cianose, e queda da saturação de oxigênio (oximetria), entre outros. Se necessário, providenciar a troca do respirador (Cin- tra, 2003; Silva, 2006).
Alarme de frequência respiratória
Comprometimento neurológico, sedação inadequada, má adapta- ção ao modo ventilatório, dor ou desconforto e aumento do trabalho respiratório, como a fadiga muscular em casos de desmame ventilatório, defeito do sensor de fluxo, autocicla- gem do aparelho e ajuste inadequado da sensibilidade.
No caso de taquipneia, deve-se avaliar a causa e a necessidade de sedação e/ ou analgesia, tranquilizar o paciente, verificar o ajuste da sensibilidade, verificar saturação do paciente, conferir a frequência respiratória do paciente por outro método e caso o respirador tenha detectado a frequência erroneamente chamar a assistência técnica.
Alarme de apneia: indica interrupção ou redução da ventilação
espontânea.
Comprometimento neurológico, sedação inadequada, ajuste inade- quado da frequência respiratória, da sensibilidade ou do tempo de apneia.
Avaliar o paciente, ventilar em modo controlado ou aumentar a FR do apare- lho, verificar se o respirador detecta as ventilações espontâneas do paciente, calibrar ou trocar o sensor, ajustar a sensibilidade e o tempo de apneia e rever a sedação.
Saiba mais
Complemente a seguir sua aprendizagem sobre ventilação mecânica acessando os sites disponibilizados abaixo:
Ventilação mecânica: princípios, análise gráfica e modalidades ventilatórias.
Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806- 37132007000800002&script=sci_arttext>
Modos de assistência ventilatória
Disponível em: <http://www.fmrp.usp.br/revista/2001/vol34n2/ modos_assistencia_ventilatoria.pdf>
Intervenções de enfermagem
Mantenha a cabeceira do paciente elevada em 30 a 45 graus, se não houver contraindicação, pois este procedimento previne a pneumonia associada à ventilação mecânica.
• Avalie a expansão e a simetria torácica, realizando ausculta pulmonar.
• Monitorize o padrão respiratório e a administração do oxigênio por meio da oximetria de pulso, avaliação dos gases sanguíneos e cap- nografia, quando disponível.
• Mantenha atenção constante aos alarmes do ventilador mecânico Avalie constantemente sinais de hipoxemia (taquicardia, dispnéia, confusão mental, cianose, baixa saturação de oxigênio).
• Avalie frequentemente o estado geral do paciente através da moni- torização dos sinais vitais e cardiovasculares.
• Avalie os sinais neurológicos – nível de consciência, pupilas e mo- tricidade.
• Mantenha fixação adequada do tubo endotraqueal, mantendo-a se- guro, trocando-a uma vez ao dia ou sempre que necessário.
• Registre a altura do tudo endotraqueal na altura da comissura labial
• Manter o alinhamento adequado da cabeça e pescoço de forma a prevenir o deslocamento do tubo dentro da traqueia.
• Realize higiene oral utilizando solução antisséptica de forma siste- mática ou sempre que necessário.
• Realize aspiração endotraqueal sempre que necessário, avaliando e registrando o padrão da secreção aspirada. Em casos de uso de alta PEEP ou precaução aérea, utilizar o sistema de aspiração fechado.
• Remova secreções da cavidade oral quando clinicamente indicado, com técnica padronizada.
• Registre os parâmetros fornecidos pelo ventilador no prontuário do paciente.
• Manter o ar a ser administrado umidificado e aquecido. Trocadores de calor e umidade, com membrana de filtro ou não, podem ser uti- lizados se o paciente não tiver contraindicações (hipovolemia, hipo- termia, distúrbios de coagulação); nestes casos, considerar o uso de umidificador aquecido.
• Monitorar a adequada oclusão da traqueia por meio da ausculta em região cervical.
• Registrar a pressão do balonete 3 vezes ao dia, pelo menos.
• Evitar condensação de fluidos nos circuitos de ventilação e despre- zar o conteúdo dos copos de drenagem quando houver.
• Realizar ou indicar a mudança de posição no leito, levando em con- sideração a condição pulmonar, por meio de radiografia de tórax e mecânica pulmonar.