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PREMIÈRE PARTIE:

1 Les racines socio-historiques de la prise en compte de la scolarisation des enfants en situation de handicap scolarisation des enfants en situation de handicap

1.5 Au regard des modèles de compréhension du handicap

1.5.1 Le modèle individuel-médical dominant du handicap

Fig. 57. Complexo Habitacional Olaias. Fachada principal e traseiras, fotografias da autora.

Questões determinantes iniciais

O último caso de estudo pertence ao projeto do arquiteto Tomás Taveira, Complexo Residencial da Quinta das Olaias, prémio Valmor de 1982, atribuído apenas em 1984. Enquadra-se num período, entre o pedido da adesão de Portugal à Comunidade Europeia aceite (1978), e o tratado de adesão (1985). Este complexo

habitacional é desenvolvido em banda e tem tipologias T2, T3 e T4 em duplex. Os acessos verticais são compostos por dois elevadores e uma caixa de escada, cada núcleo destes dá acesso a dois fogos por piso. Para a análise que se segue, optámos pela tipologia T3 composta por três quartos, uma sala, uma cozinha e duas I.S.

Aspetos particulares analisados

Fig. 58. Complexo Habitacional Olaias, planta tipo, in Fernandes e Lacerda, 1985 : 7.

fig 59. Análises realizadas pela autora utilizando a fig. 58

Estrutura Distributiva do Fogo

Embora tenha esta análise sido feita com base na tipologia T3, o T2 segue exatamente a mesma organização e lógica. A entrada no fogo é feita para um hall (3.4mx2m), sendo que a divisão mais próxima é a cozinha. Todas as outras divisões são acedidas pelo hall, embora se possa verificar três níveis de proximidade à entrada do fogo. No primeiro nível, de carácter menos privado, há o acesso à cozinha, num segundo nível de privacidade há a entrada para um dois quartos e uma I.S., e para a sala, por fim num último nível de privacidade há a entrada para o outro quarto e a outra I.S.

Partição da Casa

Neste exemplo a percentagem maior de área útil é definida para o uso privado, ocupando assim 40%, o uso social ocupa 29%, e para os serviços são atribuídos 19% do total da AU. Há comunicação direta entre a cozinha e a sala, tanto através da partilha do espaço, como através da utilização de um passa-pratos. O fogo desenvolve-se perpendicularmente à banda, beneficiando assim das duas fachadas do edifício. À fachada de rua corresponde a zona pública da casa, enquanto à fachada tardoz corresponde a zona privada.

Elementos da Casa

Todas as divisões têm um vão exterior, à exceção das instalações sanitárias, são todas de peito, sendo que a sala é a divisão mais exposta ao exterior. A cozinha tem um espaço semiexterior, onde são utilizadas paredes exteriores perfuradas. As instalações sanitárias encontram-se próximo dos quartos, e centrais no fogo, daí não serem dotadas de vãos exteriores

Aspetos Arquitetónicos Relevantes

Este complexo é dotado duma expressão visual bastante forte, desde as cores, aos vãos em forma circular até à colocação de colunas técnicas no exterior. A composição visual de elementos geométricos, e a aplicação de três cores: verde, amarelo e rosa/magenta, consoante o tipo de elementos, confere ao edifício uma linguagem arquitetónica própria. Em planta as soluções apresentadas partilham a mesma lógica funcional, independentemente da tipologia. Analisando o fogo T3, a organização dos espaços remete automaticamente para a oposição público/privado, sendo a zona pública composta pela cozinha e a sala intercomunicantes entre si, e a zona privada pelos quartos e casa de banho. Volta a ser visível de alguma forma a oposição entre dia/noite em paralelo com frente/traseiras, a frente é usufruída pelas divisões “diurnas” – sala, cozinha, enquanto as traseiras são usufruídas pelas divisões “noturnas” – quartos. Este edifício acaba por unir conceitos e matrizes antigas com alguns ideais modernistas, dos conceitos antigos estão representados: distribuição dos fogos esquerdo/direito, oposição frente/fachada; de princípio modernista são notáveis: as tipologias em duplex, as áreas mínimas seguindo os ideais funcionalistas e a aproximação entre a cozinha e a sala.

3.7 Síntese

Após a análise linear caso a caso, podemos constatar alguns factos, agora de uma forma comparativa entre os dezoito exemplos, comparando áreas úteis, número e variedade de divisões, estruturas distributivas, e programa do edifício.

E visível uma redução significativa do número de divisões ao longo do tempo, tendo sido a aprovação do RGEU o momento de mudança. Os casos de estudo selecionados, até aos finais dos anos quarenta têm entre cinco a treze divisões, comparativamente com os edifícios habitacionais de tipologias entre T1 e T4 pós-RGEU. Além da diminuição do número de quartos e salas, as próprias divisões assumem áreas e expressões no fogo diferentes: nos exemplos anteriores ao RGEU, há divisões maiores e mais pequenas que assumem funções distintas consoante a localização no fogo; nos exemplos posteriores ao RGEU é clara a intenção de hierarquia entre sala/quartos. Esta distinção acontece por motivos económicos, na tentativa de reduzir os custos cumprindo com o regulamento, só poderiam existir divisões iguais se todas cumprissem as áreas mínimas para sala, resultando no aumento do custo.

A divisão da cozinha sofreu a alteração mais evidente, deixando de ocupar a extremidade do fogo e aproximando-se da entrada, e em simultâneo da sala, que mais tarde passou a acumular as funções de estar e comer. Acontece uma inversão entre cozinha/quartos, inversão essa que permitiu os quartos usufruírem das áreas mais privadas do fogo. A lógica da proximidade entre cozinha/sala de refeições e quartos/instalações sanitárias, manteve-se constante ao longo do tempo como matriz organizadora do fogo. Nos anos trinta foi introduzido o hall como elemento recetor, permanecendo atualmente nas habitações assumindo um papel primordial nos fogos.

Comparando os modelos familiares referidos anteriormente, é possível verificar uma materialização de alguns dos valores base, na organização do fogo. O primeiro modelo influência a separação sexual das divisões, deixando transparecer o nível secundário do papel da mulher, o segundo modelo – família fusão – transporta a centralidade e a união para a sala que passa a ocupar um papel principal na casa. Por fim, o terceiro e último modelo – família associação – mantém a centralidade da sala, assim como a independência dos quartos, mas não é evidente uma “marca” distinta deste modelo, pelo menos nos casos escolhidos.

4 Conclusão

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