Partie A : ÉTUDE THÉORIQUE
Chapitre 2 : CADRE THÉORIQUE ET MÉTHODOLOGIE DE RECHERCHE ET MÉTHODOLOGIE DE RECHERCHE
2. Cadre théorique
2.2. Le modèle des niveaux de l’activité du professeur
O presente capítulo refere-se à primeira fase experimental, organizada em função de um objetivo fundamental: encontrar correlatos neurais e comportamentais da violação das propriedades do campo semântico, criando condições de congruência/incongruência, por via auditiva.
O processamento da palavra implica a ativação de redes semanticamente relacionadas, criando campos conceptuais (Geeraerts, 2010). Os processos de categorização semântica ocorrem evocando relações de proximidade semântica entre os itens lexicais (Mahon & Caramazza, 2009). Diversos estudos empíricos demonstram que a precisão e o tempo de reação numa tarefa de decisão lexical melhoram se a palavra alvo for precedida por uma palavra semanticamente relacionada do que se for precedida por um item independente ou desviante (Kutas & Van Petten, 1990; Kutas & Iragui, 1998; Friederici & Gierhan, 2013).
A investigação sobre o acesso lexical pretende teorizar como é que o sinal da fala é mapeado no cérebro. Trata-se de um percurso linear e temporal que se inicia com a ativação de capacidades percetivas por um dado estímulo (input) e que se espera que culmine no seu reconhecimento, como uma entidade linguística com sentido (palavra), hipoteticamente configurada numa representação mental armazenada em memória. O processo culmina com a identificação do estímulo, ou seja, a sua correspondência com a representação mentalmente ativada (Aitchison, 2002).
Os componentes dos ERPs relacionados com o processamento linguístico, como já mencionamos no ponto 1.3 do primeiro capítulo, serão agora utilizados no estudo eletrofisiológico. Pretendemos especificamente, nesta secção, descrever dois estudos com o objetivo de testar a congruência e incongruência usando como variáveis dependentes: a precisão da resposta e os tempos de reação (TR), no estudo comportamental e as propriedades da forma de onda (amplitude e latência) dos ERPs desencadeada respetivamente nas condições de congruência e de incongruência no estudo eletrofisiológico. Retomando a hipótese geral sobre os aspetos de violação de propriedades de categorização semântica (H1) e atendendo a que a condição de
determinada categoria semântica vai criar efeitos de maior dificuldade de integração da informação linguística:
- Espera-se que nos testes comportamentais haja um aumento dos TR nas palavras incongruentes e nos testes eletrofisiológicos se desencadeie uma onda típica da incongruência semântica – N400 nos indivíduos sem PPAC;
- Espera-se nos 3 indivíduos com PPAC, que os testes comportamentais apresentem um aumento dos TR nas palavras incongruentes e os testes eletrofisiológicos apresentem ausência de uma forma de onda do tipo N400.
I – Material e métodos
Estímulos e desenho experimental
O objetivo desta fase do trabalho foi a construção de listas de palavras pertencentes a três campos semânticos específicos: frutos, animais e objetos.
As palavras de cada campo foram agrupadas em séries de 4 palavras em que três palavras pertenciam ao mesmo campo semântico (para testar a condição de congruência) e uma palavra que ocupava a terceira ou a quarta posição pertencia a um outro campo semântico desviante, testando assim a condição experimental de incongruência. Os campos semânticos escolhidos foram: frutos, animais e objetos; os elementos distratores que competiram com os três campos semânticos acima mencionados foram respetivamente: peixes, flores e profissões.
Construção dos estímulos para a 1ª Fase experimental – considerações gerais
O trabalho iniciou-se com a busca de itens para organizar os campos semânticos. Usou- se o Corpus de Referência do Português Contemporâneo (CRPC), para controlo das propriedades de frequência. O CRPC é um vasto corpus eletrónico da variedade europeia do português e de outras variedades (Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, …), contendo 311,4 milhões de palavras; este corpus abrange diferentes tipos de texto escrito
Não havendo referências aferidas sobre a familiaridade das palavras no português europeu, e tendo em conta casos de variação linguística (ex: nêspera/magnório; damasco/alperce; safio/congro), procedeu-se à elaboração de um questionário de familiaridade (anexo 1). O questionário de familiaridade foi composto por 446 itens distribuídos por sete campos semânticos diferentes (flores, frutos, animais marinhos, animais terrestres, objetos, profissões e transportes) (anexo 1).
Este questionário foi passado a 30 jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos de diferentes distritos do país, que tinham de classificar os itens apresentados de acordo com uma escala de Likert com 5 graus de aceitabilidade, na qual o 1 correspondia a muito frequente; o 2 a frequente; o 3 a pouco frequente, o 4 a raro e o 5 a desconhecido. Foram aceites para o estudo as palavras com a classificação acima de frequente (grau 1 e 2 da escala de Likert).
Na construção do questionário de familiaridade levámos em consideração os seguintes aspetos relativamente às palavras:
Frequência da palavra – esta é uma das características mais importantes pois é
necessário assegurar que a palavra apresentada seja conhecida, pois caso contrário pode ser interpretada como desviante apesar de não o ser.
Variação Linguística - por vezes a mesma palavra é designada por nomenclatura
diferente em função da região do país. Por exemplo gladíolo é uma flor conhecida em certas zonas do país por esta designação e noutras por palma, ainda que o significado seja o mesmo. As palavras onde esta condição se constatou foram eliminadas.
Prototipicidade – Este é um aspeto determinante na análise do item, na medida em que
o vínculo associativo de um item a um determinado campo semântico é tanto maior quanto mais traços semânticos possuir enquanto elemento desse mesmo campo semântico. Assim, quando pensamos em fruta, a imagem mental ativada é relativa a frutos com maior probabilidade de serem suculentos, doces. Itens como azeitona, tomate ou abóbora apesar de serem considerados frutos, foram eliminados pois encontram-se numa posição muito marginal do campo semântico frutos, o que significa que são atípicas.
Extensão da palavra – a grande maioria das palavras é composta por duas ou três
tangerina, escorpião, gafanhoto,…). Foram excluídas palavras apenas com uma sílaba (exemplo: cão, rã) por não possuir peso fonético suficiente para a sua perceção como item isolado. Também foram excluídas palavras demasiado longas na medida em que o tamanho da palavra poderá também determinar o seu processamento semântico. Por exemplo, se analisarmos a palavra hipopótamo comparativamente à palavra gato, verificamos que há mais ou menos informação a processar até chegar ao significado da palavra e isso vai criar diferentes condições que podem afetar a categorização semântica. Seguindo este pressuposto, palavras como hipopótamo, rinoceronte, margarida foram eliminadas.
Singular versus plural – todos os Nomes aparecem no singular (exceção para uvas que
surge no plural).
Os Nomes ocorrem no feminino ou no masculino.
A análise dos resultados do questionário de familiaridade (ver anexo 2) levou à exclusão do campo semântico flores que estava previsto no desenho experimental como um dos campos de estudo, porque a falta de conhecimento de grande parte dos seus itens fez com que fosse colocado como campo desviante e não principal. Apenas foram integrados no presente estudo os itens que obtiveram classificação superior a 50% no item Muito frequente e/ou no item Frequente (grau 1 e 2 da escala de Likert).
Em caso de necessidade de repescagem foram aceites os itens que foram considerados por uns como Muito frequentes e por outros como Pouco frequente (Ex: para a palavra jacinto 46,7% consideram Muito frequente; 13,3% Frequente e 23,3% Pouco frequente).
Organização das listas de palavras
As palavras de cada campo semântico foram agrupadas em 30 séries de 4 palavras cada uma em que três palavras pertenciam ao mesmo campo semântico (para primar a condição de congruência) e uma palavra que ocupava a terceira ou a quarta posição pertencia a um outro campo semântico desviante, testando assim a condição experimental de incongruência. Os campos semânticos dominantes foram: frutos, animais, objetos que competiram com três campos semânticos distratores (peixes, flores e profissões) respetivamente. Todas as palavras usadas foram concretas.
Cenários mentais – a posição da palavra na série foi levada em consideração de modo a
que não fossem criados cenários mentais que, eventualmente, pudessem facilitar a integração do item distrator. Por exemplo, a série quadro/caderno/PROFESSOR/caneta facilmente evoca um cenário mental de sala de aula, em que a palavra distratora “professor” ao poder ser antecipada no contexto pode ser mais previsível. Ao utilizarmos outro tipo de distrator quadro/enfermeiro/caneta controlamos este tipo de situações.
Repetições do mesmo item – à exceção do campo semântico frutos, onde se teve de
repetir alguns itens, não foram realizadas repetições de itens. No campo semântico frutos o item repetido nunca ocupou a mesma posição na série.
Animado versus inanimado – este critério foi evidente na seleção do campo semântico
principal relativamente ao campo semântico desviante. Assim houve a preocupação de nunca colocar dois campos iguais no que concerne ao critério [+animado] ou [- animado].
Após ponderação deste critério temos o campo semântico frutos [- animado] em competição com o campo semântico peixes [+ animado]; o campo semântico animais [+ animado] em competição com o campo semântico flores [- animado] e por último o campo semântico objetos [- animado] em competição com o campo semântico profissões [+animado].
Na tabela 1 podemos observar os campos semânticos dominantes e distratores, o número de palavras de cada um e a extensão das palavras visível pela média do número de sílabas.
Tabela 1 - Média do número de sílabas da primeira fase experimental.
Campo Semântico Campo Semântico Número de Palavras Média Sílabas
Dominante Animais 90 2,76 Distrator Flores 30 2,73 Dominante Frutos 48 2,79 Distrator Peixes 30 2,73 Dominante Objetos 90 2,86 Distrator Profissões 30 2,83
Depois de ponderados todos estes critérios, definimos três campos semânticos principais: frutos, animais e objetos, a que correspondem na mesma ordem três campos semânticos desviantes: peixes, flores e profissões. Cada campo semântico incluiu trinta séries de quatro palavras, sendo que três palavras pertencem ao campo semântico principal e a quarta palavra ao campo semântico desviante, ou seja, é interpretada como a palavra alvo. Esta palavra alvo pode ocupar a terceira ou a quarta posição surgindo quinze vezes na terceira posição e quinze vezes na quarta, tal como se pode observar no Anexo 3. No total ficamos com 360 palavras que correspondem a 360 estímulos.
Nas tabelas 2, 3 e 4 temos algumas das séries de palavras que foram utilizadas nesta fase experimental, tanto para o estudo comportamental como para o eletrofisiológico, sendo que no estudo comportamental utilizamos 20 séries e no estudo eletrofisiológico 30 séries.
Tabela 2 - Campo semântico Frutos
Ensaio Nº Campo
Semântico
Item Item Item Item
1 Frutos abacate romã enguia anona
2 Frutos romã kiwi melão solha
3 Frutos amêndoa castanha laranja linguado
4 Frutos amendoim cajú choco avelã
5 Frutos pera maçã truta manga
6 Frutos castanha melancia pescada tâmara
7 Frutos maçã melão salmão lima
8 Frutos limão mamão figo polvo
9 Frutos lima uvas pera lula
10 Frutos kiwi coco pero pargo
Tabela 3 - Campo semântico Animais
Ensaio Nº Campo
Semântico
Item Item Item Item
21 Animais frango pato trevo perú
22 Animais gato falcão galo cravo
23 Animais tigre veado urso narciso
24 Animais touro pavão jasmim burro
25 Animais lobo sapo lírio rato
26 Animais zebra lontra dália perdiz
27 Animais grilo corvo chorão mocho
28 Animais carneiro mosquito javali tulipa
29 Animais canguru morcego camelo mimosa
Tabela 4 - Campo semântico Objetos
Gravação dos estímulos
A modalidade de apresentação dos estímulos foi por via auditiva considerando os objetivos propostos no âmbito do presente estudo.
Os estímulos foram gravados no Laboratório de Fala do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, situado no Complexo Interdisciplinar da Universidade de Lisboa. Para as gravações foi utilizado um gravador Marantz PDM 661, com microfone de bandolete DPA 4060-BM posicionado a cerca de 8 cm da boca.
Para a gravação dos estímulos, teve-se em conta as propriedades da voz: articulação, volume da voz, timbre, prosódia, dicção e outras qualidades acústicas da voz. Foram feitas várias audições a informantes de ambos os sexos e foi selecionada a voz de um informante do sexo masculino que melhor correspondia ao desejado.
Foram considerados alguns aspetos com o objetivo de assegurar a qualidade acústica dos estímulos, nomeadamente o controlo da entoação e articulação das palavras. Usou-se a posição da palavra em contexto em posição medial de forma a evitar a possibilidade de variações prosódicas que pudessem afetar a perceção auditiva da palavra – [disse morango três vezes], [disse tigre três vezes], [disse martelo três vezes]. Diferentes contextos de produção têm consequências no formato fonético da palavra e consequentemente na perceção auditiva: quando a palavra é produzida isoladamente [# morangos #] há tendência a dar mais intensidade na entoação nas primeiras sílabas;
Ensaio Nº Campo
Semântico
Item Item Item Item
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quando a palavra surge no final da frase [O rapaz comeu morangos], perde-se energia na produção; quando surge em posição medial consegue-se controlar melhor a variação prosódica.
Preparação dos estímulos
Os estímulos auditivos foram segmentados e retirados do contexto no programa Praat. De seguida procedeu-se à normalização do estímulo quanto à sua amplitude máxima de modo a evitar a distorção, sem retirar informação acústica que pudesse comprometer a perceção auditiva. O tempo de duração foi outro critério considerado sendo de aproximadamente um segundo por palavra. Na figura 15 podemos analisar o espetro da palavra gaivota, que foi utilizada na experiência 1, no campo semântico dos animais.
Figura 15 - Espetro da palavra gaivota
Montagem da experiência
Após o tratamento dos estímulos e consequente organização, procedeu-se à montagem da experiência recorrendo ao programa SuperLab versão 4.0. No estudo comportamental, este programa geriu todos os aspetos da apresentação dos estímulos, aleatorização das sequências de quatro palavras, intervalos inter estímulos e registo das respostas.
No estudo eletrofisiológico o procedimento foi idêntico com as adaptações necessárias para sincronizar o sistema de registo de EEG com a apresentação dos estímulos e registo das respostas. Um aspeto particular foi a geração de triggers de 200ms antes de um estímulo (baseline). Usaram-se triggers que entravam em diferentes canais digitais para as palavras congruentes e incongruentes, respetivamente, e assim ficavam assinalados os segmentos de EEG que ocorriam durante as apresentações de estímulos.
II - Estudo comportamental
Amostra
A amostra foi constituída por 34 jovens (25 do sexo feminino e 9 do sexo masculino), com idade média de 22, ± 2,2 anos, todos participantes voluntários da experiência. Todos os sujeitos eram destros. Os critérios de inclusão para a amostra deste estudo foram:
Língua materna – Português europeu; Sem alterações otológicas no presente; Sem queixas de surdez;
Sem queixas sugestivas de Perturbações do Processamento Auditivo Central; Sem queixas ou diagnóstico de patologia neurológica;
Sem queixas ou diagnóstico de patologia do foro psiquiátrico;
Livres do consumo de medicação neurológica, psiquiátrica, ou outra que pudesse interferir com a capacidade de reação.
Nenhum dos indivíduos pertencentes à amostra apresentou queixas de epilepsia, distúrbios psiquiátricos ou neurológicos e nenhum dos indivíduos toma medicação que possa interferir na sua capacidade de reação.
No que concerne às características gerais da amostra, e com base no questionário que elaborámos para melhor caracterizar as variáveis sociodemográficas (anexo 4), verificamos que relativamente às habilitações académicas, predominam os inquiridos com o 12º ano (n=29 85.3%), sendo que com o grau de Licenciatura existem 4
indivíduos (11.8%) e com o grau de Mestrado um indivíduo (2.9%). A amostra é maioritariamente estudante (85.3%), ou seja, 29 dos 34 indivíduos.
A maior parte dos inquiridos (97.1%) considerava que ouvia bem. De todos os inquiridos, não há registo de qualquer intervenção cirúrgica ao ouvido.
A amostra foi composta, ainda, por um grupo de 3 sujeitos com diagnóstico de Perturbações do Processamento Auditivo Central (PPAC), 2 do sexo feminino e um do sexo masculino com idade média de 20 ± 1 ano.
Este grupo com PPAC será considerado como um estudo de caso exploratório, dado o reduzido número de elementos.
Procedimento
O estudo foi submetido à consideração da Comissão Especializada de Deontologia do Conselho Científico da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, onde foi aprovado (anexo 5). Os participantes tiveram informações sobre as experiências em que iam participar. Todos os voluntários assinaram o termo de consentimento informado livre e esclarecido (anexo 6). Foi assegurada a total confidencialidade dos dados obtidos que serão apenas utilizados para fins científicos assim como a possibilidade de desistência em qualquer fase do trabalho experimental.
O estudo comportamental foi realizado no laboratório de Audiologia da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra. Num primeiro momento, todos os indivíduos responderam a uma anamnese que teve por objetivo a recolha de elementos relativos à história clínica, existência de doenças e/ou medicação e lateralização motora (destro ou não) (anexo 4). Posteriormente, os participantes foram instruídos quanto à natureza e procedimento da experiência e sentados numa poltrona, numa posição confortável, em frente a um monitor de um computador, numa sala levemente iluminada e com minimização do ruído ambiente. Ainda antes do início da experiência propriamente dita, foram apresentadas instruções no monitor informando novamente cada participante sobre o procedimento e a tarefa a executar, alertando para o correto posicionamento das mãos sobre a caixa de respostas.
Seguidamente procedeu-se à colocação dos auscultadores, marca Sennheiser modelo HD 201, e realizou-se um ensaio-treino, a uma intensidade aproximada de 65dB, durante o qual os sujeitos se adaptaram ao procedimento experimental. Após o período de treino, garantida a compreensão pelos participantes da natureza da tarefa, iniciou-se a fase experimental, composta pelos duzentos e quarenta estímulos descritos anteriormente.
Tarefa
Foi solicitado a cada participante que, após a audição de cada palavra, indicasse se essa palavra pertencia, ou não, ao campo semântico da palavra anterior. Caso a palavra ouvida pertencesse à mesma área de significado das palavras anteriores teria de pressionar a tecla verde da caixa de respostas com a mão direita, caso contrário premia a tecla vermelha com a mão esquerda. As respostas foram dadas numa caixa de respostas RB-530, da Cedrus, através da seleção de um botão associado a cada uma das respostas (congruente: botão direito - verde; incongruente: botão esquerdo-vermelho) – figura 16. Os tempos de reação (em milissegundos, ms) foram registados em todas as condições experimentais. Todos os aspetos de apresentação e do registo em linha das respostas foram geridos pelo Software SuperLab 4.0.
Análise dos dados
O primeiro ensaio (série de 4 palavras) de cada campo semântico foi trabalhado de modo independente, por um lado para percebermos o que acontece na transição entre dois campos semânticos diferentes, já que o sujeito não sabe quando esta mudança vai ocorrer; por outro, é consensual que esta situação poderá interferir nos tempos de reação e nos sinais eletrofisiológicos. Assim, no tratamento dos dados as séries de palavras de transição entre dois campos semânticos diferentes, designadas “sem pré-aviso” no desenho experimental, foram eliminadas.
No estudo comportamental, a variável independente foram os indivíduos com e sem PPAC e as variáveis dependentes foram: a precisão das respostas e os tempos de reação (em milissegundos, ms) das respostas. Constatou-se uma heterogeneidade nos tempos de reação intra e inter-sujeito, pelo que, no sentido de tornar os registos mais homogéneos, assumimos que os tempos de reação mais baixos não poderiam ser inferiores a 250ms, dado o tempo necessário para o processamento auditivo da informação linguística. Relativamente a tempos de reação muito elevados, calculámos a média e o desvio padrão por sujeito e por condição experimental (congruência e incongruência) e considerámos como tempo de reação máximo a média mais duas vezes o valor do desvio padrão desse sujeito, para cada uma das condições experimentais, em todos os campos semânticos (Ratcliff, 1993).
A análise estatística dos dados foi feita através do Software estatístico Statistic Package for Social Sciences (SPSS) no programa, versão 21.0.
Foi realizada uma análise descritiva, com média, desvio padrão (SD), mínimos e máximos. O teste estatístico utilizado foi o Oneway Anova (Análise de Variância) para comparar os resultados obtidos (médias dos tempos de reação) para cada uma das categorias da variável “congruência” (congruência versus incongruência). Em relação à variável “campo semântico”, como existiam mais do que dois grupos realizou-se uma análise Post-Hoc – Teste LSD - para ver entre que grupos existiam diferenças estatisticamente significativas. O limite a partir do qual consideramos que as diferenças