4.3 Montage expérimental
4.3.4 Le microscope infrarouge
Antes de avançarmos na análise da colaboração online e da cultura digital, consideramos oportuno fazer uma breve apresentação do desenvolvimento dos estudos sobre complexidade no Brasil. Uma busca rápida no Diretório de Grupos de Pesquisa do Brasil no CNPq aponta mais de uma centena de grupos que possuem vínculo com a complexidade. Estes grupos, espalhados por várias Universidades de diferentes regiões do Brasil representam bem a diversidade de interesses e propostas vinculadas à complexidade como podemos observar no recorte feito na tabela a seguir:
Grupo de Pesquisa Instituição Área
Caos e Complexidade em Saúde e Educação UNESP Medicina Caos, desordem e complexidade em sistemas
clássicos e quânticos
UFPR Física
Complexidade e Gestão UFES Administração Complexidade e Educação UEL Filosofia Complexidade e Comunicação UFG Comunicação Complexidade & Organizações UFPB Engenharia de
Produção GRUPO DE ESTUDOS "EDUCAÇÃO E
COMPLEXIDADE" (GEEDUC)
IFRN Educação
Grupo de Estudos da Complexidade UFRN Antropologia Laboratório da Complexidade UnB Antropologia LETEC - Laboratório de Estudos sobre Teorias da
Complexidade
UFES Sociologia
Mídia, Discurso e Complexidade PUC/RS Comunicação Núcleo de Estudos da Complexidade - Complexus PUC/SP Antropologia FiloCom Núcleo de Estudos Filosóficos da
Comunicação
USP Comunicação
Figura 3 - Quadro com alguns dos grupos de pesquisa sobre Complexidade no Brasil
O fato de encontrarmos grupos de pesquisa em áreas tão distintas como Medicina, Administração, Física e Antropologia apenas reforça o caráter transdisciplinar da complexidade. Ao mesmo tempo esse fato mostra que existe um interesse crescente na perspectiva do pensamento complexo como uma possibilidade viável para a realização de pesquisas no âmbito acadêmico. Isso é importante porque atesta que a complexidade não é apenas um espaço para a especulação, mas também uma possibilidade de remodelarmos nossas práticas investigativas dentro das Universidades.
De acordo com Edgard de Assis Carvalho e Maria da Conceição de Almeida (2012), os primeiros grupos de pesquisa focados nos estudos sobre o pensamento complexo no Brasil foram o GRECOM da UFRN, criado em 1994 e o Complexus da PUC-SP, criado em 1996. Esses grupos realizaram inúmeras publicações e eventos, contando com a participação de expoentes importantes da complexidade, como o próprio Edgar Morin. O histórico de eventos e publicações presente nos sites dos grupos38 mencionados atesta a importância deles na divulgação da complexidade no Brasil. Juntamente ao desenvolvimento destes grupos destacamos também os trabalhos do professor Ciro Marcondes Filho, na USP. Líder do grupo de pesquisa FiloCom -
Núcleo de Estudos Filosóficos da Comunicação, Ciro Marcondes tem se dedicado aos
estudos sobre a relação entre caos, complexidade e a Comunicação em diversas obras,
38 GRECOM/UFRN (Disponível em: <http://www.grecom.ce.ufrn.br/index.php>, Acesso em 15/07/2014)
e Complexus/PUC-SP (Disponível em: <https://sites.google.com/site/complexuspuc/>, Acesso em 15/07/2014).
artigos e eventos, proporcionando especificamente à área da Comunicação um bom espaço de discussão sobre o pensamento complexo.
Ainda na área da Comunicação destacamos também o trabalho da professora Christina Sêga, na Pós-Graduação em Comunicação da UnB, com a criação do eixo termático “Estudos da Cibercultura, Comunicação e Complexidade”, vinculado à linha de pesquisa “Teorias e Tecnologias da Comunicação”, tendo orientado algumas dissertações e teses pelo viés da complexidade. Os trabalhos da professora Christina Sêga, em diversos periódicos científicos e eventos acadêmicos, apontam também para a divulgação da relação entre a Comunicação e a complexidade por meio da transdisciplinaridade e dos estudos sobre o caos. Na área da Comunicação organizacional citamos o professor João José Azevedo Curvello, da Universidade de Brasília, com artigos sobre complexidade, caos e organizações, além de ter desenvolvido sua tese de Doutorado relacionando o conceito de autopoiese com os sistemas organizacionais. Na região centro-oeste cabe destacar ainda o grupo de pesquisa Complexidade e Comunicação da UFG, coordenado pela professora Maria Francisca Magalhães Nogueira, que promove atividades de extensão e pesquisa vinculados à Faculdade Comunicação e Biblioteconomia da UFG.
Na área da Comunicação, com interface com a cibercultura e com os estudos sobre cultura de forma mais abrangente, cabe destacar também as publicações de livros sobre a complexidade. A perspectiva do pensamento complexo aparece por vezes de formas direta, na reedição das obras de Edgar Morin – que possuem edições recentes, mostrando o crescente interesse do público acadêmico em suas obras – mas também nos livros organizados por pesquisadores brasileiros reunindo textos produzidos em contextos diversos, mas com a proposta de divulgar e disseminar ideias que promovam encontros de pesquisadores com o tema do pensamento complexo. Dentre esses livros de divulgação destacamos Complexidade e transdisciplinaridade, organizado por Akiko Santos; Ensaios de complexidade, organizado por Gustavo de Castro; Cultura e Pensamento Complexo, de Edgard de Assis carvalho e Maria da Conceição de Almeida e Ensaios sobre caos e complexidade: aplicações
transdisciplinares em saúde e educação, organizado por Ivan Amaral Guerrini. Estes
livros têm servido de base para a entrada da complexidade no âmbito acadêmico, fomentando debates e promovendo novas iniciativas de publicações e criação de
eventos. Já no campo dos periódicos destacamos a revista Terceiro Incluído39 da UFG, que tem promovido a publicação de artigos com foco transdisciplinar, reunindo pesquisas que discutem ou se aproximam da complexidade em áreas distintas. Além disso, cabe lembrar que existem inúmeros artigos que abordam o pensamento complexo ou discutem temas específicos a partir da complexidade nas muitas revistas acadêmicas em circulação no Brasil. É verdade que existem poucas revistas com foco específico na complexidade, mas por outro lado o tema “complexidade” tem sido bem recebido pelos editores e avaliadores das revistas acadêmicas demonstrando que o tema é não só recorrente como pertinente, gerando pesquisas cada vez mais sólidas e ricas em resultados e reflexões.
Seríamos certamente cada vez injustos com muitos pesquisadores se continuássemos listando nomes, grupos de pesquisa, livros e periódicos científicos, dado que temos seguramente muitos acadêmicos pesquisando a complexidade no Brasil e não conseguiríamos mencionar todos aqui. Mas consideramos oportuno referir esses dados, mesmo que brevemente, para pontuar que a complexidade tem gerado um interesse cada vez maior no Brasil, o que nos faz entender que o caminho adotado nesta tese é pertinente e adequado ao desenvolvimento da Comunicação e dos estudos sobre o pensamento complexo em nosso país.
No caso específico da cibercultura e dos estudos sobre interação acreditamos que a perspectiva da complexidade pode oferecer caminhos viáveis de investigação. A partir do próximo tópico o que procuraremos fazer será justamente uma apresentação de características da cibercultura e da colaboração online que podem ser observadas como decorrentes de seus sistemas complexos.