3 L’ACCOMPAGNEMENT AU CHANGEMENT : LA CLE DE LA PERENNITE DU
3.2 L A CONDUITE DU CHANGEMENT
3.2.3 Le management
Tal como se pode verificar no Quadro 3, este tema apresenta 83 unidades de registo, e foi organizado em três categorias: percepção geral sobre a turma; percepção
sobre a relação professor/aluno e percepção sobre a relação entre os alunos.
Quadro 4) Totais das Unidades de Registo e % por Subcategorias (I Tema) I TEMA CATEGORIAS SUBCATEGORIAS INDICADORES T.UR/SC %.UR/SC
Turma dinâmica
Turma com pais colaboradores
Turma irrequieta
Turma competitiva
Turma com pais desatentos
Boa relação com o professor
Relação de respeito face ao professor
Relação aberta e confiante com o professor
Boa relação entre os alunos
Grupo muito solidário
Grupo que se conhece muito bem
Boa relação entre os alunos, porque o aluno com NEE não interfere na aprendizagem da turma
Alguns conflitos entre os alunos
Problemas com as atitudes da mãe do aluno com NEE 83 100,00% Totais 18 21,69% 5 24 8 6,02% 28 33,73% Percepção sobre a relação P/A 9,64% Características e dinâmica da turma Percepção geral sobre a turma Percepção positiva Percepção negativa Percepção positiva Percepção positiva Percepção negativa Percepção sobre a relação entre os alunos 28,92%
Observando o Quadro 4, verifica-se que, tendo como base comparativa o número total de unidades de registo do I Tema (83) – “Características e dinâmica da turma”, a maior parte dos professores tem uma perspectiva positiva sobre a sua turma e considera ter uma boa relação com os alunos. Considera ainda que a relação entre os alunos é também muito positiva.
A categoria Percepção geral sobre a turma inclui expressões dos professores relativas às percepções face à sua turma inclusiva e encontra-se organizada em 2 subcategorias: percepção positiva e percepção negativa.
A percepção positiva sobre a turma inclusiva apresenta uma frequência de 21,69%, sendo de referir que “turma com pais colaboradores” é o indicador que recolhe maior número de unidades de registo. Três dos professores referem, por exemplo:
“Em relação aos pais… é uma turma que há… há duas faixas: uma faixa de pais que
contribui muito para o desenvolvimento curricular”(P4)
“(…) e decidimos fazer uma festa de aniversário, na escola, em que os pais partilharam” “(…) nunca houve problema… perante os pais das outras crianças por ter uma criança, com estes problemas dentro da sala(…)”(P6)
“(…) era muito giro porque havia entre, entre a escola, portanto, e a família uma grande ligação(…)” (P8)
A percepção dos professores da sua turma como uma “turma dinâmica”, constitui o segundo indicador nesta subcategoria com apenas 3 UR.
Quanto à percepção negativa sobre as características e dinâmica da turma inclusiva, a mesma surge com a menor frequência de unidades de registo, cerca de 6,02%, em relação ao tema, pelo que podemos inferir que os professores têm, como já dissemos, uma percepção maioritariamente positiva das turmas que orientam. Com efeito, a maior parte das UR desta subcategoria provêm do mesmo professor, o qual considera que a sua turma “é uma turma muito irrequieta” (P2) e “é competitiva”(P2). Por outro lado, apenas um professor refere que a sua turma tem “pais desatentos (P4). A categoria Percepção sobre a relação professor/aluno, inclui expressões dos professores sobre a sua relação com os alunos da turma, nomeadamente se percepcionam uma boa relação, uma relação de respeito face ao professor e/ou uma relação aberta e confiante. De salientar que, nesta categoria, os professores não exprimem percepções de carácter negativo. Como o quadro anterior mostra, os professores referem a importância da abertura e confiança do aluno com o professor, indiciando com esta relação uma “vantagem” para o processo de ensino e aprendizagem. Acerca da boa relação professor/aluno, referida pela maioria dos inquiridos, os docentes afirmam, por exemplo: “Temos uma relação bastante boa” (P2)
e “Em relação ao relacionamento professor/aluno, eu tento sempre que ele seja o mais
ligado possível” (P4)
Sendo a “relação aberta e confiante dos alunos com o professor” o segundo indicador nesta subcategoria com maior número de unidades de registo, os inquiridos afirmam, por exemplo: “(…) eles quando têm algum problema… alguma questão …
alguma dúvida… eles colocam-na” (P2) e “(…) dou oportunidade a que todos esclareçam as suas dúvidas” (P7)
A categoria Percepção sobre a relação entre os alunos, inclui expressões dos professores relativas à relação entre os alunos da turma, nomeadamente a boa relação entre os alunos, a solidariedade do grupo, o conhecimento do grupo por estarem juntos há tempo e ainda a especificidade do contributo para uma boa relação pelo facto do aluno com NEE não interferir na aprendizagem da turma. Também aqui a informação analisada foi organizada em duas subcategorias: percepção positiva e percepção negativa.
A percepção positiva dos professores acerca da relação entre os alunos passa, em primeiro lugar, pela solidariedade no grupo, entre alunos sem NEE e alunos com NEE, utilizando expressões como: “(…) tenho miúdos muito solidários(…)” (P2); “(…)
que gostavam muito de o ajudar (…)” (P6); “(…) os outros, os outros alunos até lhes dão uma certa protecção (…)” (P7).
Apesar de os professores manifestarem uma percepção positiva acerca da relação entre os alunos da turma inclusiva, também têm em conta algumas dificuldades iniciais na dinâmica das suas turmas, referindo alguns conflitos entre os alunos e a dificuldade em gerir as atitudes da mãe de um dos alunos com NEE. Esta questão é referida várias vezes por um único professor, o qual também é o único docente que refere “boa relação entre os alunos porque o aluno com NEE não interfere na aprendizagem dos restantes alunos”. Desta afirmação podemos inferir que a inclusão do aluno é aceite na medida em que não cria problemas na turma, o que parece uma perspectiva muito redutora.
Quanto à referência a conflitos entre os alunos, há apenas 3 unidades de registo, todas referidas pelo mesmo docente (P2), sendo também o mesmo inquirido que em relação à percepção geral sobre a turma faz referência a “turma irrequieta” e “turma competitiva”, afirmando: “ah… eles são um bocadinho conflituosos” (P2)
Sintetizando, em relação ao I Tema – Características e dinâmica da turma inclusiva – é de referir que a maioria dos professores teceram considerações positivas acerca da importância da relação entre os alunos da turma, com e sem NEE.
É interessante notar que, dos professores inquiridos, nenhum manifesta uma percepção negativa acerca da sua relação com os alunos, podendo inferir-se que
todos os professores da amostra têm presente a importância do clima social na sala de aula, destacando-se as relações que são estabelecidas entre professores e alunos. Como vimos no Capítulo I, “na construção de um clima positivo na sala de aula assume particular importância a qualidade das interacções sociais entre professor e alunos e entre alunos.” (Wang e tal, 1993, cit in Morgado, 2003:97). Reforça-se pois a ideia de que:
“estabelecer na sala de aula um clima relacional, afectivo e emocional baseado na confiança e aceitação mútua, parece ser um aspecto determinante na qualidade da acção educativa uma vez que o afecto, as motivações e a relação interpessoal são compostos nucleares nos processos educativos. (Dean, 1992; Marchesi & Martin, 1998, cit in Morgado, 2003:96
Na verdade, apenas um dos professores entrevistados refere que a turma inclusiva é irrequieta e competitiva. Conectando a informação com o Quadro 1 – Caracterização dos docentes – verificamos que se trata de um dos docentes mais novos de idade e com menos tempo de serviço e ainda nos parece oportuno referir para a compreensão destes indicadores que, de todos os respondentes da turma inclusiva, é o professor com maior número de alunos com NEE incluídos, todos com tipologias diferenciadas2.
Neste sentido, é possível inferir que um dos professores mais novos, com menos experiência e com muitos alunos com NEE na turma inclusiva tem maiores dificuldades numa dinâmica positiva para a sua turma. Acresce a esta condição o facto de a turma que orienta ter 3 alunos com NEE, o que dificulta uma gestão equilibrada. Com efeito,
“Como indica Renau (1984), as classes muito numerosas não favorecem a integração porque: a) dificultam o aparecimento e manutenção do sentimento de pertença a um grupo e a formação de vínculos dentro deste; b) a atitude do professor em grupos muito numerosos tende a exigir comportamentos facilmente controláveis e, como tal homogéneos. (Bautista, R , 1997: 32).
É também interessante notar que o professor (P8) que referiu mais vezes a ideia de “grupo muito solidário”, é o mesmo que sublinha que a turma tem pais colaboradores.
Com efeito, como condições positivas para a integração dos alunos com NEE, em turmas que se poderão desenvolver dinâmicas inclusivas, parece-nos adequado valorizar a importância da participação dos pais, a qual passa pela informação, tanto
2 Cf. Quadro 2 – alunos com NEE: 1 com Perturbação Neuromotora, 1 com Deficiência Auditiva
aos pais das crianças com deficiência como aos pais das outras crianças, preparando- os para uma colaboração positiva. (Medrano, 1986, in Bautista, R, 1997:32)