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Chapitre 4 Mise en œuvre d’un prototype et mesures de performances

4.1 Implémentation

4.1.3 Les serveurs d’application

4.1.3.2 Le médiateur

A espacialização da violência se constitui uma estratégia de decifração desse problema que afeta a maior parte das cidades do Brasil, nesse início de século XXI. Natal, cidade com uma população total de 853.928 habitantes não foge à regra. Os

31 | P á g i n a dados do Mapa da Violência 2013: Homicídio e juventude no Brasil, publicado pelo Centro de Estudos Latino-Americano – CEBELA, mostra que essa cidade está entre aquelas da região Nordeste que apresentou um dos maiores índices de crescimento no quesito homicídio. Entre os anos de 2001 á 2011 o número de homicídios cresceu 251,3%. Nesse contexto, discutir a espacialização da violência é uma questão singular para os estudos urbanos e regionais e para a Geografia, na medida em que contribui para a decifração desse problema a partir de sua matriz espacial.

A espacialização do problema requereu uma escolha que, neste trabalho, recaiu sobre o bairro do Pajuçara, localizado na Zona Administrativa Norte de Natal/RN. Assim como em tantos outros bairros da cidade, a violência vem causando grandes transtornos à população, interferindo na forma como as pessoas agem e modificam a paisagem. A observação da paisagem do bairro nos revela que o sentimento de insegurança da população que reside no Pajuçara, está presente nos muros altos rodeados de cerca elétrica, na falta de movimentação das pessoas nas praças, nas grades de proteção dos estabelecimentos comerciais. As figuras 1 e 2 representam com uma certa clareza o sentimento de insegurança presente na paisagem do bairro. Para além desse campo de visibilidade os dados colhidos na delegacia do bairro mostram o elevado número de homicídios, roubos, assaltos, furtos e o tráfico de drogas, ao longo do ano de 2013.

32 | P á g i n a Figura 2: Casa com cerca eletrificada no Conjunto Pajuçara

Fotografia: Jéssica Costa (Jun/2014)

Figura 3: Casa com cerca eletrificada no Conjunto Vila Verde. Fotografia: Jéssica Costa (Jun/2014)

O bairro Pajuçara tem uma população de 60.910 habitantes, em que a maior parte deles, ou seja, 35,11% têm renda per capta concentrada no intervalo entre meio salário mínimo e um; 89,20% da população é alfabetizada. O bairro possui cinco conjuntos habitacionais - Pajuçara, Parque das Dunas, Vila Verde, Além Potengi, Brasil Novo - e aproximadamente oito loteamentos. Essa quantidade de loteamentos não é exata devido a carência de dados oficiais precisos e do constante surgimento de novos espaços dessa natureza. De modo geral, atualmente os loteamentos existentes são os seguintes: Dom Pedro I, Nova República, Santa Emília, Santa Cecília, Santa Inês, João Paulo II, Novo Horizonte, Parque da Floresta.

A coleta de dados foi realizada na 6ª DP do bairro a fim de se obter o número de crimes com caráter violento ocorridos apenas no bairro Pajuçara no ano de 2013. Entretanto, vamos considerar esses dados parciais, uma vez que, em alguns, os boletins de ocorrência não tinham o local do crime.

A partir dos dados o sentimento de insegurança vai ser traduzido em números. No ano de 2013, foi registrado um total de 48 crimes, contando apenas com homicídio, furto, roubo/assalto e tráfico de drogas, todos cometidos nas circunscrições do bairro. A inclusão do tráfico de drogas como crime de caráter violento se dá em virtude de que é o tráfico, um dos principais vetores para a geração de novos crimes como homicídios, roubos e assaltos, principalmente, no espaço urbano.

33 | P á g i n a O crescente aumento da violência tem gerado um sentimento de insegurança na população do bairro. Isso se reflete na modificação da paisagem ocorrida ao longo do tempo. As casas aparecem com muros mais altos e rodeadas de cercas elétricas; as ruas se mostram mais desertas, principalmente a partir do horário das 19:00, sendo essa situação também percebida nas praças e quadras de esportes ao longo dos conjuntos. Essas características surgem como consequência do medo promovido pela violência. As pessoas passam a se refugiar dentro de casa e as casas passam a ser verdadeiras fortalezas.

A maior parte dos crimes registrados foi cometido nos loteamentos, que, por sua vez, são áreas situadas na divisa de um conjunto para o outro, ou seja, áreas de fronteiras. Nessas localidades, reside a população menos favorecida do bairro, sendo assim, a mudança na paisagem vai se configurar de forma diferente quando comparado com os conjuntos – são áreas sem nenhuma pavimentação, os muros se mostram não muito altos, algumas casas não têm muro de proteção. Mas o sentimento de insegurança se mostra no silêncio do espaço: as ruas são desertas e o medo faz com que as pessoas não trafeguem nas vias do loteamento.

34 | P á g i n a Figura 4: Loteamento Novo Horizonte

Fotografia: Jéssica Costa (Jun/2014)

Figura 5: Conjunto Pajuçara Fotografia: Jéssica Costa (Jun/2014)

Baseado na descrição contida nos boletins de ocorrência constatou-se que a maioria dos crimes é cometida por pessoas do sexo masculino; todas as vítimas de homicídio são, também, pertencentes a esse sexo; e, na maioria dos casos, os crimes estão relacionados a dividas com drogas. Alguns casos não foram solucionados, dessa forma, não se sabe se vítimas e acusados pertencem ao mesmo bairro. O mapa a seguir, tem como objetivo apontar a espacialização da violência no bairro Pajuçara, a partir de crimes com caráter violento ocorridos ao longo do bairro durante o ano de 2013. As informações contidas no mapa apresentam dados relativos aos crimes solucionados cometidos no bairro, onde vítimas e infratores são de bairros diferentes.

35 | P á g i n a MAPA DE CRIMES COM CARÁTER VIOLENTO DO BAIRRO PAJUÇARA 2013

A cartografia presente no mapa censitário do bairro Pajuçara, é referente a localização das áreas onde se deu a ocorrência dos crimes de homicídio, furto, assalto/roubo e tráfico de drogas, bem como a espacialização desses delitos e seus devidos percentuais. A análise dos dados possibilita compreender aspectos da espacialização da violência no bairro Pajuçara quanto a sua distribuição que ocorre da seguinte forma: a maioria das ocorrências de homicídios foi registrada nos loteamentos habitacionais no qual o Dom Pedro I se destaca; já os furtos e assaltos se mostram mais comuns dentro dos conjuntos habitacionais principalmente no conjunto Pajuçara e Parque das Dunas. No total de crimes ocorridos durante o ano de 2013, o conjunto Pajuçara se destaca, sendo esse um fator preocupante, assim explicando a mudança da paisagem ao longo do conjunto, e afirmando a insegurança do medo do crime

Essas características ajudam a compreender como o fenômeno da violência vai se espacializando, alterando a paisagem e o comportamento da população. O sentimento de insegurança não se apresenta em todas as localidades com a mesma intensidade, mas em momentos diferentes com aspectos distintos. Além do crescente número de crimes cometidos no bairro, as notícias veiculadas pela mídia local amplificam o problema, favorecendo a ampliação do sentimento de insegurança dos moradores.

Ao observar os números e saber que eles são crescentes ano após ano, fica difícil imaginar um sentimento de segurança plena presente nos hábitos sociais. Segundo Souza (2008, p. 33) “o medo generalizado vai se convertendo em um formidável fator de (re)estruturação do espaço e da vida urbana”.

36 | P á g i n a Os equipamentos de segurança se mostram bastante visíveis nas casas do bairro, pois são equipamentos particulares; o que é invisível em todos os aspectos dentro do bairro são os equipamentos públicos de segurança. Entretanto isso é um problema que repercute não só no Pajuçara, mas em toda à cidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nas análises feitas, depreende-se que o número de crimes cometidos no ano de 2013 ao longo do bairro Pajuçara, é uma crescente característica da violência, sendo essa, refletida na mudança de hábito da população local e da paisagem. A espacialização da violência possibilitou identificar as áreas do bairro com maior incidência de criminalidade com caráter violento, assim como o tráfico de drogas que é um dos principais vetores da violência urbana.

Diante disso é possível concluir que a paisagem é o elemento importante para decifrar aspectos relativos à violência e ao sentimento de insegurança da população, tornando-se a observação da paisagem uma estratégia metodológica fundamental para construir a espacialização dos fenômenos socioespacias.