RAPPEL THÉORIQUE ET DISCUSSION
I. Rappel théorique :
4. Le geste chirurgical :
Angel é licenciado em Matemática e mestre em Engenharia Elétrica. Atua no serviço público federal como docente desde 2011. Anteriormente, atuou como professor em uma instituição particular de ensino superior, localizada na cidade de Belo Horizonte-MG.
Angel acredita114 que o papel das disciplinas de Cálculo, num contexto de formação em Engenharias, configura-se como uma base formadora no que diz respeito às ferramentas que os alunos vão adquirindo com o objetivo de as aplicarem nas disciplinas
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Todos os nomes de alunos e professores serão fictícios. Com isso, objetivo preservar a identidade por questões éticas.
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Todas as descrições das concepções explicitadas pelo professor Angel são baseadas nas entrevistas inicial e final concedidas a mim por ele. As entrevistas foram gravadas em áudio e vídeo. No texto que segue, todos os excertos das entrevistas transcritas e citadas foram retirados das entrevistas iniciais e finais realizadas com os sujeitos que aceitaram o convite de participação no GEPMM.
técnicas dos cursos. Então, para ele, o Cálculo é considerado como uma base teórica para o
desenvolvimento das disciplinas formadoras “de cidadãos altamente qualificados para o exercício profissional” (ESTATUTO UNIFEI, 2003, p. 2). Ao ser questionado a respeito das
propostas metodológicas que têm sido desenvolvidas na UNIFEI-Itabira, objetivando o cumprimento dos papeis das disciplinas de Cálculo na formação em Engenharia apontados por ele mesmo, nos conta:
Aqui na instituição basicamente, aqui na UNIFEI campus Itabira pelo menos assim no grupo nosso da Matemática, porque nós somos, digamos, relativamente isolados dos grupos das Engenharias, então em termos de nossas reuniões e tudo mais, a gente define, assim, habilidades chaves, ou seja, em termos de conhecimentos matemáticos que ele deve ter diante das diversas ferramentas, para poder, vamos dizer assim, estar delimitando essa base formadora do aluno. Agora assim, em termos institucionais, a gente não tem reuniões periódicas ou algum tipo de ferramenta ou algum tipo de consultoria externa para estar atuando junto da instituição para estar delimitando aí essa linha formadora do aluno. Então aí a gente se sente muito livre para estar aplicando esta ou aquela metodologia, se der certo bem se não der também ok. Então assim, em termos institucionais não tem nada assim digamos constituído ou em constituição pra tá melhorando isso não. Tem assim, que está sendo muito ventilado é a questão do PBL. Porém está ainda muito incipiente e agora está mudando de reitor e a gente não sabe o que vai acontecer.
Sobre as metodologias utilizadas por ele e os demais colegas docentes da área de Cálculo ele nos conta:
Ah, basicamente assim, pelo que eu converso com os outros colegas é o método tradicional mesmo, livros, passar no quadro, exercícios, nada assim muito diferente do cotidiano não, eu é que no semestre passado adotei assim, digamos, uma metodologia diferente pra verificar [...] assim qual seria a percepção do aluno diante desse novo modelo, então, na primeira etapa do período eu adotei o que seria o procedimento padrão, aula expositiva, exercícios, trabalhos em equipe e depois prova e já na segunda etapa as aulas expositivas foram trocadas para aulas de tirar dúvidas, então os alunos se reuniam para desenvolverem exercícios em grupos já que as aulas já tinham sido disponibilizadas em slides no portal acadêmico, então o meu papel era apenas de estar lapidando essas dúvidas que iriam aparecendo diante das discussões dos grupos. Assim, para alguns alunos isso foi ótimo, principalmente aqueles que já têm um bom desempenho nato, e outros que já são preguiçosos, não querem nada com a dureza, encostaram nos outros colegas do grupo e ficou assim aquele parasitismo durante a segunda etapa do período [...] aí eu fiz uma avaliação em dupla e o resultado foi realmente muito bom, embora eu não possa mensurar o quão desse conhecimento individual foi absorvido por cada aluno.
Durante a conversa que tive com a aluna Mary, ela relatou sua adaptação como aluna da disciplina BAC 020 com a proposta metodológica descrita anteriormente pelo professor Angel. Ela enfatizou que não gostava de assistir às aulas expositivas e que preferia estudar os slides disponibilizados no portal pelo professor, o que ela poderia fazer qualquer
dia, qualquer horário e em qualquer lugar. Para ela, era bem mais produtivo dessa forma, embora alguns colegas dela não tenham se adaptado tão bem a essa proposta de ensino.
Em seguida, perguntei ao professor Angel se ele costumava abordar algum tipo de aplicação em suas aulas.
Eu gosto muito dessa questão prática assim porque, eu vejo o seguinte, na minha concepção, você tem que ensinar pros alunos aquelas habilidades matemáticas mesmo, a operacionalizar, trabalhar com estruturas matemáticas, obter o resultado, e, além disso, eu sempre tento assim, na medida do possível, linkar aquele assunto com algum conteúdo prático. Só que como a turma é, vamos dizer assim, muito heterogênea em termos de várias engenharias, não tem como eu focar, por exemplo, um problema específico de Engenharia Elétrica ou um problema específico de Engenharia Mecânica ou um problema específico da Computação, então às vezes eu seleciono um problema que é direcionado à parte elétrica igual, por exemplo, Sistemas Lineares eu comecei com uma parte motivacional a partir de um problema de circuito elétrico. Então, eu dei lá várias fontes de energia, de um circuito todo montado, resistor e tudo mais, então você usa aquelas leis da elétrica, cai em um sistema linear e depois resolve [...] pelo menos eu já dei um horizonte para ele já vislumbrar – olha isso daqui eu realmente vou precisar lá pra frente...
Depois disso, questionei-o sobre algum tipo de parceria entre grupos de professores de áreas correlatas na instituição. Perguntei se, por exemplo, o grupo de professores da área de Física desenvolvia algum tipo de trabalho juntamente com os professores da área da Matemática. Ele respondeu:
Eu pelo menos, em termos de reunião, nunca houve. É só mesmo os grupos da matemática, grupo da física, grupo da engenharia de materiais, grupo da engenharia de produção, sempre aqueles grupos segregados [...] eu acho que seria fantástico se houvesse essa integração, que muitas vezes um professor lá de, por exemplo, lá do curso de Engenharia da Mobilidade, de construção civil, ele tá lá fazendo experimentos e gerando resultados, será que ele não poderia, estar utilizando os conhecimentos de um professor da área de matemática [aponta para ele mesmo] para estar melhorando os experimentos com algo que ele ainda não saiba usar de matemática? Seria interessante também para os alunos poderem ver essa interligação, só que há aquela questão assim, vamos dizer assim, das vaidades intrínsecas da carreira de docente que realmente torna essa tarefa um pouco complicada [risos]...
Logo após esse momento, questionei-o se, além da vaidade, quais seriam outros motivos pelos quais essa interligação entre as áreas não acontecia na instituição. Ele responde que a questão da “autonomia universitária” é adotada de forma ampla nas universidades federais no Brasil, ou seja, os docentes geralmente trabalham de forma autônoma, sem se preocupar com o que o colega está fazendo ou deixando de fazer. Ele acredita que, para que mudanças ocorram, as ordens têm que ser dadas “de cima para baixo”115. Porém, mesmo que
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mudanças sejam impostas, esbarrariam na questão da “vaidade”116 dos docentes, na vontade deles de dialogar, trabalhar realmente em equipe. Ele conta que, anteriormente ao trabalho como servidor público, trabalhou em uma instituição de ensino superior da rede particular e que lá os professores tinham o dever de participar de reuniões e seminários para discutirem as práticas pedagógicas. Nesses seminários, eles compartilhavam experiências boas e ruins, faziam leituras, discutiam e refletiam acerca das posturas de cada um. Para Angel, era muito bom conhecer as práticas pedagógicas dos colegas. Isso o fazia (re)pensar sua própria prática e o ajudava a tomar atitudes futuras para melhorá-la. Após esse relato, perguntei se ele sentia que essa obrigação (de participar destas atividades semestrais) exercia algum tipo de influência na atitude dos professores durante o semestre. Ele respondeu:
Ah um pouco sim, porque querendo ou não emprego privado cê sabe como é que é, né? Então assim, digamos, se você tá no ritmo, tá tudo dando certo você se perpetua naquela empresa, caso contrário você é excluído. Então assim, havia um direcionamento pra tá tendo justamente esses novos métodos, esses novos meios de ensino em prol da instituição, porque senão você era cortado da instituição.
Em seguida, questionei o professor se, na opinião dele, esse tipo de ambiente de discussão estava faltando na UNIFEI. Ele respondeu que sim, não só na UNIFEI, mas em muitas universidades federais, citando vários exemplos de colegas que trabalham nessas instituições, e reafirmou que a questão da autonomia dos professores acaba criando essa cultura do individualismo entre os professores das universidades, tornando esse problema uma questão delicada.
Em suma, com base na entrevista inicial concedida a mim, o professor Angel parece se preocupar em estabelecer relações entre as disciplinas lecionadas por ele nos cursos de Engenharia da UNIFEI-Itabira e outras áreas do conhecimento; está sempre aberto para responder as dúvidas trazidas pelos alunos; sente falta de um ambiente de discussão a respeito das questões pedagógicas dos cursos de Engenharia; percebe que questões individuais relacionadas à subjetividade dos professores podem estar impedindo mudanças que poderiam melhorar a educação em Engenharia fornecida pela UNIFEI-Itabira; preocupa-se em motivar os alunos, apresentando questões que abordam problemas oriundos de áreas correlatas às disciplinas não matemáticas dos cursos de Engenharia; critica o predomínio de aulas expositivas e incentiva uma participação mais ativa dos alunos; demonstra perceber, na contemporaneidade, que os recursos tecnológicos disponíveis podem ser poderosos aliados
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nos processos de ensino-aprendizagem em cursos de Engenharia; e, por fim, parece ser um professor aberto ao diálogo.
Objetivando dar prosseguimento à apresentação dos sujeitos partícipes do GEPMM, retomarei o momento após a palestra117 ter sido proferida por mim na UNIFEI- Itabira, em outubro de 2012, ocasião em que o convite para participação no grupo foi feito à comunidade e, também, a data do primeiro encontro do grupo foi marcada. Ao término da palestra, uma professora, denominada por mim de Clarice, veio até mim (ainda estava à frente do auditório), informando que gostaria de participar do grupo. Agradeci a disponibilidade e a reencontrei no primeiro encontro.