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5.5 Création des items

5.5.3 Le format des images

O conceito de modelo de mundo, segundo a PNL, refere-se ao simulacro ou “recorte” da realidade conforme concebido pelo cliente. Reflete suas experiências internas, sejam elas elaboradas consciente ou inconscientemente. Identificar o modelo de mundo do cliente permite ao terapeuta compreendê-lo, ampliá-lo empregando o Metamodelo – que será descrito adiante – bem como estreitar seus laços com o cliente, estabelecendo mais facilmente o rapport desejável para o atendimento eficaz.

Os sistemas representacionais constituem os canais de input, por meio dos quais as informações que o mundo oferece são absorvidas. Como afirmam Bandler e Grinder:

Cada um de nós, como ser humano, dispõe de um número de diferentes modos de representar nossa experiência do mundo. [...] Temos cinco sentidos reconhecidos de fazer contato com o mundo — nós vemos, ouvimos, sentimos, degustamos, cheiramos. Como complemento desses sistemas sensoriais, temos o sistema da linguagem, que usamos para representar nossa experiência. [...] Há três canais de input mais importantes através dos quais, como seres humanos, recebemos informações sobre o mundo à nossa volta — visão, audição e cinestesia (sensações corporais) (BANDLER; GRINDER, 1977, p. 33).

Cada indivíduo representa, pois, suas experiências da realidade que lhe é apresentada por meio da linguagem. Bandler e Grinder (1977) destacam que tais representações são submetidas, além desta e dos sentidos, a outros três tipos de

filtros, denominados restrições neurológicas, restrições sociais e restrições individuais.

Por ordem das restrições neurológicas, os seres humanos são capazes, por exemplo, de perceber apenas certos tipos de ondas eletromagnéticas (como as ondas sonoras abaixo de 20 ciclos/s ou acima de 20.000 ciclos/s). Nesse sentido, os autores explicam que “nosso sistema nervoso, (...), determinado geneticamente, constitui o primeiro grupo de filtros que distinguem o mundo — o território — de nossas representações do mesmo — o mapa” (BANDLER; GRINDER, 1977).

Por ordem das restrições sociais, de acordo com a própria linguagem de Bandler e Grinder, entende-se que

Uma segunda maneira pela qual nossa experiência do mundo difere do próprio mundo é através do conjunto de restrições ou filtros sociais (os óculos impostos) — referimo-nos a estes como fatores genéticos sociais14. Por genética social, referimo-nos a todas as

categorias ou filtros aos quais estejamos sujeitos como membros de um sistema social: nossa língua, nossos meios aceitos de percepção, e todas as ficções aprovadas socialmente. Talvez o filtro genético social mais comumente reconhecido seja nosso sistema linguístico (BANDLER; GRINDER, 1977, p. 29).

14

Julgou-se conveniente reproduzir a nota de rodapé em que os autores esclarecem: “Adotamos esta terminologia incomum — genética social — para lembrar ao leitor que as restrições sociais no comportamento dos membros da sociedade têm um efeito tão profundo na formação de suas percepções quanto o têm as restrições neurológicas. Também, que as restrições neurológicas, de início determinadas geneticamente, estão sujeitas à contestação e à mudança, exatamente como estão as restrições determinadas, de início, socialmente. Por exemplo, o dramático sucesso que os pesquisadores tiveram em obter controle voluntário sobre partes do assim chamado sistema nervoso involuntário nos humanos (p.ex. onda alfa) como também em outras espécies, mostra que as restrições neurológicas são contestáveis.” (Ibid., p. 31).

Por ordem das restrições individuais, os autores as definem como as representações criadas, tomando por base a história pessoal do indivíduo, pois, “assim como cada pessoa tem um conjunto de impressões digitais distintas, assim, também, cada pessoa tem experiências incomuns de crescimento e vida e jamais a história de duas vidas será idêntica” (BANDLER; GRINDER, 1977).

Assim, os sistemas representacionais, submetidos ao sistema da linguagem e em concordância com os filtros citados, reforçam a tese das representações de caráter exclusivamente pessoal de modelo de mundo, variando de indivíduo para indivíduo, bem como justificam a limitação de suas escolhas disponíveis somente as opções percebidas e “registradas” pela pessoa figurariam como “disponíveis”.

No tocante à linguagem, Bandler e Grinder (1977) mencionam que esta “é adequada a preencher sua função como um sistema representativo [destaque da Autora]”; no entanto, “ela própria precisa fornecer um conjunto rico e complexo de expressões para representar nossas experiências possíveis”. Este tem sido o desafio da Psicologia nos seus diversos campos e abordagens, ou seja, verificar a complexidade presente nas estruturas subjetivas a partir da representação verbal, linguística, oferecida pelos clientes. A complexidade que envolve a questão da subjetividade valoriza o papel da linguagem no trabalho terapêutico.

Convém observar que, à primeira vista, a PNL parece utilizar a linguagem como

instrumento, com o propósito de implantar, por meio da modelagem, significados

padronizados, visando à criação de um sentido universal. Todavia, os autores não se referem propriamente ao “uso” instrumental da linguagem, mas baseiam o metamodelo na própria estrutura — ou sistema — da linguagem, de acordo com o modelo da Gramática Gerativo-Transformacional. Resumidamente, os autores explicam que:

A linguagem humana é uma forma do ato de representação do mundo. A Gramática Transformacional é um modelo explícito do processo de representar e comunicar essa representação do mundo. Os mecanismos dentro da Gramática Transformacional e o modo pelo qual representamos nossa experiência são universais a todos os seres humanos. O significado semântico que estes processos representam é existencial, infinitamente rico e variado. O modo pelo qual estes significados existenciais são representados e comunicados é governado por regras. A Gramática Transformacional não modela o sentido existencial, mas o modo pelo qual se forma este conjunto infinito — as próprias regras de representações [destaques da Autora] (BANDLER; GRINDER, 1977, p. 62-62).

A compreensão desse importante papel da linguagem na construção de sentidos levou Bandler e Grinder a elaborar o conceito de Metamodelo, peça-chave de sua abordagem teórica. As categorias e subcategorias propostas pelos autores a partir do discurso terapêutico ericksoniano, apresentam-se como ferramentas fundamentais para a realização das análises apresentadas nesta tese.