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Le financement par les instruments de dette

Dans le document Rapport 2019 de l Observatoire (Page 32-37)

A indústria requereu, no momento de sua instalação, vultosas alterações de relação territorial, social e econômica. Estabelecendo ligações entre matéria prima, mão de obra, força motriz e escoamento da produção, a fábrica traria uma nova lógica de organização territorial. O gigantismo do fenômeno industrial marcou a paisagem não apenas pelas intervenções físicas realizadas e infraestruturas instaladas, mas pelo grande impacto nas relações urbanas e sociais experimentadas principalmente nas cidades.

Segundo Nesti e Tognarini, o alargamento do conceito de monumento para seu entorno geográfico ocorreu na década de 1970, período no qual os estudos na área enfatizaram o contexto histórico industrial no qual o artefato estava inserido. (2003:162). Um dos primeiros teóricos a sinalizar a importância da compreensão da industrialização em sua magnitude espacial seria Neil Cosson, em “The PB book of industrial archaeology”, de 1978. Para o autor, ao interpretar os artefatos industriais como patrimônio cultural, deveria se atentar para a importância dos estudos da paisagem, avaliando-se o significativo impacto da relação entre indústria e território. Este aspecto o qual o autor chamaria atenção de forma pioneira ganhou novos contornos na discussão recente em patrimônio industrial, cujo aspecto da paisagem passa a ser fundamental para a sua abordagem.

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Palmer e Neaverson trabalham considerando que o ambiente no qual está inserido o núcleo produtivo industrial não é estático. Ele estabelecerá relações de produção com outros núcleos fabris e urbanos, com fontes energéticas, por meio de infraestruturas, deslocando ainda operários e incrementando núcleos urbanos. Desta forma, a interpretação dos artefatos industriais como „monumentos isolados‟ não seria capaz de abranger os possíveis impactos sociais e culturais a ele associados, num momento de instalação e desinstalação industrial. Para estes autores, as estruturas industriais não poderiam ser consideradas objetos isolados, mas parte de uma rede relativa aos métodos e meios de produção. (PALMER & NEAVERSON, 1998:4, 5).

Fontana, ao trabalhar sobre esta temática, utiliza o termo „sistema‟ ao considerar a totalidade das relações (territoriais, sociais, econômicas entre outras) da qual o edifício industrial não pode ser dissociado. (FONTANA, 2011:94), A fábrica se torna assim a sinalização visível do processo econômico e social do passado, constituindo um testemunho histórico relevante que pode oferecer toda expressividade funcional criada pela atividade industrial. Avaliar a indústria nesta dimensão ampliada resulta essencial para a plena compreensão do efeito espacial da atividade industrial, do seu impacto inicial e final sobre o ambiente, às transformações produzidas na percepção e representação da paisagem.

Ainda neste sentido, concorda Manoela Rufinoni:

“(...) Eventualmente uma única edificação industrial isolada pode representar valores excepcionais, mas, em muitos casos, trata-se de uma rede de edifícios fabris ou não, inter- relacionados em torno da produção cuja avaliação e preservação não fará sentido fora do conjunto”. (RUFINONI, 2009:180)

O alargamento do tratamento destes testemunhos, que passou de „monumento industrial‟ a „sítio industrial‟ e por fim a „área industrial‟, evidencia uma

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abertura espacial e de interesse a uma série de inter-relações entre o fenômeno industrial e a totalidade do território. A partir desta perspectiva, três aspectos no tratamento destes testemunhos evidenciam-se: a multidisciplinariedade que define atualmente os estudos no campo, a identidade de uma região marcada por este processo de instalação/desinstalação industrial e sua salvaguarda, que passam a ser considerados em seu conjunto de relações.

Para Nesti e Tognarini, a passagem do monumento industrial à área industrial seria o fator fundamental que possibilitou a abertura da disciplina para além da arqueologia. O tratamento multidisciplinar deve ser empregado na aproximação aos sítios deste período, uma vez que, para além dos aspectos arquitetônicos, se colocam igualmente relevantes as abordagens econômicas e técnicas e o caráter imaterial do patrimônio industrial. O conceito de área industrial seria um instrumento eficaz para colocar em foco uma visão de conjunto do ambiente no qual a indústria está inserida, evidenciando-se a inter-relação entre recursos materiais e sua utilização industrial, entre inovação, impacto e intervenção industrial e condições ambientais pré-existentes e entendendo o território como o espaço físico construído a partir das relações sociais que ali se desenvolveram. Assim, haveria também uma modificação das metodologias empregadas no campo, uma vez que não se fazia mais suficientes as abordagens metodológicas de dominação histórico-arquitetônica cujo foco é o edifício. Desta forma, novas fontes começaram a ser avaliadas, e a abordagem oferecida pela arqueologia industrial tornou-se uma das maneiras de avaliar o patrimônio industrial. (NESTI & TOGNARINI 2003:158,164, 165).

Ao trabalharmos na escala territorial do fenômeno da industrialização, o aspecto identitário da região se destaca. Fontana afirma que a avaliação do conjunto de relações industriais como um organismo complexo formarão entidades geográficas reconhecíveis que lidam com questões de pertencimento e identificação com a comunidade territorial, o que Cossons nomeia de „personalidade de uma região‟. (Idem, 2003:162) (Fontana, 2011:94). Isto é, o

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impacto que a atividade industrial teve em determinadas regiões se torna o principal fator de identificação da população com o território.

A globalidade das instalações industriais no território coloca em questão a salvaguarda e o manejo de grandes áreas, um sistema de edifícios e infraestruturas que não pode ser compreendido de maneira isolada. Desta forma, a compreensão do patrimônio industrial enquanto integrante de uma paisagem contribuiu significativamente para o debate no campo da museologia e museografia. Conforme afirma Fontana:

“Il territorio assume cosi i tratti dei paesaggi dell‟industrializzazione la cui restituizione esige e rende profittevole il recupero o il mantenimento dell‟omogeineità di tessuti edificati o di tutta uma serie di elementi inseriti in contesti paesistici di pregio valorizzati attraverso sistemi ecomuseali, intinerari ambientali o tematici che in molte regioni e realtà locali italiane Ed europee connettono in chiave sistêmica risorse ambientali, vocazioni produttive, aspetti economici e tecnologici, culture del lavoro, caratteri socioculturali” (FONTANA, 2011:103,104) 59

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