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LE DISPOSITIF ADOPTÉ PAR L’ASSEMBLÉE NATIONALE

Dans le document RAPPORT N° 438 (Page 31-37)

A maior preocupação da ergonomia é compreender o trabalho para transformá-lo. Essa preocupação se explica na medida em que seus estudiosos trabalham com objetivos que na visão de Guérin et al (2001) visam:



A concepção de situações de trabalho que não alterem a saúde dos operadores, e nas quais estes possam exercer suas competências ao mesmo tempo num plano individual e coletivo e encontrar possibilidades de valorização de suas capacidades.

 Alcançar os objetivos econômicos determinados pela empresa, em função dos investimentos realizados ou futuros.

Ao que parece, a ergonomia prioriza seu foco no homem-operário, entendendo como operário toda e qualquer pessoa que exerça uma atividade dentro do contexto organizacional. Para tanto, os autores propõem a utilização de mecanismos que favoreçam as interações do binômio social-produção.

Em geral, o que na prática se observa, é que tal binômio fica submetido às condicionantes financeiras, técnicas e organizacionais, ofuscando a percepção do lugar que ocupa o homem no sistema de produção. Essa contingência, na visão de Guérin et al (2001) acontece porque:

 O orçamento do investimento está decidido.

 Os objetivos quantitativos e qualitativos de produção estão esboçados.  As principais escolhas tecnológicas já foram feitas.

 Opções para a compra das máquinas foram definidas com base em memoriais descritivos e especificações muitas vezes sumárias.

 O grupo de projeto elabora hipótese sobre os fluxos de produção, realiza o estudo de implementação das máquinas e de distribuição de espaço.

 As principais escolhas em matéria de organização (número de níveis hierárquicos, organização do tempo de trabalho, etc) são decididos para atingir o conjunto de objetivos.

Não resta dúvida que a lógica privilegiada tem como base a Organização do Trabalho segundo os postulados da Administração Científica. Desta forma, considerar em último lugar o

trabalho exercido pelos assalariados não é apenas um detalhe, mas, fruto da visão predominante de organização. Assim, o planejamento é feito considerando os fatores que incidiram sobre o modo como o trabalho será executado para depois se voltar para as questões relativas a quem vai executá-lo. Perguntas tais como: de quais trabalhadores, quantos, sua idade, estado de saúde, onde se encontram (dentro ou fora da organização) e principalmente, quais são suas habilidades e competências para suprir as necessidades organizacionais, passarão a ser respostas fornecidas pelos responsáveis pelos recursos humanos. Esses profissionais terão a incumbência de alocar nas funções descritas as peças humanas mais adequadas. Para tanto deverão atuar nos processos de recrutamento, seleção, contratação e treinamento de maneira a conformar o elemento humano à estrutura organizacional previamente concebida na qual o homem é visto como um insumo.

Esse modelo sofre por meio dos teóricos da ergonomia forte crítica, como bem expressam Guérin et al (2001):

Essa lógica de concepção tende a ignorar a especificidade do funcionamento humano. Por isso, ela conduz a frequentes desilusões no início das operações numa indústria, às vezes com consequências graves, manifestas ou ocultas. É mais fácil responsabilizar por elas os trabalhadores do que os métodos de gestão, de concepção ou de escolha. Essa lógica se expressa em noções como a de erro humano, atribuindo precipitadamente a responsabilidade de um incidente de produção ou de um acidente material aos próprios trabalhadores. Ela minimiza, de fato, a influência dos meios de trabalho cuja concepção não leva suficientemente em conta as especificidades de funcionamento do operador humano e sua variabilidade:  Deixa pouco lugar à variabilidade da produção: duração das séries de

produção, não-cumprimento do planejamento de produção, mudanças de um componente em uma linha de montagem, evolução de um formulário administrativo, variações na qualidade da matéria-prima.

 Subestima a influência da rigidez da organização do trabalho ou dos constrangimentos de tempo, as consequências de certos tipos de organização do tempo sobre a saúde, como por exemplo o trabalho noturno.

 Ignora as contradições entre estruturas organizacionais rígidas e a necessidade de uma cooperação eficaz entre os trabalhadores; isso se verifica particularmente em situações degradadas de produção, onde sua importância sem sempre é claramente percebida.

 Enfim, tal lógica não dá a devida atenção ao conteúdo de formações às vezes mal adaptadas às situações com as quais os trabalhadores serão confrontados.

Portanto, o desconhecimento efetivo do trabalho, pode gerar sérias consequências para quem o executa principalmente relativa à sua saúde, quando não se entende corretamente como se desenvolve a atividade de trabalho.

Guérin et al (2001), chamam a atenção para alguns aspectos comumente negligenciados no meio organizacional, que podem contribuir para evitar problemas operacionais e de saúde dos operadores, ressaltando:

Muitas disfunções constatadas na produção de uma empresa, ou de um serviço, e numerosas consequências para a saúde dos trabalhadores, tem sua origem no desconhecimento do trabalho, ou, mais precisamente, no que chamamos atividade de trabalho dos operadores. Com muita freqüência, são negligenciadas:

 As informações que eles procuram ou que detectam em seu ambiente.  A maneira como eles tratam essas informações, em função de sua

formação e experiência profissional.

 Os raciocínios que fazem para decidir ações.

 Os gestos que fazem, os esforços que exercem, as posturas que adotam e graças aos quais agem sobre as ferramentas, objetos e o ambiente de trabalho.

Na visão dos autores essa atividade é fundamental para o bom desempenho do serviço, da oficina e da empresa. Os resultados produzidos pela análise da atividade podem contribuir decisivamente na provisão dos meios materiais e organizacionais mais compatíveis com as necessidades dos trabalhadores e podem ajudá-los a alcançar os objetivos preconizados, sem, contudo, prejudicá-lo no que tange a sua saúde, física e psicológica bem como sua vida social.

A representação errônea do trabalho real pode gerar distorções na concepção de projetos voltados para o meio organizacional. Essa contingência merece comentários e argumentações de ordem prática de Guérin et al (2001) quando assim se expressam:

A representação que os responsáveis pelo projeto tem do trabalho e de sua realização, leva-os frequentemente a minimizar a variabilidade dos sistemas técnicos, a diversidade e a complexidade dos serviços a prestar, ou a dar a impressão de que essa variabilidade é totalmente previsível, e portanto, controlável. Ora, a máquina quebra, a ferramenta se desgasta, o dossiê está incompleto, o programa de computador apresenta um erro inesperado, o preço do objeto não está na embalagem no momento da passagem do cliente pelo caixa. São momentos em que só o trabalho do operador permite a “regulação” desses incidentes. E não é simples:

 Ele dispõe, no momento adequado, das informações necessárias ao tratamento e à resolução desses problemas?

 Essas informações são compreensíveis?

 Ele tem a sua disposição as ferramentas para o conserto?

 Ele precisa se colocar numa postura totalmente desequilibrada para ter acesso ao local onde deve agir?

A essas perguntas os autores respondem que os trabalhadores são a priori considerados “meios de trabalho” e, nessa condição, deverão se adaptar aos constrangimentos oriundos das definições técnicas e organizacionais das operações por eles executadas. Portanto, refletem alguns pressupostos: o primeiro deles é que o operador independentemente da sua idade ou sexo, deverá ser capaz de se adaptar às circunstâncias geradas no meio organizacional já que elas ocorrem constantemente, e o segundo, é que obedecendo às normas prescritas de segurança e ordens de trabalho não correm riscos. Esse consenso implica no reconhecimento de que o operador está instrumentalizado de tal maneira que não se possa admitir que venha a cometer erros.

Presume-se que eles posam:



Ler uma informação manuscrita e pouco legível.



Trabalhar tanto de dia quanto de noite da mesma maneira, sem que isso tenha consequência para sua saúde e vida social.



Digitar dados ao computador em ritmo constante, sem cometer erros.



Seguir procedimentos bastante restritos “quando tudo vai bem” ou, ao contrário, transgredi-los para acelerar uma cadência, fazer um conserto rápido, ou fazer andar uma fila de espera num guichê.



Aprender novas tarefas muito rapidamente, sem ajuda.

Como se percebe no meio organizacional persiste a construção falaciosa da infalibilidade humana diante dos meios que são oferecidos para a realização do trabalho. Ignorar os intervenientes que ocorrem no desempenho humano na atividade real é fruto das representações redutoras do homem e só a análise do trabalho permitirá corrigir essas distorções.

Guérin et al (2001) ponderam:

Só procedendo dessa forma é que a ação poderá ter uma boa probabilidade de eficácia, embora a análise ergonômica por si só não permita definir os novos meios de trabalho pois:

 Por um lado, ela se inscreve num projeto ou numa situação existente, submetida aos seus próprios constrangimentos econômicos, técnicos, sociais.

 Por outro lado, ela está no centro de um conjunto de pontos de vista sobre o trabalho, muitas vezes divergentes. São eles:

 O da direção, que pressionada pela concorrência, deseja desenvolver a atividade da empresa investindo num procedimento novo;

 O dos trabalhadores preocupados em fazer valer seus interesses próprios, em fazer reconhecer seus conhecimentos do trabalho e em influir nas escolhas determinantes para sua própria situação de trabalho;  O das instituições representativas dos trabalhadores, exprimindo seu

ponto de vista sobre o emprego, as políticas de formação, de remuneração, de melhoria nas condições de trabalho, etc.;

 O do serviço médico, que tem por prioridade a saúde dos trabalhadores;

 O do departamento de recursos humanos, encarregado de gerenciar o emprego, os salários, as qualificações, a formação e os conflitos sociais;

 O do departamento de métodos, que organiza o trabalho, concebe as situações de trabalho em função dos objetivos de desempenho da empresa;

 O da supervisão, que se incumbe da gestão cotidiana da produção, as consequências no dia a dia do absenteísmo, de esgotamentos de estoque, etc.

Os desafios são proporcionais ao grande número dos intervenientes supra que a área da ergonomia deverá superar para oferecer sua contribuição para a melhoria das condições de trabalho no meio produtivo. Em síntese, a missão ergonômica implica necessariamente em oferecer um modelo de organização do trabalho com foco no desempenho humano, em contraposição ao modelo de organização do trabalho com base nos pressupostos da administração científica, que ao longo dos anos se consolidou, metamorfoseando-se para atender às exigências dos novos tempos.

Dans le document RAPPORT N° 438 (Page 31-37)