Fonte: Green Deal, 2004.
A Guatemala, país localizado na América Central, preocupada com o impacto causado pelo desenvolvimento de atividades turísticas em seu ecossistema, propõe a partir de 1999 a adoção de um programa de certificação, buscando como resultado um processo participativo dos atores ligados à área turística. As informações que seguem foram extraídas do site oficial do Programa de Certificação.
O programa, chamado Green Deal, constitui-se na “Implementación del Código
de Práctica Optima y Certificación de Calidad Turística en la Reserva de la Biosfera Maya”
(Sosa, 2001), ou seja, um reconhecimento público às empresas que adotam conceitos de desenvolvimento sustentável baseados em códigos de boas práticas e de políticas de turismo para as reservas Maias.
O programa Green Deal considera a certificação uma iniciativa orientada a tornar a indústria de viagens verde, sem considerá-la um substituto a outras iniciativas, mas sim um complemento a elas visando medir e garantir, através de auditorias externas, o cumprimento das exigências para a certificação. Deste modo, as normas do programa tem como objetivo servir de parâmetro para verificar e quantificar o nível de inserção das operações turísticas aos conceitos ambientais, sociais e de qualidade dos serviços que as empresas associadas oferecem aos seus clientes.
As normas estabelecidas foram baseadas sobre um processo participativo com os atores envolvidos no âmbito turístico e ambiental da Guatemala, prevendo a sua compatibilidade com outros sistemas de normas, políticas e diretrizes aplicáveis ao turismo, com o intuito de permitir o uso paralelo destes instrumentos. As normas foram divididas em genéricas, para todas as empresas, e específicas, para os diferentes ramos de atuação.
Os tipos de empresas turísticas previstas, atualmente, para serem certificadas pelo programa são relacionadas no quadro a seguir.
Quadro 3: Atividades turísticas certificadas pelo Programa Green Deal. Operadores de turismo;
Agências de viagens;
Empresas turísticas comunitárias; Transporte turístico;
Hotéis; Restaurantes; Guias de turismo. Fonte: Sosa, 2001
Assim, para que o selo possa agregar valor às empresas que o adotam, é necessário que o programa possua uma estrutura que garanta a sua credibilidade junto ao mercado consumidor. Esta estrutura deve passar por diversas etapas, descritas a seguir.
4.2.1. O Sistema de Certificação
Para que o processo de certificação se inicie, faz-se necessário a organização do Sistema de Certificação, que estabelece duas etapas prioritárias: a definição de uma equipe de auditores de normas e a comissão de certificação, que tem as seguintes responsabilidades:
♦ Auditores de normas: As auditorias de cumprimento de normas são os meios que ajudam a verificar o nível de adesão de uma empresa às normas estabelecidas para a sua certificação. Estas equipes são multidisciplinares devido à extensão dos aspectos a serem auditados.
♦ Comissão de certificação: A comissão certificadora é integrada por quatro instituições sócio-ambientais que apóiam a correta qualificação dos expedientes de todas as empresas candidatas à certificação. Atualmente, esta comissão é integrada pela Associação Alianza Verde, Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Guatemala, Centro Universitário de Petén, Propetén e Fundação Conservação Internacional.
A qualificação cedida a cada operação será estabelecida sobre a base de rendimento que esta demonstre nos formatos utilizados pelos auditores durante a avaliação de campo e no conteúdo final de auditoria. Somente as normas aplicadas durante a inspeção é que serão consideradas, podendo a comissão estabelecer três possíveis níveis: pré-condicionantes, condicionantes ou recomendações. No caso de pré-condicionantes, o processo é parado até que sejam cumpridas as exigências.
4.2.2. Processo de Certificação
Por não se tratar de um programa simples, as operações turísticas a serem certificadas pelo Green Deal contarão com uma detalhada orientação sobre o processo, incluindo práticas, assessorias e explicações preliminares sobre as normas. Assim, este processo foi dividido pelo programa em 6 partes: passos preliminares; processo de preparação; processo de auditoria; análise das informações, elaboração de informes e qualificação; certificação; renovação.
Cada um dos passos deve ser observado, sendo que estes são pré-requisitos, isto é, para passar ao passo seguinte é preciso concluir cada um dos passos. Entretanto, não se pode
esquecer que o processo de certificação é totalmente voluntário, sendo que a sua interrupção é possível, desde que a empresa assim decida. Caso alguma das etapas não seja cumprida, mesmo sendo necessária a sua conclusão para passar à etapa seguinte, estas podem ser colocadas como pré-condição para que a empresa consiga a sua certificação.
Além destas etapas a serem cumpridas pelas empresas candidatas à certificação, indispensáveis para garantir a sua qualificação, outras atividades deverão ser desenvolvidas concomitantemente visando atingir condições competitivas favoráveis no mercado turístico.
♦ Promoção Mercadológica
Parte importante para posicionar o selo no mercado consumidor como um produto ambiental e socialmente responsável, promovendo campanhas publicitárias que incluam elementos que indiquem que os produtos e serviços afiliados são, realmente, ambiental e socialmente justos, além da alta qualidade dos mesmos. Além disso, o programa é considerado uma ferramenta eficaz que pode beneficiar as empresas a melhorar o uso dos recursos naturais, sua penetração no mercado, baixando os custos de água, energia e insumos.
♦ Capacitação
Meio através do qual se busca facilitar a capacidade dos empresários afiliados a manejarem e manterem a qualidade de seus produtos e serviços com o passar do tempo sem, entretanto, converter-se em juiz de suas ações. Desenvolvido através de seminários introdutórios, de caráter geral, serve principalmente para criar um ambiente propício que fixe a idéia de adoção de melhores práticas advindas com o processo de certificação.
♦ Promoção para a indústria e posicionamento do Green Deal.
Visando a promoção do programa Green Deal como esquema de certificação de produtos e serviços turísticos, realizaram-se apresentações do programa a grupos empresariais organizados com a finalidade de expor os benefícios que a certificação pode oferecer a suas
empresas. Dentre as empresas envolvidas, destaca-se a Câmara de Turismo da Guatemala, a Associação de Ecoturismo da Guatemala, e a Aliança Meso-americana de Ecoturismo.
O programa Green Deal respalda a operação turística diante do mercado internacional não apenas como um produto ou serviço turístico de qualidade, mas também como uma operação que desenvolve atividades turísticas de baixo impacto, que minimiza os impactos causados ao meio ambiente em que está inserido, que promove o respeito ao patrimônio cultural e histórico, melhorando a qualidade de vida das comunidades locais mediante o desenvolvimento econômico e social local.