Les 7 gaspillages
VI. Contrôler
2. Le classement et la priorisation des solutions
Os fatores que influenciaram os professores na opção em dedicar-se à docência podem ser agrupados nas seguintes categorias: vocação; modelos referenciais; convite de colegas; identificação e afinidade com o magistério; o gosto, o prazer e a satisfação que a ação de ensinar, aprender, pesquisar e contribuir na formação de outras pessoas e a possibilidade de crescimento pessoal e profissional.
A ideia de vocação aparece nas falas dos professores 12, 15, 22, 23, 29, 38 e 45. O professor 29 explica que: “Penso que tenho vocação para tal atividade. Aprecio muito o ensinar e aprender (troca de conhecimentos). Sinto-me em casa quando estou em sala de aula”. Essa ideia da profissão docente como vocação remete à construção histórica da própria profissão. Ou seja, conforme salienta Nóvoa (1999, p. 15): “Inicialmente, a função docente desenvolveu-se de forma subsidiária e não especializada, constituindo uma ocupação secundária de religiosos ou leigos das mais diversas origens”. Assim, “a gênese da profissão de professor tem lugar no seio de algumas congregações religiosas, que se transformaram em verdadeiras congregações docentes”.
Apesar de alguns professores considerarem a opção pela docência como algo dado a priori em estudos atuais, que discutem a constituição docente e sinalizam que ninguém nasce professor, mas se constitui no decorrer de sua trajetória pessoal/profissional.
O professor 15 destaca sua “[...] facilidade para a troca e contato com pessoas e na carreira acadêmica [...] quando vejo que o que passei está sendo aplicado, mudando a vida das pessoas e sendo passado adiante”.
Conforme o professor 12: “Fiz magistério e idealizei a carreira de docência [...], mesmo que por situação financeira, em um primeiro momento, tive que trabalhar somente em empresa”.
Para o professor 23, o magistério “[...] era uma carreira em ascensão na época da minha opção profissional, além de ser uma vocação e carreira familiar”.
A vocação para trabalhar com adolescentes e adultos é salientada pelo professor 38 “[...] adoro estar em sala de aula, mas não com crianças”.
Além da docência, o professor 45 enfatiza seu “[...] gosto pela pesquisa e pelo ensino, atuar como agente do desenvolvimento social, cultural e técnico-científico”.
Dentre os modelos referenciais, a família é destacada como principal elemento motivador, conforme evidenciado na fala dos professores 23, 41 e 62: “Dentro da área de formação, era uma carreira em ascensão na época da minha opção profissional, além de ser uma vocação e carreira familiar” (P23); “Particularmente, vocação. Venho de família de professor e me espelho nas pessoas que já tiveram experiência docente. Na minha área de atuação, mantenho a alteração de conceitos equivocados” (P41); “Tenho forte afinidade com a área da educação. Isso originou- se dos diversos modelos familiares” (P62).
A identificação e afinidade com o magistério desde a época de estudantes também é um dos fatores destacados pelos professores 1, 17, 20 e 30 os quais
destacam que: “Nunca mais parei de lecionar, pois me identifiquei com o ofício. Adoro a relação com os alunos e o estudo aprofundado da minha matéria” (P1); “Desde o ensino fundamental eu me identificava com o magistério” (P17); “[...] me identifico com o meio acadêmico, ensino, alunos, saberes. Atuei muito tempo em ensino técnico e a educação superior foi uma consequência” (P20). Conforme o professor 31: “[...] as experiências em pesquisa na graduação como bolsista de iniciação científica promoveram em mim uma força motivadora e inspiradora para atuar na docência”.
A oportunidade favorecida pelo convite de instituições e/ou incentivo de colegas foi a “porta de entrada” para o magistério superior no caso dos professores 1, 4, 8, 9, 13, 27 e 74. Observo, também, a ênfase dada ao gosto, ao prazer e à satisfação que a ação de ensinar, aprender, pesquisar e contribuir na formação de outras pessoas proporciona aos professores participantes do estudo. Conforme o professor 53: “[...] a docência é uma atividade prazerosa na qual tenho oportunidade de vincular minha experiência prática com a teoria”.
O professor 6 acredita que, como professor, ele possui “[...] uma forma de multiplicar e disseminar conhecimentos, contribuindo assim para a formação de profissionais competentes, éticos e justos”. Além disso, para outros professores, a possibilidade de crescimento mútuo e contínuo a partir das trocas entre professor e aluno; o apreço pelo ambiente universitário; a oportunidade de compartilhar e construir conhecimentos com outras pessoas; a oportunidade de influenciar a formação de futuros profissionais são aspectos destacados por eles como significativos. O professor 40 explica que:
A docência sempre me atraiu na infância, mas quando escolhi a universidade não tinha por objetivo seguir a carreira acadêmica. Ao longo da graduação percebi que a pesquisa e docência eram as atividades que realmente me trariam satisfação pessoal e, portanto, direcionei meus estudos para me capacitar nessa área também.
A possibilidade de crescimento pessoal e profissional aguçada pela “curiosidade científica”, conforme o professor, potencializada pelo compromisso com “a formação de profissionais mais humanos e qualificados para o mercado de
trabalho” (34) e na crença que o ser humano pode se desenvolver integralmente “através da partilha de conhecimentos” (35).
A inserção dos professores no cenário acadêmico é vista como um espaço de exercício da “prática profissional, onde se aprende a cada semestre com cada turma” (36). O exercício da docência é uma “forma de estar me atualizando, em constante aprendizagem, agregando conhecimentos para a minha atuação como consultora” (46) e uma “rara oportunidade de estar em contato permanente com o conhecimento e pela possibilidade de dividi-lo com os demais” (54). Nesse sentido, os professores 31 e 19 explicam que:
A vivência da docência possibilita, além da constante busca de conhecimento atualizado, a socialização do saber. A opção pela docência, além de viabilizar o desenvolvimento pessoal e profissional, ocupa um espaço mediador e mobilizador enquanto agente de transformação na sociedade (P31).
Porque durante as atividades profissionais identifiquei necessidades de aprimoramento e investigação científica, o que não foi oportunizado durante o período de 22 anos de atuação profissional, anterior à atividade acadêmica atual (P19).
Características que deve ter um professor para exercer a docência no(s) curso(s) de bacharelado
As dez características5 mais referidas pelo conjunto de professores respondentes são apresentadas no quadro 3:
Quadro 3 - Características que deve ter um professor
Característica Frequência
Formação técnica/acadêmica; teoria e prática 25
Domínio do conteúdo 25 Experiência na área 20 Facilidade de comunicação 20 Relações Interpessoais 17 Didática 17 Atualização 10 Criatividade e inovação 10
Gosto pela docência 9
Paciência 8
Fonte: Respostas professores, 2009.
Uma das características citadas pelo conjunto de respondentes diz respeito às relações interpessoais. Ao ter presente tal característica, remeto-me à posição de Tardif (2009, p. 268), quando ele afirma que:
Ensinar, portanto, é colocar sua própria pessoa em jogo como parte integrante nas interações com os estudantes. É isto, sobretudo, que explica que a docência, como várias outras profissões que envolvem relações humanas, comporte necessariamente uma parte de sofrimento e outra de alegria. Os êxitos e os fracassos, os sucessos e as dificuldades do ofício podem, obviamente, ser socializados e atribuídos a causas objetivas ou independentes do professor, mas não deixa de ser verdade que este sempre estará inteiramente envolvido no processo de trabalho.
Sem dúvida, a ação docente pressupõe que o professor tenha desenvolvido habilidades que viabilizem um relacionamento interpessoal saudável. Sendo o professor o mediador do processo de ensino-aprendizagem, lhe compete primar para que o ambiente educativo seja um espaço propicio para a partilha de experiências e para o diálogo.