As 10 sub-regiões foram escolhidas de forma que pelo menos uma delas estivessem dentro de cada um dos compartimentos de suscetibilidade natural à erosão (baixa, média e alta), pelo menos uma delas estivessem em cada uma das classes de perda de solo, além disso, foram priorizadas as sub-regiões que tinham representantes na oficina realizada com os produtores no município de Itarana - ES (região onde se localizam suas respectivas propriedades).
Como foram aplicados dois questionários na oficina, um com questões referentes à propriedade de cada produtor rural e o segundo contemplando a percepção do produtor para toda a região da bacia foi possível validar as informações referentes aos usos do solo, apontar os manejos agrícolas adotados em cada sub-região da bacia, além de verificar quais eram as áreas de maior criticidade em relação aos processos erosivos.
A primeira figura apresentada na oficina para os produtores rurais e técnicos do Incaper foi o mapa com as sub-regiões selecionadas para validação (mapa 11). A partir desse mapa, e levando em consideração as 10 sub-regiões selecionadas, os produtores foram submetidos à questões que tinham como objetivos validar as
informações obtidas no mapa de compartimentação da bacia, por isso foi perguntado aos presentes quais eram as características pedológicas e topográficas de cada região, e como eles viam a capacidade natural de resistência das sub- regiões em relação aos processos erosivos. Após a discussão, o mapa com os resultados das regiões compartimentadas foi apresentado a todos os presentes na oficina. O mesmo passo foi feito para verificar as informações referentes às taxas de perda de solo para as 10 sub-regiões escolhidas. Antes de apresentar os resultados obtidos na simulação com o SWAT, houve uma discussão acerca de cada uso e manejo do solo adotado nas sub-regiões e a percepção de cada produtor sobre a criticidade de processos erosivos em cada sub-região. Após longa e produtiva discussão, foi apresentado o mapa com os resultados referentes à produção de sedimentos.
Analisando-se os resultados dos questionários aplicados e as discussões entre os produtores rurais, técnicos do Incaper e pesquisadores do Laboratório de Gestão de Recursos Hídricos e Desenvolvimento Regional acerca da temática, observou- se que todas as áreas da bacia apontada por eles como áreas críticas em relação à perda de solo, foram as que realmente apresentavam as maiores taxas de perda de solo, apontadas pela modelagem no SWAT. Na percepção dos produtores rurais, assim como nas simulações realizadas com o SWAT, as áreas mais críticas foram as de pastagem degradada, solo exposto e áreas de preparo do solo para o plantio.
As informações obtidas nas simulações, ao serem comparadas com aquelas obtidas na oficina com os produtores rurais, permitiram observar a convergência das informações entre o saber técnico e o saber local, conforme observado por Lopes (2008). Os saberes se complementam e essa junção foi de suma importância para fortalecer a escolha de usos e manejos agrícolas possíveis de serem adotados na região e garantir a aplicação desses cenários na bacia, uma vez que foram elaborados tomando por base as potencialidades econômicas, sociais e naturais locais.
A oficina realizada para a construção dos cenários alternativos foi de fundamental importância para esse trabalho, pois as experiências compartilhadas entre
pesquisadores e produtores rurais enriqueceram todos os resultados obtidos nas etapas de simulação dos cenários alternativos. Todos os presentes na oficina contribuíram significativamente para a caracterização e validação das informações sobre a bacia hidrográfica, pois eles tinham grande conhecimento sobre as características naturais da região e os impactos dos usos e manejos adotados em suas propriedades nos processos erosivos. A complementariedade do saber local com a ciência foi fundamental para que todos os cenários alternativos simulados e propostos nesse trabalho representassem a realidade local, além disso, o saber de cada produtor inserido na gestão da bacia hidrográfica deu a eles a oportunidade de expor os cenários almejados para a bacia e de certa maneira contribuir para a melhoria das condições de vida dos produtores rurais, que são os mais afetados pelos impactos ambientais, econômicos e sociais decorrentes dos processos erosivos, além do fortalecimento da participação na gestão da bacia hidrográfica.
Quando o saber local é valorizado na gestão territorial, as comunidades se tornam importantes dentro do processo de tomada de decisão. Essa valorização faz com que eles se sintam responsáveis pelos problemas relacionados aos processos erosivos e as chances das alternativas apontadas como solução para minimizá-los aumentam consideravelmente, pois eles tomam o problema para si (LOPES, 2011; TORO E DUARTE, 1997).
Figura 9:Verificação de usos do solo e práticas agrícolas na bacia hidrográfica do Córrego do Sossego
Figura 10: Oficina realizada com produtores rurais do Córrego do Sossego.
Figura 11: Oficina realizada com produtores rurais do Córrego do Sossego
5.2.3.2.2 Seleção de áreas prioritárias de intervenção para simulação dos cenários alternativos para redução de produção de sedimentos
As áreas prioritárias de intervenção na bacia hidrográfica do Córrego do Sossego foram selecionadas a partir da caracterização da bacia e das informações coletadas na oficina com os produtores rurais e os técnicos do Incaper. As regiões selecionadas A, B, C e D são apresentadas no mapa 12.