• Aucun résultat trouvé

Chapitre I : Le karité dans

1 L’ ÉCOSYSTÈME DE SAVANE AFRICAINE

2.1 Contexte Biologique

2.1.6 Le beurre de Karité

Como vimos, os teóricos da abordagem organizacional das notícias defendem que as notícias são socialmente construídas, isto é, elaboradas em interacção dos actores

que intervêm no processo noticioso. Ora, embora vejam nas notícias uma “produção cultural”, esses autores não enfatizam os elementos de natureza cultural que intervêm, à

priori, na interacção social diária. De facto, os dados culturais fazem parte de um sistema simbólico dentro do qual e em relação ao qual os repórteres e as fontes operam. O antropólogo Marshall Sahlins (1985:153) escreveu, num contexto diferente, que um evento não é apenas um happening no mundo; é uma relação entre um certo

happening e um dado sistema simbólico.

Muita da investigação sobre a produção de notícias abrange quer a perspectiva cultural quer a organizacional. Contudo, algumas diferenças podem ser identificadas: Assim, enquanto o ponto de vista organizacional vê as notícias como resultado de determinantes interactivas nas relações entre as pessoas, o ponto de vista cultural vê determinantes simbólicas nas relações entre ideias e símbolos. A abordagem cultural ajuda, pois, a explicar generalizações e estéreotipos frequentes nas notícias, para além de outros aspectos que transcendem as estruturas de propriedade ou os padrões das relações de trabalho.

Hartmann e Husband (1973: 274) afirmam que os media operam no seio da cultura, sendo obrigados a usar símbolos culturais, enquanto Schudson (1989: 276) considera que a abordagem cultural das notícias é particularmente pertinente quando se pretende perceber como é que os jornalistas identificam o que é notícia e afirma que “as categorias centrais dos jornalistas, em si mesmas, são mais “culturais” que “estruturais”. Stuart Hall (1973: 181), no seu ensaio sobre os repórteres fotógráficos, tentou definir os valores-notícia ou o sentido das notícias. Diz Hall:

Os valores notícia são uma das estruturas de sentido mais opacas nas sociedades modernas. Todos os “verdadeiros jornalistas” são supostamente detentores delas: muito poucos podem ou querem identificá-las e defini-las. Os jornalistas falam de “notícias” como se os eventos se seleccionassem a si próprios (...), como se o “mais importante” das notícias e os ângulos “mais salientes” fossem inspirados divinamente. Tendo em conta que dos milhões de eventos que ocorrem cada dia no mundo, só uma pequena porção alguma vez se torna visível como notícia potencial e que dessa porção só uma pequena fracção é realmente produzida pelos media como notícia, parece estar-se perante uma “estrutura profunda”, cuja função como instrumento selectivo é opaca, mesmo para aqueles que profissionalmente sabem melhor como operá-la.

Também Tuchman (1972-1993) escreve que o news judgment é uma capacidade “sagrada” do redactor, que o distingue das outras pessoas, mas Schudson (1996: 153)

contesta que se possa falar de uma “ideologia” ou “senso comum” de um sistema hegemónico.

As múltiplas dimensões em que é possível aprofundar o conhecimento das notícias podem ser ilustradas pelas questões colocadas por Galtung e Ruge (1970-1993): porque é que as notícias são tão “personalizadas”? Porque é que os repórteres escrevem sobre pessoas e não sobre estruturas ou forças sociais? Estes autores apontam um conjunto de explicações, algumas dos quais de natureza “cultural”, entre as quais, o “idealismo” próprio da visão ocidental, que defende que os indivíduos são donos do seu próprio destino e responsáveis pelos seus actos, através do livre exercício da vontade, e a própria natureza do jornalismo que afirma a sua identidade através da narrativa. Também o sentido do imediato e o ciclo noticioso de 24 horas, assumido pelos media ocidentais como uma característica da notícia, não constituem características universais das empresas noticiosas, sendo antes consequência de uma cultura política nacional específica. De facto, o conceito de notícia varia com a cultura com que se relaciona, como mostram estudos comparativos. Por exemplo, as empresas jornalísticas soviéticas operavam de acordo com os planos políticos a longo prazo e guardavam estórias e editoriais para corresponder a necessidades políticas (Remington, 1988: 116).

A investigação mostra que existem aspectos da produção de notícias que escapam à análise sociológica tradicional das empresas noticiosas. Richard Hoggart13 escreveu que o filtro mais importante através do qual as notícias são construídas é o “ar cultural que nós respiramos, a atmosfera ideológica da nossa sociedade que nos diz que certas coisas podem ser ditas e outras é melhor não serem ditas”. Este “ar cultural” é, em parte, aquele que os grupos e instituições criam mas é também, em parte, aquele em cujo contexto esses grupos e instituições existem.

O “ar cultural” tem forma e conteúdo. O conteúdo inclui a substância dos grandes valores tidos como seguros. Gans (1980) chegou a uma lista de valores-chave inquestionáveis para os jornalistas americanos, que incluem etnocentrismo, democracia altruísta, capitalismo responsável, pequenas cidades pastorais, individualismo e moderação. Trata-se de convicções (não noticiadas) através das quais as notícias são seleccionadas e enquadradas. Gans chama-lhes “para-ideologia” e define-as como noções convencionais de ideologia ou senso comum de um sistema hegemónico. Quanto aos elementos formais, operam a um nível mais remoto que a ideologia. São

assunções acerca da narrativa, o contar estórias, o interesse humano e as convenções da apresentação fotográfica e linguística que todos os media noticiosos produzem.

Weaver (1975) identificou algumas diferenças sistemáticas entre a estrutura da pirâmide invertida da imprensa escrita e a estrutura “temática” das notícias televisivas, enquanto Hallin e Mancini (1984) demonstraram, num estudo comparativo sobre a televisão italiana e americana, que as convenções jornalísticas formais, muitas vezes atribuídas pelos investigadores à tecnologia da televisão e pelos jornalistas “à natureza das coisas”, resultam de características da cultura política de cada país. Esses trabalhos assumem que as notícias são uma “forma de narrativa”.

Outra das questões levantada pela abordagem cultural da produção de notícias consiste em saber se uma mesma tradição nacional dá origem a padrões comuns entre os jornalistas. Existem estudos que provam que o facto de os jornalistas aderirem, por exemplo, à regra da objectividade na cobertura de uma campanha eleitoral política - esfera da controvérsia legítima - não significa que não rejeitem essa regra, optando por basear-se no consenso geral – “esfera do consenso e dos valores partilhados” ou escolhendo, mesmo, escrever contra o consenso popular na cobertura de outro assunto (Hallin, 1986: 117). Por seu turno, Katz e Dayan (1999) mostraram que a televisão britânica, americana e israelita quando narram media events abandonam o princípio da “matéria de facto”.