3. Chapitre 3 : Etat de l’art « Décentralisation du protocole SIP dans les réseaux Ad-hoc »
3.3 Les différents travaux de décentralisation de SIP
3.3.3 L‘approche des protocoles de routage Ad-hoc
3.3.3.2 LCA: Loosely coupled approach
Durante a greve, uma das coisas que mais me chamaram atenção foi a participação de representantes de diversos sindicatos e movimentos sociais, apoiando a iniciativa dos trabalhadores do call center da Oi/ Contax. Tal apoio, definido no depoimento seguinte como uma questão de solidariedade, pressupõe o reconhecimento da condição de explorados pelo capital – ainda que em diferentes setores e ramos de atividade – e, portanto, uma identidade ou uma identificação coletiva dos sujeitos que se reconhecem nessa condição.
77 O valor do salário mínimo na época da greve era de trezentos e oitenta reais.
78 “TRT determina reintegração de grevistas da Telemar. Demitidos a partir do dia 14 de junho devem retornar ao trabalho.” Jornal O Estado, 04 de julho de 2007. Ver anexo.
133
(...) Em relação a esta greve que está acontecendo agora na Oi/ Contax, nós conseguimos o apoio da CUT e do movimento social organizado aqui em Fortaleza. São vários sindicatos importantes e, ao longo desses nove dias de greve nós tivemos aqui o sindicato dos têxteis; o sindicato dos comerciários; o sindicato dos sapateiros; o sindicato dos Correios; o sindicato do asseio e da conservação; a Federação do Comércio; o sindicato dos trabalhadores em saúde; o sindicato dos próprios trabalhadores daqui, o Sinttel; o Sintratel, que é um sindicato que também atua nessa categoria; além de vários outros. O próprio MST esteve aqui. Esse apoio, a importância dessas categorias estarem aqui ajudando, é porque tem o princípio entre nós, trabalhadores internacionalistas, da solidariedade. A classe trabalhadora é explorada por um único sistema, que é o sistema capitalista, que hoje representa a miséria, a degradação da vida, prostituição, violência, droga, desemprego – um bilhão de trabalhadores no mundo inteiro se encontram desempregados hoje. Então, se o sistema capitalista está agindo para explorar a classe trabalhadora em nível mundial, os trabalhadores precisam ter entre si, como maior tesouro, a solidariedade. O motivo da CUT, dos sindicatos – eu falo de outros que eu não consegui lembrar aqui – é a solidariedade, é o apoio, porque, senão, nós não conseguiremos sair vitoriosos, tendo em vista que esta empresa é uma empresa muito poderosa. (...) Eu, ontem, entrei em contato com um companheiro da CUT nacional e também com um representante da OIT, que é a Organização Internacional do Trabalho, e fizemos as denúncias; colocamos provas do que estamos dizendo, para que seja produzida uma denúncia internacional. (...) (AI, militante da CUT).
O depoimento aponta a necessidade de uma visão de totalidade do contexto social e de articulação das reivindicações dos trabalhadores em nível mundial, como meio de resistência às novas formas de dominação capitalista, ou seja, a perspectiva de internacionalização do movimento operário no sentido da construção de uma contra- hegemonia à “globalização” do capital, tal como sugere Santos (2005).
Neste sentido, a luta pela qualidade das relações sociais no processo de trabalho concreto – isto é, das relações no trabalho – é, de acordo com o autor, tão importante quanto a luta em defesa da relação salarial, a qual diz respeito às relações de trabalho. De fato, estes dois combates, estrategicamente, são um só. Os trabalhadores, principalmente quando explorados por empresas multinacionais, precisam organizar-se em rede transnacional, e não limitar suas relações sociais ao local de trabalho. Afinal:
quanto mais a produção de bens e serviços for dominada por multinacionais, maior será a necessidade de articular as reivindicações locais com as reivindicações transnacionais e de o fazer muitas vezes ao nível da empresa. As comissões de trabalhadores, funcionando em rede transnacional, estão em melhores condições para realizar tal articulação. (SANTOS: 2005, p. 176).
Durante a greve dos operadores de telemarketing, sindicatos e movimentos sociais reuniram-se, solidariamente, para se manifestarem contra a exploração exacerbada do
134 trabalho numa das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, a qual praticamente monopoliza os serviços de telefonia fixa no Estado do Ceará. Resta saber, todavia, por onde passa e até onde vai esta solidariedade, isto é, quais são as estratégias de luta, os campos de ação coletiva, as perspectivas, as críticas e as reivindicações comuns a estes sindicatos e movimentos sociais, num contexto em que a classe trabalhadora se torna cada vez mais complexa, heterogênea e fragmentada, assumindo uma posição defensiva em relação à forma como determinados capitais atingem interesses locais de categorias específicas.
O movimento grevista dos operadores de telemarketing da Telemar/ Oi, embora tenha contado com o apoio de outros movimentos e de outras categorias, expressou essa posição defensiva, com caráter local (ou setorial). Não se pode dizer, entretanto, que isto foi uma mera questão de escolha subjetiva dos manifestantes e, particularmente, dos sindicalistas que organizaram a greve. Em verdade, devem ser analisadas, conforme sugere Mészáros (2002), as condições objetivas da realidade em que vivem esses trabalhadores.
A referida empresa surgiu do processo de privatização dos serviços públicos, na década de 1990, que gerou, entre outras conseqüências negativas, desemprego e precarização do trabalho, principalmente por meio da terceirização.
Como resultado dessas tendências do capital mundializado, os trabalhadores terceirizados, assim como os demais “subproletários”, passaram a constituir uma parcela da classe trabalhadora cuja organização sociopolítica torna-se mais um desafio para o movimento sindical, tendo em vista que trabalham para empresas de determinados setores de atividade – onde estabelecem suas relações no trabalho – e são contratados por empresas especializadas em serviços de call center – com as quais mantém suas relações de trabalho. Os sujeitos pesquisados, por exemplo, são trabalhadores terceirizados que trabalham para a Telemar/ Oi, mas são empregados da Contax, empresa do ramo de call center. Desse modo, há uma certa dificuldade em situar os interesses dos operadores de telemarketing no âmbito do sindicato que representa os trabalhadores do setor de telecomunicações (Sinttel), já que a Telemar/ Oi – empresa deste setor – não os reconhece como seus empregados. Surge daí a necessidade de criar uma associação em defesa daqueles que se encontram “desfiliados” frente à terceirização dos serviços de telemarketing, que hoje são prestados a empresas de diversos setores, não sendo considerados, todavia, como parte de suas atividades-fim. O depoimento de LS expressa esta situação.
135
A categoria de telemarketing é a terceira categoria que mais cresce em todo o País, e nós temos mais de vinte mil pessoas, só aqui no Estado do Ceará, trabalhando como telemarketing, mas nós não temos a normatização, as pessoas não têm a carteira de trabalho assinada como telemarketing. No dia 15 de outubro de 2005, vários trabalhadores de telemarketing de Fortaleza – supervisores, operadores, instrutores – de call centers de vários ramos, nos reunimos e fundamos um sindicato específico da categoria, que é o Sintratel, fundado com intuito de legalizar a categoria para que a gente possa estabelecer uma base salarial para ela e obter o reconhecimento na carteira profissional, com o cumprimento da NR 17, que regulamenta a profissão. Mesmo o sindicato sendo novo, nós já temos articulações políticas e todo um trabalho de luta em prol dos objetivos que coloquei e também das arbitrariedades da empresa, que obriga os trabalhadores a trabalharem um horário maior do que o que a NR regulamenta, e também as formas de assédio moral, a destruição ergonômica dos trabalhadores, a questão das LERs – os trabalhadores não tem pausas regulamentadas nem os exercícios laborais feitos como deveriam. Tudo isso destrói toda a estrutura física do trabalhador. Então, o Sintratel foi fundado com o objetivo de defender a categoria de telemarketing, que estava órfã, por mais que houvesse outros sindicatos aos quais os operadores eram filiados – Sinttel, Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e outros. Porque, por mais que eles tentem defender os trabalhadores dessa categoria, eles não a conhecem como nós a conhecemos, porque nós, operadores de telemarketing, é que vivenciamos esse dia-a-dia. (LS, presidente do Sintratel).
O Sinttel e o Sintratel disputam, assim, a adesão sindical de uma categoria que se encontra numa “crise de identidade”, a qual se deve tanto à sua trajetória provisória no call
center – dadas as condições de trabalho que vivenciam –, quanto à indefinição ou
imprecisão de sua posição no mercado de trabalho – já que, embora trabalhem no e para o setor de telecomunicações, não fazem parte do quadro de empregados da empresa que os contrata via terceirização. Em outras palavras, são contratados por uma prestadora de serviços e subcontratados por uma empresa de telecomunicações.
Desse modo, os operadores de telemarketing da Oi/ Contax podem se identificar: quer como trabalhadores do referido setor – cabendo-lhes lutar pelo fortalecimento da categoria dentro do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel) e, inclusive, contra a terceirização de sua função; quer como trabalhadores de call center, independentemente do setor de atividade em que se encontrem (telecomunicações, saúde, energia etc.) – restando-lhes assumir a terceirização como processo irreversível e, portanto, fortalecer o sindicato criado para representar e defender os interesses e necessidades específicos da categoria, isto é, o Sintratel.
136 Não se trata, porém, de uma escolha individual de cada trabalhador, mas de uma questão política cujo enfrentamento cabe não apenas ao conjunto da categoria, mas a todos os trabalhadores atingidos pela terceirização e precarização das relações de trabalho.
3.6 Significados da greve no universo dos operadores de telemarketing da Oi/