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Laser propagation and photoionization at long wavelength

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4.1 Influence of the laser wavelength on laser-plasma interaction

4.1.2 Laser propagation and photoionization at long wavelength

Ao iniciar o curso de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, em 1961, o filho de Seu Leuzinger Alves de Melo e de Dona Iveta Marques de Melo, já contava com experiência no labor noticioso, desde os 15 anos de idade, tendo atuado na Gazeta de Alagoas e, posteriormente, no Jornal de Alagoas. Apesar do contragosto do pai, que desejava um filho engenheiro, a paixão pelo jornalismo falou mais alto na escolha profissional do jovem, que aplacou os conflitos domésticos ao cursar, concomitantemente, Direito na UFPE.

Já na capital pernambucana, enquanto se debruçava sobre obras como Ini-

ciação à Filosofia do Jornalismo, de Beltrão, JMM se aventurava nas redações

dos jornais recifenses, tais como Última Hora Nordeste e Jornal do Commercio, sendo influenciado diretamente pelo próprio Beltrão, a quem se refere como alguém que teimava em incentivar profissionalmente seus alunos. Sua passagem anterior pelas redações, de algum modo se assemelha à trajetória do criador da Folkcomunicação que, antes de lecionar, seguiu percurso semelhante em jor- nais. Inclusive, foi de Beltrão que Marques de Melo herdou sua primeira vaga de professor, na Unicap, em 1966.

Ainda em 1966, JMM se mudou para São Paulo, onde participou da criação da ECA-USP, tornando-se o primeiro diretor do Departamento de Jornalismo, em 1967. Com o coração sempre dividido entre a universidade e as redações, pas- sou a colaborar com vários periódicos da capital paulista, como A Gazeta, Folha de

São Paulo e, décadas depois, com a Revista Imprensa, na qual até hoje é articulista.

Toda esta experiência, este transitar entre a sala de aula e as redações, certa- mente influenciou o ponto de vista de JMM acerca das relações entre academia e mercado. Aliás, assim como Beltrão, José Marques soube transitar, com desen- voltura, pelas estradas de cercas e muros existentes entre estes dois ambientes. Talvez por isto, sempre procurou o diálogo entre o pensar a comunicação e o fazer diário, o que sem dúvida sempre rendeu elogios e críticas, advindos de todos os lados.

Consciente do abismo entre a teoria e a prática da comunicação, muito do que Marques de Melo escreveu se deteve a esta questão. Por vezes, defendeu a importância da formação em jornalismo, combatendo o pensamento protecio-

nista – e desdenhoso – daqueles que empreenderam-se pelas redações sem ter frequentado as escolas de comunicação. Por outro lado, não poupou críticas aos acadêmicos elitistas, que renegam qualquer valor às atividades práticas, ao fazer cotidiano.

Sobre estes últimos, foi taxativo. Talvez porque parte dos professores acadê- micos sejam antitecnicistas, desenvolvendo análises teóricas sem conhecimento da sua efetividade prática, ou sem interesse por esta. Outros, ainda, profissionais frustrados, que não conseguiram se encontrar na prática profissional e buscaram refúgio nos campi, destilando descontentamento aos educandos, incentivando- -os à desistência do mercado e nutrindo forte preconceito pelos produtos deste. Nos dois âmbitos, a negação da evidência de que a pesquisa em Ciência da Comunicação carece da existência de objetos para tal.

Alguns docentes incentivam seus alunos, desde a graduação, à carreira pura- mente acadêmica, nem sempre pelo prazer da investigação, mas pelo preconceito direcionado à atuação nos meios de comunicação fora da faculdade. Neste mo- mento, JMM mostra equilíbrio no assunto. Grande descobridor e incentivador de potenciais pesquisadores, ele reconhece a importância da prática noticiosa, até mesmo para a formação dos futuros investigadores. Por isso, ao reestruturar os cursos de Jornalismo, não abriu mão dos espaços voltados ao estágio super- visionado, na compreensão de que prática e teoria devem ser complementares e não excludentes. Afinal, uma amplia o significado e a razão da outra.

Pioneirismo

José Marques de Melo, ao ser referir a Luiz Beltrão, o denomina ícone nacio- nal da comunicação, espécie de reconhecimento pelo que ele chama de pionei- rismo tríplice; afinal, Beltrão criou o primeiro instituto de pesquisa, a primeira revista científica e a primeira tese de doutorado na área. Também vanguardista, JMM avançou e expandiu o pensamento comunicacional em todos estes marcos.

Entre as características que poderiam ser apontadas na atividade acadêmica de José Marques de Melo, talvez a mais marcante seja o pioneirismo. Desbrava- dor, nestes 50 anos de pesquisa, ele tem aberto verdadeiras picadas e pavimenta- do caminhos para os que se puserem em marcha a posteriori. Inaugurou estudos sobre os mais diversos objetos. Por isso mesmo, sua obra primaz, “Comunicação Social: Teoria e Pesquisa”, mais de 40 anos depois de lançada, continua atual e obrigatória para os iniciantes da vida acadêmica. Ainda, outros livros importan- tes ampliam o debate proposto no livro de 1971, como “A Esfinge Midiática” (2004) e “Os Caminhos Cruzados da Comunicação” (2010).

108 Fortuna Crítica – JMM – Volume 4

Reconhecido por suas obras teóricas e comparativas sobre o Jornalismo, JMM é marco também em outros temas. Dotado de visão vanguardista, buscou deselitizar a universidade brasileira. Para tanto, ignorou o preconceito que cer- tos objetos sofriam no meio, combatendo o patrulhamento ideológico que fazia distinções qualitativas entre o erudito e as culturas de massa e popular. Todo este trabalho lhe rendeu críticas severas, custou amizades e, em tempos de governo militar, acusações de subversão.

José Marques, além de incentivar as pesquisas no campo das culturas po- pulares e do folclore, por meio da Folkcomunicação, inaugurou também os estudos nacionais sobre telenovela e montou importantes núcleos de estudos, tanto na Cásper Líbero, quanto na PUC-SP, dedicados a investigar os mais variados aspectos da produção televisual que viria a se tornar produto nacional de exportação.

É dele também a pedra fundamental dos estudos sobre quadrinhos no Brasil. Inspirado por Umberto Eco, não só pesquisou e inventariou a produção dos gibis no País, como organizou, no Museu da Imprensa, na USP, vasta coleção de revistas em quadrinho. Alvos da sanha de professores universitários vigilantes, durante o período da repressão, os gibis da USP quase arderam em fogo, sendo salvos, juntamente com a coleção de cordel do mesmo museu, por ação da sua ex-aluna Sonia Bibe Luyten e seu esposo Joseph Luyten. Anos mais tarde, em tempos de anistia, JMM, enquanto diretor da ECA, organizou a gibiteca da Universidade de São Paulo, dando a ela seu devido lugar.

O pensamento avançado de JMM não se dedicou apenas à compreensão de assuntos subversivos, contudo. Ao investigar o poder da comunicação – do tornar comum – como elemento religante vital às comunidades, por vezes, pro- curou entender a religiosidade popular e o poder das crenças, como também da comunicação eclesial, tanto advinda da igreja, quanto em mãos dos próprios grupos sociais, como importante instrumento mobilizador, não só voltado à religião, mas também às organizações e movimentos sociais. Além de artigos e livros organizados sobre o tema, publicou, em 2005, “Comunicação Eclesial: Utopia e Realidade”, obra que tem servido de base para estudos acerca do tema.

Marques de Melo se dedicou também à criação de revistas científicas, gru- pos temáticos e redes de pesquisa voltados aos estudos em Folkcomunicação, Teoria da Comunicação, Comunicação eletrônica e de massa e Comunicação eclesial. Além de buscar parcerias com instituições sólidas, como o IPEA, a fim de fomentar a observação científica da comunicação, há quase vinte anos, par- ticipou da implantação da Cátedra UNESCO, na Universidade Metodista de São Paulo, a qual tem coordenado desde então. Preocupado com a ausência de uma sociedade científica que congregasse os pesquisadores da área e serviço de

fórum permanente para o debate e o compartilhamento de pesquisas e infor- mações, fundou, em 1977, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), hoje, uma das maiores sociedades do gênero na América Latina.

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