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Langues : rapport entre langue maternelle et langue cible

Chapitre 10. Déroulement et analyse d’une séance

3. Français Langue Seconde et Français Langue de Scolarisation

2.3. Langues : rapport entre langue maternelle et langue cible

Como já mencionado, existem algumas diferenças no processo de aprendizagem de adultos comparado ao das crianças. Ser adulto significa dizer que o indivíduo fez a transição da condição na qual outras pessoas eram responsáveis por ele para outra em que ele mesmo é responsável por si (ROGERS, 2011). No entanto, o fato do aluno ser responsável pelo seu próprio processo de aprendizagem, não que dizer que ele não necessite, em alguns momentos, de orientação e apoio de terceiros (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2006, COUCEIRO, 1995; CANDY, 1990; GARRISON, 1989; BROOKFIELD, 1986; KNOWLES, 1975).

Nesse princípio, serão apresentados os pressupostos referentes às necessidades de orientação e apoio demandadas pelos alunos durante o processo de aprendizagem:

 Necessidade de suporte, ou seja, necessidade de apoio afetivo de terceiros (professores, tutores);

 Necessidade de direção, ou seja, necessidade de assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem.

Verifica-se a presença de dois termos-chave nos dois pressupostos desse princípio: “suporte” e “direção”. Essas características estão associadas ao princípio andragógico apresentado no modelo de Knowles, Holton e Swanson (2011), denominado “prontidão para aprender”.

Entende-se por direção a necessidade de assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem. Já suporte refere-se ao apoio afetivo que um indivíduo espera receber dos outros (KNOWLES; HOLTON; SWANSON, 2011). Logo, os termos remetem respectivamente, a ideia de “orientação” e “apoio” e por isso optou-se pela utilização dos termos para intitular este princípio.

O suporte e a direção são dimensões básicas, nas quais os aprendizes adultos podem apresentar diferentes comportamentos dependendo da situação de aprendizagem que esteja vivenciando. De acordo com Knowles, Holton e Swanson (2011), o aprendiz pode ter diferentes comportamentos em diferentes momentos do processo de aprendizagem, podendo em algumas situações se sentir autodirecionado e em outras dependentes, estando isso associado ao grau de dependência, com base na reflexão das combinações de alta e baixa necessidade de direção e suporte.

À medida que o aluno apresenta um alto grau de dependência, ou seja, alta necessidade de direção e suporte, há uma maior necessidade de direcionamento no processo de aprendizagem, em contrapartida, quando existe um menor grau de dependência, ou seja, baixa necessidade de direção e suporte, há um nível maior de autodirecionamento. O modelo proposto dar origem a um desafio aos professores: identificar o grau de dependência do aluno, atentando às mudanças das necessidades de direcionamento e suporte do aprendiz ao longo da experiência de aprendizagem, para que os aprendizes demonstrem prontidão para aprender (KNOWLES; HOLTON; SWANSON, 2011).

As principais medidas descritivas (os escores fatoriais e as medidas de média, mediana, desvio, assimetria e curtose) referentes aos pressupostos correlacionados no Princípio da Orientação e Apoio para a Aprendizagem estão dispostas na tabela 29.

Tabela 29 – Medidas Descritivas Gerais do Princípio 5

Princípio 5: Orientação e Apoio para a Aprendizagem

Pressupostos Média Mediana Desvio Assimetria Curtose Escores Fatoriais Necessidade de suporte, ou

seja, necessidade de apoio afetivo de terceiros (professores, tutores)

6,79 8,00 2,79 -0,63 -0,71 0,86

Necessidade de direção, ou seja, necessidade de assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem

6,29 6,00 2,56 -0,31 -0,88 0,84

MEDIDAS CENTRAIS DO

PRINCÍPIO 5 5,56 5,96 2,08 -0,42 -0,73 Fonte: Elaborada pela autora, 2013.

É possível visualizar na tabela 26 que a médias apresentadas nos dois pressupostos agrupados nesse princípio foram moderadas, e os desvios padrões foram superiores a 2,5. Destaca-se ainda que a média do primeiro pressuposto desse princípio apresentou um valor um pouco distanciado da mediana, apontando assim maior dispersão das respostas nesse princípio. Os dados de assimetria e curtose acusam a falta de normalidade, no entanto, não interferem na análise desses resultados.

De modo sucinto, é possível concluir que no que concerne à orientação e apoio para a aprendizagem, os respondentes revelaram, em um nível moderado de concordância, que necessitam de suporte e direção no processo de aprendizagem.

Com base nos dados de frequência, percebe-se que 15,6% dos respondentes marcaram números inferiores a 4 na escala referente ao pressuposto “Necessidade de suporte, ou seja, necessidade de apoio afetivo de terceiros (professores, tutores)”, 32,5% marcaram números entre 4 e 7, e 67,5% assinalaram valores superiores a 7, conforme aponta a figura 31.

Figura 31 – Necessidade de suporte no Processo de Aprendizagem.

Fonte: Dados da Pesquisa (2013).

Conforme Knowles, Holton e Swanson (2011) quando maior o grau de dependência do aluno, ou seja, a necessidade de direção e suporte, maior será a necessidade de direcionamento no processo de aprendizagem. No entanto, essa necessidade de orientação e apoio não deve ser confundida com a necessidade de troca de conhecimentos. São nas relações com outros indivíduos que o aluno comprova seus interesses e perspectivas, modificando seus objetivos de aprendizagem, ou contribuindo para modificação dos objetivos dos outros (MEZIROW, 1985; BROOKFIELD, 1986).

Conforme Brookfield (1986) e Couceiro (1995) não se pode visualizar o aprendiz autodirigido como aquele aluno fechado em si mesmo, mas sim como aquele que interage com os outros. Candy (1990) corrobora destacando que a interação entre professores e outros atores (tutores, mentores, entre outros) no processo de aprendizagem é importante tanto pelas razões técnicas no sentido de assessoria, quanto pelo contato interpessoal, que proporciona

15,60% 32,50% 67,50%

Necessidade de suporte, ou seja, necessidade de apoio afetivo de terceiros (professores, tutores)

Baixo Nível de Concordância Moderado Nível de Concordância Alto Nível de Concordância

elementos como incentivo, empatia e entusiasmo. Nesse sentido, o fato de mais de 67% informarem com alto nível de concordância que demandam de apoio afetivo de terceiros, não os tornam menos autodirecionados, mas sim que em alguns momentos eles necessitam de suporte no processo de aprendizagem.

No que se refere à “necessidade de assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem”, observa-se na figura 32 que 16,8% marcaram entre os números 1 e 3 na escala desse pressuposto, 42,2% marcaram números entre 4 e 7, e 40,8% marcaram valores superiores a 7.

Figura 32 – Necessidade de direção no Processo de Aprendizagem.

Fonte: Dados da Pesquisa (2013).

Sobre a necessidade de direção, grande parte dos alunos apresentaram moderado nível de concordância. Logo, os alunos virtuais apontaram que necessitam mais de suporte, ou seja, de apoio afetivo, do que de direção/assistência no processo de aprendizagem. Isso pode estar associado ao formato dos cursos ofertados na modalidade a distância, pois as pessoas interagem predominantemente em ambiente virtual (chat, fórum, etc.) ou seja, com pouco contato presencial entre professores e alunos, gerando um sentimento de isolamento entre os envolvidos.

Na tabela 30 consta o resumo dos resultados referentes ao quinto princípio apontando o nível de concordância predominante e o percentual de respostas.

Tabela 30 – Resumo dos Achados referentes ao Princípio 5: Orientação e Apoio para a Aprendizagem Resumo dos resultados referentes ao Princípio 5: Orientação e Apoio para a Aprendizagem

Pressupostos Nível de Concordância Percentual

Necessidade de suporte, ou seja, necessidade de apoio

afetivo de terceiros (professores, tutores) ALTO 67,5% Necessidade de direção, ou seja, necessidade de

assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem

MODERADO 42,2%

Fonte: Elaborada pela autora, 2013.

16,80% 42,20% 40,80%

Necessidade de direção, ou seja, necessidade de assistência por outra pessoa no processo de aprendizagem

Baixo Nível de Concordância Moderado Nível de Concordância Alto Nível de Concordância

Como já mencionado, através da EaD é possível permitir a autoaprendizagem, sem apresentar limitações de lugar, tempo ou distância. Para tanto, essa modalidade demanda dos alunos uma postura mais autônoma e independente. Alunos que não possuem essas características, apresentando alta necessidade de suporte e direção, podem ter sua aprendizagem comprometida ou até mesmo acabar desistindo do curso (DEMO, 2009; MENESES; ZERBINI; ABBAD, 2006).

Assim, o outro (professor, tutor, mediador, ou mesmo outro aluno) deve ser visto como um elemento importante e fomentador do autodirecionamento na aprendizagem (GARRISON, 1989; BROOKFIELD, 1986). Logo, a autodireção não consiste necessariamente em um processo solitário, ela pode acontecer em um contexto de grupos sociais. Sugere-se assim a adoção de estratégias que busquem proporcionar trocas de conhecimentos, como por exemplo o desenvolvimento de comunidades virtuais como os fóruns e chats visando diminuir o isolamento natural dessa modalidade de ensino.