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Langages r´ eguliers et automates

Dans le document Mots et langages (Page 55-67)

A categoria E5 compreende 20% dos desvios assinalados nas composições. Não se alargará a descrição e a análise das incorreções nesta secção, pois a falta de precisão lexical está frequentemente ligada(ou acaba por originar) a incompatibilidades ao nível sintagmático ou em unidades fixas da língua (categoria de erros E6), pelo que esta questão será retomada no ponto seguinte.

De uma forma geral, a importância de escolher cuidadosamente as palavras assenta na clareza necessária à expressão de uma ideia, de modo a evitar interpretações erróneas da mesma. Se tal acontecer, incorreu-se numa imprecisão lexical, que é, muitas vezes, sintoma de pobreza vocabular. Pode acontecer que, sendo o vocabulário ativo bastante reduzido, o aluno não conheça o termo mais adequado a inserir num determinado contexto, optando por outros cujo significado se desvia daquele que pretende dar a entender. Noutros casos, pode tratar-se de falta de atenção (podendo haver descuidos por questões de tempo, originando algumas confusões pontuais), pelo que o facto de não usar o item adequado não significa que este não faça parte do seu repertório vocabular. A falta de hábitos de leitura é também determinante no que diz respeito à eficácia das escolhas lexicais que se prendem com relações paradigmáticas.

Nas redações que foram objeto de estudo, registaram-se, sobretudo, erros de precisão semântica, ou seja, situações em que a eleição da palavra mais adequada, de acordo com o significado e o nível de língua utilizado, não se processou de forma eficaz. As ocorrências desviantes verificaram-se, maioritariamente, ao nível da seleção dos nomes. Seguem-se alguns exemplos ilustrativos seguidos de breves comentários:

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(26) G14_T1_Vu: Não tenho grandes *previsões para o futuro [...]. Comentário: O aluno referia-se ao facto de ainda não ter decidido qual a área/profissão que gostaria de seguir no futuro. Neste contexto, o uso do termo “previsões” (mais abstrato), ainda que ligado à ideia de antecipação do futuro, não é adequado, pelo que deveria ser substituído por “projetos” / “planos” (mais concreto), no caso de se querer manter a mesma estrutura frásica e remeter para ações/realizações. Outra hipótese seria alterar a frase para uma construção do tipo: “Não sou capaz de prever o meu futuro profissional.”

(27) G11_T1_Vu: Para a elaboração deste portefólio, irei recorrer aos seguintes

*pontos de estudo: internet, livros, biblioteca, manual de Língua Portuguesa [...].

Comentário: Neste caso, o aluno não conseguiu encontrar um vocábulo suficientemente genérico para abarcar a enumeração que lhe justapõe. Ao utilizar o termo “pontos”, restringe os exemplos possíveis a locais de estudo (como a biblioteca), pois um dos traços semânticos da palavra remete, precisamente, para a noção de lugar/espaço, não sendo compatível com os materiais de apoio elencados (livros ou internet). A palavra mais indicada para este contexto seria “fontes”, englobando, assim todos os suportes aos quais podemos recorrer para obter informação e conhecimento.

(28) LH31_T1_V1: Eneias [...] é encarregado pelos deuses de salvar a sua

*civilização noutro lugar.

Comentário: Neste exemplo, o aluno demonstra não dominar o significado da palavra “civilização” (que designa o “conjunto das instituições, técnicas, costumes, crenças, etc., que caracterizam uma sociedade”), usando-a de forma incorreta. As propriedades semânticas deste termo (não contável, mais abstrato, mais geral) não se coadunam com a ideia de liderança por parte de um sujeito. Eneias é responsável e dirige o seu povo, não a sua civilização. A palavra “povo” (“conjunto dos

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habitantes de um país, de uma região, cidade, vila”) seria, portanto, a mais indicada neste contexto.

(29) LH31_T1_V1: Tito Lívio e poetas como Virgílio fizeram questão de imortalizar

esta lenda [...] cuja origem *leva à Guerra de Troia.

Comentário: O aluno pretende demonstrar que a lenda da Fundação de Roma tem origem e está relacionada com a Guerra de Troia. Assim, a palavra correta, neste contexto, seria “remonta” (relaciona-se, refere-se, lembra) e não “leva”, cujo significado remete para o resultado e não para a origem. Confundiram-se palavras com sentidos opostos, fazendo-se passar uma ideia contrária àquela que na verdade se quer transmitir.

(30) LH31_T1_V1: Na companhia de seu pai e do seu filho, *no meio de muitas

aventuras, chega finalmente a Itália [...].

Comentário: Na passagem transcrita, seria mais adequado utilizar a preposição “após” em vez da locução prepositiva “no meio de”. A ideia de que Eneias terá vivido inúmeras aventuras não se perde na totalidade, mas há imprecisão, na medida em que a noção de progressão temporal (aquela que se pretende realmente passar e que é reforçada pelo advérbio “finalmente” e pelo verbo “chegar”) se confunde com a de espaço, pois a locução não permite que haja progressão e tem um valor espacial. Consequentemente, o avanço na narrativa que se gera pela chegada de uma personagem a um determinado local é incompatível com a expressão “no meio de”.

(31) LH311_T1_V1: Amúlio, furioso com a situação ordena aos seus escravos que

*mandem as crianças ao rio Tibre [...].

Comentário: Nesta transcrição, a forma verbal “mandem”, deveria ser substituída por “lancem”. Os itens lexicais são sinónimos, pelo que têm traços semânticos comuns, podendo alternar em determinados contextos. No entanto, a opção pelo verbo “mandar” é própria de um registo informal e, portanto, desadequada à escrita

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em sala de aula. A forma forte deste par, tendo em conta a formalidade exigida pela situação de comunicação, é “lançar”, porque mais cuidada e frequente. Consequentemente, neste passo, verificam-se duas ocorrências desviantes: uma pertencente à categoria E5 e outra pertencente à categoria E2.

(32) LH33_T2_Vu: [...] volto às 12:00h *onde me espera uma refeição *onde como

peixe, ovos e fruta [...].

Comentário: Na primeira ocorrência considerada incorreta, o aluno faz uma elipse indevida (omite “a casa”) e constrói a relativa como se estivesse expresso um lugar (noção que prevalece em todas as situações de emprego correto do pronome “onde”) na frase, o que origina uma falsa relativização (cf. Antunes & Brito, 2008: 246). Posteriormente, deveria ler-se “uma refeição que consiste em”. Nos dois casos verifica-se dificuldade na utilização do pronome “onde” em orações relativas.

(33) LH35_T2_V1: Como observamos nesta pequena narrativa o latim neste caso o

império romano, não morreu, aliás, está na base de tudo que fazemos hoje em dia, apesar de já terem passado mais que dez séculos, Roma continua em toda a Europa Ocidental.

Comentário: É interessante atentar nesta passagem, em que o aluno parece ter procurado, embora sem sucesso, a expressão exata para exprimir a ideia de que a herança romana está presente ainda hoje em toda a Europa Ocidental. Hesita bastante (“o latim neste caso o império romano”) e registam-se três casos de imprecisão. A expressão “cultura romana” seria a mais adequada neste contexto, porque mais abrangente do que a referência metonímica à língua, ao império ou à cidade. Os vocábulos “latim”, “império” e “Roma” pertencem ao mesmo campo lexical, no entanto, o aluno não consegue designar o domínio conceptual que as associa.

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3.3.2.6. Emprego de palavras semanticamente incompatíveis num mesmo sintagma ou em

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