Com o tempo, o meu avô passou a trabalhar na prefeitura, como chefe de pessoal que trabalhava no calçamento. Mas ele não era chamado de chefe, era chamado de feitor do calçamento... mas ainda mantinha a chácara de flores, que ele tinha orgulho, pois com elas ajudava a enfeitar a igreja aos domingos.87
Embora a cidade de São Paulo estivesse se modernizando rapidamente, atividades como o cultivo de flores eram mantidas. Ainda existiam “as chamadas pequenas oficinas caseiras, nas quais muitos portugueses exerciam atividades como carpinteiros, ferreiros, ourives, sapateiros, calígrafos, alfaiates, seleiros, gravateiros”.88 Havia também os que saiam às ruas para oferecer os seus serviços
[...] como empalhadores de móveis, manutenção e consertos de artigos domésticos, capinadores, jardineiros, lavadores em geral, pedreiros, pintores, leiteiros, verdureiros, peixeiros, floreiros, o “afiador” de objetos lâminados, tintureiro, baleiro, sorveteiro, doceiro ou o cesteiro de vime e os utensílios domésticos.89
As ruas da cidade favoreciam os trabalhos citados e, ainda, possibilitavam outros tipos de empregos, como os de calceteiros, que pavimentavam com paralelepípedos as avenidas e ruas principais, os de limpadores de ruas (atuais garis) e os de coveiros, entre outros. Uma vez que eram trabalhos diretos, estes serviços ficavam a cargo da Prefeitura Municipal.
Meu pai começou a trabalhar na Prefeitura. Ele contava que abria valas para enterrar as pessoas. Também comentava muito sobre a gripe espanhola, fazia valas porque morriam muitas pessoas e não dava tempo de fazer os caixões, então enterrava nas valas. Ele comentava que com o sereno da noite, não dava
87
Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.
88
MATOS, Maria Izilda Santos de. Cotidiano e Cultura. História, Cidade e Trabalho. Bauru, SP: EDUSC p.78.
89
AMERICANO, Jorge. São Paulo Naquele Tempo (1885-1915). São Paulo: Carrenho Editorial / Narrativa Um / Carbono 14, 2004. p.103-112.
tempo de colocar a terra em cima dos corpos e quando de manhã eles chegavam para cobrir os corpos, o morto não estava mais ali, porque com o sereno da noite passava a febre e as pessoas se levantavam e iam embora. Isso ele comentava bastante.90
O pai de Clarinha, conforme a depoente relata, colaborou no sepultamento das vítimas da “gripe espanhola”, episódio que marcou o mês de outubro de 1918. A mortalidade se espalhou devido ao forte surto epidêmico, ceifando praticamente 2% da população urbana, muito mais que os quatro anos da Primeira Guerra Mundial, fato que foi divulgado e comentado em todo território nacional.
Não houve lar que não fosse atingido. Em alguns deles, seus moradores foram encontrados todos mortos. Famílias inteiras pereceram, nessa triste fase da vida paulistana, embora as autoridades houvessem mobilizado todos os seus recursos e apelado para todas as instituições e entidades. A Liga Nacionalista, o Clero, com D. Duarte Leopoldo à frente, as associações civis e religiosas prestaram inestimáveis serviços à população da cidade que, àquele tempo, contava pouco mais de quinhentas mil almas. Quando o sinistro morbo atingiu o apogeu, matou mais de 8.000 pessoas, em apenas quatro dias. Os cemitérios funcionavam dia e noite. Via-se, pelas ruas, a qualquer hora do dia, lúgubres cortejos de carros funerários em plena atividade. Houve casos, até, de pessoas que foram enterradas vivas, como aconteceu com um pedreiro italiano do Bom Retiro, que o panfletário Baby de Andrade explorou muito bem, documentando-o com fotografias, em “O Parafuso”.91
A gripe espanhola atingiu principalmente os trabalhadores imigrantes. Com o tempo, as epidemias se tornaram mais raras, mas as condições de salubridade e higiene ainda eram desoladoras na capital paulista.
Nossa cidade (1918) viu-se apanhada de surpresa pela peste, desorganizando-se completamente todos os serviços públicos, inclusive o de bondes, pela completa falta de pessoal, que dia a dia enfermava, determinando a supressão de viagens e
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Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.
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PENTEADO, Jacob. Belenzinho, 1910 (Retrato de uma época). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1962. p.281-282.
diminuição do tráfego, o que foi autorizado pela Prefeitura. No período de vinte e seis de outubro a dois de dezembro, quarenta e duas mil, cento e oitenta viagens foram canceladas nas diversas linhas.92
Após este episódio, o contrato de trabalho do pai de Clarinha mudou, passando este imigrante, de coveiro, a trabalhar como calceteiro, sob a chefia de seu futuro sogro.
Assim que acabou aquilo tudo, o meu avô materno, que já era empregado da prefeitura, do Interventor, Governador, eu não sei bem como se chamava naquele tempo. O meu avô que já trabalhava levou ele e o irmão Joaquim, para os dois trabalharem na prefeitura. Ficaram como... aprenderam a colocar pedras nas ruas, e o ofício dele ficou como calceteiro, calçava as ruas com as pedras, né.93
O ofício de calceteiro também está presente nas falas de Glorinha e Fátima: “Ele era calceteiro da prefeitura, trabalhou 31 anos e 08 meses, até se aposentar por invalidez devido a problemas de circulação que ele tinha [...].”94
“Ele trabalhou muitos anos na Prefeitura, ele era calceteiro, aqueles homens que
colocava as pedras no chão, hoje é asfalto né, mas antes era paralelepípedo, esse foi o serviço do meu pai, até aposentar.”95 Acredita-se que era um trabalho indispensável não apenas para o embelezamento da cidade, como também para a pavimentação das ruas.
Paralelamente, São Paulo continuou se desenvolvendo industrialmente de maneira intensa até 1919. O pai de Helena, que era carpinteiro e cursou até a quarta série em Portugal, empregou-se em uma fábrica de automóveis recém- instalada em São Paulo.
92
STIL, Waldemar. História dos Transportes Coletivos em São Paulo. São Paulo: EDUSP/MC GRAW - HILL, 1978. p.178.
93
Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.
94
Fátima, 61, anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 23/12/2005.
95
O meu pai, o que a gente sabia é que ele era carpinteiro, que também fazia desenhos no assoalho das casas das pessoas ricas aqui de São Paulo, no centro Saúde, Jardins. Também fazia nos tetos, isto durante muitos anos. O meu pai estudou até a quarta série, sabia ler, escrever, calcular, muito bem. Depois, ele parou de trabalhar como “decorador” e foi trabalhar na Ford, mas o que ele fazia lá, não sei, porque eu era muito pequena.96
Em 1919, a Ford decidiu instalar-se também no Brasil. O escritório e a primeira linha de montagem da empresa no país foram montados na rua Florêncio de Abreu, no centro da cidade de São Paulo. Depois, em 1925, a General Motors instalou a sua fábrica no bairro paulistano do Ipiranga.
Iniciava-se um período de agitado parque industrial, de produção de alimentos, fiação, tecidos e bebidas, de renovação das ações sindicais e de lutas pelas questões de moradia e higiene. Em meio a todas essas mudanças, até os que tinham um ofício buscavam colocações mais vantajosas financeiramente. O pai de Viga, por exemplo, que era carpinteiro, passou a trabalhar no ônibus, conforme relata a depoente: “A profissão dele era carpinteiro, ele já veio de Portugal como carpinteiro. Ele, no Brasil, até trabalhou naquela empresa de
ônibus da CMTC.”97
Os imigrantes, então, passavam a perceber que estavam em uma metrópole da América, onde o progresso se manifestava nas casas de moradia, nos comércios e nas fábricas, que se acotovelavam em habitações e oficinas. Era uma sociedade competitiva, que pedia esforço e trabalho, mas também inteligência e engenho.
A cidade era uma mistura entre o antigo e o novo, o rural e o urbano. O bonde tinha a sua presença constante; foi o transporte público soberano até meados dos anos 30, sob o monopólio da LIGHT. A partir de 1947, porém, a administração desta empresa passou para a CMTC (Companhia Municipal dos Transportes Coletivos), que procurou efetuar reformas nos veículos e contratar
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Helena, 79 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 03/03/2005.
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novo pessoal. Tal esforço, no entanto, foi em vão, já que na década de 60 teve início a sistemática extinção das linhas de bondes, que perderam lugar para os ônibus e trólebus.98
Os paulistas passavam, então, a conviver com os investimentos imobiliários, com o som das buzinas, com o barulho peculiar dos motores, com as epidemias e, em muitos casos, com a falta de habitação. Em 1939, o número de carros de passeio, que em 1920 era de 5.596, multiplicou-se para 43.657. O de caminhões, por sua vez, passou de 222 para 25.858.
Inicialmente, São Paulo não predominava sobre as demais regiões nacionais, como Amazonas e Goiás. Mas, a partir de 1907, passou a desempenhar um papel vigoroso de concentração industrial, que permanece até a atualidade. Dados estatísticos comprovam esta realidade, pois, se em 1907 São Paulo respondia por 16% do valor da produção industrial, em 1919 esse número
passaria a 32%, continuando a elevar-se até a crise de 1929.99
Os avanços da urbanização geraram novos contornos urbanos e criaram espaços para a promoção social. Durante as duas primeiras décadas do século XX, a atividade industrial continuou a crescer, elevando a população operária a índices significativos. A indústria têxtil, em 1900, contava com 17 estabelecimentos e 4.579 operários; já em 1920 congregava 54 unidades de produção e 17.823 operários.100
A eletricidade substituía o lampião a gás, chegavam os primeiros carros, cresciam as linhas de bondes elétricos e iniciavam-se grandes construções, como o Viaduto do Chá e a Avenida Paulista. A cidade de São Paulo se transformava e outras cidades, como Santos, Jundiaí, Itu e Campinas, em sua rotina, passavam a conviver com o apito das fábricas.
98
BRITTO, Edsel; ZEBINI, Eduardo G. Bondes Paulistanos - Memória Eletropaulo. São Paulo, n.º13, jan., fev., mar. de 1990.
99
IGLÉSIAS, Francisco. A industrialização brasileira. 2ªed. São Paulo: Brasiliense, 1986.
100
GUZZO DE DECCA, Maria Auxiliadora. Cotidiano de trabalhadores na República. São Paulo: Brasiliense, 1989.
Em meio a tantas transformações, foram empregados novos operários e
contratados empreiteiros e/ou tarefeiros (trabalhadores contratados
temporariamente para a realização de tarefas), que na via férrea atuaram abrindo caminhos e assentando as travessas que firmariam os trilhos nas linhas férreas, isto sob a orientação de hábeis carpinteiros, como o pai de Helena.
O meu pai trabalhou durante uns tempos em Santos. Ele ficava lá e na sexta-feira voltava e depois voltava para lá, dizia que o trabalho era preciso e a sua habilidade com a madeira era de grande auxílio. Mas muitas vezes nós todos fomos até lá para encontrá-lo. Eu me lembro tão bem do encontro do meu pai com a gente, ele nos esperava em frente do trem.101
Muitos trabalhadores eram engajados nessas frentes de trabalho, deixando para trás mulher e filhos, mas com plena convicção de reencontrá-los. Às vezes, suas famílias iam ao seu encontro, desfrutando da viagem e do passeio de trem.
As greves e as brigas de rua tornaram-se assuntos cotidianos dos boletins policiais, assim como a precariedade da infra-estrutura urbana. Embora isto fosse uma realidade, os pais das entrevistadas nunca se envolveram nessas confusões. Segundo elas, “eram trabalhadores para o que desse e viesse”.
A The São Paulo Tramway Light & Power, vulgarmente conhecida como Light, empresa canadense inaugurada em 1900 e responsável pelo fornecimento de energia elétrica, auxiliou significativamente o desenvolvimento industrial paulista entre 1930 e 1940. Outras pequenas hidrelétricas foram construídas, principalmente com capital estrangeiro.
Entre os anos de 1928-1937, o número de estabelecimentos industriais subiu de seis mil novecentos e vinte e três para nove mil e cinqüenta e um, quase dobrando a quantidade de operários: de cento e quarenta e oito mil, trezentos e setenta seis para duzentos e quarenta e cinco mil, setecentos e quinze.102
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Helena, 79 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 03/03/2005.
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Nesse período, embora houvesse uma elite rica e consumidora, os salários dos operários e o custo de vida distanciavam-se de forma crescente. Os baixos níveis salariais dificultavam o consumo e geravam miséria. Portanto, a categoria operária que se constituía era pobre e enfrentava duras condições de existência.
Durante a Primeira República, a aristocracia cafeeira paulista viveu o seu apogeu. Entretanto, a Revolução de 1930 instalou o Governo Provisório, colaborando para colocar fim na supremacia de São Paulo. A partir de então, outros Estados menores da Federação se sobressaíram, sob a liderança do Rio Grande do Sul, com Getúlio Vargas.
Nesse período, ocorreu a união de duas famílias de origem portuguesa. Casavam-se a filha de um feitor de calceteiros, nascida em Macedo de Cavaleiros, e um jovem calceteiro, natural de Chaves. Em resposta à carta enviada pelo noivo, que convidava seu irmão para as bodas, a seguinte carta foi escrita:
Santos, 14 de abril de 1930. Saudações. Meu querido mano, muito estimo que esta mal escrita carta te vá encontrar de perfeita e feliz saúde na companhia de toda a nossa família que a nossa até a data presente é boa graças a Deus para sempre querido mano aqui recebi a tua para nós muito estimada carta, só te peço desculpa em não ter escrito a mais tempo por que eu levei um tombo do bonde em baixo que fiquei bastante machucado dum braço e de uma perna pensei de morrer por minha, por não, uma sorte mas agora já estou passando bem melhor graças a Deus.
Querido mano com respeito o que me mandas dizer eu vou fazer um esforço de embarcar daqui no primeiro trem no dia 26 para ir assistir o teu casamento agora com isto não te enfado mais aceita muitas lembranças da Glória deste teu irmão aceita um forte aperto de mão deste Daniel Gonçalves.
Assim, pode-se perceber que nem sempre os imigrantes tinham a oportunidade de permanecer no mesmo bairro que suas parentelas. Muitos deles, como Daniel, iam para outros locais em busca de meios para manter a família,
mas sem se esquecerem daqueles que os acolheram. Daniel, em sua carta, agradece o convite para a cerimônia religiosa do irmão e, ao mesmo tempo, o coloca a par de sua situação, aproveitando a oportunidade para fazer chegar às mãos do outro irmão a mesma carta, só que com palavras dirigidas a este, como consta a seguir:
Peço dares esta carta a ler o Antônio.
Meu querido mano, Antônio muito estimo que estas duas mal escritas linhas te vão encontrar de perfeita e feliz saúde em companhia de toda a família que a nossa fazer desta e é boa graças deus para sempre querido mano eu peço atenção de aí no casamento do José Luís se tu quiseres a ver alguns dos nossos irmãos não trabalham no Domingo que te ajunte a todos para irem tirar os retratos dos 8 irmãos que tu andavas sempre a falar que gostavas que tirássemos o retrato todos juntos de você quiserem estar na ocasião que eu agora passei uma porção de tempo sem trabalhar e depois não posso andar a tirar licença tão fácil, no domingo com isto nada mais espero te encontrar no dia 26 com os irmãos.103
Na seqüência da carta, agora escrita ao outro irmão, Antonio, Daniel, além de citar os festejos do casamento do irmão, relembra ao “mano” o desejo de todos se reunirem e pousarem para um retrato, uma vez que o enlace aconteceria em um Domingo, quando nenhum dos oito irmãos precisaria trabalhar.
Mas, paralelamente, qual seria a ocupação das mulheres neste momento?
103
2.4 TRABALHO FEMININO
No decorrer desse fervilhar econômico, político e social, que gerava tantos trabalhos, o que faziam as mulheres desses imigrantes? Clarinha relata que sua avó “[...] só trabalhava em casa, fazia pão, lavava, passava, fazia o
serviço de casa, cuidava da criação, porque eles viviam na chácara das flores.”104
Completando a sua fala, a tia-avó de Clarinha diz:
A minha mãe trabalhava muito, lavava muita roupa para fora, fazia cada trouxa de roupa para entregar... Às vezes, o meu pai a levava até o ponto, às vezes era o próprio motorista que a ajudava a colocar as roupa para dentro do ônibus.105
Além de cuidar da casa, as avós e as mães das entrevistadas neste estudo costuravam, lavavam, engomavam e passavam roupas alheias. Embora essas atividades tenham sido deixadas à margem de todo movimento social, na presente análise, acredita-se ser necessário transformá-las em objeto de reflexão, já que, de certa forma, foram possibilidades, advindas da própria indústria têxtil, dessas mulheres também gerarem renda para a família.
Nesse sentido, Glorinha comenta: “A minha mãe trabalhava em casa, ela era costureira. Ela ia na oficina, pegava as calças e levava para casa para costurar. Ela era costureira de calça. Mas não deixava de cuidar dos filhos, da casa, da comida.”106
O trabalho de costurar, à primeira vista, talvez possa ser entendido como uma extensão das atividades domésticas. No entanto, a ele também pode ser atribuída maior importância, já que envolvia a questão do tecido produzido na indústria têxtil, do corte, que deveria seguir o padrão da moda, dos acabamentos, que deveriam ser delicados e perfeitos, e, por fim, da venda do produto no
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Clarinha, 72 anos, filha de imigrante português. Entrevista realizada pela autora em 08/01/2005.
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Guilherma, 82 anos, filha de imigrante português, tia-avó de Clarinha. Entrevista realizada pela autora em 23/04/2006.
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