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Dans le document World Economic Situation Prospects (Page 38-42)

O terceiro estudo, denominado “Reflexos da ILR na compreensão de textos em língua inglesa”, foi caracterizado para responder à terceira pergunta de pesquisa porque teve como finalidade avaliar como uma abordagem plurilíngue pela perspectiva da ILR pode refletir na compreensão de textos da língua inglesa. Para tanto, utilizamos o questionário sobre estratégias de aprendizagem e o protocolo verbal para coletar os dados.

Considerando que as atividades nas duas primeiras unidades foram realizadas em grupo e compartilhadas com a turma, deduzimos que um grupo pode ter influenciado no processo de leitura e no uso de estratégias do outro. Por esse motivo, decidimos, em primeiro lugar, aplicar o questionário “Quais são as suas estratégias de aprendizagem?” (Ver Apêndice A VI) individualmente com o intuito de revelar quais foram as estratégias mais utilizadas pelo grupo para compreender textos em língua inglesa após o término do curso plurilíngue.

Esse questionário é composto por um conjunto de assertivas que foram organizadas em três grupos, segundo a classificação de O’Malley e Chamot (1995), e descritas na fundamentação teórica: metacognitivas (11), cognitivas (15) e socioafetivas (5), totalizando 31 assertivas. Os participantes precisaram responder com que frequência aplicavam aquelas estratégias: se raramente (1), algumas vezes (2), sempre ou quase sempre (3).

Como forma de validar os questionários – tendo em vista que são apontados como instrumentos que podem refletir uma competência geral ou a vontade de dar uma boa resposta (COHEN, 1996; POLITZER; MC GROARTY, 1985 apud CYR, 1998) –, iniciamos, em seguida, a realização do que denominamos de “atividade de leitura individual”. Essa atividade consistiu em entregar um texto em língua inglesa 82 (ver Apêndice A VII) a cada participante

82 O texto para o protocolo verbal foi escolhido sob as mesmas condições dos textos do curso plurilíngue, já expostas neste capítulo. Ele foi retirado da internet e, por ser muito extenso, decidimos utilizar apenas a parte

e, em seções individuais, pedir que eles verbalizassem como construíram sentido para o texto à medida que nele avançavam. Cabe frisar que os participantes foram informados de que essa atividade não buscava respostas certas ou erradas, e sim o processo, o caminho percorrido para a compreensão.

Com essa atividade, desejamos verificar se os aprendizes conseguiram transferir a experiência de ler textos em línguas românicas para a leitura de textos em LI por meio do uso de estratégias, averiguando se as estratégias mencionadas no estudo II e no questionário sobre estratégias foram efetivamente utilizadas. Tal procedimento, a nosso ver, pode sugerir que a ILR pode ter contribuído para a compreensão de textos em língua inglesa.

Para acessar os processos de leitura e identificar as estratégias, utilizamos a técnica protocolo verbal. Cohen (1996) classifica a técnica em três categorias, de acordo com o tipo de dados que cada uma revela, sendo elas: o autorrelatório (self-report), a auto-observação (self-observation) e a autorrevelação (self-revealing ou think aloud).

Ainda conforme o autor, o autorrelatório se refere a descrições generalizadas do que o participante do protocolo verbal faz sobre a aprendizagem de comportamentos. A auto- observação, em vez de generalizar a linguagem, busca um comportamento específico, seja introspectivamente, dentro de 20 segundos do evento mental, seja retrospectivamente, após esse tempo. A autorrevelação corresponde ao pensar em voz alta (think aloud), em que ocorre o relato do fluxo de consciência dos processos de pensamento, enquanto a informação está sendo ativada, isto é, o participante vai relatando o que vem à mente.

Para o nosso estudo, dispensamos o autorrelatório (frequente em questionários que descrevem como geralmente o aprendiz aprende e usa a língua) e a auto-observação (referência a algum evento específico do uso ou da aprendizagem de línguas) por entendermos que eles não atendem aos propósitos desta pesquisa. Decidimos utilizar a autorrevelação (think aloud) para coletar os dados por levar em consideração que o participante pode ser o mais natural que puder nessa atividade ao relatar o que vem à sua mente sem pensar muito antes de expor seus processos.

Vale salientar que, mesmo informando aos participantes que a atividade de leitura individual não visava a buscar por respostas certas ou erradas, o fato de o aprendiz ter que se expor ao ler em voz alta pode implicar uma atividade cognitiva diferente daquela que ele geralmente apresenta, sendo difícil acessar os caminhos que ele utiliza para realizar a leitura de um texto.

introdutória da página (os quatro primeiros parágrafos). Em seguida, adicionamos algumas figuras relacionadas ao evento e o significado da sigla ISIL em uma nota de rodapé.

Para nos guiar e facilitar a análise dos dados a partir da leitura feita pelos aprendizes no protocolo verbal, baseamo-nos em um pequeno roteiro:

1. Zonas de transparência – como denominado pela professora-pesquisadora, referem-se àqueles trechos do texto que são reconhecidos por seus leitores, seja pela transparência, seja pelo conhecimento já adquirido por eles;

2. Zonas de opacidade (LÓPEZ-ALONSO; SÉRÉ, 1998) – utilizadas para designar trechos do texto que não são transparentes;

3. Outros procedimentos de leitura – categoria nomeada pela professora- pesquisadora, por entender que, embora as principais estratégias da IC sejam a transferência e a inferência, outras estratégias também são utilizadas pelos aprendizes na busca pelo sentido do texto;

4. Zonas de resistência – (DABÈNE, 1994 apud CESTARO, 2002; GEROLIMICH, 2009) dizem respeito àqueles trechos do texto que o leitor encontra dificuldade de compreensão.

Mesmo utilizando o roteiro acima, para categorizar e analisar os dados de todo o estudo III, recorremos à nomenclatura da classificação de O’Malley e Chamot (1995), que dividem as estratégias em metacognitivas, cognitivas e socioafetivas, além de autores como Smith (1999), Kleiman (2013), Solé (1998), Cyr (1998), Caddéo e Jamet (2013), dentre outros, para nortear a discussão do estudo III.

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

Este capítulo se ocupa da análise e discussão quantitativo-qualitativa dos dados. Lembrando que nossas perguntas de pesquisa são: 1) Quais fatores influenciam a percepção do conhecimento da língua inglesa como significativo à compreensão de textos da língua inglesa?; 2) Uma abordagem plurilíngue pela perspectiva da Intercompreensão de Línguas Românicas pode mudar a autopercepção dos aprendizes no que diz respeito à compreensão de textos em línguas estrangeiras? e; 3) Uma abordagem plurilíngue pela perspectiva da Intercompreensão de Línguas Românicas pode refletir positivamente na compreensão de textos em língua inglesa?.

Subdividimos este capítulo em três estudos, os quais almejaram responder as três perguntas de pesquisa, sendo o estudo I destinado à primeira pergunta de pesquisa, o estudo II, à segunda e o estudo III, à terceira. Ao final de cada estudo, traçamos considerações sobre eles.

4.1 ESTUDO I – PERFIL DOS PARTICIPANTES E APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS

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