Por fim, traçou-se um panorama das pequenas empresas moveleiras do Estado de Santa Catarina quanto à gestão do capital de giro. Para isso, para cada questionamento, resgatou-se a resposta da maioria dos gestores financeiros a fim de identificar a predominância das práticas de gestão.
Dessa forma, identificou-se que a gestão financeira das empresas é realizada por seus donos, prevalecendo a formação em Administração dos gestores. Portanto, observa-se uma preocupação na qualificação dos responsáveis pelas finanças na empresa.
Total
Custo de estocagem 4 50,0% 4 50,0% 0 0,0% 8
Período médio de estocagem 0 0,0% 8 100,0% 0 0,0% 8
Giro dos estoques 0 0,0% 8 100,0% 0 0,0% 8
Retorno sobre o investimento em estoque 0 0,0% 8 100,0% 0 0,0% 8 Custo de oportunidade dos Estoques 0 0,0% 8 100,0% 0 0,0% 8
Nessas empresas é realizado o planejamento financeiro de médio e curto prazo e os gestores entendem a administração do capital de giro como sendo a gestão dos ativos e passivos circulantes.
As pequenas empresas moveleiras catarinenses possuem política de capital de giro, porém, não analisam o período do ciclo operacional e nem o período do ciclo de caixa, dois importantes conceitos diretamente relacionados à gestão do capital de giro. Predomina entre os gestores a análise dos indicadores de liquidez.
Além disso, nessas empresas não ocorre a análise do valor do ativo circulante operacional, nem do passivo circulante operacional. Entretanto, os gestores dizem analisar a necessidade de investimento em capital de giro, o que mostra a incompreensão desse conceito tão importante para a minimização das necessidades de financiamento externos do giro, ou então, a análise da necessidade de maneira empírica.
Nessas empresas há política de disponibilidades, ou seja, caixa, bancos e aplicações financeiras de curto prazo. A técnica conhecida e utilizada para determinar o nível de caixa é o Caixa Mínimo Operacional e o Fluxo de Caixa. Porém, desconhecem e, consequentemente, não utilizam o modelo de Baumol, o modelo de Miller e Orr e o modelo do Dia da Semana.
No que tange os indicadores de caixa, os gestores analisam o giro de caixa e não analisam o custo de oportunidade desse tipo de investimento, o que é uma importante informação na hora de decidir o nível de caixa.
Entretanto, essas empresas apresentam um resultado relativamente positivo da gestão das disponibilidades, ou seja, quase nunca há falta de caixa e quase nunca há excesso de caixa.
Quanto ao crédito e cobrança, os gestores disseram possuir tal política. Para gestão dessa conta, conhecem e utilizam a análise do prazo de crédito concedido, não conhecem e não utilizam os 5 C‟s do crédito, conhecem, mas não utilizam a análise do limite de crédito concedido, conhecem, mas não utilizam a análise do impacto dos descontos concedidos e, por fim, dividiram-se entre os que conhecem e utilizam a definição dos parâmetros de cobrança e os que conhecem, mas não utilizam. Lembrando que todos esses itens fazem parte da definição de uma política de crédito.
No que tange os indicadores analisados na concessão de crédito, os gestores analisam o período médio de recebimento das vendas, não analisam a idade dos valores a receber, analisam o saldo médio em valores a receber, não analisam o giro dos valores a receber,
analisam o índice de inadimplência e não analisam o custo de oportunidade em valores a receber.
O resultado da gestão dessa conta é o seguinte: quase nunca o índice de inadimplência é alto e às vezes o investimento em valores a receber prejudica a liquidez da empresa. Esses resultados poderiam ser melhores se as técnicas e indicadores citados acima fossem de domínio dos gestores e utilizados.
Nessas empresas também há política de estoques e, quanto às técnicas de gestão desse item, predominou a seguinte situação: conhecem, mas não utilizam a curva ABC, conhecem, mas não utilizam o Lote Econômico de Compra, conhecem e utilizam o estoque de segurança, não conhecem e não utilizam o MRP II, não conhecem e não utilizam o OPT e conhecem, mas não utilizam o sistema just in time.
Para a gestão da conta menos líquida do ativo circulante, ou seja, os estoques, os gestores declararam que: não analisam o custo de estocagem, não analisam o período médio de estocagem, não analisam o giro dos estoques, não analisam o retorno sobre o investimento em estoques e não analisam o custo de oportunidade do investimento em estoques. Isso significa que, de todos os indicadores dispostos na teoria para acompanhamento dos estoques, os gestores dessas pequenas empresas não analisam nenhum deles.
O resultado dessa gestão é relativamente positivo, isto é, quase nunca há falta de estoques, quase nunca há excesso de estoques e quase nunca o investimento em estoques prejudica a liquidez da empresa.
A fim de mensurar a utilização do ferramental teórico, elaborou-se um sistema de pontuação para: políticas, técnicas, indicadores e resultados obtidos da gestão. Serão levadas em considerações as respostas da maioria dos gestores. O grau de conhecimento e aplicação do ferramental teórico da administração financeira, será considerado da seguinte forma:
0,0 a 2,0 – péssimo
2,1 a 4,0 – ruim
4,01 a 6,0 – regular
6,1 a 8,0 – bom
8,01 a 10,0 - ótimo
Para as políticas, atribuiu-se 2 pontos se possuem, 1 ponto se não possuem e 0 ponto para não se aplica, uma vez que todas as empresas industriais, com fins lucrativos, precisam
de política de capital de giro. Também será atribuído 0 ponto caso a resposta predominante esteja em conflito com outra resposta. Dessa forma, tem-se:
Possuem política de capital de giro, mas possuem inconsistências na política de crédito – 0 ponto
Possuem política de disponibilidades - 2 pontos
Possuem política de crédito e cobrança, mas não analisam os 5 C‟s do crédito, nem o limite de crédito concedido – 0 ponto
Possuem política de estoques – 2 pontos
Somam-se, então, 4 pontos de um total de 8. Em uma escala de 0 a 10, a nota das políticas seria 5,0. Portanto, quanto às políticas, o grau de conhecimento e aplicação do ferramental teórico foi considerado regular.
Para as técnicas, atribui-se 2 pontos para “conheço e utilizo”, 1 ponto para “conheço, mas não utilizo”, e 0 ponto para “não conheço e não utilizo”. Também será atribuído 0 ponto caso a resposta predominante esteja em conflito com outra resposta. Dessa forma, tem-se:
Conhecem e utilizam o caixa mínimo operacional, mas não analisam o período do ciclo de caixa – 0 ponto
Não conhecem e não utilizam o modelo de Baumol – 0 ponto
Não conhecem e não utilizam o modelo de Miller Orr – 0 ponto
Não conhecem e não utilizam o modelo do Dia da Semana – 0 ponto
Conhecem e utilizam o Fluxo de Caixa – 2 pontos
Conhecem e utilizam o prazo de crédito concedido – 2 pontos
Não conhecem e não analisam os 5 C‟s do crédito – 0 ponto
Conhecem, mas não analisam o limite de crédito concedido – 1 ponto
Conhecem, mas não analisam o impacto dos descontos concedidos – 1 ponto
Conhecem e metade utiliza, metade não utiliza a definição dos parâmetros de cobrança – 1,5 ponto
Conhecem, mas não utilizam a classificação da curva ABC – 1 ponto
Conhecem, mas não utilizam o Lote Econômico de Compras – 1 ponto
Conhecem e utilizam o Estoque de Segurança – 2 pontos
Não conhecem e não utilizam o MRP II – 0 ponto
Não conhecem e não utilizam o OPT – 0 ponto
Somam-se, então, 12,5 pontos de um total de 32 pontos. Em uma escala de 0 a 10, a nota das técnicas seria 3,9. Portanto, quanto às técnicas, o grau de conhecimento e aplicação do ferramental teórico foi considerado ruim.
Para os indicadores, atribui-se 1 ponto para “analiso” e 0 ponto para “não analiso”. Também será atribuído 0 ponto caso a resposta predominante esteja em conflito com outra resposta. Dessa forma, tem-se:
Não analisam o período do ciclo operacional – 0 ponto
Não analisam o período do ciclo de caixa – 0 ponto
Analisam os indicadores de liquidez – 1 ponto
Não analisam o valor do ativo circulante operacional – 0 ponto
Não analisam o passivo circulante operacional – 0 ponto
Analisam a necessidade de investimento em capital de giro, mas não analisam o Ativo Circulante e Passivo Circulante Operacional – 0 ponto
Analisam o giro de caixa, mas não analisam o período do ciclo de caixa – 0 ponto
Não analisam o custo de oportunidade do dinheiro do caixa – 0 ponto
Analisam o prazo médio de recebimento das vendas – 1 ponto
Não analisam a idade dos valores a receber – 0 ponto
Analisam o saldo médio em valores a receber, mas não analisam o giro dos valores a receber – 0 ponto
Analisam o índice de inadimplência – 1 ponto
Não analisam o custo de oportunidade dos valores a receber – 0 ponto
Não analisam o custo de estocagem – 0 ponto
Não analisam o período médio de estocagem – 0 ponto
Não analisam o giro dos estoques – 0 ponto
Não analisam o retorno sobre os investimentos em estoques – 0 ponto
Não analisam o custo de oportunidade do investimento em estoque – 0 ponto Somam-se, então, 3 pontos de um total de 18 pontos. Em uma escala de 0 a 10, a nota da análise dos indicadores seria 1,7. Portanto, quanto à análise dos indicadores, o grau de conhecimento e aplicação do ferramental teórico foi considerado péssimo.
Para os resultados da gestão, atribui-se 3 pontos para “nunca”, 2 pontos para “quase nunca”, 1 ponto para “as vezes” e 0 ponto para “frequentemente”. Dessa forma, tem-se:
Quase nunca há excesso de caixa – 2 pontos
Quase nunca o índice de inadimplência é alto – 2 pontos
Quase nunca o investimento em valores a receber prejudica a liquidez da empresa – 2 pontos
Quase nunca há falta de estoque – 2 pontos
Quase nunca há excesso de estoque – 2 pontos
Quase nunca o investimento em estoque prejudica a liquidez – 2 pontos
Somam-se, então, 14 pontos de um total de 21 pontos, considerado o ideal. Em uma escala de 0 a 10, a nota dos resultados obtidos da gestão do capital de giro seria 6,7. O resultado da gestão financeira do capital de giro é considerado regular.
Avaliando o geral, a pontuação atinge 19,5 pontos de um total de 58 pontos (sem considerar a pontuação dos resultados obtidos), tidos como ideal do ponto de vista teórico. Em uma escala de 0 a 10, a nota geral dos gestores financeiros seria 3,4 pontos. Portanto, quanto às políticas, técnicas, indicadores e resultados obtidos, o grau de conhecimento e aplicação do ferramental teórico foi considerado ruim.
Em seguida, para os gestores que, predominantemente, não utilizam as ferramentas teóricas da gestão do capital de giro, perguntou-se sobre os principais motivos dessa não utilização. As respostas podem ser conferidas abaixo.
Comentário 1: “Falta de tempo, de disposição pessoal, de reciclagem do conteúdo. E confiança no bom desempenho histórico da organização”.
Comentário 2: “Somos uma empresa de pequeno porte (100 funcionários), onde algumas atividades e controles acontecem de maneira informal, o que dificulta a coleta de informações precisas para gerar indicadores confiáveis. O fato de sermos uma empresa de pequeno porte, inviabiliza os investimentos necessários em softwares complexos e de manutenção cara para gerar informações detalhadas. A empresa possui, entretanto, software específico para controle e gestão de todo o processo produtivo”.
Comentário 3: “Pelo tamanho do negócio e pela situação difícil na qual ela se encontra, o gestor não vê necessidade de implementar”.
Comentário 4: “A Empresa é familiar os proprietários acompanham diariamente a parte financeira da empresa, por isso a empresa não utiliza estas técnicas administrativas”.
Comentário 5: “A empresa precisa estar mais bem organizada administrativamente para atingir este perfil. Como é uma empresa onde as necessidades são maiores do que a sua
capacidade financeira atual, alguns processos acabam ficando para segundo plano. A empresa também possui muitas atividades geridas de forma não profissional, o que prejudica a capacidade administrativa assim como não proporciona uma visão clara dos seus objetivos. Resumindo, é uma empresa com sérias dificuldades financeiras, porém com um produto com muita qualidade e diferenciado no mercado. Até o momento, o produto esta conseguindo sobressair à capacidade organizacional da empresa”.
Comentário 6: “Respondi poucas das questões abaixo, porque a nossa empresa tem apenas 40 funcionários e é administrada por mim e meu sócio. Compramos poucos itens e a vista e só atendemos clientes de primeira linha. Não temos acesso a crédito junto a bancos devidos problemas no passado. Temos as planilhas de controle que nos dão uma visão simples e objetiva dos nossos resultados.”
Comentário 7: “Possuímos sistemas de gestão, controle, estoques, orçamentos e projetos próprios que, por vezes, se assemelham a algumas das técnicas supra descritas. Por sermos empresa „EPP‟ e termos o controle absoluto do percentual de crescimento que desejamos, não nos valemos de nada sofisticado ou " importado" que, aliás e sob nossa visão, na maioria das vezes são extremamente chatos, cheios de meandros e salamaleques necessitando de diversas pessoas para preenchimentos, análises, controle etc. e que, para o bom resultado final, não levam a absolutamente nada.”
Comentário 8: “Estamos falando de empresa de pequeno porte, onde a estrutura muitas vezes não permite termos gente e tempo disponível para fazer uma administração financeira de acordo com as teorias ensinadas numa faculdade. Deveria ter uma pessoa só para isso, e infelizmente nas empresas de pequeno porte temos que fazer várias funções ao mesmo tempo. Exemplo: nossa empresa: é administrada por três pessoas (escritório) que fazem: atendimento (interno e externo), vendas, compras, projetos (desenhos), custos, caixa, bancos, acompanhamento produção, qualidade, prazo de entrega, cobranças, viagens, etc., como disse anteriormente bom seria ter uma pessoa para cada área (função), mas ai já não seria mais uma empresa de pequeno porte. Todas informações, técnicas e conhecimentos são bem vindos, caso queira conhecer nossa empresa (EPP) para fazer uma análise e uma avaliação de como funciona, o convite está feito.”
Comentário 9: “Falta de domínio das ferramentas e sua não implantação deve-se também a estrutura reduzida do empreendimento”.
Comentário 10: “Conclui o curso de graduação em Administração no segundo semestre de 2009. Assim, o embasamento teórico relativo aos tópicos acima foi insuficiente.
Pretendo, a partir do segundo semestre de 2010, cursar uma pós-graduação na área para qualificar-me”.
Comentário 11: “A diretoria não disponibilizou um profissional para cuidar especificamente dessa área”.
Comentário 12: “Empresa de pequeno porte, os controles são pessoais”.
Comentário 13: “Por se tratar de uma empresa de pequeno porte, não sentimos a necessidade da utilização de técnicas sofisticadas, já que o processo é simples. Além disso, a falta de tempo não permite que tenhamos uma profissionalização dessa área. E também considero um fator importante a falta de conhecimento dessas ferramentas, dos indicadores que vocês listou”.
“Falta de tempo e domínio dessas técnicas”.
Analisando os comentários efetuados pelos gestores financeiros quanto aos motivos da não utilização do ferramental teórico disponibilizado para gestão do capital de giro, conclui-se que os principais motivos são:
a) em seis discursos foi possível detectar a idéia de que pequenas empresas, por seu porte e necessidades, não precisam das técnicas e análises disponíveis na literatura, ficando em primeiro lugar no ranking dos motivos;
b) em cinco discursos foi possível perceber a consciência da falta de conhecimento do instrumental para gestão do capital de giro, ocupando o segundo lugar no ranking dos motivos da não utilização;
c) os próximos motivos analisados, encontrados em quatro discursos cada foram: a falta de pessoas para realização dessa atividade e a falta de tempo das pessoas encarregadas de tal gestão, por realizarem outras atividades, portanto, esses motivos ocupam o terceiro lugar no ranking;
d) em quarto lugar, identificados em dois discursos foi o mau desempenho financeiro da empresa, impossibilitando investimentos nessa atividade; e
e) em quinto lugar, encontrados em dois discursos, os motivos foram: o bom desempenho da empresa e, consequentemente, não sendo necessária a utilização de técnicas e análises sofisticadas e; as técnicas e análises não contribuírem para a gestão.
Para os que utilizam o arsenal teórico para gerir o capital de giro, perguntou-se sobre as maiores dificuldades encontradas nesse processo. As respostas pode ser conferidas abaixo.
Comentário 1: “Somos uma empresa voltada exclusivamente para o mercado externo, cujas vendas são feitas através de Agentes de Exportação. A seletividade dos clientes é feita de forma criteriosa, a fim de preservar a liquidez de 100% e inadimplência zero. O cronograma de produção é feito com base nos pedidos de produtos previamente definidos, não restando, portanto, estoque final de produtos acabados. O estoque de insumos, igualmente, é insignificante, considerando que as compras são realizadas conforme necessidade do processo produtivo, caracterizando um just in time informal. O pequeno número de Notas Fiscais de saída (10 conteineres por mês) facilita os controles financeiros, que são realizados de forma segura e eficiente, através de planilhas. A necessidade de capital de giro externo (financiamentos) é motivada basicamente por fatores externos (defasagem cambial), cujo custo é relativamente baixo e compatível com a atividade exportadora. Portanto, considerando o porte e as peculiaridades da empresa, não encontramos dificuldades para gerir o capital de giro da mesma, no dia-a-dia. Cabe salientar finalmente que, muitas coisas são administradas de forma informal, sem a necessidade de controles específicos, pois o pequeno porte da empresa facilita a visualização do todo.”
Comentário 2: “Adequar a realidade, pois grande parte das ferramentas exige um nível de informação difícil de alcançar em empresas de pequeno e médio porte”.
Comentário 3: “Não encontro muitas dificuldades”.
Comentário 4: “Acompanhar todos os critérios, medi-los, compará-los, pois geralmente a pessoa agrega mais que uma função na empresa e as rotinas do dia-a-dia são inadiáveis, como pagamentos e cobranças dos clientes, para que o ciclo não fique comprometido, e aí muitas vezes deixa-se de lado algumas dessas ferramentas que são muito importantes”.
Comentário 5: “Há algo que sempre falo, o contas à pagar depende do contas à receber, porém esse é certo, enquanto o recebimento é variável. O que muitas vezes dificulta uma programação criteriosa do financeiro como um todo. Porém se trabalha com programação à médio e curto prazo no caso da nossa empresa”.
Comentário 6: “As maiores dificuldades são em relação à adequação das teorias financeiras com a realidade das pequenas empresas, principalmente as brasileiras que se encontram em um mercado diferenciado dos trazidos pelos livros americanos”.
Analisando os comentários efetuados pelos gestores financeiros quanto às dificuldades encontradas na implantação do ferramental teórico disponibilizado para gestão do capital de giro, conclui-se que as principais são:
a) em primeiro lugar, identificados em dois discursos, a dificuldade é adequar o ferramental teórico à realidade das empresas;
b) em segundo lugar, encontrados em um discurso cada, as dificuldades são: incertezas do mercado para o planejamento e sobrecarga de trabalho dos responsáveis pela gestão;
c) além disso, em dois discursos foi possível identificar a falta de dificuldades na implantação das técnicas e análises financeiras.
Após a apresentação dos resultados encontrados no que tange as práticas de gestão de capital de giro encontradas nas pequenas empresas moveleiras do Estado de Santa Catarina, o próximo capítulo trará as considerações finais da autora.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As decisões financeiras estão calcadas em diversos pressupostos que dão toda a sustentação a seus enunciados e modelos. São observadas grandes preocupações em discutir o relaxamento desses pressupostos e seus reflexos sobre a administração financeira. É considerável o avanço que vem sendo feito nesse sentido, permitindo maior proximidade entre a teoria financeira e a realidade do mercado e das empresas.
Todavia, a preocupação em economias em processo de desenvolvimento, cujas características básicas são, em grande parte, bastante semelhantes entre si, ainda não têm merecido idêntica atenção. A teoria de finanças discutida incorpora preferencialmente seus pressupostos originais, sem atribuir maior preocupação a desequilíbrios estruturais de mercado bastante comuns em países em desenvolvimento. Taxas de juros subsidiadas, taxas de juros de curto prazo mais elevadas que as de longo prazo, carência de recursos de longo prazo para investimentos, elevado grau de concentração industrial, entre outros aspectos, constituem-se em realidades dessas economias, direcionamento o conjunto das decisões financeiras para um contexto de variáveis diferenciadas e de forte influência sobre os resultados. Efetivamente, não é somente a inflação que altera a consistência original da teoria financeira. Os aspectos relacionados em breves exemplos encontram-se estruturalmente presentes como em economias com taxas de inflação relativamente sob controle (ASSAF NETO, 2003).
É uma situação de desequilíbrio das regras de mercado, a qual requer, para o desenvolvimento das empresas e da própria aplicação prática da teoria de finanças corporativas, maior atenção na elaboração dos modelos identificados com essa realidade.
E, nesse ambiente de desajustes, desequilíbrios e incertezas que o gestor encara um dos maiores desafios: compreender o contexto para adaptar as ferramentas de gestão a fim de administrar sua empresa com método e planejamento coerentes com o objetivo organizacional. Isso porque não há gestão sem método!
No caso da gestão financeira, especificamente do capital de giro, concorda-se com Assaf Neto e Silva (2002) quando dizem que a qualidade das decisões que envolvem o capital de giro é dependente da capacidade analítica do administrador para compreender o problema e toda sua extensão, e do conhecimento técnico para definir a melhor solução.
Principalmente nas micro e pequenas empresa, que representam 96% das indústrias brasileiras, uma vez que essas têm um papel importantíssimo na geração de emprego, renda e
do produto interno bruto do país, os gestores precisam estar capacitados ao exercício da profissão, conhecendo o mercado, as influencias do ambiente externo e, não menos