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IV. Méthodologie

7. Suivi des participants

7.2 La surveillance active

Não poderia faltar neste relato uma abordagem sobre a experiên- cia profunda e mística proporcionada pelos encontros presenciais. Para isso, acrescentamos ao leque de material simbólico-pedagógico, outros elementos importantes, como as dinâmicas e seus círculos, a música, o auto-retrato, o mapeamento e o histórico dos municípios envolvidos.

A música

Era rotina do grupo usar a música, tanto ouvida, quanto tocada e cantada pelo próprio grupo, nos encontros presenciais, nas viagens de um lugar a outro, nos pernoites... Violão e pandeiro, especialmente, faziam parte

do cenário e animavam encontros musicais nos intervalos das atividades, na chegada das delegações municipais, no encerramento e nas despedidas.

A música também era uma forma de fazer a necessária mistura entre a razão e a emoção, a palavra falada e a poesia, o saber acadêmico e o po- pular. A escuta pedagógica entre as diversas racionalidades era uma tentativa constante e difícil de superação da razão tecnicista. Fez parte do processo educativo propiciar o desenvolvimento da razão sensível, fundamento último da “Ética do Cuidado”.

“Terra Tombada”, de Chitaõzinho e Xororó, quando cantada em gru- po, era uma tentativa de evocar o necessário reconhecimento da generosida- de, dos agrados e da beleza da terra, que por sua vez, requeria, como con- trapartida, o desafio ético de cuidá-la. Junto com o canto, dialogava-se sobre o compromisso com a rotatividade da cultura, com o cuidado dos rios, com a adoção da agroecologia, com a defesa dos parques, das reservas legais...

Plantava-se a semente no chão e o amor no coração: ambas as semen- tes de uma nova forma de ser e viver. Muito além da aquisição de conteúdos,

a formação proposta pelo FEA compromete-se com a mudança do ser, do interior das pessoas, dos seus valores, da sua forma de sentir, de relacionar- se, de produzir e de consumir. “Terra tombada, solo sagrado, chão quente, esperando que a semente, venha lhe cobrir de flor. Também minh’alma, an- siosa, espera confiante, que em meu peito você plante a semente do amor”. A educação para a “Ética do Cuidado” planta a generosidade, o cuidado, a defesa da vida.

Com Guilherme Arantes cantamos “Planeta Água” em homenagem à abundância de água na região. Generosamente, a água mata a sede, irriga as plantas, assegura o frescor, banha as crianças... Água das gotas de chuva, que se misturam ao gesto cuidadoso de quem sabe sentir a benevolência da natureza e o milagre da vida a cada manhã. Todas as mesmas águas, que brotam e voltam profundas para a terra e para dentro de nós mesmos como fonte renovadora da vida. Os comentários que se seguiam ao canto evidenciavam a árdua e urgente tarefa que cada pessoa tem de cuidar das águas e de empenhar-se na implementação de políticas públicas de caráter socioambiental.

O sabor sertanejo de “Planeta Azul”, cantada por Chitãozinho e Xo- roró, lembrava o mal que se tem feito à Terra e à biodiversidade nela existen- te. “A vida e a natureza sempre à mercê da poluição. Se invertem as estações do ano, faz calor no inverno e frio no verão. Os peixes morrendo nos rios, estão se extinguindo espécies de animais. E tudo o que se planta colhe, o tempo retribui o mal que a gente faz”. A pergunta silenciosa ainda sem res- posta: “O que será deste planeta azul?” era motivo de conversa sobre o que será.... Aqui, nesse “pedaço” do Planeta?

A pergunta em aberto, a sensibilização e a auto-avaliação proporcio- nada por Guilherme Arantes trazia a lembrança de Ivan Lins: “Depende de nós”, daqueles e daquelas que têm esperança, que acreditam na sobrevivên- cia do mundo e se empenham em cuidá-lo. A mesma mensagem lembravam as crianças cantando “Terra Azul”: “Terra Azul, vou fazer a minha parte, preservando a sua cor... Terra Azul, meu planeta colorido, vou lhe dar bem mais amor”.

Com Mercedes Sosa, através da música “Solo le pido a Dios”, o grupo ensaiava a sua resposta mais contundente: que a dor, a injustiça, a guerra... não nos sejam indiferentes e que a morte, um dia, não nos acuse de não

termos feito o que nos coube. A consciência do tamanho e da complexidade do compromisso assumido conduzia a um humilde pedido: “Deus nos ajude nesta tarefa e nesta decisão”.

As dinâmicas e seus círculos

No mesmo contexto e objetivo das músicas estavam as dinâmicas de acolhimento, de integração, de despedida, de celebração. Movimentos corpóreos e circulares, comprometidos com o rompimento da linearidade e da hierarquia. As dinâmicas reclamavam proximidade: dos corpos, das experi- ências, dos desejos... Faziam rir e chorar, convidavam para a espontaneidade e para a sutileza, recolhendo do íntimo as palavras querendo ser ditas, mas podadas pela sociedade, porque evocam a crença na vida e na necessária re- beldia que a “Ética do Cuidado” e a cultura da sustentabilidade requerem.

Algumas proporcionavam a calma, o silêncio necessário à concen- tração dos momentos presenciais. Outras remetiam à necessidade dos saltos epistemológicos, conceituais, utópicos, metodológicos. Remetiam também a lugares longínquos, ao passado, e convidavam a viver o presente de forma

intensa e amorosa. Despertavam para receber o amanhã, imaginado como um mundo pacífico e sustentável.

As dinâmicas escolhidas tinham como finalidade última conectar a todos num vasto cosmos, na fonte originária de tudo, na experiência fun- dante de tudo e de todos, fazendo acreditar na vida, no amor, nas pessoas, como condição essencial para as mudanças que o momento atual do mundo conclama.

Tais dinâmicas foram pensadas para romper com a visão de que o fazer político depende de debates, que em geral degeneram em embates e discussões. As ferramentas para a construção de uma cultura de paz são ou- tras: o diálogo, o saber ouvir o dito e o não dito, o desapego a estereótipos, o resgate da leveza e da disponibilidade infantil para brincar e fluir com a vida.

Auto-retrato

Quem são os educadores e as educadoras ambientais que participam do FEA? Quais as suas experiências em Educação Ambiental? Que desejos ocultos e explícitos estão por trás da disposição de participarem da formação? Como, afinal, vai se formando a consciência ambiental e a identidade de um

educador e de uma educadora ambiental? Que tipo de Educação Ambiental o FEA propõe? Seria a de cunho conteudista, no sentido bancário, como nos lembra Paulo Freire? Ou estaria alicerçada numa compreensão mais ampla e complexa de educação, que não exclui a importância da apropriação dos conteúdos, mas que parte do autoconhecimento e do reconhecimento do meio em que se vive? A participação no FEA muda a visão de mundo e o compromisso com a sustentabilidade?

Essas foram algumas perguntas presentes na origem da elaboração do auto-retrato realizado no início do processo de formação. O auto-retrato permitiu a cada pessoa auto-avaliar a sua experiência em Educação Ambien- tal, evidenciando os seus desejos, sua práxis, seus conhecimentos e sua ex- pectativa em relação ao processo FEA.

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