Como já referimos, para além dos inquéritos por questionário que realizámos em Novembro, foi fundamental para nós, realizar um inquérito por questionário em Maio, já numa fase final do Projecto de Intervenção.
Este inquérito por questionário foi realizado a 11 de Maio de 2005, consistia em quatro questões, eram elas:
• O que é uma Língua Oficial?
• O que é uma Língua Materna? Qual é a tua?
• De que línguas já ouviram falar?
Seguidamente, faremos uma análise individualizada das respostas dadas a cada questão e sempre que possível faremos uma análise contrastiva com as respostas dadas a questões semelhantes no inquérito por questionário realizado em Novembro de 2004.
Da análise das respostas dadas pelos 17 alunos, à questão O que é uma Língua Oficial?, apenas 9 alunos responderam correctamente à questão
formulada ou deram uma resposta que evidenciava a compreensão do conceito. Entre as respostas dadas pelos alunos quatro revelaram confundir o conceito de Língua Oficial com o conceito de Língua Franca. Tratando-se de conceitos complexos, consideramos já muito positivo que 9 dos 17 alunos que responderam à questão tenham compreendido o sentido do conceito. De acordo com a nossa opinião esses alunos enriqueceram a sua cultura linguística porque dominam um
conceito que no contexto das línguas é fundamental.
Outra questão que fazia parte deste questionário era O que é uma Língua Materna? Qual é a tua?, da análise das respostas dadas pelos 17 alunos,
apenas 8 alunos mostraram conhecer o conceito de Língua Materna. Entre as respostas dadas por estes alunos destacamos, “é a Língua mãe do país”, “é a língua que temos quando nascemos” e ainda “é a língua que os nossos pais nos ensinam”. Importa, contudo, referir que uma análise mais aprofundada das
respostas nos permite afirmar que apenas 8 alunos tenham sabido explicar o que é uma Língua Materna, tal não significa que não compreendam o conceito, pois na sub-questão que perguntava qual a Língua Materna dos alunos, obtivemos como resultado o total de 12 alunos que responderam correctamente à questão, tendo assim referido que a sua Língua Materna é o Português. Parece-nos, portanto, poder afirmar que a complexidade dos conceitos, e talvez a complexidade das questões, tenha dificultado a resposta às mesmas. A verbalização de certas realidades ou conceitos torna-se ainda difícil para alunos neste nível de ensino, os quais, revelam muitas vezes dificuldades em verbalizar
realidades que conhecem mas que não sabem conceptualizar.
Questionados, em Maio, acerca das línguas de que já ouviram falar, De que línguas já ouviram falar?, os alunos responderam um total de 33 Línguas
diferentes, foram referidas mais 15 línguas diferentes em relação ao questionário administrado em Novembro. Da análise das respostas a esta questão, pudemos verificar que os alunos continuam a referenciar mais vezes o Francês, o Inglês, o Espanhol e o Chinês. De registo, talvez seja o facto de três alunos referenciarem uma língua minoritária, o Mirandês, algo que não tinham feito em Novembro.
Línguas de que já ouviste falar (Maio 2005)
1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 3 4 4 5 6 6 7 7 8 10 13 15 0 2 4 6 8 10 12 14 16 Africano Angolano Belga Grego Húngaro Luxemburguês Islâmico Japonês Polaco Australiano Dinamarquês Finlandês Holandês Irlandês Maltês Romeno Mirandês Castelhano Russo Ucraniano Árabe Italiano Alemão Iraquiano Chinês Espanhol Inglês Francês
Comparando os dados deste inquérito com os dados do inquérito de Novembro, verificamos que os alunos fizeram na sua totalidade 111 referências a línguas, contra 85 referências no inquérito de Novembro, sendo que cada aluno fez em média referência a sete línguas. Há, portanto, um sinal de que os alunos conhecem mais línguas, apesar de o número de línguas referido não ser particularmente surpreendente ou significativo.
O que nos parece mais significativo não é tanto a quantidade de línguas referidas, mas antes a diversidade das mesmas. Uma análise comparativa com o inquérito de Novembro permite-nos afirmar que os alunos não referiram apenas mais línguas, mas referiram línguas pertencentes a países mais distantes, referiram línguas minoritárias (Mirandês), referiram mais línguas de estados- membros da União Europeia (Húngaro, Maltês, Polaco, Dinamarquês, entre outras) e referiram mais línguas faladas fora da Europa (Angola).
Em suma, parece-nos que a maioria dos alunos evidenciou ter uma maior consciência da diversidade linguística existente, tendo assim, desenvolvido a sua
cultura linguística.
Questionados acerca das línguas que têm vontade de aprender, Das línguas que conheces, qual tens mais vontade de aprender?, os alunos
responderam um total de 9 línguas diferentes. Os alunos responderam que gostariam de aprender um total de 9 línguas diferentes, entre elas destacamos o Francês (9) e o Inglês (8). Registe-se que, de todas as línguas enunciadas, todas são línguas faladas na Europa, com excepção do “brasileiro” e mesmo esta “língua”, Português variante brasileira, tem origem naquele continente. Verifica-se, que mesmo depois de sensibilizados para a diversidade linguística europeia, os alunos insistem em referenciar o Francês e o Inglês como as línguas que gostariam de aprender. Para além de não manifestarem vontade de aprender línguas diversas, outro facto que consideramos digno de registo é o facto de
nenhum aluno sentir vontade de aprender uma língua regional ou minoritária.
Das línguas que conheces, qual tens mais vontade de aprender?
4 2 1 9 1 8 1 3 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Alemão Brasileiro Castelhano Francês Húngaro Inglês Irlandês Italiano Ucraniano
Gráfico 14 - Línguas que gostariam de aprender
Como já foi dito, são o Francês, o Inglês e o Alemão, as línguas que os alunos mais têm vontade de aprender. Parece-nos, portanto, que a aprendizagem de uma língua continua muito associada a uma visão utilitária, aprende-se uma língua com uma finalidade extrínseca à língua e não pela língua em si. Parece- nos que os alunos escolheram as línguas que em termos profissionais lhes podem, de acordo com a sua opinião, ser mais útil.