Perguntamos aos professores que participaram da construção do currículo se consideram importante trabalhar os mapas conceituais com os conteúdos de sua disciplina e com seus alunos da Licenciatura. Todos os entrevistados disseram já ter utilizado os mapas conceituais nas disciplinas que lecionam e consideram uma ferramenta importante para a aprendizagem dos
seus alunos. Constatamos nas falas dos professores que o satisfatório resultado da experiência com os mapas conceituais na construção do currículo induziu uma alteração metodológica na sua prática. Muitos que ainda não conheciam passaram a aplicá-los junto aos seus alunos. Para o professor B, o mapa conceitual pode ser aplicado não só em uma disciplina, mas em várias
“O mapa conceitual explicita quanto o conhecimento não é compartimentalizado, porque explicita as relações, então não serve para uma disciplina em especial, serve para qualquer tipo de disciplina que você queira aplicar”. Outro professor fala da experiência na utilização de mapas conceituais
em sua disciplina: “Eu acho uma ferramenta interessante para avaliar o
entendimento de um texto, por exemplo, porque nenhum mapa sai igual ao outro, alguns demonstram o não entendimento do texto, outros conseguem apresentar aqueles pontos marcados do texto”. (Professor E).
Mendes (2004) argumenta que a utilização de organizadores gráficos para a distribuição de conceitos das diferentes disciplinas proporciona uma visão de totalidade da estrutura curricular (uma relação entre as partes e o todo). E prossegue destacando que essa visão geral possibilita comparações e localizações de conceitos interdisciplinares, por meio da definição dos conceitos mais específicos de sua área científica e aqueles que podem/devem ser trabalhados de forma interdisciplinar. Neste sentido questionamos aos professores que participaram da construção do currículo se o uso dos mapas conceituais proporcionou uma visão de totalidade quanto à estrutura curricular, isto é, auxiliou a construção de um currículo mais integrado. Dois professores concordam que os mapas conceituais auxiliaram neste aspecto, como refere o professor F: “Com certeza, os mapas conceituais foram úteis para visualizar a
macro-estrutura do curso e principalmente, as relações existentes entre os saberes das unidades curriculares”, e o professor E: “Eu acho que pode, inclusive, eu acho que é isso que eles conseguem fazer, ele dá um visão geral, mas os detalhes ele não consegue captar (...) os mapas funcionam mais como um exercício de síntese, de enxugamento, de entender as questões gerais”.
Na expressão de outros dois professores entrevistados, na organização da matriz curricular integrativa não foi utilizado mapa conceitual, mas sim organogramas, fluxogramas. E justificam essa opção:
Você está se referindo aquele uso do mapa conceitual lá no início? Bom, aquilo ali não é um mapa conceitual. Aquilo é um fluxograma. Porque mapa conceitual tem três coisas muito importantes que tu tem que analisar: primeiro, ele é mapa de conceitos e ali não tem só conceitos, tem de tudo. Segundo, tem que avaliar a hierarquia dos conceitos, um mapa conceitual tem que ser hierarquizado, tem que estar claro quais os conceitos mais importantes e ali não tem hierarquia nenhuma e a terceira, a ligação dos conceitos, tem trabalhos que dizem que em média cada conceito tem que estar ligado a outros três e lá de forma alguma, então aquilo não é uma mapa conceitual, é um fluxograma. O mapa conceitual mesmo que ele não seja um mapa conceitual conceitualmente se ele for tratado como fluxograma ele já ajuda porque ele dá a ideia geral. Mapa conceitual é um conceito. Então temos que respeitar o que é conceito. Tu não pode chamar um fluxograma de mapa conceitual, mas fluxogramas funcionam muito bem. (PROFESSOR B)
Aqui no nosso caso, não foi esta a estratégia, ele foi utilizado praticamente como um organograma que evoluiu em função do conjunto, mas que sem dúvida nenhuma, mesmo tendo uma relação simples de organograma, ele ainda facilitou muito a visualização e este é um dos pontos fundamentais. (...) mas uma visão de totalidade nunca, ele organizou os caminhos que nós poderíamos utilizar para adquirir uma dada finalidade, mas no dia a dia é que a gente ia começando a trabalhar. (PROFESSOR A)
Os mapas conceituais são muitas vezes confundidos com organogramas ou fluxogramas devido a sua forma visual. No entanto, ressalta-se que os mapas conceituais caracterizam–se pela representação de relações significativas entre conceitos e exigem três elementos fundamentais: o conceito, a proposição e as palavras de ligação. Neste sentido, a análise dos mapas dos conteúdos do curso, faz com que, concordemos com a opinião dos professores quando afirmam que faltam elementos fundamentais característicos de um mapa conceitual naqueles construídos na proposta de currículo integrado.
Perguntamos aos professores que não participaram da construção do currículo “integrado” se conheciam o desenho do curso elaborado com auxílio e na forma de mapas conceituais. Os quatro professores entrevistados responderam que haviam visualizado e conheciam a proposta. Questionamos então a todos os professores se esta visualização possibilitava comparações e conexões entre conceitos, isto é, permitia estabelecer vínculos integrativos e multidisciplinares. A maioria dos entrevistados considera que sim, que os
mapas conceituais permitem uma ligação maior do que numa proposta convencional de matriz curricular, como podemos perceber nas falas que seguem: “Com certeza, os mapas conceituais foram úteis para visualizar a
macroestrutura do curso e principalmente, as relações existentes entre os saberes das unidades curriculares” (PROFESSOR F) e “o mapa consegue apresentar, possibilitar isso, ele foi útil para pensar a proposta do curso, facilitou o entendimento de ideias de um currículo integrado”. (PROFESSOR E)
O uso de mapas conceituais no processo de construção do currículo da Licenciatura foi considerado inovador para os professores participantes. Como forma de avaliar esta experiência, perguntamos aos professores se o uso de mapas conceituais havia sido válido. Para a maior parte dos entrevistados a experiência foi exitosa. Apontam, inclusive, os benefícios dos mapas conceituais neste processo, tais como: trabalhar com esquemas é sempre mais interessante, a capacidade de ramificação com conceitos, a noção do todo, o compartilhamento de ideias e a constante avaliação do que está sendo construído.