4. L’´evaluation des risques par un portefeuille de couverture
4.2. M´ethodes statistiques de r´eplication des risques
4.2.3. La recherche d’une relation de comonotonie
Esta etapa fundamental da pesquisa demandou a adoção de procedimentos que, embora tenham tornado o trabalho um pouco mais árduo, visaram assegurar o seu caráter científico. Em um primeiro momento, todas as sequências selecionadas diretamente do corpus de estudo foram submetidas aos critérios previstos na teoria fraseológica, particularmente os critérios de fixidez e congruência propostos por Salah Mejri (1997, 2012).
Posteriormente, devido ao fato de o corpus não ser estritamente especializado, por razões já explicadas alhures, e, sobretudo, pelo enfoque deste estudo não ser terminológico, mas fraseológico, foram adotados dois procedimentos para validar os fraseologismos identificados, como se descreve a seguir.
Realizou-se primeiramente uma consulta a dicionários gerais de língua portuguesa e a dicionários especiais fraseológicos, a fim de se atestar o registro das sequências selecionadas. Constituíram o corpus de consulta: o Novo Dicionário Aurélio (versão eletrônica, publicada em 2004), o Dicionário Houaiss (versão eletrônica, publicada em 2009), a versão on-line do Dicionário Michaelis, ancorada no sítio (http://michaelis.uol.com.br/), o Dicionário da Língua
Portuguesa (versão on-line), o Dicionário on-line de expressões, o Dicionário brasileiro de fraseologia (SILVA, 2013) e o Dicionário do futebol (SALVADOR, 2017). Para os objetivos desta dissertação, considerou-se como válida, isto é, admitiu-se como fraseologismo a unidade que se adequa aos critérios linguísticos da análise e que possui registro, com definição ou não, nessas obras de referência.
Dessa primeira etapa de consulta às obras de referência, obtiveram-se, entre as sequências para as quais não se encontrou registro, dois grupos: a) unidades fraseológicas de uso geral ou de outros domínios que não o político e b) fraseologismos considerados serem pertencentes ao discurso político, apesar do reconhecimento de que o fenômeno político possui caráter interdisciplinar (CHARAUDEAU, 2006).
Assim, para validar as sequências do primeiro grupo, elas foram submetidas ao teste de reconhecimento por um grupo de 4 (quatro) colaboradores, falantes nativos de português, sendo dois do sexo masculino, dois do sexo feminino, distribuídos equitativamente com relação ao nível de escolaridade (ensino médio completo e ensino superior completo). Os sujeitos, após concordarem e darem ciência de sua participação na pesquisa, mediante assinatura do Termo de Compromisso Livre e Esclarecido, receberam em suas mãos ou por e-mail uma lista com esses fraseologismos, sem o contexto de ocorrência, apenas com as combinatórias lematizadas e organizadas alfabeticamente. Os colaboradores deveriam reconhecer (ou não) as sequências, atribuindo o(s) significado(s) conforme sua competência fraseológica (MEJRI, 2012). A coincidência nas respostas deveria ser de pelo menos 50% para que a unidade pudesse ser considerada validada53.
Quadro 8 – Perfil dos colaboradores do grupo A que validaram os fraseologismos de uso geral e de outros domínios diferentes do político
GRUPO A código
do colab.
sexo idade profissão nível de escolaridade
53 Em nenhum momento durante a pesquisa, os colaboradores trocaram informações a respeito
das unidades que estavam avaliando. Na verdade, todos moram distantes uns dos outros e não mantêm contato entre si.
RR fem. 36 Professora de séries iniciais Ensino superior completo – graduada em Pedagogia
EP fem. 30 Autônoma Ensino médio completo DM masc. 35 Professor de Geografia Ensino superior completo – graduado em Geografia pela UEPA
DC masc. 35 Mecânico Ensino médio
completo Fonte: elaborado pelo autor.
Em se tratando dos fraseologismos que integraram o segundo grupo, isto é, o de unidades consideradas pertencentes especificamente ao domínio da política, a validação foi realizada por outros colaboradores, com perfil diferente dos demais. Para tanto, estabeleceu-se contato com dois cientistas políticos e um cientista social, todos falantes nativos de português, formados pela Universidade Federal do Pará. Esses colaboradores especialistas receberam uma lista de fraseologismos do discurso político, dissociados do contexto de uso real, para que procedessem ao teste de reconhecimento e pudessem, também, formular as definições técnicas ou científicas. Ademais, tais unidades foram submetidas a um pequeno corpus de caráter mais especializado formado apenas por textos de cientistas políticos e dicionários políticos, como o dicionário de Política, organizado por Norberto Bobbio, Nicolau Matteucci e Gianfranco Pasquino, publicado pela editora da UNB em 1998.
Quadro 9 – Perfil dos colaboradores do grupo B que validaram os fraseologismos do discurso político
GRUPO B código
do colab.
sexo idade Profissão formação acadêmica MN masc. 26 Analista ambiental Bacharel em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política, todos pela UFPA
AM masc. 28 Prof. de
sociologia
Bacharel em Ciências Sociais
e atualmente graduando em Filosofia pela UFPA JS masc. 25 Prof. de sociologia Graduado em Ciências Sociais e Mestre em Ciência Política, todos pela UFPA Fonte: elaborado pelo autor.
4.2.5 Elaboração do glossário fraseológico
O glossário produzido destina-se ao público em geral de falantes de português brasileiro que lidam ou se interessam pela política. Não é, portanto, um repertório direcionado para especialistas, embora estes também possam estar incluídos naquele grande público.
Sua confecção ocorreu em três fases, como se descreve a seguir.
4.2.5.1 Organização macroestrutural do glossário
O glossário foi produzido em duas versões (uma impressa e outra eletrônica). Trata-se de um repertório monolíngue com unidades fraseológicas utilizadas no discurso político. Em princípio, constam na sua nomenclatura todos os fraseologismos identificados no corpus, incluindo, portanto, sequências da língua comum e unidades que circulam mais frequentemente no discurso político, especializados ou não. Assim, mesmo que a frequência seja de apenas uma ocorrência, como nos casos a serem discutidos a seguir, tal fraseologismo figura como entrada no glossário se seu uso produzir um efeito expressivo no texto no bojo das discussões políticas.
A nomenclatura está organizada alfabeticamente, registrando-se as unidades pela forma lematizada, salvo nos casos em que o próprio fraseologismo não admite a lematização. Neste aspecto, concorda-se com a observação de Welker (2011), a qual defende que não se devem registrar formas inexistentes no uso.