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La résolution des « conflits d’intérêts »

2 Le mépris illégitime des intérêts d’autrui

2.2 La résolution des « conflits d’intérêts »

“[...] até que se descubra o real papel da música, até que cada indivíduo, em

particular, e a sociedade, como um todo, se convençam de que ela é uma parte necessária, e não periférica, da cultura humana, até que se compreenda que seu valor é fundamental, ela terá dificuldades para ocupar um lugar proeminente no sistema educacional”. (FONTERRADA, 2005)

Ao finalizar esse trabalho apresento algumas reflexões a respeito do ensino de música, ressaltando sua importância na educação escolar e seus desdobramentos enquanto aula de música e área de conhecimento. A estas considerações, não pretendo dar o sentido de uma conclusão que encerra o estudo, mas contribuir para o avanço da reflexão que envolve o tema.

Nas escolas, o papel do ensino de música não é compreendido. Ali, a música embora esteja presente no dia-a-dia de crianças e professores, tem sido praticamente utilizada apenas como recurso pedagógico em auxílio ao estudo dos diferentes conteúdos curriculares. A sua ausência como conteúdo específico, integrante do currículo da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental é lamentavelmente, um fato que, muitas vezes, tem sido explicado ou justificado pela falta de condições materiais, pela falta de instrumentos musicais. Mas é contraditório aceitar essa idéia, pois a educação musical proposta para as escolas regulares do Brasil, há muito, não visa o ensino instrumental e não é desenvolvida com a intenção de formar o músico profissional. O seu papel, sua importância no contexto escolar está naquilo que pode proporcionar aos alunos: ampliação de sensibilidades estéticas e artísticas, desenvolvimento da imaginação, da criatividade, cognição, afetividade, da linguagem não verbal e o conhecimento da nossa herança cultural.

Assim, o ensino de música nas escolas de Uberlândia, através da aula específica, tem permanecido numa dualidade entre o ideal e o real. De um lado, pela forma como é desenvolvido pelos projetos, com parcerias de empresas particulares ou Universidade e de outro pela forma como vem sendo praticada nas escolas, como recurso.

Por outra perspectiva, o breve histórico apresentado no primeiro capítulo e as evidências encontradas em diversas pesquisas indicam que a música tem significado positivo e potencializador das capacidades do educando. Além disso, parece haver uma

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excelente e desejável recurso a ser explorado em sua tarefa de educar e que, por isso mesmo, seu uso deveria ser estimulado. Por outro lado, a realidade denuncia a falta de preparo dos professores que valorizem e estimulem sua utilização. Devido a falta de esclarecimento nas escolas sobre a condição de um ensino de música, desenvolvido como aula específica, a sua existência como disciplina, percebemos que a música acontece por meio de ações limitadas e esporádicas a um pequeno universo de alunos.

A crítica que faço, tanto a relacionada às leis, quanto a dirigida aos documentos RCN e PCN-Arte, tecida no primeiro capítulo, ficou nitidamente expressa nas falas das colaboradoras, quando muitas vezes denominaram o Ensino de Arte como de “Educação Artística”. A supervisora de educação da Superintendência Regional de Ensino ainda se refere ao professor polivalente, quando se refere à escolha por qual linguagem artística quer trabalhar – música, pintura ou teatro.

A coordenadora da área de Artes das escolas municipais apresenta em sua fala que a rede municipal optou pela denominação Artes em vez de Ensino de Arte. Deixa claro que, com essa denominação, cada professor, dentro de sua especialidade, desenvolve o trabalho na linguagem que tenha a formação – Artes Visuais, Teatro ou mesmo Música

De um modo ou de outro, fica evidente que ainda não se percebe uma situação diferenciada em relação à música nas escolas estaduais após a LDB nº. 9.394/96, não sendo reconhecida como área de conhecimento e nem como disciplina escolar. Isto provavelmente ocorre por falta de entendimento da concepção que a atual lei confere ao Ensino de Arte. Este ainda considerado e denominado nas escolas de diversas formas como “Educação Artística”, “Artes Visuais” ou simplesmente “Artes”. Há uma falta de entendimento dos educadores em geral, assim como uma indefinição por parte das políticas públicas do estado e município.

Em relação às escolas municipais, a situação encontrada do ensino de música, se refere à abertura dos espaços para o professor de música; ao planejamento e à organização das linguagens artísticas, cada uma com sua especificidade; e ao reconhecimento da música como uma delas.

Mas o espaço para o ensino de música está aberto, o que é visto nos documentos analisados no segundo capítulo – Proposta curricular para o Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) no Estado de Minas Gerais e Diretrizes Básicas do Ensino de Arte 1ª a 8ª séries da Secretaria Municipal de Educação – CEMEPE. Estes documentos ou propostas apresentam a importância do professor especialista em cada área específica das linguagens artísticas e orientam para que isso ocorra. A análise dos documentos permitiu identificar neles o início

das transformações no campo do ensino de música nas escolas, mesmo que este ainda esteja ausente, enquanto aula de música.

Portanto, compreende-se com os comentários apresentados nesta pesquisa, da necessidade de uma ampla compreensão, reflexão e transformação nas ações e concepções a respeito do ensino de música nas escolas públicas regulares de Uberlândia. Nesse sentido, a articulação entre a Universidade e as escolas é importante e necessária para que se continue um trabalho que torne mais claro o modo de pensar e agir em educação musical. Dessa forma o ensino de música poderá se estabelecer no espaço escolar, demonstrando sua importância e possibilitando o entendimento de seus usos e funções. Para a Universidade, a articulação com as escolas também pode constituir-se numa oportunidade para os jovens professores de música, por ela formados, atuarem ministrando aulas de música no interior das escolas de forma a substituir ali, os projetos que acontecem sem regularidade específica.

O estudo que realizei possibilitou-me o entendimento de uma ação educativa musical praticamente inexistente no contexto das escolas públicas de Uberlândia. Isto se deve a uma série de fatores apresentados em minhas análises, do qual o principal é a falta do profissional especialista. Este não está presente no contexto escolar, fato que contribui para a música assumir ali, um caráter periférico. A ausência do professor especialista na escola, também acarreta a falta de uma metodologia para o ensino musical bem estruturado, completo e que produza resultados. Em geral, o trabalho com música é feito com atividades livres, sem direção clara e sem seqüência lógica. O desconhecimento sobre o uso e a função da música no contexto escolar, as suas contribuições se considerada uma disciplina, acarreta sua ausência enquanto ensino verdadeiro dessa modalidade de arte.

O amparo dos documentos oficiais à presença da música na escola, como disciplina ou com aula específica, não tem garantido seu ensino. É imprescindível haver um comprometimento dos envolvidos com a formação de professores, juntamente com as escolas e órgãos governamentais, para que se concretize ministrado como ensino contextualizado, com metodologias próprias, favorecendo a compreensão da Música como área de conhecimento e tomando-a em coerência aos objetivos educacionais propostos.

Outro fator importante é que a música como conhecimento, entendida como uma linguagem artística, organizada e fundamentada culturalmente, é uma prática social, pois nela estão inseridos valores e significados atribuídos aos indivíduos e à sociedade que a

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O sentido atribuído ao ensino de música tem origem no próprio cotidiano escolar. Nesse lugar, junto com os alunos, o professor aproxima-se da música que é levada para dentro da sala de aula, contextualizando-a ao passo que enriquece o saber e a experiência artística. A escola, como espaço de construção e reconstrução do conhecimento, surge, assim, como local privilegiado para se realizar um ensino de música capaz de democratizar o acesso à arte, tornando as atividades pedagógicas musicais significativas. O fato é que o ensino de música produzirá bons resultados se forem bem estabelecidos objetivos para o quê e para quê ensinar música, para quem e como ensiná-la.

È evidente que a Música exerce uma função socializadora e contribui no desenvolvimento e formação integral do indivíduo. A importância do ensino de música na escola reside, pois, na possibilidade de ela contribuir nesse processo, desenvolvendo habilidades e condutas, levando-os a sentirem-se sensibilizados pela música, através da criação e da livre expressão. A linguagem musical deve, para isso, ser dirigida no sentido de valorizar a percepção-expressão de elementos sonoro-musicais. O processo de ensino musical não é, portanto, simplesmente intelectual, mas deve ocorrer através da mediação entre a realidade musical constituída e o sujeito. Utilizando a linguagem musical e experimentando um ambiente musical rico, organizado e adequadamente estimulante e receptivo, o aluno poderá obter um domínio espontâneo e progressivo de habilidades, ampliar o sentir e o fazer musical. Acredito que assim, o ensino de música terá valor reconhecido e compreendido como necessário para o desenvolvimento integral do aluno, bem como para o desenvolvimento geral da cultura.

Não é necessário que se deixe de trabalhar a música como recurso. Mas é muito importante que o seu ensino corresponda à compreensão desta linguagem como conhecimento.

Finalizando, acredito que este trabalho possa a vir contribuir para que a atual situação da educação musical nas escolas seja modificada, pois deixa evidente que o espaço do ensino de música na escola está aberto à espera do professor especialista que, compreendendo seu papel, acredite na possibilidade da transformação de idéias através de seu trabalho. Este ideal é o que nós educadores musicais aspiramos alcançar, para a inserção do ensino de música no contexto educacional brasileiro.