SECTION I : LA PROTECTION PENALE DES ATTRIBUTS IDENTITAIRES
Paragraphe 1. La protection classique de l'identité en droit pénal
Alguns depoimentos das professoras deixaram entrever práticas segregacionistas cristalizadas na auto-proteção, compaixão e piedade Os depoimentos a seguir atestam essa posição:
Eu fico m uito em ocionada com “G”, porque além de ter essa def iciência, ele tam bém é m uito, m uito, m uito pobre, m uito carente. (P5EFCPG)
Eu vou te dizer, é duro. Mas, é a profissão da gente. É o que vem pra gente, a gente tem que aceitar. (P27EFCG)
Lima (2005) afirma que as atitudes só vêm contribuir para a descaracterização do processo inclusivo. Afirma:
Ocorre que sob o m anto da proteção do outro, esse professor desnuda toda sua capacidade de ser desum ano, de jogar fora sua ética prof issional, a qual deveria estar esteada no ensino e não na discrim inação, enfim , revela a crueldade de tom ar para si, o direito de decretar aos outros, em geral crianças indefesas, a m orte social, o lim bo cultural e m esm o, a própria m orte física. (p.9)
Atrelada à compaixão, nesse campo representacional das professoras circula uma espécie de auto reconhecimento, redenção pelas ações que desenvolvem. Afirma uma delas:
Me sinto tão especial com o ele e às vezes até angustiada por não poder de achar que não tô fazendo o que poderia fazer o m áxim o que poderia f azer. Você acha que tá fazendo m enos do que pode fazer. (P34EFG)
Em seus depoimentos as professoras externalizam carências emocionais, e fragilidades pessoais, apresentando uma visão estereotipada da sua própria imagem, nessa relação cotidiana com o aluno. Em Bazante (2002) também o amor e o gostar aparecem como
os elementos capazes de garantir o sucesso do trabalho docente com o aluno com deficiência. Vejamos as passagens abaixo:
Se a gente não tiver am or com o é que a gente é um educador? Com o vai ser um a educadora? Se você não tem am or aos alunos? É um sentim ento... não poder ajudar m ais.
(P27EFCG)
Eu acho que ela precise de um aparato maior né? Eu tinha m uito m edo de não saber lidar. Hoje eu já tenho m ais segurança. Am or eu tenho por todos eles. Gosto m uito dos m eus alunos, m as hoje eu m e sinto m ais segura, m ais disposta coisa que eu não era há quatro antes atrás.
(P43EICG)
Um outro elemento forte nos depoimentos dessas professoras diz respeito ao trato mais maternal do que profissional para com os alunos, algo também já constatado por Albuquerque (2004). Para algumas delas, é a figura materna que fundamenta todo o fazer pedagógico, não atentando às questões epistemológicas do conhecimento. Segundo Novaes (1987), esse sentimento indica a expropriação do saber da professora, que permite que o trabalho pedagógico passe a ocupar uma posição secundária dentro da escola, associado ao desempenho das funções habitualmente atribuídas à mulher no lar. Esse teor maternal aparece nos depoimentos abaixo:
[...] é assim m uito gratificante. Aprendi m uito e eu acho que as m eninas ficam até rindo pelo fato que eu não tenho filho biológico e eu vejo esses m eninos com o fossem m eus filhos.
(P13EIPG)
Eu m e sinto um a segunda m ãe pra ele. Eu tento ajudar de todas as form as aqui. (P25EIEM )
Porque é nas diferenças que a gente encontra às vezes nota, a gente vê. Porque um a coisa diferente a gente tem a própria superação. Tem ... é a gente vai cada dia a gente vai construindo um a coisa nova, que a gente não sabe. É um dom que a gente tem tão grande. Um a coisa que a gente vai absolvendo. Adoro m esm o. Adoro ensinar. Mas a criança com def iciência eu sou m ais assim , m ais apegada. (P8EFCG)
Embora preocupadas com o desenvolvimento dos alunos, algumas professoras consideram que poucos conseguem se
desenvolver, por isso sentem-se culpadas e totalmente impotentes. Eis alguns de seus comentários:
[...] que tem de experiência pra ver se a gente m elhora esse ele aluno? O que a gente pode fazer por ele? A gente não tem . Assim , o colega eu com ento com o colega. O colega é quase não m e repassa nada. O que há m esm o é preocupação, é o querer m uito de ajudar e que ele desenvolva. E assim , contornando as dif iculdades. (P6EFCPG)
Eu acho que eu ainda tô m uita falha assim , em deixar m uitas vezes ele sem atividade. Sem um a ocupação. Eu m e sinto falha nesse sentido, de querer fazer m ais por ele. Eu sei que eu faço pouco. É um sentim ento de culpa, de poder fazer m elhor. Um a necessidade de outras coisas que aquela criança precisa naquela hora. (P9EFCG)
Os sentimentos de impotência e impossibilidade se intensificam quando são tomadas pelo medo e pavor no momento em que estão interagindo junto ao aluno com deficiência. Para aliviar a tensão, recomendam e reforçam a intervenção clínica a fim de estabilizar o controle da criança e normalizar as atividades na sala de aula:
Eu tenho m edo de tá fazendo a coisa errada. Som ente isso. No com eço, a prim eira vez eu fiquei apavorada. Pergunta as m eninas aí. Fiquei sem saber o que f azer da m inha vida. Ninguém m e falou que ela era especial. Quando eu cheguei na sala eu conheci logo. Menina, eu fiquei apavorada com o com portam ento dela. Ela não parava, não sentava, batia em todo m undo, era m uito agressiva. Por m ais difícil foi isso aí. Eu tive que conversar com a m ãe dela pra levar pra um m édico, pra tom ar algum rem édio algum a coisa que pra ela ficar m ais tranqüila e agora “J” tá outra m enina. (P14EFPG)
Dificuldades, limitações, angústias e imaturidade para atuar junto ao aluno deficiente são constantemente admitidas pelas professoras. Algumas preocupações são dirigidas, inclusive, às perspectivas de futuro desses alunos. Afirmam:
eu vejo m uita dif iculdade. Eu tenho m uita dificuldade em trabalhar. Por não saber. Por não saber trabalhar.? E... é com plicado quando no grupo se fala em inclusão se, se a gente não tem com o fazer essa inclusão, né. A gente tenta trabalhar aquilo ali, agora é difícil. e principalm ente quand o você pega um a turm a m ais avançada: um a prim eira, um a segunda, um a terceira série você tem que dá aquele
conteúdo, tem que ser trabalhado aquilo ali e aquele seu aluno talvez se sinta um pouco de lado, porque você tem que trabalhar com o restante da turm a que tá acom panhado e ele tá ficando um pouco esquecido, né? Na alfa a gente tem m ais essa m obilidade, né? (P41EIPG)
O que ainda m e preocupa com B é a questão assim : de com o vão ser m ais professores essa geração m esm o de professores com B. O professor de ginásio tem algum as diferenças, a gente tem m ais apego aos m eninos só nós e eles ali. A quinta série é outro nível e o que m e preocupa é se os professores vão ter aquela paciência de escutar B, de tirar as dúvidas de B. A questão do Inglês na 5ª eu tô m e preocupando m uito com isso. Então, se ela não consegue lidar com Português com o ela vai lidar com outra língua? Nas dem ais disciplinas ela tem condição de aprender direitinho. (P35EFCG)
Outros depoimentos indicam que as professoras procuram de certa forma naturalizar a deficiência dos alunos, ou ainda conservam atitudes preconceituosas ou de marginalização para com eles. Nesses casos, assim se colocam:
Eu m esm a na sala de aula eu não vejo nenhum a diferença. Às vezes sinto em relação as m inhas colegas. (P30EFCPG)
Nunca tive problem a não. Pra m im tudo bem . Eu controlo, eu dom ino a turm a. Eu tenho dom ínio eu sou m eia... Assim , m as tenho o dom ínio em sala. Isso aí eu tenho. Eu controlo m uito bem . Nunca tive dif iculdade. (P31EFEM )
O desenvolvim ento dele. Eu não vejo ele se desenvolver. Eu não vejo ele desenvolver no geral. Porque ele tá aqui, na 2ª série com igo e o que foi que ele m elhorou? Um a tarefa tod a ele não consegue f azer. E f az m uito m al um a ou duas questões e o resto? Eu não vejo ele crescer aí. Se eu pegasse o caderno dele visse ele fazendo a tarefa, chateado, direitinho, m as ele é assim . Ele foi f abricado pra desenhar. Entendesse? Aí é difícil trabalhar com ele, não é. (P29EFPG)