mots isolés
I. La production conceptuellement dirigée
Toxicology, Department of Biological Sciences, Faculty of Pharmacy, University of Porto, Porto, Portugal.
*Email: [email protected]
Introdução: Na literatura brasileira, algumas
feridas incisas recebem nomes especiais de acordo com a sua localização no corpo. No pescoço são chamadas de esgorjamento, degolamento e decapitação. As profundas e localizadas nas faces anterior, lateral, anterolateral ou laterolateral do pescoço são chamadas de esgorjamento e quando situadas na face posterior do pescoço são chamadas de degolamento. Quando ocorre a separação completa da cabeça do resto do corpo a lesão é conhecida como decapitação1,2. O esgorjamento pode levar o
indivíduo à morte tanto por anemia aguda, causada pela hemorragia externa em virtude das lesões dos vasos calibrosos da região carotídea ou por asfixia, devido à secção da laringe ou da traqueia e aspiração do sangue extravasado; ou ainda por embolia gasosa, quando entra ar na circulação sanguínea através da secção das veias jugulares, quando o corpo está em pé ou sentado com o pescoço num nível mais alto que o tórax1,3-5. Os autores
relatam um caso do assassinato de um adolescente ocorrido nas dependências de uma unidade de internamento socioeducativa no Brasil, com requintes de crueldade, pois os instrumentos cortantes utilizados para produzir o esgorjamento foram duas lâminas de barbear descartáveis. O corpo foi parcialmente carbonizado após o esgorjamento.
Relato de caso: Adolescente masculino, 16
anos de idade, com 166 cm de estatura, biotipo normolíneo, eutrófico de constituição franzina, cútis faioderma. A cor dos cabelos e das íris estavam alteradas devido à carbonização parcial do corpo. Elementos dentários compatíveis com a idade e em bom estado de conservação e sem sinais de abuso sexual. O adolescente entrou na Unidade de Internação Sentenciada e foi encaminhado para um alojamento onde já existiam outros 3 jovens internados cumprindo medida socioeducativa. Passados 45 minutos após a
admissão da vítima no alojamento, os agentes socioeducadores sentiram cheiro de fumo proveniente dos alojamentos e, quando lá chegaram, encontraram o corpo da vítima sem vida e em chamas.
Resultado da autópsia: O corpo estava
parcialmente carbonizado e apresentava o Sinal de Devergie (posição de boxeador). Em virtude da carbonização das mãos não foi possível verificar lesões de defesa, porém não se verificou sinais de ligaduras ou amarras para contensão no corpo. No pescoço observou-se lesão traumática, com bordas irregulares, infiltradas de sangue, compatíveis com múltiplas ações de instrumento de gume afiado, medindo 17 cm no seu maior eixo, disposta transversalmente na região cervical, com extensão desde a região supraclavicular direita à supraclavicular esquerda, seccionando todas as estruturas desde a pele até a musculatura anterior da coluna cervical. Observou-se ainda, a presença de um grande cogumelo de secreção espumosa, serossanguinolenta, no interior da lesão acima descrita. Após limpeza da ferida observou-se as secções completas das carótidas, das jugulares, da traqueia e do esôfago e estava íntegro o osso hioide. Na abertura da cavidade torácica, chamavam a atenção a presença de hemorragias puntiformes subserosas no coração e pulmões (Manchas de Tardieu), verificou-se a presença de sangue em todo o lúmen da árvore traqueobrônquica até os alvéolos e não havia evidência de embolia aérea, como sangue espumoso ou êmbolos aéreos no ventrículo direito.
Discussão e Conclusão: As lesões nos
esgorjamentos homicidas que são produzidas quando o agressor está posicionado na frente da vítima, tendem a ser curtas e anguladas. Além disso, em vez do pescoço ser cortado com um movimento longo e contínuo, essas feridas são infligidas por vários golpes ou cortes6, como os
verificados no caso apresentado. Portanto, o perito pôde afirmar com segurança que o agressor estava posicionado na frente da vítima quando executou o esgorjamento. A observação da presença do cogumelo de espuma serossanguinolenta, a presença de
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sangue na traqueia e brônquios, bem como, a presença de Manchas de Tardieu no coração e nos pulmões, caracterizou a causa da morte como sendo a asfixia mecânica por sufocação direta com o sangue aspirado, sendo a anemia aguda uma consequência da dinâmica do evento. Não se verificou a presença de fuligem nas vias respiratórias, portanto, a vítima já estava morta, não sendo a carbonização considerada como causa
mortis. O processamento do local de crime,
realizado pelo perito criminal encontrou, ao lado do corpo, os instrumentos cortantes utilizados para produzir o esgorjamento, como sendo 2 (duas) lâminas de barbear descartáveis. O meio cruel está caracterizado pela forma como o esgorjamento foi executado: 1) os instrumentos utilizados não permitem um esgorjamento de tal gravidade, como o apresentado neste caso, com apenas uma passagem das lâminas no pescoço. Foram necessários vários pequenos cortes, como pode ser observado na irregularidade das bordas da ferida e das próprias estruturas musculares; 2) a vítima não permitiria tantos cortes no pescoço sem reagir ou se defender e, apesar de não se ter observado lesões de defesa nas mãos, devido a carbonização das mesmas, essa ausência de lesões não autoriza o perito a excluí-las; 3) não se verificaram amarras ou marcas de imobilização no corpo, o que significa que a vítima foi agarrada e imobilizada por mais de um agressor.
Referências:
1. Hercules HdC. Medicina Legal - Atlas e Texto. São Paulo, Brasil: Editora Atheneu; 2008.
2. Croce D, Junior DC. Manual de Medicina Legal. 8ª ed. São Paulo, Brasil: Saraiva; 2012. 3. França GVd. Medicina Legal. 10ª ed. Brasil: Guanabara Koogan; 2015.
4. DiMaio VJ, DiMaio D. Forensic Pathology. 2nd Edition ed. Boca Raton, Florida: CRC Press; 2001.
5. Demirci S, Dogan KH, Gunaydin G. Throat- cutting of accidental origin. Journal of forensic sciences. 2008 Jul;53(4):965-7
6. Vidanapathirana M, Samaraweera JC. Homicidal Cut Throat: The Forensic
Perspective. Journal of clinical and diagnostic research: JCDR. 2016 Mar;10(3): Gd01-2.
POSTER 13
DIFENIDRAMINA: DA UTILIZAÇÃO TERAPÊUTICA AO ABUSO
Francisca Fonseca1*
1Faculdade de Medicina, Universidade do
Porto.
*Email: [email protected]
Introdução: Quando se fala de adição, muitas
pessoas assumem que se refere a substâncias ilícitas ou apenas obtidas com receita médica. Porém, substâncias como a Difenidramina (DHP) são muitas vezes usadas de forma incorreta e abusiva, geralmente devido à sua fácil obtenção [1]. A DHP é um anti-histamínico de 1ª geração com atividade antimuscarínica, usado como antialérgico, antitússico e antiemético e, também, no tratamento da insónia [2]. Usada geralmente por via oral, tem início de ação rápido, apresentando excreção renal e uma semivida de 2,4-9,3 horas[3,4]. Os seus principais efeitos secundários são a desidratação e as
alterações neurológicas e cardiorrespiratórias. Revela-se assim de
extrema importância o conhecimento das suas contraindicações, aquando da seleção de um regime terapêutico, assim como o conhecimento dos sinais e sintomas da sobredosagem, com o intuito de intervir precocemente na sua correção [1].
Objetivo: Caracterizar a Difenidramina,
nomeadamente em relação às suas indicações terapêuticas, ao seu perfil farmacocinético e farmacodinâmico e aos seus efeitos laterais. Realçar a semiologia clínica (sinais e sintomas) aquando de abuso e/ou overdose e a sua abordagem terapêutica.
Material e métodos: Apresentação sobre a
forma de Poster “DIFENIDRAMINA: Uso e Abuso”, baseada na revisão bibliográfica realizada no PUBMED e em livros de texto.
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Resultados: A DHP é usada a nível recreativo
pelas suas qualidades eufóricas e alucinogénias, sendo aditiva pela estimulação dopaminérgica a nível cerebral[5]. As manifestações mais frequentes provocadas pelo abuso e/ou
overdose
da DHP são sonolência e os efeitos anticolinérgicos que podem evoluir, em situações mais graves, para convulsões, coma e mesmo a morte [2]. A deteção da sobredosagem é realizada através de métodos electroquímicos, havendo, no entanto, a necessidade de maior desenvolvimento nesta área [2]. O uso de carvão ativado, para redução da absorção intestinal da DHP, de benzodiazepinas e de fluídos, para tratamento sintomático, e de Fisiostigmina, como antídoto da DHP [1], são as bases do tratamento da overdose por esta substância.
Conclusões: Apesar do fácil acesso e
disponibilidade da DHP, o que contribui para o seu abuso, os números de casos de desintoxicação registados são reduzidos [5]. A deteção precoce de sinais e sintomas de abuso e/ou overdose pela DHP é de extrema importância, uma vez que o prognóstico depende, não só, da quantidade ingerida e do estado clínico do doente, mas, também, da intervenção rápida e eficaz nesta situação de emergência [1].
Referências:
1. Sicari V, Zabbo CP. Diphenhydramine. StatPearls [Internet]: Jan 2019.
2. Thapliyal N, Patel H, Karpoormath R, Goyal RN, Patel R. A categorical review on electroanalytical determination of non- narcotic over-the-counter abused antitussive drugs. Talanta 142: 157–163, 2015.
3. Brunton L, Chabner B, Knollman B. Goodman & Gilmas's The Pharmacological Basis of Therapeutics. Mc Graw Hill Medical. 12ª Edição.
4. Katzung BG, Trevor AJ. Basic & Clinical Pharmacology. Mc Graw Hill Education, LANGE. 13ª Edição
5. Thomas A, Nallur DG, Jones N, Deslandes PN. Diphenhydramine abuse and detoxification: a brief review and case report.
Journal of Psychopharmacology 23(1): 101– 105, 2009.
POSTER 14
EXTRACTION OF DNA FROM BUCCAL SWABS: AN OPTIMIZATION PROCESS
Sara Moreira1*, Mariana Lopes1, Ana Paula
Neto2,3, Ricardo J. Dinis-Oliveira1,4,5 Pedro
Correia6, Maria Begoña Criado1, Áurea
Madureira-Carvalho1,7
11IINFACTS - Institute of Research and Advanced Training in Health Sciences and Technologies, Department of Sciences, University Institute of Health Sciences (IUCS), CESPU, CRL, Rua Central de Gandra, 1317, 4585-116 Gandra PRD, Portugal
2Genetics, Department of Pathology, Faculty of Medicine, University of Porto, Alameda Prof. Hernâni Monteiro, 4200-319 Porto, Portugal 3I3S, Health Innovation Research Institute, University of Porto, Rua Alfredo Allen, 4200-135, Porto, Portugal
4REQUIMTE/UCIBIO, Laboratory of Toxicology, Department of Biological Sciences, Faculty of Pharmacy, University of Porto, Rua de Jorge Viterbo Ferreira, 228, 4050-313 Porto, Portugal 5Department of Public Health and Forensic Sciences, and Medical Education, Faculty of Medicine, University of Porto, Alameda Prof. Hernâni Monteiro, 4200-319 Porto, Portugal 6Polícia Judiciária, Crime Scene Investigation Department- Northern Branch, Rua Assis Vaz, 113, 4200-096 Porto, Portugal
7REQUIMTE/LAQV, Laboratory of Pharmacognosy, Department of Chemistry, Faculty of Pharmacy, University of Porto, Rua de Jorge Viterbo Ferreira, 228, 4050-313 Porto, Portugal
*Email: [email protected]
Introduction: In Forensic Sciences, swabs are
routinely used to collect traces in different crime scenarios, due to their reduced costs and versatility. DNA extraction, also from buccal swabs, is routinely performed using commercial kits that are less time-consuming. However, when dealing with critical samples that have small quantity of DNA, the common available kits are not sensitive enough, being