1.2. Principe des protections ESD
1.2.1. La problématique ESD
A placa bacteriana é um biofilme microbiano complexo, embebido numa matriz de polímeros de origem salivar e bacteriana. Os biofilmes são comunidades de microrganismos altamente estruturadas e organizadas espacialmente, o que lhes confere uma resistência muito maior do que quando isolados (Marsh, 2005).
Muitos microrganismos são saprófitas da cavidade oral, apenas expressando a sua virulência em hospedeiros susceptíveis ou quando existem mudanças no ambiente oral. As interações físicas, metabólicas e fisiológicas podem causar efeitos positivos ou negativos entre os vários microrganismos presentes. Estes mecanismos selecionam a população
bacteriana e as alterações na sua composição afetam o equilíbrio no hospedeiro e conduzem à presença de doença (Marsh, Moter & Devine, 2011).
As doenças periodontais são a manifestação patológica da resposta do hospedeiro ao desafio bacteriano, imposto pelo biofilme na interface entre o dente e a gengiva.
A gengivite induzida por placa bacteriana é uma resposta inflamatória crónica à acumulação do biofilme bacteriano supragengival. A periodontite é uma doença inflamatória crónica que resulta de uma infeção polimicrobiana complexa, levando à destruição tecidular como consequência de uma perturbação da homeostasia entre a microbiota subgengival e as defesas do hospedeiro num indivíduo suscetível (Sanz & van Winkelhoff, 2011).
Os sinais clássicos da inflamação, rubor, calor e edema, são característicos da gengivite e da periodontite. Um dos sinais clínicos mais fiáveis da inflamação gengival é a hemorragia gengival à sondagem (Hancock & Newell, 2001). Por essa razão muitos estudos sobre controlo da saúde gengival avaliam os seus resultados pela medição dos níveis de placa bacteriana e da inflamação gengival.
Uma boa saúde periodontal é mantida através de uma higiene oral eficaz, consistindo na remoção da placa bacteriana de todas as superfícies orais (Hancock & Newell, 2001). É consensual na literatura que a escovagem meticulosa uma vez por dia é suficiente para manter a saúde periodontal (Attin & Hornecker, 2005).
Têm sido desenvolvidos vários instrumentos mecânicos e coadjuvantes quimioterapêuticos para facilitar a remoção de placa. A utilização destes instrumentos e coadjuvantes em lares de idosos tem como objetivo a diminuição da inflamação gengival e, no caso das próteses, a diminuição da presença de estomatite protética.
A escovagem com uma escova macia, de cabeça pequena é considerada o meio mais eficaz de controlo da placa bacteriana (Steele & Walls, 1997). A procura de meios para facilitar esta tarefa, quer aos idosos que ainda conseguem escovar, quer aos cuidadores poderá passar pela utilização escovas do tipo elétrico, mecânico ou sónico.
Num estudo efetuado por Whitmyer et al. (1998) o uso de uma escova sónica resultou numa melhoria significativa da saúde gengival. Também Almomani, Brown e Williams (2006) demonstraram a superioridade da escova elétrica comparativamente com a escova manual na melhoria da higiene oral de pacientes com problemas psiquiátricos. Noutro estudo (Peltola, Vehkalahti & Simoila, 2007), com a duração de onze meses, o índice de placa
melhorou em 32% dos idosos estudados, com a utilização da escova eléctrica e uso de escovilhões duas vezes por semana.
Às mesmas conclusões chegaram Verma e Bhat (2004), tendo demonstrado a eficácia da escova elétrica na remoção da placa e redução da gengivite, bem como a sua aceitabilidade por indivíduos idosos. A aceitabilidade deste meio de remoção de placa também se verificou nos cuidadores que, quando dado a escolher, preferem a escova elétrica por esta facilitar a escovagem tornando-‐‑a menos demorada (Wolden, Strand & Gjellestad, 2006).
Sumi, Nakamura e Michiwaki (2002) num estudo de 8 semanas em que foi testado um protocolo de higiene oral com escova elétrica, limpeza da língua e irrigação oral com iodopovidona, verificaram uma redução significativa nos índices gengival e de placa. Neste estudo também foi possível verificar a preferência dos cuidadores pela escova eléctrica, o raspador lingual e as esponjas.
Outros estudos têm avaliado uma combinação de métodos, incluindo profilaxia profissional.
Num ensaio clínico randomizado, de 18 meses de duração, todos os pacientes do grupo experimental que receberam tratamento profilático de destartarização, seguido de educação para a saúde oral, tiveram menor prevalência de estomatite protética e glossite, quando comparados com um grupo de controlo sem intervenção (Budtz-‐‑Jørgensen et al., 2000).
Um estudo de Persson et al. (1998), apesar de não ter encontrado diferenças significativas entre o grupo de controlo e os grupos de intervenção quanto ao índice gengival, registou uma diminuição do risco de perda dentária nos grupos que receberam prevenção intra-‐‑oral, sendo o grupo que recebeu educação, bochecho semanal de CHX, aplicação de verniz fluoretado e profilaxia duas vezes por ano, aquele que apresentou menor risco de perda dentária.
No estudo de Simons et al. (2001), a utilização de pastilha elástica de CHX e xilitol, duas vezes por dia durante 1 ano, reduziu o índice gengival e de placa de forma significativa em relação ao grupo de pastilha só com xilitol ou ao grupo sem pastilha. A pastilha com CHX e xilitol ainda reduziu a estomatite protética e a placa bacteriana nas próteses.
Uma melhoria de 45% na higiene das próteses também foi observada por Peltola, Vehkalahti e Simoila (2007) com a escovagem diária e a desinfecção uma vez por semana com gel de CHX a 1%.
Uma redução estatisticamente significativa do índice gengival e de placa também foi obtida através da utilização de CHX a 0,2% em spray, uma ou duas vezes ao dia. Os autores concluíram que a eficácia de uma aplicação por dia é idêntica a duas aplicações por dia (Clavero et al., 2003).
Ao comparar o efeito de vários métodos de remoção de placa no índice gengival, no índice de placa, na redução da halitose e no número de microrganismos oportunistas, Tashiro et al. (2012), verificaram que a escovagem reduzia significativamente os índices de placa e gengival e a halitose e que a passagem de uma esponja embebida numa solução aquosa de CHX reduzia significativamente o número de microrganismos oportunistas. Os autores sugerem que a combinação destes dois métodos é adequada em idosos que apresentem microrganismos oportunistas na cavidade oral.
Já a utilização de um elixir contendo fluoreto de estanho e amina não resultou em qualquer benefício adicional no controlo de placa e redução da gengivite, comparado só com um regime intensivo de higiene oral mecânica, incluindo higiene interdentária (Schiffner, Bahr & Effenberger, 2007).
Em conclusão, pode dizer-‐‑se que as intervenções citadas reduzem a quantidade de placa bacteriana e melhoram a saúde gengival. Contudo, a remoção de placa não consegue ser totalmente eficaz numa grande parte dos indivíduos, sendo este aspecto de particular importância nos indivíduos idosos mais dependentes que, por várias razões, não conseguem manter um nível de higiene oral aceitável, tendo muitas vezes de recorrer à ajuda de terceiros para o conseguir (Helgeson et al., 2002.).