• Aucun résultat trouvé

La position du service de documentation

2.2 U NE VOLONTE DE PRIVILEGIER LA VISIBILITE D ’EPAMARNE

2.2.2 La position du service de documentation

O trabalho empírico de recolha de informação que desenvolvemos neste estudo, ocorrido em quatro escolas no decurso do ano lectivo de 2006/2007, consistiu, basicamente, na realização de entrevistas aos Directores/Presidentes dos Conselhos Executivos e na aplicação de questionários (a técnica central desta investigação) aos professores que leccionavam o 3º Ciclo e o Ensino Secundário de duas escolas públicas e duas escolas privadas.

Contudo, como fase piloto de aproximação empírica ao objecto de estudo, realizámos, previamente, um conjunto de entrevistas57 a professores que leccionavam no ensino público e tinham estado recentemente em acumulação no ensino particular. Estes discursos foram submetidos a uma breve análise de conteúdo compreensiva, sendo identificados os temas dominantes do discurso que originaram os conceitos que permitiram agrupar as respostas em categorias e subcategorias das culturas docentes e das culturas organizacionais e estilos directivos/modelos de gestão das escolas estudadas. Procedeu-se, assim, a uma análise aberta – “codificação aberta; opening coding” (Strauss, 1988,cit. em Santos Guerra, 2003:144) – sobre a narrativa das entrevistas. Os dados obtidos ajudaram a fazer a distinção entre as escolas públicas e privadas e, a partir deles, pudemos ir identificando temas, conceitos, interpretações, hipóteses e ainda questões que tenderam a formar várias categorias que foram utilizadas no questionário.

Após uma codificação aberta como a invocada anteriormente, pode escrever-se uma memória teórica ou seja uma síntese com base em aspectos interpretativos de natureza teórica relativa ao tema do estudo. Strauss (1988, cit. em Santos Guerra, 2003:145-147) fala em codificação axial, em que a interpretação se faz através de um eixo central, não

56 Alguns professores conhecidos, numa das escolas analisadas, preferiram entregar-nos pessoalmente os

questionários.

57 Estes docentes foram seleccionados por critérios variados, tais como: acessibilidade, disponibilidade,

grupo disciplinar, trato pessoal, de forma a garantir a confiança mútua necessária à expressão de opiniões eventualmente mais comprometedoras. Estes dados permitiram-nos também proceder à identificação de alguns aspectos da distinção entre ensino público e privado, efectuada anteriormente no ponto 4.1, do Capítulo III, conforme na altura referimos.

173

existindo parcelas fragmentadas esquematizadas rigidamente. A análise axial consiste numa análise extensiva de uma categoria que progressivamente se vai tornando central e aglutinadora de sentido. Ora, o resultado é o conhecimento cumulativo acerca das relações entre esta categoria e as outras categorias e subcategorias, respeitando temas como interacções entre actores, estratégias, tácticas e consequências. A categoria central “core coding” (cultura docente) deve ter as seguintes características: estar relacionada com o maior número de itens (neste caso seis para cada uma delas) e aparecer frequentemente nos dados – aparecimento recorrente; referir-se a outras categorias (mais próximas); ter claras implicações na teoria geral do estudo; se os detalhes da categoria central são trabalhados de forma analítica, a teoria geral avança; construir a variação máxima para análise, a partir do momento em que se codificam os termos das suas dimensões, propriedades, condições, estratégias e consequências. A partir da(s) categoria(s) central(is), a análise avança até à fase da codificação selectiva “selective coding” que consiste em codificar sistematicamente e de forma ordenada a partir dessa(s) categoria(s), podendo aparecer outras categorias dependentes ou subsidiárias (neste estudo, possivelmente categoria(s) de cultura(s) organizacional(is), uma vez que as centrais são categorias de culturas docente). Nesta fase, o analista delimita a codificação só para códigos que se relacionam com a categoria central, em campos significativos para serem usados numa teoria chamada “análise significativa”. A referida análise foi importante para a codificação das perguntas abertas do questionário e para a selecção e definição das categorias principais do estudo sobre culturas docentes e modelos de gestão e estilos directivos, nas quatro escolas estudadas.

Assim, na primeira fase do estudo58foi efectuada uma abordagem qualitativa, através de entrevistas aos professores referida anteriormente e o tratamento dos respectivos dados. Neste período procedemos também à testagem do questionário59, que foi aplicado a uma amostra intencionalmente seleccionada de dez professores empenhados em colaborar e que não integraram a amostra do estudo. Posteriormente e em função deste processo, reajustou-se o questionário até encontrar uma forma definitiva para a respectiva aplicação nas quatro escolas.

58 Foi realizado um estudo- piloto anterior que não consta desta investigação, no sentido de testar as questões

das entrevistas aos professores (nomeadamente a professores com funções directivas) e algumas questões abertas do questionário.

59 Importa referir que o questionário já tinha sido aplicado anteriormente num estudo realizado no âmbito do

174

De seguida, ou seja no decorrer do ano lectivo de 2006/2007, deu-se a fase da “entrada” nas escolas e da recolha da informação central para a investigação através das entrevistas aos Directores/Presidentes, da aplicação do questionário aos docentes e de alguns processos (menos sistemáticos) de observação dos contextos escolares.

Estas observações de natureza “não participante” e “pontuais” (registo de notas breves, nomeadamente, aquando das entrevistas aos responsáveis pela gestão da escolas, acompanhadas da recolha de alguns documentos) permitiram descrever e compreender determinados ambientes nas escolas, ou seja, como elas funcionam e quais as características que as tornam singulares. As próprias imagens das dinâmicas organizacionais e aspectos da gramática escolar deram algum contributo para a caracterização da cultura docente dominante e estilo de direcção vigente. Contudo, os instrumentos de recolha de informação (questionários e entrevistas) foram muito importantes, pois o acesso ao interior das escolas (ambiente e dinâmica organizacional) não foi fácil, à excepção de uma das escolas que se mostrou mais colaborante (escola nº1) e onde nos sentimos mais à vontade.

O acesso às escolas foi feito, em primeiro lugar, através de contactos com os Conselhos Executivos/Directores, ao que se seguiu um pedido formal endereçado aos seus presidentes. Depois desta anuência, para nos familiarizarmos um pouco mais com a dinâmica das escolas, começámos pelos contactos com os presidentes e vice-presidentes dos Conselhos Executivos, nas escolas públicas e com os Directores, no caso das escolas privadas, solicitando autorização para a realização de uma entrevista ao Director/ Presidente60.

60 Foram várias as escolas que, conforme já adiantámos anteriormente, não se disponibilizaram para

participar nesta investigação. Eis dois exemplos. A Presidente de uma escola pública alegou que numa dada investigação “semelhante” feita na escola, nessa altura, uma colega apenas teria conseguido recolher 20 questionários, que os professores andavam cansados e desmotivados, não se dispondo a colaborar na sua distribuição. Referiu, ainda, que se quiséssemos realizar o estudo teríamos que ir lá distribuir os questionários (mesmo sabendo que não conhecíamos a escola nem ninguém que pudesse sensibilizar os possíveis inquiridos). Assim, deduzindo que a recolha de informação não iria resultar, acabámos por desistir da pretensão de estudar a escola. O outro caso reporta-se ao ensino privado. Num dos colégios primeiramente contactado (múltiplas vezes…), através da Secretária da Direcção (que, por fim, ficou de baixa médica), tendo em conta o teor das conversas, sempre pensámos que a investigação seria autorizada. Preenchemos os formulários necessários ao pedido de investigação, enviámos o modelo de questionário conforme nos foi solicitado, mas nunca obtivemos qualquer tipo resposta. Aguardámos bastante tempo sem contactar outra escola, porque estávamos convictos de que o estudo se realizaria. Posto isto, desistimos também com a constatação de que, em várias escolas do ensino privado, o acesso às Direcções das escolas é muito dificultado, existindo sempre intermediários, por via de regra, as secretárias da Direcção.

175

Realizadas as entrevistas nas quatro escolas em estudo, de acordo com a

disponibilidade dos próprios, entregámos os questionários aos Conselhos

Executivos/Directores que se encarregaram de proceder à sua distribuição, tendo sido escolhido o processo julgado mais conveniente, de acordo com as instruções dadas por nós nos contactos que efectuámos expressamente para o efeito. Importa ainda referir que todas as escolas objecto desta investigação receberam o modelo de questionário previamente e um formulário com os objectivos e informações referentes à investigação, tendo sido esclarecidas todas as dúvidas e questões que entenderam, por bem, colocar.

Por conseguinte, procedemos à aplicação e recolha dos questionários no período que mediou entre Março e Maio de 2007, uma altura pertinente em termos de recolha de informação (já que o final do ano lectivo dá-nos mais informação sobre a experienciação do processo de trabalho docente) mas, eventualmente, menos boa em termos do trabalho das escolas, com os professores a serem solicitados para inúmeras tarefas, tais como, testes intermédios, exames, diversos questionários (relacionados com a avaliação externa das escolas) e o concurso para professores titulares no ensino público, entre outras actividades afins.

Depois de recolhida a informação, procedeu-se à elaboração de um ficheiro com todos os dados do questionário e esses dados foram submetidos a um tratamento e a uma análise estatística, através do programa SPSS v.15. Este programa permite calcular medianas, frequências, percentagens, médias, usar índices de correlação (por exemplo, o alpha de Cronbach para cálculo da fiabilidade do instrumento de recolha de informação) e também, verificar as diferenças significativas (análise comparativa), através do uso da estatística não paramétrica e paramétrica, entre outros procedimentos estatísticos. Assim, os dados obtidos através do questionário foram submetidos a dois procedimentos estatísticos fundamentais: 1º- análise estatística descritiva básica (frequências, percentagens e médias) apresentada no capítulo V, pontos, 4.2. e 5. (tratamento de dados relativos aos professores inquiridos nas quatro escolas) e no capítulo VI (pontos de 1 a 6) da dissertação e, 2º- análise estatística pormenorizada ou seja cálculo de diferenças significativas estabelecendo comparações entre escolas, calculadas por meio de testes não paramétricos (Mann-Withney & Wilcoxon) e do teste paramétrico de Tukey (comparações múltiplas), apresentada no capítulo VI, ponto 7. Também se aplicou o teste de

176

Kolmogorov-Smirnov para verificar se a distribuição das pontuações obtidas nas diferentes populações (amostras) era uma distribuição normal.

No que respeita ao tratamento dos dados das entrevistas, por serem em número reduzido ou seja quatro (uma a cada um dos directores das escolas) não se justificava o uso do programa QSR7- Nud.Ist 7. Contudo, ainda foi feita uma abordagem ao referido programa para verificar se valeria a pena usá-lo no tratamento dos dados obtidos nas entrevistas.

Em termos da sequência de tratamento dos dados, primeiramente, introduzimos os dados num ficheiro do programa SPSS v.15, depois, procedemos a uma análise estatística simples através de cálculos de frequências e percentagem e, seguidamente, utilizámos uma análise estatística descritiva e inferencial. Recorremos também à análise de conteúdo, uma análise temática que é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos directos (significações manifestas) e simples (Bardin, 1970:153). A análise categorial serviu de base para descrever as principais fases da análise de conteúdo nas entrevistas. A análise temática das significações manifestas do discurso está relacionada com a dimensão denotativa do discurso e é utilizada para as respostas directas do questionário e para a análise do discurso das entrevistas. A análise dos valores implícitos, conotações ou seja significações latentes (dimensão conotativa) também é importante para as interpretações do mesmo discurso.