Chapitre III : La Master Kinase LKB
2. LKB1 : Master kinase
2.1 La polarité cellulaire
Estudos que tratam da responsabilidade enunciativa não atingem ainda um grau de difusão correspondente à importância do assunto para os estudos linguísticos. Entender as estratégias do enunciador para eximir-se da responsabilidade pelo que enuncia, ou mesmo
atribuir a si mesmo, quando lhe é conveniente é, certamente, um facilitador na construção da textualidade.
No Brasil, alguns trabalhos sobre esse tema são desenvolvidos na UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte - por Rodrigues e seu grupo de pesquisa, predominantemente, em corpus constituído por gêneros acadêmicos.
Ao proporem uma análise da construção de sentidos de um discurso de renúncia, proferido em 21 de setembro de 2005, pelo Deputado Federal Severino Cavalcanti, então Presidente Da Câmara Dos Deputados, Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010) destacam que a noção de responsabilidade enunciativa não é consensual para os autores que se dedicam a estudá-la. Conforme citação:
Para Culioli (1971, p.4031) „toda enunciação supõe responsabilidade enunciativa do enunciado por um enunciador‟, ou seja, assenta-se no critério da asserção. No entanto, para Nolke, Flottum e Norén (2004), os proponentes da Teoria escandinava da Polifonia Linguística – ScaPoline – , assumir a responsabilidade enunciativa é ser fonte do enunciado, é estar na origem, é assumir a paternidade. Para rabatel (2008ª, p.21), „o sujeito responsável pela referenciação do objeto exprime seu PdV tanto diretamente, por comentários explícitos, como indiretamente, pela referenciação, ou seja, através de seleção, combinação, atualização do material linguístico‟. ( p.153)
Ainda, segundo os pesquisadores, outro estudioso, Rabatel (2009, p.85) postulou “a noção de quase- RE” para os enunciadores segundos, aos quais é possível imputar um PdV, mesmo que eles não tenham dito nada”. Conforme Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010), ao assumir esse posicionamento, Rabatel (2009) se distancia de Ducrot (1984), para quem assumir a responsabilidade enunciativa é falar, é dizer, e se distancia também da ScaPoline, uma vez que para ele, pode-se atribuir um ponto de vista (PDV), mesmo a quem não tenha falado, não estando, portanto, na origem do enunciado.
Rodrigues (2010), em um artigo denominado a (não) assunção da responsabilidade enunciativa pelo enunciador em que procura compreender as vozes enunciadas em gêneros acadêmicos produzidos por alunos de graduação, destaca também a relevância dos estudos de Guentchevá, (1994) no âmbito da ATD. Pois, segundo ela, a noção da categoria do mediativo, postulada por esse autor, permite materializar, de forma explícita não só quando um enunciador não é a primeira fonte da informação como também não assume a responsabilidade pelo conteúdo veiculado. Para Guentchevá, o enunciador não assume qualquer garantia pelos conteúdos reportados, o enunciado, assim, não se constitui, uma afirmação do discurso citante. Noção essa que difere da proposta de heterogeneidade
mostrada, postulada por Authier-Revuz (1978), visto que para essa autora, o discurso indireto
caracteriza uma tomada de posição do enunciador a respeito de determinado enunciado, conclui Rodrigues (2010).
Adam (2008), ao tratar do assunto, destaca que o desdobramento polifônico se dá através da expressão de um ponto de vista ou da assunção da responsabilidade enunciativa. Conforme o autor, o interpretante constrói a representação discursiva (RD), possibilitado, não só pelo fato de a linguagem fazer referência, mas também porque o texto é uma proposição de mundo que solicita do interpretante uma atividade semelhante de (re)construção dessa proposição de mundo ou RD.
A RD se construiria a partir dos enunciados, em função, entretanto, das próprias finalidades (objetivos e intenções) do interpretante e de suas representações psicossocias da situação, do enunciador e do mundo do texto, bem como de seus pressupostos teóricos. Assim, em outras palavras, a heterogeneidade constitui a linguagem e condiciona a interação. O texto, nesse sentido, em termos de teoria linguística da enunciação é, para Adam (2008, p.115), “ao mesmo tempo, uma proposição de mundo (RD) e de sentido, um sistema de determinações e um espaço de reflexividade metalinguística”. Isso se justificaria para ele pela existência da consciência epilinguística dos sujeitos falantes. É essa consciência que permite a cada locutor interagir, mesmo sabendo que a língua não pode dizer tudo e que a comunicação é falha, “o que não impede a referência ao mundo, às palavras, à própria situação de enunciação e aos coenunciadores” (ADAM, 2008, p.115).
Ao tratar da atribuição da responsabilidade enunciativa, Adam (2008) apresenta uma análise de maneira sistemática e clara sobre essa teoria e identifica os recursos de que o enunciador pode se utilizar para apropriar-se da linguagem e responsabilizar-se pelo que enuncia ou mesmo atribuí-la a outro. O autor esclarece que tratará desse tema a partir da perspectiva de Benveniste (1974).
Na tentativa de facilitar a compreensão das unidades de análise com que trabalha, Adam (2008) destaca que se deterá a uma terminologia metalinguística que permita descrever uma complexidade de unidades mínimas das quais a gramática não permite, por si só dar conta, visto que situará sua discussão no âmbito da produção e da leitura de conjuntos textuais mais vastos e não apenas literários.
Essa é a razão pela qual propõe a definição de proposição-enunciado: “como um
enunciado mínimo, uma unidade textual de base, efetivamente realizada e produzida por um ato de enunciação” (ADAM, 2008, p.106). O pesquisador justifica a adoção desse termo pela necessidade de uma unidade mínima que não só marcasse a natureza do produto de uma
enunciação, o enunciado, como também acrescentasse a isso a designação de uma microunidade sintático-semântica, a proposição.
De acordo com o autor (2008, p.108), a proposição-enunciado “é o produto de um
ato de enunciação: ela é enunciada por um enunciador inseparável de um coenunciador”. Ele se utiliza de uma passagem de Benveniste (1974) que, em seu artigo de 1970 sobre „O aparelho formal da enunciação‟, define a enunciação como uma coenunciação.
Os enunciados, conforme Adam (2008), são classificados em verbais e nominais. Verbais são aqueles cujo conteúdo a respeito de um „objeto de discurso, sujeito ou tema‟, é
expresso por um predicado verbal, conter um verbo é a característica que os diferencia dos nominais. Acrescenta, ainda, os enunciados monorremas, que são expressões do tipo “Bravo!”, “Fora!”, “Magnífico” etc.
Outra característica da proposição-enunciado é o fato de compreender três dimensões que são complementares.
As três dimensões complementares de toda proposição enunciada são: uma dimensão enunciativa que se encarrega da representação construída verbalmente de um conteúdo referencial e dá-lhe uma certa potencialidade argumentativa que lhe confere uma força ou valor ilocucionário mais ou menos identificável. (ADAM, 2008, p. 109)
Acrescenta, ainda, que não existe enunciado isolado. Mesmo parecendo isolado, um enunciado elementar se liga a um ou a vários outros e/ou convoca um ou vários outros em resposta ou como simples continuação. Essa condição de ligação é, em grande parte, determinada pela orientação argumentativa do enunciado.
Toda proposição enunciada, segundo Adam (2008, p.113-114), “possui um valor descritivo. A atividade discursiva de referência constrói, semanticamente, uma representação, um objeto de discurso comunicável”. Uma proposição apresenta, em geral, uma estrutura formada por um sintagma nominal associado a um sintagma verbal, porém, considerado do ponto de vista semântico, pode se reduzir a um nome ou adjetivo. A representação discursiva é, necessariamente, a expressão de um ponto de vista, conforme o autor:
Toda representação discursiva [RD] é a expressão de um ponto de vista [PDV] relação [A] – [B] e que o valor ilocucionário derivado da orientação argumentativa é inseparável do vínculo entre o sentido de um enunciado e uma atividade enunciativa significante (relação [C1]-{B]. Enfim, o valor descritivo de um enunciado [A] só assume sentido na relação com o valor argumentativo desse enunciado [C1}. O sentido de um enunciado (o dito) é inseparável de um dizer, isto é, de uma atividade enunciativa significante que o texto convida a (re)construir. (ADAM, 2008, p.113).