CHAPITRE 3 : LE PILOTAGE DE L'INNOVATION
C. La place de la communication interne et externe
Carla: Quantos anos de Casa de Ismael C. ? C: 35 anos.
Carla: 35 anos? Você é uma pessoa assim bem especial pra ta participando dessa minha
pesquisa, porque você a trinta e cinco anos num abrigo cuidando de jovens de diferentes idades, de 0 a 18, fora as mães sociais ? Então não poderia ficar de fora viu C, uma pessoa muito especial.
C: Eu não me acho tão especial assim.
Carla: Ah, mas nós achamos ... risos. Uma batalhadora né tia? Ta aí nessa... Tia C.: Eu tento.
Carla: E você nessa labuta aí, como é que é pra você conviver com essas pessoas de idades
tão diferentes?
Tia C: Eu tenho muita (incompreensível) de interagir com as pessoas, seja criança, seja
jovem, seja uma pessoa já mais madura, e eu tenho consciência que sou muito querida pelas mães sociais, tenho consciência que elas gostam muito de mim, mesmo as mais recentes, a gente sabe quando é falso e quando é verdadeiro. E as crianças eu sei que eles gostam de
mim, eu sei que eles tem confiança em mim, disso eu tenho consciência, né? Também para os anos que tenho aqui.
Carla: E ai você nessa relação entre vocês é claro que tem horas, momentos de alegria, de
tristeza, como é que é pra você isso? Você acha que os jovens hoje em dia eles é ... qual a imagem que você tem do idoso de um modo geral? Não só de você, mas de todos os idosos né?
Tia C: olha Carla eu acho que muitos têm uma imagem muito ruim da gente, nós idosos
porque eles debocham dos idosos, debocham de mim na minha frente (incompreensível) por trás ... quem sabe né? A gente vê eles fazendo chacota, eles, os jovens hoje não respeitam mais os idosos né? Como antes, por isso eu tenho experiência própria. Antes eles respeitavam muito mais a gente.
Carla: No seu início por exemplo ... da casa, você tem 35 anos né? Quando você começou a
lidar com esses jovens, o relacionamento, você achava que era mais respeitoso?
Tia C: Mais respeitoso. Até uns 5 ou 6 anos atrás. Carla: era mais?
Tia C.: eram mais respeitosos, eram sim.
Carla: E você atribui a que essa postura deles, o que você acha?
Tia C.: Eu não sei Carla, eu acho que uma coisa que veio, não sei se veio ajudar ou veio
atrapalhar hoje em dia, é o fato de hoje em dia os pais, os responsáveis não terem mais direito de corrigir uma criança, como eu fui corrigida. Como eu criei, corrigi os meus filhos como eu corrijo os meus netos que eu tenho 2 de 3 anos, mas de vez em quando eu dou boas palmadinhas neles, por que eu acho que quem bate para espancar é uma coisa, mas quem bate por amor é outra muito diferente. Hoje em dia, os jovens de hoje fazem o que querem e fica por isso mesmo.
Carla: Você acha que é uma questão de educação? Tia C.: Acho que é uma questão de educação. Acho.
Carla: Essa questão de educação você acredita que ela começa em casa? E a escola
complementa? Como é que é?
Tia C.: Acho que se os pais não ensinam os filhos, não é a escola que vai ser responsável por
essa educação. A escola ajuda.
Carla: É porque a nossa intenção trabalhar com políticas públicas. Promover políticas
públicas no sentido de preparar os professores, preparar as escolas para educar as crianças a respeito do envelhecimento, que você acha ...teria um resultado positivo? Como é que você acha?
Tia C: Olha hoje em dia as crianças, a gente tem exemplo aqui dentro, palpável, criança de 8,
9 anos a escola já não anda mais conta, já o menino agride a professora, a diretora ali, a gente tem que buscar a criança e antes isso não acontecia.
Carla: Então ...
Tia C: a própria escola hoje também não, eu não diria que não é que não está sabendo, não
tem voz ativa mais pra corrigir um aluno.
Carla: E você que ta faltando... como é que a escola poderia agir?
Tia C: Olha antes ninguém chamava o pai, dificilmente você chamava o pai ou a mãe na
escola, a professora resolvia. Hoje em dia elas não resolvem mais porque elas têm medo da punição. Tem um juiz, tem uma vara da infância que cobra tudo, cobra toda hora, porque aí na rua o menor é batido, o menor é espancado e não acontece nada. Um lar que nem o nosso a Casa de Ismael, se a gente da uma palmada numa criança educando, a gente vai parar na vara da infância, vai parar numa delegacia. Então é isso também eu acho que isso é medo das pessoas se comprometerem.
Carla: Você acha que então que o excesso ... se é que a gente pode chamar de excesso, de
proteção tem prejudicado?
Tia C: Olha eu vou te dizer uma coisa, não sei nem se devia falar, mas esse estatuto da
criança e do adolescente não trouxe muito benefício não. Por que os jovens, as crianças eles só vêem os seus direitos, ele não vêem os deveres e não vê as obrigações e isso é uma ameaça que eles fazem pra gente.
Carla: É mais cabe a nós também lembrá-los dos deveres? Porque eles têm direitos, todos
nós, não só os jovens como as crianças, direitos e deveres, tanto é que tem a delegacia de proteção a criança e a delegacia da criança e do adolescente, a DCA, uma é onde ele é o infrator e outra onde ele é a vítima. Então acho que nós temos esse trabalho educacional de ta lembrando porque realmente (incompreensível) protegendo.
Tia C: Mas eu acredito (incompreensível).
Carla: risos... o que é de interesse deles. Tia C: interesse deles é.
Carla: E você com essa convivência com os jovens há tantos anos, você acha é... que eles
usam de algumas palavras pra depreciar o idoso, os rótulos? Qual a imagem assim que você acha que eles têm dos idosos? De um modo geral quando você diz assim, eles fazem chacota né?
Tia C: Mas eu acho assim que pelo menos aqui a gente quase não vê esse tipo de coisa,
mesma né? Velha chata porque a única velha que tem aqui sou eu. A velha chata ... mais acho que isso é até normal, quem sabe, talvez até os meus netos vão falar essa mesma coisa comigo.
Carla: E você acha que os jovens entendem o desrespeito ao idoso assim, quando ele se
aposenta por exemplo, já o olha com outro olhar, de uma pessoa inativa, incapaz, você acha que isso não tem nada a ver.
Tia C: Não ... acho que não. Não sei se é porque eu aposentei e nunca parei. Carla: risos... não teve tempo pra perceber né?
Tia C: Não tive tempo pra perceber. Eu me aposentei e continuei trabalhando. Carla: Você é uma pessoa extremamente ...
Tia C: Agora eu fiquei muito deprimida quando eu me aposentei. Eu me achava uma pessoa
inútil, nossa os primeiros meses pra mim foi assim, horrível. Nunca pensei que a aposentadoria pudesse fazer tão mal a uma pessoa, como me fez. Mas foi só os primeiros dias, logo depois eu ..
Carla: Por quê? O que você achava? Que a partir daí...
Tia C: A primeira coisa que eu fiquei foi medo de sair da Casa de Ismael, isso me apavora
até hoje. Mas, foi um medo infundado porque eu tinha certeza que o Waldemar, o Waldemar, a diretoria jamais iam fazer isso comigo, mas quando você passa por uma crise de depressão, ta passando por uma crise assim de depressão, a gente só pensa o pior, nunca pensa o melhor.
Carla: Ai você achava que...
Tia C: Achava que eu ia sair daqui. E se eu sair daqui, eu acho que eu morro.
Carla: risos... não morre não porque não vai sair ... vai morrer mas não por isso. E você ....
porque? Você se sentia incapaz assim, a aposentadoria ...
Tia C: e eu me aposentei porque quis, foi quando eu completei 60 anos, foi na época que do
Color sei lá quem era mais, que disse quem não se aposentasse e depois não se aposentava mais, fiquei com medo e me aposentei. Foi por isso né? Hoje em dia não me arrependo.
Carla: Mas você foi recontratada né?
Tia C: Foi, em 2001 eu fui recontratada, eu me aposentei em 98 e em 2001 fui recontratada. Carla: Nesse ínterim ta trabalhando ai ... agora me diz que é secretaria né?
Tia C: Recepcionista. Secretaria eu já era. Agora é recepcionista. Carla: risos ...como é que foi...
Tia C: Já pensou recepcionista com 71 anos?
Carla: Vai ter que ficar, você é muito charmosa ... não tem não? Como é que você reage então assim com esses desafios novos?
Tia C: Ah eu vou em frente.
Carla: Vai em frente? Com entusiasmo?
Tia C: Não tenho medo não. Sabe eu vou, não diria nem com entusiasmo, eu vou com
confiança em mim. Eu tenho confiança no que eu faço, eu falho, eu erro como todas as pessoas, mas eu procuro dar o melhor de mim.
Carla: E essa postura te faz confiante, porque você ta sempre procurando fazer o melhor,
você é uma pessoa ativa?
Tia C: Eu acho que sou. Eu acho que sou.
Carla: Por que? Quais são suas características assim que você se diz ativa?
Tia C: Eu sou uma pessoa assim que ... eu não gosto muito de esperar pelas pessoas, eu gosto
de tomar a iniciativa, não espero por ninguém, eu não espero ninguém pra me empurrar, eu mesma me empurro. Eu procuro resolver os meus problemas dentro das minhas possibilidades.
Carla: E ainda apóia os outros né tia? Tia C: De vez em quando.
Carla: E ainda ta sempre apoiando um, apoiando outro. Tia C: De vez em quando.
Carla: E a flexibilidade? Você se julga uma pessoa mais flexível ou uma pessoa mais rígida? Tia C: Hoje em dia eu to muito flexível, já fui muito rígida.
Carla: O que a fez mudar? Com a idade tornou-se mais flexível?
Tia C: Eu não sei, acho que foi mesmo a vida, o passar dos anos né? Eu já fui muito
rancorosa, eu já ... as pessoas falam eu não to nem aí...
Carla: Faz ouvido de mercador?
Tia C: É, as vezes eu gosto de tomar mágoa sabe de quem? Dos meus filhos quando eles
fazem alguma coisa comigo, daí me deixa magoada ... um dia assim ... até que eles chegam em mim me abraçam, aí passa tudo pra la. Mas eu já fui muito rancorosa, hoje em dia eu não sou mais não, sou uma pessoa flexível.
Carla: E você imagina assim que os outros idosos também são mais flexíveis? São mais
rígidos? Os outros idosos de um modo geral. Você é uma pessoa mais flexível.
Tia C: Não... não... não Carla, que acho que a idade faz a gente ver tanta coisa, a gente
aprende tanto. Existe pessoas que são mais rancorosas, mas eu acho que a maioria aprendeu com a vida assim, ser mais flexível, ser mais tolerante.
Carla: Nós na nossa pesquisa, a gente percebeu que as pessoas tem uma imagem ... olham
pros idosos e os acham sábios. Você acha isso de verdade, ou é só um discurso de que os idosos são sábios?
Tia C: Sabe, acho que não, a gente aprendeu um pouco com a vida né? Mas acho que sábio,
sábio mesmo não.
Carla: E essa flexibilidade, essa tolerância que vocês vão desenvolvendo, essas
características assim que a gente considera positiva, né?
Tia C: Olha Carla, eu acho que muitas coisas a gente aprende com o sofrimento, com o
sofrimento a gente aprende muita coisa, eu já passei uns bons pedaços na minha vida. E agora eu sou uma pessoa também Carla que não me arrependo de nada que eu fiz. Se eu errei na minha juventude, se eu errei... ou eu errei por amor, não errei pra fazer mal a ninguém. Então acho que é isso, a gente vai aprendendo com o passar do tempo, vai entendendo melhor as pessoas, a compreender os problemas dos outros.
Carla: Isso é .... tem que ter alguma vantagem em envelhecer né?
Tia C: Eu sempre falo, quando eu chego numa fila, eu sempre falo ... olha não tenho culpa de
ter nascido primeiro do que vocês ... risos.
Carla: Como vocês são tratados na fila?
Tia C: Nunca tive nada assim, nunca tive assim nenhuma discriminação não, nunca. Carla: Pra pegar ônibus, você conhece seus direitos?
Tia C: Tem, pra pegar ônibus tem. Tem motorista que passa chutado quando só tem um idoso
lá no ponto. Muitos deles não param.
Carla: Por que não vai pagar né? Eles acham que pode ...
Tia C: Mas engraçado que o dinheiro não é dele, não é pra eles. Risos. Carla: É verdade né?
Tia C: Agora, eu quando eu pego um motorista educado, na hora que eu vou descer eu falo
parabéns! Continue assim, falo. Toda vida quando eu pego um motorista educado eu elogio quando eu vou descer.
Carla: Muito bem, ele se surpreende ou fica só ...
Tia C: Tem uns que dá um sorriso amarelo. Teve um motorista que me marcou muito. A
gente vinha pela L2 quando chegou ali perto do Serpro um deficiente deu sinal para descer, que que o motorista fez: ele parou o ônibus, pediu licença aos passageiros, desceu atravessou essa pessoa desta pista aqui, atravessou pra esta lá, pôs ele dentro do outro ônibus que vinha. Nossa! Eu achei aquilo um máximo, nossa eu achei o máximo, um rapaz jovem devia ter uns 20 e poucos anos.
Carla: Esse você elogiou ... Tia : elogiei.
Tia: É, é isso mesmo, as pessoas tem que aprender tratar bem o outro né?
Tia C: E eu acho muita hipocrisia de quem gosta ... eu não gosto de ser elogiada, gente ... eu
não gosto de ser paparicada , mas uma pessoa fazer um elogio, faz bem ao ego da gente, poxa. Se uma pessoa fez uma coisa bonita, fez uma boa ação, não custa nada a gente dizer, olha que bom que você fez isso.
Carla: Que bom que você acertou né? Eu também acho. Eu acho que o reconhecimento né?
De uma coisa bem feita, eu me sinto assim, mobilizada a fazer de novo. Se você é reconhecida. Se você fez isso bem feito.
Carla: E a saúde, como é que você acha que é a saúde do idoso? Como é que você lida com
essas questões de saúde assim?
Tia C: Eu nem penso nisso, não paro para pensar. Não me entrego, eu tenho uns
probleminhas por aqui, mas eu tiro de letra sabe? Eu não paro para pensar que eu estou sentindo uma dor, eu não paro para pensar que os meus ossos estão fracos? Eu não paro para pensar que minha pressão ta alta, não paro. Tudo isso eu tenho.
Carla: Você se cuida, vai ao médico, faz um chek-up, como é que é isso?
Tia C: Eu sou meio relaxada, eu tomo meus remedinhos de rotina, por que eu sei que vai
aliviar minha dor. Agora pra osteoporose e pra pressão ... não, eu tomo constantemente. Mas outra coisa, não sou muito de ir em médico não sabe? Eu vou no médico quanto eu to ruim mesmo.
Carla: Uma vez ao ano, um chek-up? Tia C: Não.
Carla: Por que que é que você não vai?
Tia C: Eu não gosto. Outra coisa, você vai no médico por uma coisa, aparece duas, três, e
enquanto você não sabe que tem, você (incompreensível) muito bem.
Carla: Ah! É assim é? Tia C: É.
Carla: e aí você ...
Carla: Da sua própria não... Tia C: Não, a minha ta ótima.
Carla: E você procura ter uma atividade física? Como é que você faz? Tia C: Não, não faço nada, só andar aqui de um lado pro outro. Só.
Carla: Como é que você acha que os idosos são? São mais criativos ou são mais
convencionais? Como você se imagina e imagina que os outros idosos sejam?
Tia C: Olha, tem os criativos, tem aqueles convencionais, tem os paradinhos.
Carla: E você acha que isso é uma característica pessoal ou está relacionado com o
envelhecimento?
Tia C: Não, muitas vezes é pessoal, é pessoal. Carla: Não tem nada a ver assim ...
Tia C: Não, não tem não. Carla: com o envelhecimento? Tia C: não, não tem não. Carla: a pessoa já era assim ...
Tia C: Era assim, com o tempo foi se acomodando, foi se acomodando... Por que é assim se
você se acomoda, se você senta num sofá pra ver televisão 24 hs por dia ... minha filha você não levanta mais. Você ... olha dentro de um ano você envelhece dez. E eu num to aqui pra isso não.
Carla: Você está aqui pra quê tia?
Tia C: Eu to aqui minha filha é pra trabalhar, é pra viver, ainda quero viver muitos anos. Carla: E como é que você convive com essas novas tecnologias, já que agora você trabalha,
você é recepcionista, como é que você está? ...
Tia C: Olha, eu acho muito bonito quem mexe com computador, acho lindo, mas eu não sei
nem por os dedos nas teclas, lá em casa tem um. A Nathália comprou um agora né? Mas, eu acho bom, eu acho que é uma inovação. Uma inovação né Carla? As pessoas têm o direito de viver melhor e se conhecerem melhor, de se movimentar melhor. Eu atendo muito bem o telefone.
Carla: É? Risos, telefone é com você? Tia C: É, é comigo mesmo.
Carla: Passa um ramal, passa pra outro ... tranqüilo. Tia C: Passo, tranqüilo.
Carla: E caixas eletrônicos? Como é que você reage?
Tia C: Eu sei, eu sei mexer nelas, eu demorei, mas aprendi. É fácil ... é difícil a primeira vez
que você vai, mas, a medida que ta tudo te indicando, vai aqui, vai ali, então a gente vai ... Agora eu ultimamente Carla não to indo sozinha no banco, morro de medo, não vou de jeito nenhum
Tia C: Porque eu já fui uma vez assaltada, né, então eu não vou sozinha mais de jeito
nenhum.
Carla: E você acha que os idosos são mais vulneráveis?
Tia C: São, mais vulneráveis nesse sentido, são mais frágeis. É muito mais fácil você atacar
um idoso do que você atacar um jovem.
Carla: É, toda pessoa tem que se resguardar né? E você aqui na casa, você tem suas
atividades né? E quando aparece uma nova? Você abraça, como é que é?
Tia C: Vou enfrente.
Carla: É? Você já mudou de função?
Tia C: Nossa muitas vezes, eu posso até não saber fazer, mas que eu tento eu tento. Carla: Os desafios... você enfrenta?
Tia C: Enfrento, eu enfrento. Essa recepcionista, foi um desafio. É um trabalho que eu já
fazia, já atendia muito e tal ... só que agora a responsabilidade é maior, porque agora a responsabilidade é minha, né? Antes eu só quebrava um galho. Agora é minha função, então eu tenho que fazer, eu tenho que dar conta direitinho. Recados, não posso esquecer, tenho que anotar tudo, se bem que a minha cabeça é boa Carla. Você nem imagina o quanto. Minha cabeça é boa, não troco pela cabeça do Presidente.
Carla: risos... Tem boa memória. Tia C: Tenho graças a Deus.
Carla: É ... boa memória a gente também confia na memória, mas também é bom ... Tia C: É bom anotar, né? Porque de vez em quando muita coisa passa.
Carla: E você trabalha essa memória de que forma? Você faz alguma atividade? Ou é só
atividades da rotina mesmo?
Tia C: Faço nada. Só isso mesmo.
Carla: E com seus familiares como é que é? Esse relacionamento entre jovens, idosos, agora
na sua casa tem 3 (três ) gerações né? O Pedro de 3, a Natália de 39 e você. E fora ...
Tia C: O João Pedro (... incompreensível).
Carla: João Pedro que está sempre com você também.
Tia C: Não, eu trabalho bem, eu me viro bem com isso, sabe? De vez em quando menino
enche o saco mesmo, a gente perde a paciência, mas é normal, até os jovens perdem a paciência, imagine eu, né? E, eu me viro bem com todo mundo. Qualquer coisa eu dou uns gritos também, né? Isso é normal, eu acho né.
Carla: Essa parceria você acha que hoje em dia que os idosos se aposentam mas eles tem
colaborado né, continuado com a educação dos netos né? Você ta ... como é que você acha? Como é que isso é pra você, um prazer, uma obrigação?
Tia C: É um prazer, tem hora que não dá pra ser não, mas na hora que a gente ta com raiva,
mas é um prazer sabe? Nossa meus netos são tudo pra mim. A Stela ...
Carla: A Stela já está moça.
Tia Concebida: Moça bonita, o João Pedro, o Davizinho e eles são, ... o João Pedro é louco
por mim, é mais que o Davizinho. Vive me abraçando, beijando, me chama de vozinha.
Carla: Então é gostoso?
Tia C: Muito, muito. Você vai ver quando tiver os seus.