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1. A la recherche d’une économie écologique

1.2. La bioéconomie de Nicholas Georgescu-Roegen

1.2.1. La nature entropique du processus économique

Nas proximidades do colégio em que a pesquisa foi desenvolvida encontra-se a maior unidade de conservação de Goiânia, o Jardim Botânico Amália Hermano Teixeira com área de um milhão de metros quadrados (1.000.000 m2). A unidade é considerada como o “pulmão verde” da cidade, isso porque o formato de sua área se assemelha a de um pulmão. A figura 10 apresenta uma imagem da localização espacial do Jardim Botânico de Goiânia.

Figura 10. Localização espacial do Jardim Botânico de Goiânia. Fonte: Google Earth Pro.

O Jardim Botânico possui remanescentes de mata seca e ciliar, espécies nativas do cerrado, animais silvestres e nascentes do córrego Botafogo. A entrada na unidade é gratuita e atualmente instituições de ensino podem agendar visitações, que são guiadas pela equipe de educadores da unidade. Por meio da visita, estudantes e visitantes podem participar de trilhas, oficinas e atividades voltadas para a educação ambiental.2

Nas dependências do Jardim Botânico também podem ser encontrados outros atrativos como o Museu Carpológico, a Biblioteca Jequitibá, o Jardim Sensorial e o Borboletário. O Museu Carpológico armazena várias sementes, folhas, frutos e flores de diversas espécies do cerrado. A Biblioteca Jequitibá é aberta para estudantes e demais interessados e possui em seu acervo obras especializadas na área de botânica, meio ambiente, ciências e mapas urbanos de unidades ambientais.

O Jardim Sensorial é composto por plantas medicinais e ornamentais e tem como objetivo passar informações por meio do olfato e tato para pessoas com necessidades especiais e quem se interessar pelo assunto. No local também existem plantas nativas e atrativas para borboletas por isso foi criado um Borboletário, que chama a atenção dos visitantes para a observação do desenvolvimento da vida da borboleta (ovos, lagarta, pupa e borboleta) e a proposta baseia-se em estimular a preservação desse animal.

Apesar dos inúmeros atrativos, beleza e bens naturais, atualmente a unidade de conservação se encontra bastante degradada. Problemas como o lançamento indevido de resíduos sólidos, erosão próxima às nascentes e habitações irregulares contribuem para a degradação do local. Além disso, reportagens e relatos de moradores sobre o histórico do Jardim Botânico transmitem uma imagem negativa e marginalizada devido a ocorrências de óbitos no local e a presença frequente de usuários de drogas.

O Jardim Botânico, de acordo com Zarate e Pantaleão (2014), encontra-se desprovido de qualquer infraestrutura que possa atrair pessoas e estimular seu uso enquanto espaço público. De acordo com seu plano de manejo, a unidade poderia receber equipamentos públicos voltados para a educação ambiental, mas encontra-se subutilizada. Entretanto, é preciso considerar que há infraestrutura para atrair a sociedade mas a questão da segurança e manutenção da área necessitam de maior atenção.

Zarate e Pantaleão (2014) mencionam ainda a existência de uma discussão em prol do adensamento da região do Jardim Botânico, que está diante das pressões de incorporadoras e

2 Parte das informações deste texto foram extraídas do site da prefeitura de Goiânia. Disponível em:

http://www4.goiania.go.gov.br/portal/pagina/?pagina=noticias&s=1&tt=not&cd=9442&fn=true>. Acesso em 11 Abr. 2017.

imobiliárias para verticalizar a área, o que pode comprometer a unidade de conservação. Araújo e Pasqualetto (2007) também fizeram considerações sobre a situação do Jardim Botânico, que vem sofrendo há alguns anos com as constantes invasões de habitantes “ilegais” em seu perímetro, bem como as consequências desse tipo de moradia, tais como: compactação do solo, deposição ilegal de resíduos sólidos e contaminação das nascentes.

Conforme mencionado, a unidade de conservação comporta nascentes do córrego Botafogo. As nascentes formam vários lagos no interior do Jardim Botânico e a água é transferida de um para outro por meio de tubos de concreto, garantindo a vazão das águas principalmente nos períodos de chuva (CAU/GO, 2013). A figura 11 apresenta um mapeamento do percurso parcial do córrego Botafogo, que percorre a área urbana de Goiânia.

Figura 11. Mapeamento parcial do percurso do córrego Botafogo.

Fonte: Google Earth Pro.

Situado na região central do Estado de Goiás, entre os paralelos 16038’36” S e 16043’43” S, meridianos 49015’53” W e 49°15’33” W, o córrego apresenta extensão de 9,8 quilômetros (9,8 km) da nascente à foz, de acordo com Martins Júnior (1996) apud Araújo e Pasqualetto (2007). O córrego Botafogo também faz parte do contexto histórico de Goiânia, uma vez que a cidade foi construída às suas margens.

A área escolhida para a construção da cidade, de acordo com Nucada e Barreira (2008) compreendia três fazendas, sendo elas: Criméia, Vaca Brava e Botafogo, sendo que as duas últimas possuíam nascentes de córregos com o mesmo nome. O projeto da cidade foi encomendado, em julho de 1933, ao arquiteto e urbanista Atílio Correa Lima, que foi finalizado tendo sua entrega formal ao Governo do Estado em janeiro de 1935.

O arquiteto, por intermédio de leis procurou proteger os cursos d’água e áreas verdes dos bosques para amenizar o clima e preservar o abastecimento de água da cidade. O Córrego

Botafogo constava neste projeto como o manancial abastecedor de água da futura capital (NUCADA e BARREIRA, 2008). Inclusive, a própria bandeira da cidade faz referência ao córrego com uma faixa estreita e ondulada, de frente simbolizando suas margens. A figura 12 apresenta uma imagem da bandeira de Goiânia.

Figura 12. Bandeira de Goiânia - Goiás. Fonte: Dados gerais do município.3

Nucada e Barreira (2008) mencionam que a cidade cresceu além do planejado e o zoneamento foi reformulado. Os mananciais que seriam preservados foram circundados por residências, comércios e/ou indústrias. A falta de rigor da legislação, da monitoração e a especulação imobiliária implicou na expansão urbana descontrolada, provocando danos nos cursos d’água que serpenteiam o perímetro urbano. Com isso, o rio Meia Ponte passou a ser o manancial de abastecimento da cidade em substituição ao córrego Botafogo.

A pressão sobre os cursos d’água é resultante do crescimento populacional, tecnológico e econômico, que implica em expressivas taxas de urbanização como tem acontecido nas últimas décadas. Diante disso, a falta de atenção e planejamento propicia a degradação do meio ambiente hídrico (ANA, 2002). Um dos reflexos é a canalização de cursos d’água, como aconteceu com o córrego Botafogo para a construção de uma via de trânsito rápido denominada “Alameda Marginal Botafogo”.

A partir disso o córrego começou a receber águas pluviais, ou seja, água de chuva que escorrem pelo telhado, calha e ralos e seguem para os bueiros onde estão as galerias pluviais. Dessa forma, é possível identificar as relações do córrego com o saneamento da cidade, uma vez que o manejo de águas pluviais, assim como o tratamento de água, tratamento de esgoto e disposição final dos resíduos sólidos são ações relacionadas ao saneamento ambiental.

3 Disponível em: < https://www.goiania.go.gov.br/html/principal/goiania/dadosgerais/dadosgerais.shtml>. Acesso

Além das águas pluviais, Araújo e Pasqualetto (2007) mencionam que o córrego vem recebendo ao longo do seu percurso resíduos (líquidos e sólidos) derivados dos diversos usos antrópicos existentes em seu entorno como floriculturas, atividades de lazer, serralheria, pavimentações, habitações irregulares e esgoto clandestino. Os usos mencionados afetam diretamente a qualidade das águas alterando assim seu equilíbrio ambiental.

Consequências ambientais da canalização do córrego Botafogo também são elencadas por Araújo e Pasqualetto (2007), tais como: compactação do solo, modificação da cobertura vegetal, redução do potencial hídrico de drenagem natural do córrego, destruição da microfauna, retirada de parte da mata ciliar, escoamento superficial, formação de ilhas de calor bem como poluição sonora e atmosférica decorrente do aumento do tráfego proveniente da Alameda Marginal Botafogo.

O maior problema em relação às áreas pavimentadas é que por meio delas há o aumento do escoamento superficial, o que faz com que a água pluvial cause erosões em áreas como a do Jardim Botânico de Goiânia. Tendo em vista que a unidade de conservação se encontra em uma região rebaixada, a água chega a altas velocidades, provocando deslizamento de terra, além de ser meio de transporte de lixo e demais impurezas afetando até mesmo as nascentes do local (ARAÚJO e PASQUALETTO, 2007).

O córrego Botafogo pertence à bacia do rio Meia Ponte e deságua no Ribeirão Anicuns. A figura 13 apresenta a confluência do córrego Botafogo ao ribeirão Anicuns e a posterior afluência no rio Meia Ponte. Classificado como classe II, de acordo com a Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), as águas desse córrego são destinadas ao abastecimento doméstico após tratamento convencional, à proteção de unidades aquáticas, à agricultura e atividades de pesca.

Figura 13. Localização espacial da foz do córrego Botafogo. Fonte: Google Earth Pro.

Diante do panorama apresentado nesse texto é importante ressaltar que as informações e o conjunto de problemas descritos, tanto em relação ao Jardim Botânico de Goiânia quanto ao córrego Botafogo, constituem a problemática estudada no âmbito da disciplina eletiva “Questões Ambientais em Foco”.

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