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Partie II Caractérisation géologique et hydrogéologique du glissement de

Chapitre 4. Hydrodynamique d’un aquifère développé au sein d’un glissement de

2. La nappe des brèches : observations de terrain

O termo metodologia procura designar o modo como damos relevo aos problemas existentes e procuramos respostas para os resolver.

O conhecimento científico não é absoluto nem universal, por isso temos muitas dúvidas a serem partilhadas. O campo dos conhecimentos científicos é, pois, relativo a um espaço económico, cultural, social ou axiológico. Também, é relativo a um tempo e a uma visão do homem. Não se pode esquecer que os saberes são sempre suscetíveis de evolução (Brodhag, 1994) .

As representações são construções sociais da realidade que o sujeito constrói limitadas por determinações sócio-históricas e com toda a carga subjetiva do sujeito. O campo de estudo das representações sociais encontra-se bem esquematizado por Jodelet (1989) (figura 5.1):

Figura 5.1 - Estudo das representações sociais (adaptado de Jodelet, 1989)

Por que construções? Porque as representações, sendo sempre representações de um sujeito sobre um objeto, não são nunca reproduções deste objeto. São essencialmente conhecimento prático.

Metodologia

Analisando a palavra “representações” leva-nos incontornavelmente para a área onde elas são essenciais - “O teatro” e a interpretação, daí que as representações sejam interpretações do sujeito social, limitadas sempre pela ação desse mesmo sujeito.

Enquadram-se no Paradigma Construtivista onde o sujeito é interveniente ativo no seu próprio conhecimento.

A diversidade e a contradição remetem-nos ao estudo das representações sociais não como conteúdos, mas como processo. Processo entendido, não como mero processamento de informações e elaboração de teorias, mas como práxis; ou seja, tomando como ponto de partida a funcionalidade das representações sociais na criação e na manutenção de uma determinada ordem social.

Em todo este processo de aquisição de conhecimento surge a ancoragem, onde o conhecimento novo ou a representação nova se vai alicerçar nas representações já existentes no sujeito, e surgirá uma nova representação que já não é a inicial porque esta foi complementada com novos conhecimentos. A ancoragem refere-se à inserção orgânica do que é estranho no pensamento já constituído. Ou seja, ancoramos o desconhecido em representações já existentes.

A cristalização é o processo onde se efetua a objetivação, isto é, quando o conteúdo interno assume o caráter da realidade externa, as noções abstratas são transformadas em algo concreto.

Considerando a teoria como impulsionadora da pesquisa, a metodologia tem preceitos fundamentais que por missão devem ser efetuados, para que o modelo que se faz do empírico, seja desfecho de um procedimento de recolha, que partiu de métodos apropriados e com a segurança de que o “feito” foi realizado constantemente numa linha de rigor. A teoria e a empiria, ligam-se entre o processo hipotético-dedutivo e o hipotético-indutivo, no que ressalva o produto formado pela teoria e conceitos que assistem do modelo explicativo do fenómeno em análise. Isto é alcançado através de um trabalho coerente e lógico que parte das hipóteses, conceitos e indicadores para a existência estudada sob a forma de averiguar a sua consonância com os conceitos. Este é edificado a partir da análise da realidade, onde os indícios são de essência empirista e a partir da qual se constroem conceitos, hipóteses e eventualmente uma teoria (Quivy & Campenhoudt, 1998).

Há dois grandes grupos de métodos reconhecidos na tradição científica: os métodos quantitativos e os métodos qualitativos.

Os métodos quantitativos são aqueles que buscam obter dados mensuráveis, quantificáveis acerca de seu objeto de pesquisa. É imprescindível, depois, que tais dados sejam submetidos a uma análise estatística.

Os métodos qualitativos, por outro lado, visam obter dados que não podem ser mensurados, como qualificações, opiniões, significados. No entanto, as diferenças entre esses grupos não se resumem apenas ao tipo de informação coletada, e sim a uma concepção global da atividade de pesquisa. Os métodos quantitativos inserem-se em geral numa perspetiva positivista, inspirada nas ciências naturais, no método cartesiano. Aqui, o pesquisador posiciona-se à distância do objeto que estuda. Os métodos qualitativos, por sua vez, baseiam-se numa compreensão dialética, fenomenológica do objeto de estudo. Aqui, os pesquisadores assumem explicitamente sua subjetividade e buscam compreender os fenómenos a partir da vivência e da interpretação dos participantes daquele objeto de estudo e de sua interação com eles.

Os investigadores, nas metodologias qualitativas interessam-se primeiro em descrever e compreender casos particulares (indivíduos ou grupos) para depois se virarem para casos mais gerais ou mesmo comparação entre casos.

As metodologias qualitativas privilegiam o estudo de caso e a comparação ou estudo de multicasos. No estudo de caso o campo de investigação é o mais real, o mais aberto e o mais controlado. O investigador está mais implicado no aprofundamento de casos particulares. Terá uma atitude compreensiva e uma participação ativa na vida dos sujeitos observados e uma análise em profundidade (De Bruyne et al., 1975 citado por Lessard-Hébert et al., 1990).

O estudo de caso reúne informações tão numerosas e tão pormenorizadas de forma a abranger a totalidade da situação.

De acordo com Lessard-Hébert et al. (1990) no plano epistemológico certos investigadores afirmam que as metodologias qualitativas estão interligadas às ciências humanas e defendem esta distinção dicotómica abordagens qualitativas e quantitativas, enquanto outros não apoiam esta posição tão radical, mas sim que existe um continuum entre as diversas abordagens nas ciências.

A investigação qualitativa tem como fundamento a compreensão do significado ou a interpretação dada pelos próprios sujeitos inquiridos.

A discussão sobre o uso de métodos quantitativos e qualitativos é extensa, no entanto na investigação em educação a tónica não deve ser colocada na dualidade quantitativo-qualitativo, mas sim num plano de análise mais global. O objetivo deste tipo de estudo não é fazer generalizações, mas sim produzir conhecimento acerca de objetos particulares em profundidade.

De acordo com González Rey (1997, 1999), não são nos métodos que devem ser buscadas as diferenças entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa, mas sim nos seus pressupostos

Metodologia

epistemológicos.

Sousa (2009) refere que a questão que opunha o paradigma quantitativo ao paradigma qualitativo fez correr alguma tinta durante alguns anos.

O método experimental de Galileu (1564 – 1642) e o positivismo de Conte (1798 – 1857), consideram que a realidade é objetiva, igualmente observável por diferentes investigadores, podendo ser considerada de Paradigma Dominante, que durante muito tempo foi conseguindo responder às inúmeras questões que foram colocadas. No entanto, continuavam a ser formuladas questões que não se enquadravam neste paradigma, e que deste modo iam ficando sem resposta.

É assim que surge o paradigma Emergente com uma visão mais circular relativamente à problemática das ciências naturais e das ciências sociais. Neste paradigma o todo é muito mais do que a soma das partes. A realidade não pode ser estudada isoladamente e individualmente, porque existe um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito, que não pode ser traduzido em números. Ela faz parte de um todo em que se estabelecem múltiplas relações. É o surgir das Ciências Sociais e da sua importância na problemática epistemológica. Como refere Luz (1994) e de acordo com a teoria de Piaget, deixou de fazer sentido a dicotomia clássica Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Sedas Nunes (1996) defende relativamente às ciências sociais que não existem campos de realidade e fenómenos que dessa forma se distingam, uns dos outros, como se fossem compartimentos estanques: o campo da realidade sobre o qual as ciências sociais se debruçam é, de facto, um só (o da realidade humana e social) e todos os fenómenos desse campo são fenómenos sociais totais, quer dizer: fenómenos que – seja na sua estrutura própria, seja nas suas relações e determinações – têm implicações simultaneamente em vários níveis e em diferentes dimensões, do real- social, sendo portanto suscetíveis, pelo menos potencialmente, de interessar a várias, quando não a todas as ciências sociais. Todas as ciências são recursivas entre si e se complementam. É difícil ao investigador refletir sobre a própria sociedade porque ele próprio faz parte dessa mesma sociedade. O Investigador é, em simultâneo, sujeito e objeto de conhecimento.

O paradigma qualitativo refere Sousa (2009) parece ter tido origem no idealismo de Kant (1724 – 1804), a realidade não será objetiva nem mesmo única, admitindo-se a sua apreensão subjetiva, e tantas interpretações da realidade quantas os indivíduos que a consideram. Em vez da procura de leis que possam ser extensíveis a toda a população, os estudos deste tipo procuram compreender os mecanismos, o como funcionam certos comportamentos, atitudes e funções.

O conhecimento científico não é um absoluto e universal, por isso temos ainda muitas dúvidas a serem partilhadas. O campo dos conhecimentos científicos é, pois, relativo a um espaço económico, cultural, social ou axiológico. Também, é relativo a um tempo e a uma visão de homem. Não se pode

que estamos no fim de um ciclo de hegemonia de uma certa ordem científica. Para o autor, na ciência moderna derivam duas consequências principais. Em primeiro lugar, conhecer significa quantificar. O rigor científico afere-se pelo rigor das medições. As qualidades intrínsecas do objeto são, por assim dizer, desqualificadas, e em seu lugar passam a imperar as quantidades em que eventualmente se podem traduzir. Em segundo lugar, o método científico em assenta na redução da complexidade. O mundo é complicado, e a mente humana não o pode compreender completamente. Conhecer significa dividir e classificar, para depois poder determinar relações sistemáticas entre o que se separou. Nesse sentido, são hoje muitos e fortes os sinais de que o modelo de racionalidade científica atravessa uma profunda crise; que é, além de profunda, uma crise irreversível.

Tanto quantificar, quanto qualificar é inerente ao processo investigativo. Não devemos atribuir maior importância a um do que a outro. Sabemos que existem características quantitativas num estudo qualitativo e vice-versa. A pesquisa qualitativa pode utilizar uma ampla gama de análises quantitativas, na verdade existe uma complementaridade. Thomas e Nelson (2002) frisam que a pesquisa qualitativa não exclui a análise quantitativa. O fundamental é o processo de investigação na elaboração dos conhecimentos e não a sua referenciação à génese intelectual e cultural desse mesmo conhecimento. É importante preconizar um conhecimento reflexivo, onde se reflita sobre o que se diz e se incorpore o que se reflete, qualquer que seja a área científica considerada.

Para Oliveira (2001), longe de apartar da metodologia, dela devemo-nos aproximar mais na construção dos nossos estudos, sem perder de vista a ideia de totalidade que recobre as ciências humanas. Importante é ser criterioso e absolutamente honesto ao coligir ou ao produzir dados. Os olhares na ciência são mediados por instrumentos e por reagentes que ampliam ou realçam determinadas zonas e obscurecem outras. A ciência é uma busca constante do conhecimento de nós próprios.

Sabe-se que o universo das ciências sociais é a principal via pela qual o conhecimento científico se relaciona com a cidadania. Assim, a superação de um patamar meramente técnico de intervenção sobre a questão ambiental demanda um enriquecimento das pesquisas nesta área (Moraes, 2005). Para Ruscheinsky (2005), a pesquisa em Educação Ambiental consiste em um inquérito sobre um fenómeno sócio – ambiental ou exame cuidadoso para descobrir novas informações ou relações, possibilitando ampliar e verificar o conhecimento existente. O contacto direto com a população – alvo envolve conhecer os seus sentimentos, valores, olhares, práticas sociais, e a forma como rebatem os acontecimentos ou são absorvidos por eles.

Neste contexto, poder-se-á dizer que o desafio maior para o investigador é a compreensão dos dados daquela amostra, inseridos numa perspetiva universal. Deste modo, a presente investigação pretende

Metodologia

estudar a participação dos alunos e professores 1.º ciclo do ensino básico do Agrupamento Elias Garcia e em particular da Escola Básica 1 Miquelina Pombo na Educação Ambiental, procurando uma compreensão regional, sem perder de vista a perspetiva universal.

A Educação Ambiental pode ser construída no ensino, na pesquisa e na extensão, a partir de práticas educativas formais ou não formais, que superem as formas fragmentadas do pensar e agir.

A investigação torna-se pertinente já que no 1.º ciclo do ensino básico, os alunos acabaram de chegar à escola, apesar de alguns já terem frequentado a rede do pré-escolar, e torna-se extremamente importante envolvê-los na problemática ambiental para que posteriormente venham a criar hábitos, visando a consciência ambiental assim como a cidadania.