Chapitre 3. Présentation de la méthodologie et de la littérature sur l’analyse des
3.3. Étude de la littérature sur l’analyse des dynamiques des prix
3.3.1. La littérature sur les dynamiques des prix pétroliers
3.3.1.2. La modélisation VAR structurelle des prix pétroliers
Em se tratando do uso das fichas, sete professoras afirmaram que a sua implementação as tem auxiliado em suas práticas avaliativas e confirmaram que, de fato, esse instrumento veio atender a solicitações das próprias professoras que sentiam falta de um direcionamento maior sobre o que deveriam avaliar. Sobre o uso desse instrumental as professoras relataram:
Elas dão um norte para o que você deve observar na criança, mas num já tem o relatório, aí a gente faz ficha, faz relatório, aí fica sobrecarregado, é muita coisa. Agora eu gosto delas assim porque dão um norte para o que você vai avaliar, agora não devia ser obrigatório, devia ser só pra gente se basear. Assim, as fichas é para a gente observar o dia a dia delas, para gente ter uma noção, aí vai fazendo anotação, e a partir daqueles pontos você já vai sentar, olhar e depois escrever o relatório. (PAULA, Infantil II, grifo meu).
Tem muitas coisas na ficha que dá pra colocar no relatório como uma complementação. (TULIPA, Infantil I, grifo meu).
As fichas também eu uso como apoio para produzir os relatórios, até porque nas fichas eles colocam os conhecimentos que as crianças deveriam ter com essa faixa etária. Elas me ajudam a produzir o relatório. (ADELE, Infantil II, grifo meu). Eu não tenho nenhuma dificuldade em preencher as fichas não. Tudo que vem para enriquecer o processo avaliativo é válido. O professor tem uma mania de ser crítico, então eu não posso dizer assim que essas fichas são dez, mas tudo que vem para enriquecer é bom (ANA, Infantil V, grifo meu).
Ao que parece, as professoras entrevistadas consideram que necessitavam de ajuda para realizar suas práticas avaliativas, isso pode representar uma grave falha em suas formações iniciais e continuadas. As professoras não sentem segurança em construir junto com as crianças que aspectos de seu próprio contexto merecem ser explorados. Afinal, se a avaliação é um componente necessário para o planejamento de ações futuras e se, como
apresentado nas falas das docentes, as mesmas se baseiam em indicações padronizadas, logo se pode concluir a existência de um movimento de homogeneização das crianças. Espera-se que todas as crianças atinjam os mesmos objetivos, passem pelas mesmas experiências definidas por um grupo de profissionais.
É possível perceber na resposta de Luiza, Maria e Marisa que mesmo discordando de alguns aspectos que aparecem nessa ficha as mesmas continuam direcionando suas práticas por eles, o que pode representar uma desvalorização da autonomia do professor.
Eu faço, mas eu não gosto. Mas eu acho que ajuda, quando eu fui fazer o meu relatório eu usei muitas informações. Não gosto porque é muita coisa, são muitos meninos. Mas é válido, é um instrumento bom. Me ajudou a direcionar o olhar, eu olho e digo “eu tenho que prestar mais atenção nessas coisas aqui”. (LUIZA, Infantil II, grifo meu).
Recentemente, nós tivemos uma formação para falar dessas fichas, então nós demos a sugestão para mudar bastante coisa, mas atualmente, eu uso, sim, ela consegue me ajudar. (MARIA, Infantil III, grifo meu).
As fichas, elas não são essas coisas todas não, mas dá pra gente tirar alguma coisa pra colocar no relatório. Tem algumas coisas delas que eu tiraria, mas como ela já vem pronta, eu uso ela também para me ajudar nos relatórios. Mas também tem alguns aspectos que eu acho importante. (MARISA, Infantil I, grifo meu).
É possível afirmar, desse modo, que esse tipo de avaliação influencia as práticas docentes, uma vez que as professoras acabam se utilizando desse instrumento para “treinar” as crianças para que tenham bons resultados. Mostram, portanto, uma concepção que submete totalmente as ações das crianças a um condicionamento do mundo adulto, que nem ao menos é representado pelos próprios professores, visto que estes não participam da elaboração desse instrumento.
Hoffmann (1999, p.31) alerta que esse tipo de instrumental pode ocasionar o “treinamento de crianças por pais e professores para o alcance de habilidades ao final dos semestres” em busca de alcançar o que vem imposto nesse instrumento, contribuindo, dessa forma, para a efetivação de práticas educativas pouco significativas para as crianças.
A autora ainda alerta para o perigo da unilateralidade, na qual apenas o professor propõe/decide as práticas a serem efetivadas. E citando Junqueira Filho (2011), ressalta a necessidade de o professor considerar em seu planejamento: “o que as crianças „precisam‟ aprender (objetivos do professor) e o que elas „querem‟ aprender (interesses e necessidades reveladas pelas crianças)”. (HOFFMANN, 2012, p. 69).
Os seguintes trechos dos depoimentos das professoras Bethânia e Clarisse exemplificam a concepção das professoras que consideram que esse instrumento não é
condizente com a realidade das crianças, contudo, ainda o utilizam como referência e orientador de suas práticas pedagógicas:
São quase 70 frases pra gente observar na criança, algumas não condizem com a faixa etária deles /.../. (BETÂNIA, Infantil III).
A gente tenta ir vendo todos aqueles pontos, mas tem uns que são bem complicados, não tem muito a ver com eles, mas a gente tem que marcar e tentar fazer com eles tudo o que está lá. (CLARISSE, Infantil II).
Maria Gadú apresenta uma visão em que considera a ficha avaliativa como inadequada e evidencia sua insatisfação, através do pensamento de que este instrumento se trata apenas de mais uma tarefa a ser cumprida pelo professor, mais uma atribuição na sua, já extensa, lista de responsabilidades: “Tem coisas que não tem a ver com a realidade deles. Eu acho que essa ficha só veio pra ser mais coisa pro professor escrever.” (MARIA GADÚ).
A fala dessas professoras (Betânia, Clarisse e Maria Gadú) evidenciam que elas acabam dando maior destaque aos objetivos definidos que devem cumprir do que em observar verdadeiramente cada criança, suas perguntas, dificuldades, descobertas.
Algumas professoras demonstraram uma visão mais crítica sobre a utilização desse instrumental. Em suas falas as professoras são enfáticas em expressar o seu descontentamento com a implementação de fichas para realizar a avaliação de crianças na Educação Infantil, como é possível observar nos trechos a seguir:
Desde o ano passado, a gente voltou à Era pré-histórica com os instrumentais. Eu acho que essa ficha nem deveria existir, não tá dentro do esperado, aqueles aspectos, meus alunos, um ou outro não estarão consolidados, uma criança de dois anos, é tão relativo o consolidado, então a maioria eu considero consolidado sim, porque em algum momento aquilo acontece e em outros momentos aquilo não acontece, se eu tenho que dizer que só acontece em alguns momentos então eles conseguem, agora é diferente eu dizer como ele consegue, de que forma ele consegue, a partir de quê ele conseguiu, aí é outra história. Ali tem coisas que talvez pra aquela turma nem tenha significado. Então eu acho que diminui o trabalho do professor. Eu acho que menospreza a criança, acaba limitando, porque quando você diz que é só aquilo então é só aquilo que interessa, mas será que não tem outras coisas interessantes? (ELIS, Infantil II).
Eu não vejo nessas fichas nada muito proveitoso não. Para mim, os relatórios semestrais dão conta do processo. Elas não me contemplam em nada, quando eu vou fazer meu relatório eu nem pego nelas, porque ela é totalmente conteúdista. (MALU, Infantil V).
Nós temos também as fichas que são no 1o e 3o bimestres, onde temos que marcar vários conceitos, se eles conseguem fazer com mediação ou sozinhos, ou se aquilo ainda não foi realizado. É ridícula. Totalmente fora de contexto. Às vezes eu sinto que eles querem direcionar o nosso trabalho com essa ficha, tipo, faça isso, mas eu não esquento muito, eu faço o meu trabalho do jeito que eu acho correto, ofereço as experiências que eu acredito que são importantes pra eles, deixo eles livres, deixo eles brincarem, faço perguntas, e não me importo quando a diretora ou outras professoras vem na minha sala saber porque tanto barulho, criança faz barulho ora,
não me importo quando a professora do ano seguinte vem me perguntar porque meus alunos não calam a boca, criança tem que falar mesmo, tem que perguntar, eles estão aprendendo, é assim que eles aprendem. (MARJORIE, Infantil IV).
A fala da professora Elis remete a uma visão de acompanhamento do processo. De acordo com o que a professora informa parece que ela tem consciência de que mais importante que o resultado final, saber se a criança consegue ou não consegue, é perceber como se deram os processos. Ter essa compreensão é um avanço, significa visualizar uma criança inteira que participa de um processo, além de ter o entendimento da dinamicidade desse momento do desenvolvimento infantil o que torna inapropriado definir a criança em um dado conceito, visto que ela se encontra em constante evolução.
De forma similar, a professora Marjorie também mostra compreender que as fichas não conseguem dar conta de um contexto dinâmico e deixa claro que não permite que isso influencie em suas práticas diárias.
Já o depoimento da professora Cássia revela que o seu descontentamento com esse instrumental não está relacionado ao fato de este ser inadequado ou não para avaliar crianças dessa faixa etária, mas à quantidade de informações contidas no mesmo. Parece que a preocupação, neste caso, não é a qualidade, mas a quantidade de informações que a professora precisa captar:
A ficha ela foi muito solicitada por nós mesmos, só que ela veio com excesso de informações e ela deixou muito a desejar com outras informações. A ficha era para nos ajudar a escrever os relatórios. Aí se pergunta para que tanta informação se os pais não estão nem atentos. Era importante, foi solicitada pelo professor, mas era para ser ou a ficha ou o relatório, aí ficou os dois, ficha e relatório, que não era necessário tanta coisa. (CÁSSIA, Infantil IV).
A fala dessa professora permite considerar aspectos preocupantes, como o fato de ter partido de algumas professoras a iniciativa de solicitar a criação dessas fichas de acompanhamento, a finalidade que a professora atribui a essa avaliação – apenas para preencher os relatórios – e o papel que a docente confere às famílias outorgando-lhes uma carga negativa na participação, ou seja, uma concepção muito negativa de avaliação na qual a mesma não se percebe nesse processo, muito menos percebe a importância da participação da criança ou das famílias.
Um fato relevante é que quase todas as professoras relataram considerar a linguagem utilizada nas fichas de acompanhamento como “muito técnica” ou “de difícil compreensão”, principalmente para as famílias, material para quem esses documentos
também são direcionados. Segundo as docentes, isso dificulta a compreensão das famílias em relação ao desenvolvimento e a aprendizagem de seus filhos.