3ème PARTIE
7. La micro-infiltration et la présence d'une férule
Fundado em 7 de março de 1928, pelos jornalistas mineiros Juscelino Barbosa, Álvaro Mendes Pimentel e Pedro Aleixo, após adquirirem o patrimônio do Diário da Manhã. U m ano depois o jornal Estado de Minas (EM) foi comprado por Assis Chateaubriand e incorporado aos Diários Associados. Nes sa época, formato tablóide, 12 páginas e tiragem de cinco mil exemplares. O EM ainda pertence ao Condomínio Diários Associados. Ao morrer, Chateaubriand legou a seus funcionários a herança dos jornais, emissoras de Rádio e Televisão espalhados por todo o país. Em uma fórmula pouco usual para os padrões brasileiros, em que as empresas de mídia são controladas pelas famílias, nos Diários Associados a presidência é exercida em forma de rodízio e por eleição entre seus condôminos. Os controladores são sócios -cotistas, com participação na gestão e nos lucros, segundo Magalhães (2005).
Mais antigo entre os principais jornais do Estado, o EM se autodenomina “o grande jornal dos mineiros” e se caracteriza por uma linha editorial conservadora, de defesa dos
interesses do Estado e de seus governadores. Por ter permanecido desde os anos de 1940 como líder inconteste entre os demais jornais mineiros (entre 1970 e 1988 foi praticamente o único diário de circulação estadual), o EM acabou se consolidando como a principal
referência de leitura sobre notícias de Minas Gerais.
França afirma que a trajetória do EM seja marcada pelo enraizamento territorial e pela
busca do vínculo com o “sentimento mineiro”. Para França, desde sua fundação houve a
preocupação de marcar a identidade como jornal “comprometido com os interesses do
Estado” (FRANÇA, 1998, p.108). A autora acrescenta que o EM sempre mirou em princípios
morais e em valores conservadores e tradicionais, talvez um espelho da sociedade mineira, permeando a política editorial e a linguagem. No entanto, vários autores relatam históricas relações de troca de favores do Estado de Minas com grupos do poder econômico e político que se revezaram ao longo das últimas décadas no Palácio da Liberdade, sede do Governo estadual (FRANÇA, 1998; CARRATO, 1997; OLIVEIRA, 1996).
Em 2006, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais protestou formalmente contra o que denominou controle da informação por parte do Palácio da Liberdade e denunciou o EM, entre outros veículos, como cúmp lice do cerceamento à liberdade de imprensa patrocinado por setores empresariais do Estado e pelo governo estadual e– que negou as acusações52.
Nas últimas décadas, o úni co momento duradouro de rompimento com o chefe do Executivo estadual foi na década de 1980 com o então governador Newton Cardoso em função de receitas publicitárias. Pela primeira vez, o EM partiu para forte oposição à administração e, em revide, Newton Cardoso criou o jornal Hoje em Dia para se defender dos ataques do EM, naquela época o único diário com circulação estadual (CARRATO, 1997).
O Hoje em Dia iniciou sua circulação em 11 de novembro de 1988 com um projeto gráfico e editorial moderno e inspirado no estadunidense USA Today. Três anos depois, fora do Palácio da Liberdade, Newto n Cardoso vendeu seu jornal para a Igreja Universal do Reino de Deus, a quem ainda pertence.
O EM desencadeou a criação de outro concorrente também após atritos políticos, quando publicou uma série de reportagens acusando o empresário e deputado federal V itório Medioli de negócios irregulares e insinuando ligações criminosas (CARRATO, 1997). Em dezembro de 1996 nascia O Tempo. Com um moderno parque gráfico, Medioli edita ainda o Pampulha, semanário de distribuição gratuita, e o Super Notícias, tablóide p opular líder nesse segmento em Minas Gerais.
Entre os quality papers, o EM é o periódico de maior tiragem no Estado. É também o de melhor estrutura, com 174 jornalistas trabalhando em 2006. Em 2007, os três principais
jornais mineiros não disponibilizavam tiragens auditadas pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC). A tiragem média diária do EM é de 75 mil exemplares durante os dias de semana e 120 mil aos domingos, dos quais 65% circulam na Grande BH, 33% em 702 cidades do interior do Estado53e 2% para outras localidades. São Paulo tem média diária de assinatura de 39 exemplares e 124 exemplares de venda avulsa; Rio de Janeiro tem média diária de assinatura de 36 exemplares e 34 de venda avulsa; e Distrito Federal tem média diária 71 exemplares de assinatura e 98 avulsos. A tiragem média mensal do Hoje em Dia é de 71 mil exemplares (ESPÍRITO SANTO, 2006).
Com formato standard (32 cm de largura por 56 cm de altura), o EM se apresenta graficamente com as editorias Política, Nacional, Internacional, Ger ais (assuntos locais e do interior), Opinião, Cultura, Economia, Agropecuário, Esportes, Classificados e os cadernos semanais Veículos, Feminino & Masculino, Informática, Lugares/Turismo, Televisão, Divirta-se, Pensar, Gurilândia, Bem Viver e, eventualmen te, com cadernos especiais. Segundo França (1998), o Estado de Minas é um jornal de informações gerais que
abre espaço para as informações de cunho mais sensacionalista, para crônicas, comentários. Jornal eclético, ele aborda também a especialização e se aproxima assim, em alguns aspectos, da imprensa semanal, o que, ali ás, é compatível com seu leitorado e com o tipo de leitura feita com predominância da leitura aos domingos (FRANÇA, 1998, p.129).
De acordo com Espírito-Santo (2006), este é o perfil dos leitores do Estado de Minas: Sexo: 48% dos leitores são homens, 52% mulheres;
Classe social: 28% pertencem à classe social A, 40% à classe B, 26% à classe C e 7% às classes D e E;
Faixa etária: 11% têm entre 15/19 anos, 30% entre 20/29 anos, 20% entre 30/ 39 anos, 18% entre 40/49 anos e 22% acima de 50 anos;
Grau de instrução: 7% têm primário incompleto /completo, 11% ginasial incompleto/completo, 43% colegial incompleto/completo e 39% superior incompleto/completo.
Renda familiar mensal: 30% até cinco salári os mínimos, 22% de cinco a dez SM, 14% de dez a 20 SM, 6% de 20 a 30 SM e 6% acima de 30 SM; 27% não declararam a renda.
Como se vê pelo perfil dos leitores, o EM é um jornal que atende às camadas sociais mais elitistas do Estado. Nes se segmento, continua a ocupar o primeiro lugar em tiragem em
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Minas Gerais, perdendo apenas para o SuperNotícia, do grupo Sempre Editora54. O grupo que edita o EM é uma empresa financeiramente sólida, com cerca de 1.500 funcionários no Estado, e da qual fazem parte os jornais Estado de Minas, Diário da Tarde e Aqui , a Rádio
Guarani e as TV’s Alterosa (retransmissora do Sistema Brasileiro de Televisão), Minas Sul,
Tiradentes, Divinópolis, a Alterosa Cine Vídeo e o provedor de acesso à internet UAI. Em todo o Brasil, o grupo Di ários Associados é composto, segundo Espírito -Santo (2006), “por doze jornais, sete emissoras de Televisão, treze de Rádio, três provedores de acesso à Internet, uma produtora de cine e vídeo, uma empresa de informática, uma agência de notícias, uma fundação, um teatro, que empregam quase sete mil profissionais”. Tendo contextualizado o cenário de nosso estudo, discutiremos no próximo capítulo o papel ativo do leitor.
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A circulação diária média do EM (que não divulga sua tiragem) em 2004 foi 75 mil exemplares, segundo Magalhães (2005) enquanto que o Supernotícia circulou em junho de 2008 com 298 mil cópias diárias em média (Folha de São Paulo, 10 agosto de 2008; disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1008200824.htm >