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La « maladie incurable » de Limamou Lahi (psl)

De onde se originam as bandeiras? Hoje as encontramos e as compramos com facilidade, em lojas, nas cidades e até em feiras. Surgiram nos tempos mais remotos, junto com as violentas guerras, onde os guerreiros, sem pátria e sem terra, eram também devotos.

No Êxodo encontramos a primeira narração, onde Moisés, Hur e Aarão em guerra, subiram no cimo da montanha; e lá, numa manobra estranha, as mãos serviram de bandeira. Deviam, porém, ficar levantadas a guerra inteira, mas o cansaço as tornou pesadas; aos poucos foram sendo arriadas, e as “tropas” de Moisés estavam sendo derrotadas.

Então, sem ver outra saída, para que Moisés mantivesse as mãos erguidas, e seu povo pudesse defendê-lo, os dois pegaram cada qual por um dos cotovelos e os braços se puseram a sustentar, até que o dia terminou e a força de Amalec puderam derrotar. Ouviu-se de Moisés então a expressão: “A bandeira de Iahweh em nossas mãos! Iahweh estará em guerra contra Amalec de geração em geração”.

Mais tarde, as bandeiras com suas artes, tornaram-se flâmulas e estandartes nas lutas dos cristãos e nas guerras entre os senhores feudais. Em nossos tempos se vê cada vez mais, este símbolo da vitória ser enaltecido, por todas as ideologias e partidos, entidades e movimentos sociais.

Mas algo estranho está acontecendo. Aos poucos as cores estão se desfazendo e o vermelho parece entristecido. Despenca com os braços enfraquecidos dos velhos lutadores, cansados e ressentidos, pois não acham razões que lhes sustente os cotovelos, para que possam elevá-los e mantê-los em franca rebeldia, e, como Moisés chegar ao fim do dia, tendo vencido todos os atropelos.

Tudo iniciou há mais de uma década passada, quando soubemos em plena madrugada, que o muro de Berlim tinha caído. Ficamos estarrecidos com tamanha notícia pessimista. O golpe ferira de morte o sistema socialista. Com os braços ainda levantados, fomos ás ruas declarar em alto brado, que ali caíra apenas uma parede reformista.

Seguimos as bandeiras levantando. Vermelhas como o sol de vez em quando, sentado sobre o horizonte, chamando para que sempre se confronte, o sonho e a acomodação! Nem sempre quem vence tem razão, principalmente se a vitória é temporária; apesar de sentirmos, que algumas bandeiras temerárias, se distanciavam da revolução.

E aos poucos foram elas dos mastros separadas. As mãos desocupadas passaram a balançar cabisbaixas pelas ruas. E então avistamos ás almas nuas, cada qual com vergonha de se identificar. Frente aos fatos podemos comparar, que o baque do muro a nível mundial, na mesma proporção, aqui se deu igual, com esta frustração da tática eleitoral.

Vimos agora no Grito dos Excluídos, como o vermelho das bandeiras está sumido! Talvez guardado dentro das gavetas! Mas a direita e a esquerda com suas piruetas, nunca poderão tirar, dos revolucionários a vontade de lutar!

Precisamos reanimar os nossos cotovelos, exercitá-los e fortalecê-los como em uma grande brincadeira. Como se fossem os mastros das bandeiras, em punho, para que as futuras gerações, aprendam pelas manifestações, que mãos vazias não defendem razões; só as revoluções dão sentido à vida inteira.

Esta é a última descoberta arguta: Sem mastros e bandeiras não se fazem lutas. As mãos caídas não carregam nada, mas quando erguidas já estão rebeladas e construindo uma nova conduta.

Carta de Amor Nº 135

A NÓS

Não se arrependa por um dia ter ido às ruas com a bandeira do PT, nem se com a de outro partido tiver acaso ido! Estavas fazendo o que na época a ti fazia sentido.

Pode chorar se estiver amargurado! Na política também tivemos duas décadas perdidas! Mas o que terias feito de tua vida, se não tivesses militado? Hoje estás frustrado, ou frustrada? Melhor assim, do que se não tivesses feito nada!

Os ricos sempre lhes dirão que não valeu a pena! A eles interessa a cena e não a peça inteira! Mas nós, como as cachoeiras, sabemos que temos passado, e futuro! Não pára o tempo porque ficou escuro, nem tampouco porque se fez besteiras.

Levante a cabeça, enxugue o pranto! Seja como os pássaros que não mudam o seu canto, porque o mantém sempre afinado! Nem os mortos se sentem derrotados, porque vivem nas entrelinhas dos valores! Aprenda a ser forte como as flores, que seguram o jardim sempre perfumado!

Não fique em casa com a bandeira enrolada! Você ainda tem uma longa estrada, para andar de braços dados com alguém! Lute e se sentirá bem! Jamais se esqueça que a revolução, é um sentimento que toma uma nação, para buscar se libertar também.

Lembre do Paulo e do Florestan. Do Lamarca, Marighella e que as manhãs, sempre são novas porque não são iguais. Os tempos nos tornam imortais! A vida põe as provas e as barreiras! Jogue seu desânimo na lixeira! Você merece muito mais!

Ninguém pode desfazer o que está feito. Há coisas destruídas que não tem mais jeito, mas nem por isso o mundo acabou! Agarre-se na esperança que restou! Imponha seu olhar para o horizonte! Descontraia a rigidez da fronte! O século apenas começou!

Há tanta história ainda por ser feita! Tantos plantios, tantas colheitas, que não haverá um dia de descanso! Jogue fora este enojado ranço, que lhe amargura o sentimento! Purifique seu espírito com o vento! Os recuos às vezes são avanços!

Não lastime a má fadada sorte! É hora de mostrar que somos fortes e que vamos reverter a nostalgia! Não permita que a omissão e a covardia imponham suas vontades! Você não perdeu nem a metade, da certeza que mantinha na utopia!

Diga a si e a quem puder ouvir! Que nós não vamos desistir nem entregar os pontos! Logo estaremos nos confrontos e reanimando todas as disputas! Diremos o que sentimos com as lutas! Este jogo vai ser ganho nos descontos!

Leia bastante, histórias e biografias! Há tantos exemplos de belas rebeldias, que fazem arrepiar o corpo inteiro! Abrace as companheiras e os companheiros! Sinta o pulsar de cada coração! Não há coisa melhor do que a união, para cruzar pântanos e atoleiros!

Não se deixe amedrontar por nada! As árvores também sentem quando são podadas, mas logo se refazem ainda mais bonitas. A história de quem acredita, nunca é deixada pelo meio! Você precisa ser o esteio, ou a onda do mar que se agita!

Acredite na dignidade! Nos valores e na solidariedade! Nas idéias que aos poucos conscientiza! Considere que esta fria brisa é incômoda, mas é passageira! Creia que a burguesia inteira, não merece lamber o chão que você pisa.

Ânimo! Coragem! A tormenta está quase passando! Aceite a tarefa que o poeta está lhe dando, apresentada com palavras mansas. O passado ficará como lembranças, mas não esqueça de soletrar de vez em quando! E por mais difícil que pareça: “Você tem que assumir o comando!”

Cartas de Amor N 136

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