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5 Clarifier l’architecture et la répartition des compétences

5.6 Compétences et points particuliers

5.6.2 La gestion du sport professionnel féminin

Mattelart (2005) evidencia que as mídias já participavam da perspectiva de difusão dos ideais da UNESCO. É o que o professor francês demonstra citando Wilson (1947), abaixo transcrito:

A Unesco pretende utilizar os recursos e as informações do rádio, da imprensa e do cinema para aprofundar a compreensão e o respeito mútuos entre os povos da terra. Por meio da apresentação na rede mundial de radiodifusão da música, da literatura, da arte e das realizações culturais de todas as nações, esperamos desenvolver uma melhor compreensão das qualidades comuns da humanidade (apud MATTELART, 2005, p. 54).

O que ali se expressa como ambição planetária relativamente ao rádio, veio a ser atualizado, e potencializado, pela Web – algo que sua citação nos diversos documentos da UNESCO vem a confirmar. A Declaração do México, de 1982, já contemplava as novas tecnologias – nas quais podem ser incluídas as mídias da Web –, em seu poder de difusão dos conteúdos da diversidade cultural, como pode ser apreendido nos seus seguintes parágrafos:

Uma circulação livre e uma difusão mais ampla e melhor equilibrada da informação, das idéias e dos conhecimentos, que constituem alguns dos princípios de uma nova ordem mundial da informação e da comunicação, supõe o direito de todas as nações não só de receber mas também de transmitir conteúdos culturais, educativos, científicos e tecnológicos. Os meios modernos de comunicação devem facilitar a informação objetiva sobre as tendências culturais nos diversos países, sem lesar a liberdade criadora e a identidade cultural das nações (UNESCO, acesso em 9 mar. 2006, p. 6).

Dentre os documentos pesquisados para este capítulo, este foi também o primeiro a trazer a expressão diversidade cultural. É muito interesse que o conceito, então novo, de diversidade cultural já fosse tratado em conjunto com as novas tecnologias, como um reconhecimento dos potenciais destas para ampliar o alcance da diversidade cultural. Sendo consagrado pela Declaração Universal da Diversidade Cultural, de 2001, tal tratamento conjunto foi posteriormente confirmado em um documento que a referenda – a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, de 2005. Para Mattelart (2005, p. 10), a ciência de que “[...] a apropriação das novas técnicas interativas

pressupõe absolutamente um diálogo entre as culturas [...]” motivou a UNESCO a propor essa convenção.

A propósito das discussões em torno dessa convenção, em artigo publicado no site Vitruvius, o professor Paulo Funari relatou a reunião organizada pela International Cultural Property Society (Sociedade Internacional sobre a Propriedade Cultural). Sediado em Nova York, o encontro deu-se na semana de 20 de outubro de 2005, data em que foi aprovada a Convenção sobre a proteção e promoção da diversidade de expressões culturais. Conforme Funari (2005), ali presente na qualidade de representante latino-americano, o tema geral da referida reunião foi a pergunta: “Qual patrimônio preservar” ?

Essa questão foi formulada numa atualidade marcada pela assunção da diversidade cultural, uma época em que as variadas culturas são disseminadas velozmente pelas novíssimas mídias, e em que uma das acepções da memória é aquela medida em bytes. O problema enseja várias perguntas e instiga deliberações filosóficas da maior importância, como a colocada pelo próprio professor Funari (2005), abaixo citada.

Retornando ao encontro de Nova Iorque, cabe lembrar que no mundo contemporâneo – caracterizado pela indústria cultural, pela globalização e pela internet – as culturas mostram-se em mutação rápida, com a reelaboração constante do seu patrimônio. [...] O meio digital, nos últimos anos, gerou a criação de um imenso universo cultural extremamente fugaz, que em poucos anos desaparece por tornar-se tecnicamente obsoleto. Tudo isto é patrimônio cultural, é diversidade de criação da humanidade que se perde a todo instante. Um tema de fundo de toda esta discussão, também presente na reunião de Nova Iorque, refere-se ao valor, se valor haveria, de se preservar a diversidade. A diversidade per se é um valor a ser preservado?

A Convenção de 2005 é o mais recente dentre os documentos patrimoniais referentes ao tema. Entre os seus princípios, o sétimo é o Princípio do Acesso Eqüitativo. Este princípio preza o acesso eqüitativo à diversidade de expressões culturais originárias do mundo inteiro. Preza também o acesso de todas as culturas aos meios de difusão na valorização da diversidade cultural e do entendimento mútuo. Nesse sentido, seu Artigo 12 – Promoção da Cooperação Internacional, prediz, em sua alínea d: “[...] promover a utilização das novas tecnologias e encorajar parcerias para incrementar o compartilhamento de informações, aumentar a compreensão cultural e fomentar a diversidade das expressões culturais [...]” (UNESCO, acesso em 9 mar. 2007, p. 11). Essa convenção foi ratificada pelo Brasil em 2007.

Vários documentos patrimoniais, particularmente a Declaração Universal da Diversidade Cultural, que grava que a diversidade cultural amplia o potencial de escolhas, refletem uma importante característica da Web: a de ser um meio essencialmente relacional. Isso faculta não apenas o conhecimento da diversidade cultural, mas também a conciliação

dos valores das variadas culturas. Exemplificando-se com sítios históricos: a Web permite acesso e interação rápidos, quase simultâneos, a vários sítios históricos, e entre esses próprios sítios. Assim, a rede comunica rapidamente os mais diversos interesses, demandas e informações.

Ao mesmo tempo, os documentos e instrumentos legais relacionados à diversidade cultural ganham maior visibilidade e alcance. As novas mídias facilitam a permuta, entre os diversos povos, das interpretações dadas pelas diferentes culturas e civilizações a esses documentos. Desse modo, elas socializam os diferentes “universais” que se formam a partir daquele universal primeiro, pretendido pelos documentos. Assim sendo, contribuem para a sua aplicabilidade em âmbito universal, consideradas, sempre, suas inflexões locais.

Veículo capilarizado por uma multiplicidade de canais, acessíveis a um só tempo, a Web permite interações as mais variadas, e simultaneamente. Permite, por exemplo, que duas pessoas situadas em diferentes países mantenham comunicação instantânea e experienciem juntas e online, a audiência de uma rádio, a assistência de um vídeo, a leitura de um texto – cada um dos quais disponibilizados em diferentes sites, abertos ao mesmo tempo. É, portanto, o veículo, por excelência, da permeabilidade da informação e da simultaneidade da comunicação.

Há que se lembrar ainda a enorme abertura da Web à criação de novos veículos, de que os recentes RSS30 são o testemunho mais atual. O RSS é um formato de distribuição de informações pela Internet, como notícias. Desse modo, quando uma informação do interesse do usuário é publicada, ele imediatamente a recebe, sem que precise navegar até o site daquela notícia.

Por tudo isso é possível considerar a Web, em sua ampla gama de mídias (sites, blogs, tags, entre outros ainda por surgir), o meio fundamental para a difusão da diversidade cultural em sua pluralidade de expressões. Portanto, confirma-se o que quisemos demonstrar neste capítulo: a Web socializa, sim, a diversidade cultural e contribui para universalizar os documentos patrimoniais, no âmbito de toda a humanidade.

Resta, enfim, sugerir a Web como o veículo a ser privilegiado nas políticas de informação e comunicação. Finalmente, cumpre declarar que os próprios documentos patrimoniais citados neste capítulo foram todos pesquisados na Web – nos sites do IPHAN e da Unesco. Nessas fontes eletrônicas, o único documento que não conseguimos acessar foi o

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Rich Site Summary ou Really Simple Syndication, cujas traduções aproximadas podem ser Resumo Rico de Site ou Sindicato Realmente Simples (Disponível em: <http://dictionary.reference.com/browse/RSS>. Acesso em: 17 ago. 2008).

da Conferência Intergovernamental sobre Políticas Culturais para o Desenvolvimento (Estocolmo, 1998).

Por tudo o que demonstramos neste capítulo, podemos concluir apontando a Web como meio fundamental para a difusão da diversidade cultural e dos documentos patrimoniais nas novas configurações planetárias de tempo e escala.

É nesse ambiente multifário, multívago e universal da Web que hoje está inserido o patrimônio mundial, seus conceitos, legislação, e as cidades tombadas. Eis o universo onde buscaremos as representações sociais das cidades brasileiras patrimônio mundial, adentrando seus sites. Mas, antes de adentrá-los, precisamos completar esta fundamentação abordando a Teoria das Representações Sociais, com a qual os pesquisaremos e analisaremos. A teoria é o objeto do próximo capítulo.

5 TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS E METODOLOGIA PARA