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LA FRANCE ET L’EUROPE DANS LE MONDE D’AUJOURD’HUI

Como já se disse, o texto em estudo é um sermão baseado na narrativa bíblica das Bodas de Caná, onde João, o autor do Evangelho, descreve com detalhes o ocorrido no casamento. Essa narrativa, assim como as parábolas8 dos Evangelhos,

se apresenta na forma de um enredo, isto é, no desdobramento de ações de personagens no espaço e no tempo. Os textos narrativos podem veicular um ou mais temas (princípios, doutrinas, verdades, valores) por meio de figuras ou percursos figurativos, os quais iremos analisar a seguir em nosso estudo.

Antes de definirmos o que é figura e tema, e o que é percurso figurativo e percurso temático, queremos dizer que esse nível do estudo do texto constitui a semântica discursiva. Resumidamente pode-se dizer que a semântica discursiva consiste em dar realidade temática e figurativa às possibilidades que as estruturas abstratas do nível narrativo oferecem. Temas e figuras são “enriquecimentos semânticos” utilizados pelo enunciador, afim de concretizar o sentido almejado (BARROS, 2003, p. 206). A disseminação dos temas e a figurativização deles são tarefas do sujeito da enunciação para assegurar a coerência semântica do discurso e criar efeitos de sentido sobretudo de concretude e realidade (BARROS, 2011, p. 66). Temas são as ideias, são os conceitos de que trata o texto. Segundo Fiorin (2013, p. 91), “Tema é um investimento de natureza puramente conceptual, que não remete ao mundo natural”. Os temas se caracterizam por serem abstratos, isto é, na sua formulação usam-se predominantemente palavras de sentido abstrato. As figuras são elementos do texto que se referem à realidade concreta, são substantivos, verbos, adjetivos concretos. É por meio delas que o enunciador veicula os temas abstratos. Fiorin (2013, p. 91) afirma que “a figura é o termo que remete a algo existente no mundo natural: árvore, vagalume, sol, correr, brincar, vermelho, quente”. E completa dizendo: “a figura é todo conteúdo de qualquer língua natural ou de qualquer sistema de representação que tem um correspondente perceptível no mundo natural”.

8 A diferença entre uma narrativa bíblica, como essa do casamento, e uma parábola, está no fato de

que as narrativas descrevem um determinado acontecimento na vida de Jesus e, no caso das parábolas, são narrativas proferidas pelo próprio Jesus “cuja a finalidade é transmitir verdades morais e religiosas” (Reifler, 2002, p. 68)

A função das figuras é, portanto, a de produzir um efeito de sentido de concretude e de realidade. Um texto no qual os temas, em sua maioria, vêm representados por meio de figuras é denominado de texto figurativo. E quando o texto se apresenta em sua forma temática, predominantemente sem a cobertura de figuras, este será um texto temático. Em geral os textos não são inteiramente temáticos ou figurativos. Eles podem ser figurativos ou temáticos em proporção maior ou menor.

Em geral, os temas não são representados por figuras isoladas, mas por um conjunto de figuras que se relacionam coerentemente entre si. É preciso verificar as relações que as figuras estabelecem entre si, perceber como o texto é tecido, pois o que irá interessar na análise textual é esse encadeamento de figuras, esse tecido figurativo. Fiorin (p.97) destaca: “ler um texto não é aprender figuras isoladas, mas perceber relações entre elas, avaliando a trama que constituem”. A esse encadeamento de figuras dá-se o nome de percurso figurativo. Podemos dizer que um percurso figurativo se dá quando as figuras tecidas dão sentido a um tema. Vale ressaltar que um texto pode ter mais que um percurso figurativo.

Percurso temático, no dizer de Fiorin (p. 104) é “um conjunto de lexemas abstratos, que manifesta um tema mais geral”. Assim como os percursos figurativos, os percursos temáticos também devem manter uma coerência interna.

Exemplifiquemos essas noções com base na narrativa que deu origem ao sermão do pregador C. H. Spurgeon, a qual retomamos aqui (Bíblia de Genebra, 2009, p. 1374):

1. Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galileia, e estava ali a mãe de Jesus;

2. e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. 3. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. 4. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é

chegada a minha hora.

5. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. 6. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos

judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

7. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

8. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. 9. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo

donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

10. e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. 11. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou

Observe-se que o texto, justamente por ser uma narrativa, é predominantemente figurativo. Só não é figurativo o último versículo, que é um resumo temático da parábola toda. Nos primeiros três versículos, o narrador apresenta o tempo (Três dias depois), o espaço (em Caná da Galileia, num casamento) e os personagens (Jesus, a mãe de Jesus e discípulos) do enredo que vai seguir a partir do versículo 3 até o versículo 10. São vários os percursos figurativos que convergem para o tema que se torna explícito no último versículo. Adiante analisaremos a interpretação desses percursos feita pelo pregador cujo texto iremos analisar. O tema da narrativa, portanto, é a manifestação da glória de Jesus Cristo e a fé que nele tiveram os discípulos. Na interpretação dos exegetas, entende-se por manifestação da Glória, a revelação da natureza divina de Jesus, que levou seus discípulos a crerem nele. Nesse sentido Carson (2007, p. 136) diz que Jesus é “a auto-expressão de Deus”.

O percurso figurativo principal que dá cobertura para esse tema é a transformação da água em vinho, isto é, o milagre. Milagre é um acontecimento que não se explica pela lógica das leis da natureza. Cristo, como autor do milagre, revela- se com poderes de realizar obras que o homem comum não tem. Ele, portanto, não é um homem comum. Ele é Deus. Essa revelação ocorre por meio do milagre que exerce sobre os discípulos um poder de convencimento tal que creram nele, ou seja, tiveram fé nele.

Não nos cabe aqui discutir a noção de crer, de ter fé no sentido religioso ou exegético. Nosso trabalho pretende se limitar a definir os conceitos com base nos fundamentes da semiótica. E nesse sentido, apoiamo-nos em Greimas e Courtés (2008). Em seu Dicionário de semiótica, nos verbetes “crer” (p. 107) e “modalidades epistêmicas” (p. 172), distinguem o fazer crer do crer. O primeiro é trabalho do enunciador de persuadir (fazer-crer) o enunciatário a “assumir posições cognitivas formuladas pelo enunciador”. Já, ao crer, “o enunciatário, por sua vez, finaliza o seu fazer interpretativo por um juízo epistêmico (isto é, por um crer) que ele emite sobre os enunciados de estado que lhe são submetidos”, isto é, sobre as referidas “posições cognitivas” formuladas pelo enunciador. Em resumo, “fazer-crer é obra do enunciador, encarregado do fazer persuasivo”, e crer é obra do enunciatário que exerce seu fazer interpretativo.

Quando falamos aqui em crer e fazer crer, não nos referimos ao sentido específico do crer no sentido religioso, ao que se chama, nesse sentido de fé. Fazer

crer é um procedimento discursivo inerente a qualquer discurso cujo objetivo é persuadir. Por exemplo, o discurso jornalístico vale-se de diferentes recursos para que os leitores creiam na verdade das notícias. O discurso científico também usa recursos para produzir efeitos de verdade, ou seja, para persuadir o leitor a crer no objeto científico apresentado. Nenhum discurso, em última análise, foge desses procedimentos do fazer crer, nem mesmo o religioso.

Nesse sentido, pode-se dizer que a transformação da água em vinho (a realização do milagre) constituiu um procedimento argumentativo de Jesus para fazer- crer, ou seja, para levar seus discípulos a crerem que ele era Deus.

Devemos fazer uma distinção entre crer num objeto de conhecimento demonstrável pela lógica racional e crer em algo que a lógica racional não explica. É esse último crer que define a fé no sentido religioso. Essa “racionalidade” de ordem da fé religiosa, não admite questionamentos. Ela exige obediência incondicional. E isso o narrador do sermão enfatiza muito, particularmente nas duas últimas partes. Antecipemos, nesse sentido, algumas passagens:

Ele nos ordena irmos e pregarmos esta sua palavra: Crê no Senhor Jesus e serás salvo. Mas por que uma ordem? É sua vontade que assim seja, e isso

deveria ser suficiente para você, que se diz ser discípulo (132-153)

Oro para que você não seja desobediente à ordem do evangelho. Fé é um

dever; caso não fosse, não leríamos nas Escrituras a respeito da obediência da fé (Rm 16.26). Por isso, quando a questão é abençoar, Jesus

Cristo desafia a obediência dos homens, dando ordens reais (144-147)

Em segundo lugar, as ordens de Cristo não são para serem questionadas,

mas, sim, obedecidas.

Até aqui definimos os conceitos fundamentais de acordo com os quais faremos a análise do sermão. O que imediatamente se observa na leitura desse sermão é o seu caráter predominantemente figurativo. Trata-se, portanto, assim como a narrativa original de João, de um texto figurativo. Faremos agora o estudo dos procedimentos figurativos e de sua interpretação temática. Seguiremos a linearidade do texto de Spurgeon. Em termos gerais, pode-se dizer que o pregador parte de um percurso figurativo da narrativa de João, para, a partir dela, criar novos percursos figurativos e, então, fazer a correspondente leitura temática.

Segmento:

Você conhece a narrativa. Jesus estava numa festa de casamento e, quando o vinho acabou, ele o providenciou com generosidade.

Trata-se uma retomada de um percurso figurativo do texto bíblico. A partir dele, o pregador constrói nova narrativa, como se vê a seguir.

Segmento:

Creio que não seja adequado entrar em discussão sobre que tipo de vinho nosso Senhor Jesus criou naquela ocasião. Era vinho, e estou certo de que

era realmente um bom vinho, pois ele não produziria nada que não fosse o melhor. Teria sido vinho como geralmente entendemos ser essa bebida

hoje? Era vinho, sim, mas provavelmente existem muito poucas pessoas atualmente que hajam provado tal tipo de vinho. O que hoje leva este nome não é propriamente vinho natural e verdadeiro, mas, sim, bebida da qual certamente Jesus jamais teria provado uma gota sequer. As bebidas alcoólicas dos atuais fabricantes de vinho são bastante diferentes do suco da uva suavemente inebriante, comum em outros séculos. No que se refere ao vinho então usado no Oriente, era preciso alguém beber muito antes de ficar embriagado. Havia certamente casos de embriaguez pelo vinho, mas, como regra geral, o alcoolismo era vício raro naquela região na época de Jesus e em eras anteriores. Se o nosso grande exemplo vivesse nas circunstâncias atuais, cercado por um mar de bebidas mortais que arruína dezenas de milhares de pessoas, sei como teria agido. Estou certo de que não teria contribuído, fosse por palavras, fosse por atos para o aumento dos rios de bebidas venenosas existentes e nos quais corpos e almas vêm sendo destruídos massivamente. O tipo de vinho que ele fez era tal que, se não fosse pelo fato de haverem surgido bebidas mais fortes, não haveria necessidade de se levantar nenhum protesto contra o hábito de beber. Provavelmente em princípio, não fazia mal a ninguém; caso contrário, Jesus, nosso amado Salvador, não o teria criado.

O narrador constrói a sua narrativa, partindo da figura principal da narrativa de João, o vinho. Começa qualificando o vinho, dizendo que era um “bom vinho”, por ser obra de Jesus (pois ele não produziria nada que não fosse o melhor). Na sequência, ele considera que o vinho do milagre não era um vinho como a bebida é conhecida atualmente. A bebida atual é “alcoólica” e leva à embriaguez e ao vício do alcoolismo. Já o vinho na época de Jesus seria algo como um “suco da uva suavemente inebriante”, que, em geral, não levava à embriaguez. Ao final do segmento, o narrador traz Jesus para os tempos atuais (Se o nosso grande exemplo vivesse nas circunstâncias atuais), afirmando que no atual contexto, “cercado por um mar de bebidas mortais que arruína dezenas de milhares de pessoas”, Cristo não teria

contribuído “para o aumento dos rios de bebidas venenosas existentes e nos quais corpos e almas vêm sendo destruídos massivamente”.

Observando esse percurso figurativo, observa-se que ele reveste o percurso temático centrado na oposição entre embriaguez e sobriedade. A embriaguez é valorizada negativamente e a sobriedade, positivamente. O narrador põe Cristo como o avalista da sobriedade, e considera que Ele não faria nada que estimulasse “o aumento dos rios de bebidas venenosas existentes”.

Além[G1][U2] dessa oposição entre embriaguez e sobriedade, observa-se que há

também uma oposição entre um presente marcado pelo consumo “de bebidas mortais que arruína dezenas de milhares de pessoas” e um passado caracterizado pelo fato de “o alcoolismo ser vício raro naquela região na época de Jesus e em eras anteriores”. Vê-se, portanto, que o tempo presente, a atualidade, vinculada à embriaguez é, por isso, avaliada negativamente pelo narrador. Já o tempo passado, o de Jesus, é visto positivamente, na medida em que é ligado à sobriedade. Considerando, por fim, que o pregador tem o objetivo levar o seu público destinatário a aderir à prática da virtude, o tema em evidência é obviamente a sobriedade, com que condena, ao mesmo tempo, o consumo de bebidas alcoólicas. Talvez se possa dizer, que essa leitura temática na abertura do sermão de C. H. Spurgeon [G3]decorra

fato de ele ser um pastor batista, uma igreja cristã em que o consumo de álcool é especialmente proibido.

Neste outro segmento,

Alguns têm levantado outro questionamento: sobre a grande quantidade de vinho que Jesus criou, pois calcula-se que tenha sido cerca de 450 litros ou mais. "Era preciso tudo isso?", questiona alguém. "Mesmo que fosse

vinho do tipo mais fraco, seria uma quantidade enormemente excessiva”, argumenta-se. Mas em que você está pensando? Em um casamento ocidental comum, nos dias de hoje, em que se reúnem, quando muito, umas cinquenta pessoas? O casamento oriental daquela época era bastante diferente. Mesmo que acontecesse em uma aldeia, como era o caso de Caná na Galileia, vinha gente de toda parte comer e beber, e a festa durava, quase sempre, de uma semana a quinze dias. Centenas de pessoas tinham de ser devidamente alimentadas durante dias pelos anfitriões da festa, a qual, geralmente, era aberta a todos. Além disso, quando o Senhor multiplicou os pães e os peixes, as pessoas comeram aquele alimento imediatamente ou pouco depois; do contrário, o pão mofaria e o peixe apodreceria; mas vinho pode ser guardado e tomado muito depois. Não tenho dúvida de que o vinho criado por Jesus Cristo era tão bom para ser guardado muito tempo quanto para ser bebido imediatamente ou pouco depois. Também por que não ajudar a família,

fornecendo-lhe um estoque? Não deviam ser pessoas ricas. Poderiam vender mais tarde o vinho, caso quisessem. Seja o que for, este não é meu assunto

e não quero me envolver em questão de somenos importância. Eu me abstenho de toda a bebida alcoólica e acho que seria sábio se os outros fizessem a mesma coisa. Quanto a isso, cada um pense por si mesmo.

observe-se a passagem inicial em negrito. O narrador volta à figura do vinho no casamente e destaca o fato da grande quantidade de vinho resultante do milagre de Jesus. Justifica a quantidade excessiva em razão de que os casamentos daquela época vinham muita gente e a festa durava uma semana ou mais (vinha gente de toda parte comer e beber, e a festa durava, quase sempre, de uma semana a quinze dias). Outra razão é que se sobrasse vinho ele poderia ser guardado por mais tempo sem estragar e até poderia ser vendido para outras pessoas, já que os promotores do casamento “não deviam ser pessoas ricas”.

Temos aqui um percurso figurativo centrado na figura da grande quantidade de vinho. O narrador não faz uma leitura temática dessa figura neste momento, considerando o tema até de menor importância (“Seja o que for, este não é meu assunto e não quero me envolver em questão de somenos importância”). E a seguir fecha o segmento voltando ao tema do percurso já analisado, que é a sobriedade radical em relação ao consumo de bebida alcoólica.

Se o narrador no segmento anterior não fez uma leitura temática da grande quantidade vinho,

De todo modo, Jesus Cristo deu início à dispensação do evangelho não com um milagre de vingança – tal como o realizado por Deus no Egito, por

meio de Moisés, transformando água em sangue –, mas com um milagre de

liberalidade, ao transformar a água em vinho. Ele não apenas supre aquilo que é realmente necessário às pessoas, mas provê com fartura, e isto é altamente representativo do reino da sua graça. Ele não apenas dá aos

pecadores o suficiente para salvá-los, mas dá com abundância, graça sobre graça. Os dons da aliança não são limitados nem restritos, não são pequenos em quantidade nem em qualidade. Dá aos homens não apenas água da vida, para que possam dela beber e com ela se refrescar, mas também vinhos puros, bem purificados (Is 25.6) para que possam se satisfazer e jubilar. Cristo dá como o dá um rei, em profusão, sem conter copos nem vasilhas. Uma

quantidade como daqueles 450 litros de vinho é bastante pequena se comparada com os rios de amor e misericórdia que lhe agrada conceder livremente de seu coração generoso para com as almas mais necessitadas. Esqueçamos, portanto, toda questão relativa ao vinho; quanto

menos coisas tivermos a cogitar, melhor será, tenho certeza. Vamos pensar

um exemplo de sua graça, e a fartura deste, no caso, um modelo da abundância de sua graça, que ele tão liberalmente nos concede.

ele vai fazê-la neste, conforme registra a passagem seguinte e outras do segmento acima:

Uma quantidade como daqueles 450 litros de vinho é bastante pequena se comparada com os rios de amor e misericórdia que lhe agrada conceder livremente de seu coração generoso para com as almas mais necessitadas.

Portanto, o tema destacado é a generosidade, tema que vem enfatizado ao final do segmento:

Vamos pensar simplesmente na misericórdia de nosso Senhor e deixar que o vinho seja um exemplo de sua graça, e a fartura deste, no caso, um modelo da abundância de sua graça, que ele tão liberalmente nos concede.

Essa figura da grande quantidade de vinho é retomada com frequência na última parte do sermão (da linha 358 em diante), quando o narrador interpreta a ordem de Jesus: “enchei de água essas talhas”. Vejamos este segmento:

Você pode observar como melhorou o que possuía, a começar pelas talhas, que estavam vazias, mas foram cheias. Encontram-se hoje aqui

muitos irmãos que cursam a universidade. Estão buscando melhorar seus dons e habilidades. Vocês estão agindo corretamente, irmãos. No entanto, já ouvi uma vez quem dissesse: "O Senhor Jesus não precisa daquilo que você aprendeu na escola”. É bem provável que sim, do mesmo modo que ele talvez não precisasse da água em si. Mas certamente ele também não quer de

modo algum de estupidez e ignorância nem do modo de falar errado e rude e sem educação. Ele não quis usar talhas vazias, mas, sim, cheias, e os servos fizeram bem em enchê-las. Hoje, nosso Senhor não quer cabeça

vazia em seus ministros, muito menos um coração vazio. Assim, meus irmãos,

encham suas talhas com água. Esforcem-se, estudem, aprendam tudo o que

puderem; encham as talhas com água. "Oh", talvez alguém alegue, "mas de que maneira esses estudos os levarão à conversão? A conversão é como o vinho, e tudo o que esses jovens irmãos aprenderão será como água". Tem razão. Mas espere até que eu ordene a esses estudantes que encham suas

talhas de água, para que então o Senhor Jesus a transforme em vinho. O

conhecimento humano pode ser perfeitamente santificado, de modo que venha a ser útil na propagação do conhecimento de Cristo. Espero em Deus que já haja passado aquela época em que muitos imaginavam que somente a ignorância e a rudeza poderiam ser úteis ao reino dos céus. O grande Mestre fez que todo o seu povo aprendesse tudo o que devia aprender, especialmente