1 Discente da Pós-Graduação em Gestão e Administração de Unidades de Saúde na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de
Coimbra, Portugal | [email protected]
2 Docente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, Portugal | [email protected] 3 Docente da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, Portugal | [email protected]
R
ESUMOMuitos estudos sobre morbilidade, mortalidade, tempo de internamento e custos associados ao internamento referem a malnutrição como factor de risco. A importância da nutrição hospitalar tem vindo a ser, cada vez mais, reconhecida por todos os técnicos de saúde. Contudo, há uma série de factores que influenciam a ingestão alimentar dos doentes internados, dificultando a adequação entre a prescrição dietética e o consumo real. O objectivo do presente estudo é identificar e avaliar os factores de satisfação face à alimentação dos utentes internados nos hospitais que integram o Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON). Para avaliação destes indicadores, foi feito um estudo avaliativo de natureza comparativa, descritivo-correlacional (nível II) tipo transversal. O estudo foi feito através da aplicação de uma entrevista telefónica, com guião estruturado, a uma amostra de doentes dos vários serviços de internamento dos Hospitais que integram o CHON. Os testes estatísticos descritivos utilizados foram tabelas de frequência, medidas de tendência central e de dispersão. Para avaliação das hipóteses estatísticas, utilizaram-se os testes: ANOVA, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis. Interpretação dos testes estatísticos: nível de significância 0,05 (IC 95%). Foram inquiridos 58 utentes, com idade superior a 16 anos, com internamento de duração superior a 2 dias, seleccionados aleatoriamente no universo dos doentes internados no CHON no mês de Janeiro de 2010. Os indicadores considerados como os mais importantes para os doentes, foram a variedade das ementas, a qualidade, quantidade e temperatura das refeições e por último, a satisfação com o serviço de alimentação em geral. Analisaram-se as diferenças encontradas na satisfação apercebida relativamente a estes indicadores em função do tipo de gestão (concessionado ou própria), do tempo de internamento, da identificação personalizada ou não das refeições distribuídas aos doentes, não se tendo verificado diferenças significativas. A satisfação apercebida foi em geral muito boa para todos os indicadores, excepto para a temperatura.
Palavras-chave: satisfação apercebida, gestão concessionada ou própria, alimentação, dieta hospitalar,
tempo de internamento.
A
BSTRACTMany studies on morbidity, mortality, length of stay and costs associated with hospitalization refer to malnutrition as a risk factor. The importance of hospital nutrition has been increasingly recognized by all health professionals. However, there are some factors that influence food intake of hospital patients, making the fit between the dietary prescription and actual consumption. The aim of this study is to identify and evaluate the factors of satisfaction on the subject of food of inpatients of the North West Hospital Centre (Centro Hospitalar Oeste Norte - CHON) hospitals. To assess these indicators, it was made an evaluative study of comparative nature, descriptive and correlational. The study was done by
applying a telephone interview, with structured script, to a sample of patients of the several inpatient services of the hospitals that are part of the CHON. It were surveyed 58 inpatients, older than 16 years, with hospitalization of duration superior to two days, selected at random within the universe of patients admitted to the CHON in January 2010. The indicators considered as the most important to patients were the variety of menus, the quality, quantity and temperature of the meals and, finally, the satisfaction with food service in general. It were analyzed the noticed differences in the satisfaction perceived for these indicators according to the type of management (concession or owned), the duration of hospitalization, the personalized identification or not of the distributed meals to patients and the sex, and it were not verified statistically significant differences. The perceived satisfaction was, in general, very good in relation to all indicators, except for the temperature, which was good.
Keywords: perceived satisfaction, own or concession management, food, diet hospital length of stay.
1. I
NTRODUÇÃOMalnutrição é simultaneamente causa e consequência de doença e tem um impacto negativo na recuperação dos doentes, na qualidade de vida e apresenta ainda elevados custos socio-económicos (Norman, Pichard, Lochs, & Pirlich, 2008). A prevalência de desnutrição na comunidade foi estimada em 10% e a variar entre 20% e 50% nos doentes aquando do internamento hospitalar (Stratton, Green, & Elia, 2003). Em Portugal, num estudo efectuado em seis hospitais púbicos, foram avaliados 1144 doentes, dos quais 36% se revelaram em risco nutricional e 9,7% foram classificados como desnutridos (Amaral T. F., Matos, Teixeira, Tavares, Álvares, & Antunes, 2010).
A desnutrição nas pessoas hospitalizadas na Europa é um fenómeno de amplitude inaceitável, tendo levado o Conselho de Ministros Europeu, no qual esteve representado Portugal, a reunir e aprovar uma Resolução do Conselho Europeu (ResAP (2003)) sobre a alimentação e cuidados nutricionais nos hospitais (Ministers, 2003). No seguimento desta resolução, inicia-se em 2005 o Nutrition Day in European Hospitals, iniciativa que tem a duração de um único dia e visa avaliar o estado nutricional dos doentes e a qualidade dos cuidados nutricionais prestados nos hospitais europeus. Nos resultados relativos ao Nutrition Day 2007/2008, da análise de 21007 inquéritos realizados em 325 unidades hospitalares de 25 países, concluiu-se que 43% dos doentes têm uma ingestão calórica inferior a 1500 kcalorias por dia (Shindler, et al., 2010), sendo por este motivo que durante o internamento, grande parte dos doentes continua a perder peso. Vários estudos têm sido publicados relatando o desperdício da alimentação hospitalar (Almdal, Viggers, Beck, & Jensen, 2003), chegando esse desperdício a ultrapassar os 40% da quantidade servida (Barton, Beigg, Macdonald, & Allison, 2000).
Segundo Teresa Amaral, a desnutrição hospitalar aumenta em 20% os custos do internamento, sendo responsável por um acréscimo de 200 a 1500 Euros por episódio de internamento (Amaral T. F., et al., 2007). Noutro estudo foi observado um aumento do tempo de internamento de 50% nos doentes em risco de desnutrição e os custos durante o internamento foram 36% mais elevados (Chima, Barco, Dewitt, Maeda, Teran, & Mullen, 1997). A mortalidade em doentes politraumatizados foi também correlacionada positivamente com o risco de malnutrição (Goiburu, et al., 2006).
Além da terapêutica nutricional individualizada, a modificação das dietas hospitalares, que torne as refeições mais atractivas, é uma necessidade ao nível da gestão hospitalar. Conhecer os determinantes da qualidade da alimentação na visão dos doentes é o ponto de partida para o desenvolvimento de estratégias para a satisfação das suas necessidades nutricionais (Marimoto & Paladini, 2009). Por outro lado, os gastos crescentes no sector da saúde obrigam à tomada de medidas de controlo dos custos. A tendência nos serviços da alimentação hospitalares é deixar de ser centros de custos para passarem a ser centros de receitas (Silverman, Gregoire, Lafferty, & Dowling, 2000). Estas medidas não podem, todavia, pôr em causa a missão dos Sistemas de Saúde, em que o doente ocupa o lugar primordial. Deste modo, medir a “qualidade percepcionada” e a “satisfação dos utentes” com os serviços de saúde, constitui um elemento indispensável para uma adequada gestão dos recursos. Possibilita assim, centrar a gestão dos serviços de saúde nos utentes, passando estes a participar na construção de um serviço mais humanizado e adaptado às suas necessidades e expectativas.
É neste contexto que o Ministério da Saúde encomendou em 2003, pela primeira vez, uma avaliação da qualidade percepcionada e da satisfação dos utentes dos hospitais S.A. O estudo teve continuidade em 2005 para os hospitais E.P.E. e em 2008 para os hospitais E.P.E. e S.P.A. Estes estudos foram realizados pelo Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação da Universidade Nova de Lisboa e de acordo com uma metodologia que permite medir não apenas o desempenho, mas também a importância que os utentes atribuem às várias dimensões explicativas da satisfação. Esta metodologia permitiu identificar as áreas prioritárias de actuação.
No Sistema de Avaliação da Qualidade Apercebida e Satisfação do Utente nos Hospitais S.A. de 2003 (Ministério da Saúde, 2004), a satisfação com a alimentação atingiu um índice de 72, numa escala de 0 a 100. Estes valores colocaram a alimentação no quinto lugar de actuações prioritárias, para a melhoria da qualidade apercebida e satisfação dos utentes dos hospitais. Apesar de ter sido considerada prioritária a melhoria da alimentação hospitalar, as avaliações da qualidade apercebida e satisfação do utente realizadas posteriormente, pelo mesmo grupo de trabalho e usando a mesma metodologia, em 2005 e 2008, obtiveram resultados semelhantes, mantendo a alimentação hospitalar no quinto lugar de actuações prioritárias (Ministérioda Saúde, 2005), (Ministério da Saúde, 2008).
Através da portaria n.º 83/2009, de 22 de Janeiro, foi constituído o Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON), dotado de autonomia administrativa e financeira e património próprio, que integra o Centro Hospitalar das Caldas da Rainha (CHRC), o Hospital Bernardino Lopes de Oliveira (HABLO), de Alcobaça, e o Hospital de São Pedro Gonçalves Telmo (HPSGT), de Peniche. Da necessidade de uniformizar procedimentos e rentabilizar recursos técnicos e humanos e também da necessidade de melhoria a nível da gestão pela obtenção de ganhos efectivos que resultam das economias de escala, vai ser aberto um concurso único para o fornecimento de alimentação para o CHON.
Os Serviços de Alimentação de cada um dos hospitais que integram o CHON têm modelos de gestão diferentes entre si, sendo necessário avaliar os indicadores de satisfação face à alimentação dos doentes internados em cada um dos três hospitais que integram o CHON, para escolher o modelo que apresente melhor qualidade técnica e eficiência económica.
Para abordar melhor esta questão, foi analisada de forma mais objectiva, ou seja, foi verificada cada uma das seguintes propostas de investigação:
1. O tipo de gestão do Serviço de Alimentação ser próprio ou concessionado influencia a satisfação face à alimentação, dos doentes internados em cada um dos três Hospitais que integram o CHON. 2. O tempo de internamento tem influência na satisfação face à alimentação, dos doentes internados
em cada um dos três Hospitais que integram o CHON.
3. A identificação personalizada das refeições distribuídas aos doentes internados influencia positivamente a satisfação face à alimentação, dos doentes internados em cada um dos três Hospitais que integram o CHON.
2. M
ATERIAL EM
ÉTODOSA população em estudo foi constituída por uma amostra de doentes, com idade igual ou superior a 16 anos, que tiveram alta dos serviços de internamento dos hospitais que integram o CHON durante o mês de Janeiro de 2010, cujo internamento tenha tido uma duração mínima de 3 dias. Não foram entrevistados os utentes internados nos Serviços de Obstetrícia nem Serviço de Observação (S.O.) por o internamento ser de curta duração. A recolha de dados foi realizada através de entrevista telefónica, com guião estruturado, durante o mês de Abril (2010).
O tipo de estudo realizado foi um estudo transversal, de nível II, de tipo descritivo-correlacional.
Na entrevista telefónica foi aplicado um guião já testado no Hospital de Alcobaça. A primeira parte do guião identificava o hospital onde os dados foram recolhidos, caracterizava o tipo de gestão e identificação da refeição. A segunda parte, através de 5 questões, caracterizava o doente do ponto de vista sociodemográfico. A terceira parte foi constituída por 13 questões de resposta fechada sobre a satisfação com a alimentação durante o internamento. Para cada resposta de qualidade percepcionada foi atribuída a pontuação de 1 a 5, considerando 5 como o grau máximo de satisfação. Cada variável em estudo foi classificada entre os critérios: muito boa (4,1-5,0), boa (3,1-4,0), suficiente (2,1-3) e mau (0,0- 1,0).
Aos utentes foi solicitado consentimento (tácito) prévio e informados do carácter voluntário da participação e do compromisso de confidencialidade dos dados e do anonimato.
Foi concedida autorização pelo Conselho de Administração do CHON para todos os procedimentos metodológicos deste estudo.
O tratamento de dados foi realizado através do programa estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 17.0.
Os testes estatísticos descritivos utilizados foram tabelas de frequência, medidas de tendência central e de dispersão. Para avaliação das hipóteses estatísticas, utilizaram-se os testes não paramétricos de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis e o teste paramétrico ANOVA I factor.
Os doentes entrevistados foram seleccionados de forma aleatória de cada um dos serviços de internamento dos hospitais em estudo.
No que diz respeito aos serviços de alimentação dos hospitais que integram o CHON, caracterizam-se da seguinte forma: nos hospitais de Caldas da Rainha e Alcobaça a gestão está concessionada a uma empresa, mas com cadernos de encargos diferentes. No serviço de alimentação do hospital de Peniche a gestão é própria. Quanto à identificação das refeições, esta é personalizada nos hospitais de Alcobaça e Peniche e não personalizada no hospital de Caldas da Rainha, excepto para dietas especiais.
3. R
ESULTADOSRelativamente à caracterização dos doentes inquiridos, 58,6% são do sexo feminino e 41,4% são do sexo masculino com a média de idades de 73 anos (±11,55). Quanto a ocupação dos inquiridos, apenas 15,5% se encontram ainda no activo (trabalhadores por conta de outrem). Dos não activos, 8,3% encontram-se desempregados e os restantes, ou seja, 91,7% encontram-se já reformados.
A escolaridade média corresponde à conclusão do primeiro ciclo do ensino básico, com quatro anos completados.
O tipo de dieta consumida durante o internamento, foi maioritariamente “dieta geral” (81%).
O tempo de internamento dos doentes foi avaliado em intervalos de tempo, sendo que 20,7% estiveram internados até 5 dias, em 22,4% o internamento foi compreendido entre 6 e 10 dias e a maioria, 56,9% teve um internamento superior a 10 dias.
A percepção de satisfação dos doentes com a variedade das ementas não varia de forma significativa consoante o tipo de gestão do serviço de alimentação em meio hospitalar (p-value>0,05). Constatou-se que a satisfação percepcionada com a variedade das ementas foi muito boa, com uma pontuação de 4,19±0,63, na escala. No entanto, os doentes internados em hospitais com gestão concessionada apresentam um grau de satisfação ligeiramente mais elevada: 4,20±0,67 para gestão concessionada e 4,125±0,35 para gestão própria.
Quadro 1: Relação entre satisfação com a variedade de ementas e tipo de gestão Tipo de gestão onde o inquérito foi realizado Média Desvio padrão N
Gestão própria 4,1250 ,35355 8
Gestão concessionada 4,2000 ,67006 50
Total 4,1897 ,63403 58
U= 181,500; Z=0,471; p-value=0,638
Podemos constatar que a percepção de qualidade da alimentação é muito semelhante entre os doentes que beneficiaram de uma gestão própria ou concessionada (p-value>0,05), no entanto, os doentes que tinham beneficiado de uma gestão própria revelaram sensivelmente uma melhor satisfação (4,125±0,35) comparativamente ao outro grupo (4,120±0,59).
Quadro 2: Relação entre satisfação com a qualidade da alimentação e tipo de gestão Tipo de gestão onde o inquérito foi realizado Média Desvio padrão N
Gestão própria 4,1250 ,35355 8
Gestão concessionada 4,1200 ,59385 50
Total 4,1207 ,56437 58
U= 198; Z=0,05; p-value:0,957
No que concerne à percepção da satisfação com a quantidade de alimentos que entram na composição das refeições, a pontuação foi muito boa (4,43±0,75). Mais uma vez não se identificam diferenças estatisticamente significativas na percepção da satisfação com este indicador nos dois tipos de gestão em estudo. Contudo, nos hospitais com gestão concessionada, os doentes apresentam um grau de satisfação com a quantidade ligeiramente mais próximo da satisfação máxima (4,46±0,73) do que os doentes que receberam as suas refeições num hospital com gestão própria (4,25±0,88).
Quadro 3: Relação entre satisfação com a quantidade da alimentação e tipo de gestão Tipo de gestão onde o inquérito foi realizado Média Desvio padrão N
Gestão própria 4,2500 ,88641 8
Gestão concessionada 4,4600 ,73429 50
Total 4,4310 ,75189 58
U=174,0; Z=0,665; p-value:0,502
A temperatura da alimentação foi o indicador que menor pontuação obteve no presente estudo. Ainda assim, foi considerado bom (3,72±0,89) e independente do tipo de gestão (p-value>0,05), apesar de ligeiramente mais elevado nos hospitais com gestão própria (3,75±0,46), em relação aos que têm gestão concessionada (3,72±0,95).
Quadro 4: Relação entre satisfação com a temperatura da alimentação e tipo de gestão Tipo de gestão onde o inquérito foi realizado Média Desvio padrão N
Gestão própria 3,7500 ,46291 8
Gestão concessionada 3,7200 ,94847 50
Total 3,7241 ,89429 58
U=195,0; Z= -0,123; p-value:0,92
A satisfação com o serviço de alimentação em geral, durante o internamento, foi percepcionada como muito boa (4,46±0,60). Mais uma vez, o tipo de gestão não teve influência na percepção da satisfação com o serviço de alimentação em geral (p-value>0,05). Contudo, a gestão própria obteve uma melhor pontuação (4,50±0,53) que a gestão concessionada (4,46±0,61).
Quadro 5: Relação entre satisfação com a alimentação em geral e tipo de gestão Tipo de gestão onde o inquérito foi realizado Média Desvio padrão N
Gestão própria 4,5000 ,53452 8
Gestão concessionada 4,4600 ,61312 50
Total 4,4655 ,59870 58
U=198; Z= -0,051; p-value: 0,959
Relativamente à satisfação percecionada, quer ao nível da variedade com as ementas, quer ao nível da qualidade e quantidade da alimentação, quer ainda ao nível geral de satisfação com o serviço de alimentação, observou-se que a satisfação percepcionada nestes diferentes indicadores, (quantidade, qualidade, temperatura e apreciação geral) é independente da unidade de saúde em que o doente esteve internado (p-value>0,05).
Quadro 6: Relação entre satisfação com a variedade das ementas, qualidade, quantidade, temperatura e apreciação geral da alimentação e unidade de internamento hospitalar
N Média Desvio padrão
Ementas HABLO 12 4,4167 ,79296 CHCR 38 4,1316 ,62259 HPSPGT 8 4,1250 ,35355 Total 58 4,1897 ,63403 Qualidade HABLO 12 4,1667 ,71774 CHCR 38 4,1053 ,55941 HPSPGT 8 4,1250 ,35355 Total 58 4,1207 ,56437 Quantidade HABLO 12 4,5833 ,66856 CHCR 38 4,4211 ,75808 HPSPGT 8 4,2500 ,88641 Total 58 4,4310 ,75189 Temperatura HABLO 12 3,6667 1,30268 CHCR 38 3,7368 ,82803 HPSPGT 8 3,7500 ,46291 Total 58 3,7241 ,89429 Geral HABLO 12 4,5000 ,67420 CHCR 38 4,4474 ,60168 HPSPGT 8 4,5000 ,53452 Total 58 4,4655 ,59870
No que diz respeito à influência da duração do internamento nos indicadores em análise, verificou-se o seguinte: a satisfação percepcionada com a variedade de ementas não apresenta diferenças estatisticamente significativas para os diferentes tempos de internamento. Porém, os doentes que tiveram internamentos com duração até 5 dias foram os que se revelaram mais satisfeitos comparativamente aos restantes grupos, com uma pontuação muito boa (4,25±0,62). A qualidade percepcionada também não foi influenciada pela duração do internamento (p-value>0,05). No entanto os doentes que tiveram um internamento até 5 dias foram os que revelaram menor pontuação na satisfação percepcionada da qualidade, tendo ainda assim obtido uma pontuação muito acima da média (4,0±.0,60). Da mesma forma, a duração do internamento também não modificou de forma significativa a satisfação percepcionada com a quantidade (p-value>0,05). Contudo, para internamentos com duração compreendida entre 5 e 10 dias, a pontuação obtida foi muito próxima do máximo (4,61±0,65), tendo mesmo sido este o indicador que maior pontuação neste estudo. A temperatura percepcionada, pelo contrário, foi o indicador que pior pontuação obteve neste estudo (3,61 para internamentos de 6 a 10 dias), mas a satisfação dos doentes não foi influenciada pela duração do internamento (p- value>0,05). A satisfação geral com o serviço de alimentação também não apresenta diferenças estatisticamente significativas nos diferentes tempos de internamento estudados, mas apresenta pontuações maiores para internamentos até 5 dias (4,58±0,51) e pontuações menores para internamentos superiores a 10 dias (4,39±0,60).
Quadro 7: Relação entre satisfação com a variedade das ementas, qualidade, quantidade, temperatura e apreciação geral da alimentação e tempo de internamento
Duração internamento Ementas Qualidade Quantidade Temperatura Geral
Igual ou inferior a 5 dias
Média 4,2500 4,0000 4,4167 3,6667 4,5833 Desvio padrão ,62158 ,60302 ,79296 ,77850 ,51493 N 12 12 12 12 12 Entre 6 e 10 dias Média 4,2308 4,1538 4,6154 3,6154 4,5385 Desvio padrão ,72501 ,55470 ,65044 1,12090 ,66023 N 13 13 13 13 13 Igual ou superior a 11 dias Média 4,1515 4,1515 4,3636 3,7879 4,3939 Desvio padrão ,61853 ,56575 ,78335 ,85723 ,60927 N 33 33 33 33 33 Total Média 4,1897 4,1207 4,4310 3,7241 4,4655 Desviopadrão ,63403 ,56437 ,75189 ,89429 ,59870 N 58 58 58 58 58 K-W:0,322 gl = 2 p-value=0,859 K-W:0,660 gl = 2 p-value=0,719 K-W:0,995 gl = 2 p-value=0,608 K-W:0,206 gl = 2 p-value=0,902 K-W:1,175 gl = 2 p-value=0,556
Apesar dos resultados encontrados na satisfação percepcionada em todos os indicadores em análise terem pontuações mais elevadas nos inquiridos do sexo feminino, a diferença encontrada na satisfação entre sexos não é estatisticamente significativa (p-value>0,05).
Quadro 8: Relação entre satisfação com a variedade das ementas, qualidade, quantidade, temperatura e apreciação geral da alimentação e sexo
Sexo Ementas Qualidade Quantidade Temperatura Geral
Feminino Média 4,2059 4,1471 4,4706 3,7941 4,5294 Desvio padrão ,59183 ,50045 ,78760 ,84493 ,50664 N 34 34 34 34 34 Masculino Média 4,1667 4,0833 4,3750 3,6250 4,3750 Desvio padrão ,70196 ,65386 ,71094 ,96965 ,71094 N 24 24 24 24 24 Total Média 4,1897 4,1207 4,4310 3,7241 4,4655 Desvio padrão ,63403 ,56437 ,75189 ,89429 ,59870 N 58 58 58 58 58
Genericamente, a média das pontuações da satisfação com a variedade das ementas, qualidade, quantidade, temperatura e apreciação geral é mais elevada no grupo dos indivíduos a quem foi servida uma refeição personalizada. A pontuação para a satisfação com a variedade das ementas foi 4,30±0,66 para as refeições com identificação personalizada e 4,13±0,62 para as refeições não identificadas. Relativamente à percepção da satisfação com a qualidade, este indicador também obteve a pontuação de 4,15±0,59 para as refeições com identificação e 4,10±0,56 para as não identificadas de forma personalizada. O indicador quantidade obteve uma pontuação de 4,45±0,76 para as refeições com identificação e 4,42±0,76 para as não identificadas. A satisfação com o serviço de alimentação em geral também obteve pontuação mais elevada para refeições com identificação (4,50±0,61) do que sem identificação (4,45±0,60). Apenas a satisfação com a temperatura dos alimentos obteve menor pontuação para refeições com identificação (3,70±1,03), quando comparada com a pontuação das refeições não identificadas (3,74±0,60). Contudo, as diferenças encontradas na satisfação relativamente aos vários indicadores em estudo, nos doentes que beneficiaram duma identificação personalizada das
refeições, quando comparados com o outro grupo, não são estatisticamente significativas (p- value>0,05).
Quadro 9: Relação entre satisfação com a variedade das ementas, qualidade, quantidade, temperatura e apreciação geral da alimentação e identificação personalizada das refeições
N Média Desvio padrão Erro padrão
Ementas Sim 20 4,3000 ,65695 ,14690 Não 38 4,1316 ,62259 ,10100 Total 58 4,1897 ,63403 ,08325 Qualidade Sim 20 4,1500 ,58714 ,13129 Não 38 4,1053 ,55941 ,09075 Total 58 4,1207 ,56437 ,07411 Quantidade Sim 20 4,4500 ,75915 ,16975 Não 38 4,4211 ,75808 ,12298 Total 58 4,4310 ,75189 ,09873 Temperatura Sim 20 3,7000 1,03110 ,23056 Não 38 3,7368 ,82803 ,13432 Total 58 3,7241 ,89429 ,11743 Geral Sim 20 4,5000 ,60698 ,13572 Não 38 4,4474 ,60168 ,09761 Total 58 4,4655 ,59870 ,07861
4. D
ISCUSSÃOMuitos estudos sobre morbilidade, mortalidade, tempo de internamento e custos associados ao internamento referem a malnutrição como factor de risco. A importância da nutrição hospitalar tem vindo a ser, cada vez mais, reconhecida por todos os técnicos de saúde. Contudo, há uma série de factores que influenciam a ingestão alimentar dos doentes internados, dificultando a adequação entre a prescrição dietética e o consumo real. Este estudo avaliou de que forma a gestão do serviço de