O objetivo da presente pesquisa está em aplicar todos os conceitos e ferramentas apresentadas até então dentro de um planejamento de comunicação integrada para artistas e grupos musicais independentes, a fim de encontrar nichos de mercado e público, atribuindo ainda mais valor ao produto musical. Assim, espera-se conseguir novos ouvintes e novos espaços na mídia tradicional e digital.
Em sua pesquisa, Batista (2015) analisa o desempenho e estratégia de agências de comunicação portuguesas especializadas no campo musical e define que a função desse tipo de empresa é “estudar, trabalhar e implementar a imagem de um músico ou grupo” (BATISTA, 2015, p. 48). A autora complementa ao assumir que o trabalho nesta área representa um esforço que agrega conhecimentos de ramificações diversas da comunicação e, em alguns casos, pode entrar em um conflito entre a criatividade do artista e a divulgação e venda do produto.
É justamente nesse conflito que reside a necessidade de um profissional da comunicação que entenda o funcionamento do mercado musical, esteja consciente das novas ferramentas digitais e, principalmente, domine as habilidades comunicacionais. Ou, como afirma a autora Maristela Mafei (2004), em “Assessoria de imprensa - Como se relacionar com a mídia”, o mercado deseja um “profissional de assessoria de comunicação capaz de entender profundamente a atuação do assessorado, em áreas distintas, ou seja, um verdadeiro perito” (MAFEI, 2004, p. 46). A intenção é ressaltar a demanda de tal profissional qualificado para executar um bom planejamento de comunicação no mercado da música, ainda que no cenário undeground.
Batista (2015, p. 80) relata a importância de dois grandes fatores para que o trabalho de assessoria de comunicação de nicho musical tenha êxito: a personalização do plano de acordo com a necessidade do artista e a confiança e respeito mútuo dentro da relação entre artistas e assessores.
Isso quer dizer que é fundamental que o assessor respeite a arte do grupo musical enquanto única e tenha seriedade no seu trato. Sendo um assessor de nicho específico, espera- se que a criação da identidade do artista, o seu acompanhamento e a sua representação passem
por um processo conjunto e que todas as decisões tomadas tenham o aval do grupo musical. Afinal, o assessor não é agente ativo do processo, mas, sim, um representante do mesmo.
Com o foco no alinhamento contínuo de opiniões, a função do assessor é a de inserir o artista dentro da organização comunicacional discutida nesta pesquisa, que sofre grandes mudanças a partir do desenvolvimento tecnológico. Entender como cada uma dessas alterações repercute na economia, nos processos de trabalho, na mídia e no comportamento dos indivíduos será o diferencial para o desenvolvimento de um planejamento de comunicação personalizado e eficaz.
No próximo capítulo, será apresentado o modelo de planejamento, desenvolvido para a banda Raí Freitas & U Bandão. Tal modelo poderá servir de base para a aplicação em outros grupos, desde que se respeite a individualidade do trabalho de cada artista.
4 O PLANEJAMENTO DE COMUNICAÇÃO PARA ARTISTAS EM INÍCIO DE CARREIRA
Quando se objetiva o sucesso das ações de comunicação, é fundamental que as mesmas não estejam baseadas no improviso, mas na organização e constante avaliação dos resultados. Segundo Ferraretto e Ferrarretto (2009, p. 34), o planejamento de comunicação assume assim uma importância fundamental, para evitar até situações inesperadas.
Para a composição deste planejamento, foram adaptados dois modelos diferentes: o modelo de assessoria de imprensa proposto por Ferraretto e Ferraretto (2009) e o modelo de planejamento de marketing estruturado por Scott (2015). Essa adaptação foi necessária para atender à convergência de funções e conhecimentos discutida nos capítulos desta pesquisa.
Os autores abordam a necessidade de se compreender os termos “planejamento”, “política” e “plano”, designando diferentes etapas do processo de projeção das atividades de uma assessoria de comunicação.
O planejamento pode ser definido como a relação e avaliação de informações e atividades organizadas de forma lógica, com encadeamento entre elas, objetivos predeterminados e um prazo de execução definido. É “um processo abrangente que define metas, objetivos, públicos-alvo e, acima de tudo, as políticas de comunicação a serem adotadas” (FERRARETTO; FERRARETTO, 2009, p. 35).
As políticas são o conjunto de normas em que será fundamentada toda a atividade de comunicação, traçadas “dentro de um objetivo que seja a meta de todas as atividades e contra o qual não existam argumentos” (FERRARETTO; FERRARETTO, 2009, p. 35). E, por fim, todo o planejamento será constituído por diversos planos, que indicarão as providências e ações a serem executadas para atingir as metas já estabelecidas, apresentando o onde, como e porquê de cada uma.
Todo planejamento é desenvolvido em diferentes etapas, que variam de nomenclatura de autor para autor. A classificação utilizada por Ferraretto e Ferraretto (2009, p. 36) é a proposta por Raimar e Richers: análise, adaptação, ativação e avaliação.
Durante a análise, o assessor de imprensa conhece a instituição, seus públicos e o contexto em que ela se insere, tendo que diagnosticar os problemas e possíveis falhas na comunicação da entidade. A partir desse diagnóstico, segue-se para a adaptação: “o momento em que o assessor ajusta a realidade detectada anteriormente à projeção de ações necessárias, definindo as políticas e os planos para a comunicação” (FERRARETTO; FERRARETTO, 2009, p. 37). É nesta fase em que este planejamento se encontra: uma proposta estruturada com ajustes e ações para atingir os objetivos do grupo musical assessorado.
Na etapa seguinte, será feita a ativação, momento em que os planos serão colocados em prática, seguindo todas as determinações estipuladas, mas podendo também lançar mão de diferentes estratégias.
Por último, acontece a avaliação, com o estudo dos resultados de todos os planos empregados, a fim de constatar a eficácia de cada um. As conclusões obtidas nessa etapa podem levar a uma nova análise, gerando um novo processo de adaptação e assim por diante.