QÜESTIONARI EFCT ENTREVISTES A
IV. Tancament de l’estudi
3.1. La FCT des de la percepció dels agents implicats
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), somente entra na arena internacional em 1974, quase um século depois do Sionismo. A partir desta época, a estratégia de Arafat parece ter mudado o enfoque: não mais o que os palestinos perderam, mas o que podiam ganhar ao aceitar a existência de dois países soberanos. Mas tanto sionistas quanto americanos ignoraram todas as ofertas políticas oferecidas pela OLP. O ONU reconhece a organização como representativa dos palestinos no dia 22 de novembro de 1974 por meio da resolução 3236. Apesar de inicialmente criticar o teor a 242, que não mencionava os “direitos nacionais” dos palestinos, pressionada pelos americanos – com mediação da Síria -, a OLP aceitaria a resolução “com reservas”. Como retorno à aceitação da resolução 242, com tais reservas, os Estados Unidos teriam de reconhecer a OLP como interlocutora dos palestinos.
Said aponta que o “prêmio” que o OLP recebeu, ao aceitar a 242, era o de que o governo americano não iria além do “diálogo”. O risco de se aceitar a resolução 242 sem reservas seria o de que a questão palestina poderia ser reduzida a vários problemas, sem que nenhum deles mencionasse os “direitos nacionais” dos palestinos. Apesar dos revezes, Arafat ainda se manteria aberto, argumentando que poderia aceitar acordos tanto com Israel quanto os Estados Unidos “desde que coisas impossíveis não me sejam pedidas”. Mas, dado o fato concreto da invasão, coisas impossíveis sempre foram exigidas da OLP: reconhecimento de Israel in advance, abdicação da luta armada, dissolução da própria OLP, participação de negociações, como a proposta por Sadat, sem pré-condições. Apesar de tudo isto, e da campanha de execução movida contra o escalão da confiança de Arafat, entre 78 e 79, a OLP ainda se aproximava de uma postura aberta ao diálogo.
Os países árabes, no geral, continuam com sua política de acomodamento, expressa de maneira ímpar em 1976, por meio de resolução da ONU. Como sempre, o teor da resolução previa acordo de paz em troca da retirada de Israel dos territórios ocupados em 67. A posição da comunidade internacional foi, desta vez, legitimada pela Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Egito, Síria, Jordânia e a União Soviética (URRS). Para os propósitos deste trabalho, vale enfatizar que, pela primeira vez no cenário internacional, todos os atores fundamentais do lado árabe não apenas estavam envolvidos, como se
comprometeram a uma solução negociada com Israel. Toda a Liga Árabe, conjuntamente, aceitava a existência de Estado judeu dentro das fronteiras anteriores a 67. Para viver pacificamente, exigiam apenas que os sionistas se retirassem dos territórios invadidos na Guerra dos Seis Dias.
A resolução naufraga com o veto dos Estados Unidos e apoio de Israel. A OLP, prontamente, ataca o unilateralismo americano e israelense, denunciando a “tirania do veto”. Á época, Yitzak Rabin rejeita qualquer tipo de diálogo com a OLP, apesar da organização – como expresso pelo teor da resolução de 1976 – admitir a existência de Israel. É sobre este unilateralismo que a mídia ocidental e a academia liberal silenciam até hoje. Poucos anos depois (1981), Israel ainda irá rejeitar outro plano, baseado ao longo do consenso internacional, e defendido pela Arábia Saudita. O elemento central da OLP foi o de se mover em direção à aceitação de um acordo entre dois Estados e continua a ser este, algumas vezes com ambigüidades, outras vezes claramente, como neste caso. (Chomsky, 1999, p. 140)
O primeiro-ministro egípico, Ismail Fahmy, também defendeu tratado de paz mediante quatro pontos que, em linhas gerais, não se afastam do consenso internacional. Primeiro, retirada de Israel dos territórios invadidos; segundo, criação de Estado Palestino na Cisjordânia e Gaza; terceiro, bloqueio a armas nucleares. Desde 1960, o Estado sionista, ajudado por De Gaulle, vinha desenvolvendo programa nuclear. Por fim, Fahmy defendia a inspeção de instalações nucleares em Israel. A década de 70 e sua seqüência de propostas de paz foi, maravilhosamente, definida pela cúpula sionista como a “ofensiva da paz”. Com os fracassos consecutivos, a OLP declara, em 20 de março de 1977, o Estado Nacional da Palestina. Na mesma reunião, o Conselho Palestino expulsa de seus quadros os unilaterais, as facções que não admitiam a existência de Israel. Ou seja, os elementos que duplicavam, na Palestina, o unilateralismo que grassava entre os sionistas. O Plano de Paz, de Beirut, (1977) vai ainda mais adiante e define, publicamente, que os documentos radicais, não mais serviriam de base às relações Israel e Palestina. De acordo com as propostas de Beirut, qualquer acordo alcançado entre as duas partes seria por meios pacíficos.
Historicamente, Israel, porém, enfatiza a Convenant, o documento considerado radical, no qual o Conselho da OLP nega a existência de Israel. A OLP, por outro lado, tende a se afastar do teor inicial do documento – o que fez publicamente -, em favor de novas resoluções. Em outubro de 1977, a “ofensiva da paz” endossa o discurso Estados Unidos- União Soviética que propunha o fim dos conflitos em favor de relações pacíficas entre os dois lados. Chomsky aponta, porém, que o governo americano volta atrás em virtude de pressões
israelenses. É neste contexto que Sadat anuncia sua viagem a Jerusalém que irá culminar nos acordos de Camp David, em novembro de 1977. Ao contrário do que se pensa, as negociações não lograram acomodação ao longo das linhas do consenso internacional. Na verdade, consumaram os esforços de Kissinger. É este, sintomaticamente, o período em que o mundo árabe começa a viver seus conflitos em termos de interesses de Estado e não mais sobre as filosofias transnacionais. Edward Said aponta que a guerra de 1973 fora, em parte, coordenada para envolver os Estados Unidos em certo momento.
O ponto central dos esforços de Sadat, aponta o ensaísta político palestino, parece ter sido a diluição do legado de Nasser. A eficácia de estratégia de Sadat não consistia em lutar diretamente contra Israel, mas em atacar o monopólio israelense ao apoio dos Estados Unidos (Said, 1992, p. 200). Tendo em vista que Israel não poderia lutar sem ajuda direta dos EUA, a estratégia de Sadat parece ter consistido em unir, cada vez mais, Egito, Israel e Estados Unidos. Quanto mais forte a união, mais forte o Egito e, portanto, menos chances Israel teria de atacar Sadat. A aliança política entre o país árabe e os americanos agiria no sentido de drenar a capital político israelense já que a cúpula sionista se veria atrelada a um triângulo de poder que a suplantaria. O lado menos visível deste processo é o isolamento político do Egito de todo o mundo árabe. O começo da separação efetiva, aponta Said, foi o ano de 1975, quando Sadat se afasta da Síria, seu aliado da guerra de 1973. O momento decisivo parece ter sido Sinai II, quando Sadat, definitivamente, usa o acordo como estratégia para reaver o território egípcio (Sinai).
Said define que, ao contrário da posição egípcia, a Síria concebia todo o conflito com Israel em “termos árabes”, isto é, transnacionais. As posições continuam opostas até hoje, se encarnando nas duas grandes linhas políticas que cindem o mundo árabe. Negociações isoladas e parciais de cada país com Israel, de acordo com a posição egípcia, ou a Liga Árabe por meio da qual todos os países afetados pela invasão israelense defendem sua posição em bloco, seguindo a diretriz síria. Esta última posição ganha peso internacional, em outubro de 1977, quando do pronunciamento entre EUA-URSS, já citado. A declaração conjunta implicava acordo árabe-israelense cujo núcleo seria o imbróglio Israel-Palestina. O anúncio da viagem de Sadat à Jerusalém, entretanto, parece ter jogado água fria sobre o pan- arabismo que, então, se fizera sentir. A partir daí, as negociações são feitas em sistema bilateral, escamoteando a questão palestina e separando o Egito, definitivamente, do pan- arabismo, capitaneado pela Síria.
abastados e aqueles que, além de mais pobres, eram vistos como nascedouros de radicais. Sadat se volta para consolidar a hegemonia egípcia em outras regiões da África ao mesmo tempo em que fecha acordos com França e Austrália, usando seu deserto como área de descarte nuclear destes países. Said analisa que as conseqüências de Camp Davi não apenas alienaram a questão palestina, mas as massas árabes e o resto do Terceiro Mundo. O representante de Begin na ONU diria, em 1977, que Israel tinha direito sobre os territórios invadidos, quebrando a tradição histórica da resolução 242 sobre a qual todas as discussões internacionais haviam sido travadas. Os benefícios pelo retorno do Sinai ao Egito modificam todo o panorama político no Oriente Médio. Israel obtém o que sempre ansiara, legitimidade de um país árabe e, simultaneamente, sua neutralização enquanto potência militar. Outra conseqüência foi o isolamento político do Egito do mundo árabe cujas questões pan-arabistas não mais lhe diziam respeito. Por fim, Israel ainda poderia explorar mão-de-obra egípcia, substituindo a palestina.
Os Estados Unidos tiveram, observa Said, papel destrutivo no Oriente Médio, principalmente entre os anos de 1974-77. Além de deliberadamente ignorar todas as propostas de paz, oferecidas pela OLP, e aumentar o repasse de armas a Israel, o governo americano ainda buscou esmagar o sentimento nacionalista árabe. O que nos parece mais importante, porém, é a estratégia de Henry Kissinger de forçar negociações bilaterais – com o apoio de Sadat -, retirando o poder de negociação em bloco do mundo árabe (posição Síria). Chomsky observa que, pelo menos na mídia liberal, Sadat recebeu elogios que até hoje perduram como o líder que aprendeu a “fazer a paz” depois de 1973. Em outras palavras, ele aprendera a substituir a guerra por acordos em favor de Israel. Quanto à proposta de 1971, por meio da qual um líder árabe, pela primeira vez, oferecera acordos de paz à cúpula sionista, nada é mencionado. O israelense Amos Elon aponta, inclusive, que a oferta de 71 causou “verdadeiro pânico em Israel”. Para Chomsky, o silêncio sobre esta proposta faz parte do desenho da história de acordo com os interesses dos poderosos. Assim, os termos se transformam em propaganda, perdendo seu caráter descritivo e assumindo o conteúdo ideológico deles requerido pela máquina de propaganda.