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CHAPITRE II : La façade des bâtiments tertiaires comme modulateur thermique modulateur thermique

II.2. Les façades

II.2.5. Classification des façades et leurs caractéristiques

II.2.5.4. La façade selon le principe de fonctionnement

Não se pode falar de empowerment e bem-estar sem falar em saúde. São conceitos que estão em constante evolução, o que coloca algumas dificuldades, quando se pretende defini-los ou medi-los.

A OMS, em 1986, definiu saúde como a capacidade que um indivíduo ou grupo tem de satisfazer as suas necessidades e realizar as aspirações, bem como modificar ou lidar com o meio que o envolve. Em 2001, a OMS divulga os resultados de um movimento de revolução da saúde observado nos últimos anos, cujo enfoque era a saúde e não a doença, que tinha como marco principal, a I Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde, donde emergiram os conceitos de promoção da saúde, estilos de vida e um conceito dinâmico e global de saúde (Ribeiro, 1998). O facto de o conceito de saúde ser impreciso, dinâmico e abrangente não impede a sua adoção como eixo para a reorientação das práticas de saúde. Neste contexto, a saúde deve ser compreendida em seus múltiplos aspetos. Nunca será redutível a qualquer das suas dimensões, seja ela biológica, psicológica, individual ou coletiva, objetiva ou subjetiva.

Tal como o conceito de saúde, a conceptualização do constructo empowerment estabelece a ligação entre o bem-estar dos indivíduos com o seu ambiente social e político, e sustenta que os sujeitos necessitam de oportunidades para serem ativos nos processos de decisão, no sentido de melhorarem as suas vidas, organizações e comunidades (Perkins & Zimmerman, 1995; Zimmerman, 2000). A saúde é valor coletivo, um bem de todos, em que cada pessoa deve saber construir o seu projeto de vida e responsabilizar-se por ele, sem prejudicar a autonomia dos outros, tendo um papel ativo no desenvolvimento da sua saúde e no da comunidade (WHO, 2016).

Empowerment e BEP são constructos que provêm de campos disciplinares próximos e ambos remetem para a melhoria da condição do ser humano na interação com o ambiente em que se insere. Neste sentido, a promoção do empowerment tem a capacidade de produzir não só impactos de empowerment mas também de saúde e bem-estar.

O bem-estar resulta da satisfação com a vida, satisfação profissional, satisfação na relação com os outros, capacidade de ultrapassar dificuldades sem perturbações significativas ou stresse, bem como ter um papel ativo na sociedade, realizando de forma positiva o projeto de

Wilson (1967), propôs uma definição de bem-estar, com duas hipóteses distintas: a perspetiva Base-Topo (Bottom Up) descrita como a satisfação imediata de necessidades, resulta na felicidade e a perspetiva Topo-Base (Top Down) em que a persistência de necessidades por satisfazer provoca infelicidade. O grau de satisfação necessário para atingir a felicidade está diretamente relacionado, entre outros, com a adaptação ou nível de aspiração, influenciado pela experiência passada, bem como pelos valores pessoais, e comparação do indivíduo com outros. O bem-estar é, portanto, um conceito dinâmico que inclui dimensões subjetivas, sociais e psicológicas, bem como comportamentos relacionados à saúde (Galinha & Ribeiro, 2005).

O estudo do bem-estar humano tem sido objeto de análise por parte dos filósofos durante séculos, face à necessidade de compreender os aspetos que determinam as condições de felicidade. No entanto, só no século XX foi reconhecida a sua importância a nível científico, surgindo a necessidade de clarificar a sua definição, levando ao desenvolvimento de dois conceitos: bem-estar subjetivo e Bem-estar psicológico (BEP) (Galinha & Ribeiro, 2005). Estes dois tipos de bem-estar construíram-se segundo perspetivas filosóficas distintas, o hedonismo e o eudaimonismo (Ryan & Deci, 2001). O BES associado ao hedonismo abrange conceitos como a felicidade, satisfação e experiências emocionais (Novo, 2003). O BEP associado à perspetiva eudaimónica, assume o bem-estar como realização do potencial humano (Ryff & Keyes, 1995). No entanto, apesar de estes dois conceitos enfatizarem diferentes aspetos como felicidade e saúde mental, ambos partilham o mesmo objeto de estudo o “bem-estar” (Novo, 2003).

Diener (1984), deu o primeiro contributo intitulado BES, que visa o entendimento da dimensão afetiva (felicidade) e da dimensão cognitiva (satisfação com a vida) da avaliação subjetiva que cada indivíduo faz das suas experiências de vida. É constituído por três componentes básicos, satisfação de vida, altos níveis de afeto positivo e baixos níveis de afeto negativo (Bradburn, 1969; Diener, 1984; Diener, Suh & Oishi, 1997; Diener, Suh, Lucas & Smith, 1999).

No entanto, os estudos sobre o bem-estar subjetivo desenvolvem-se em paralelo e, muitas vezes, em articulação com os conceitos de BEP em volta de um campo ainda maior que é o da saúde, pelo que se torna essencial a separação do BEP e do bem-estar subjetivo para respeitar os limites dos conceitos (Galinha & Ribeiro, 2005).

O conceito de BEP surge apenas na década de 80 do século passado, é um constructo baseado na teoria psicológica, integrando conhecimentos de outras áreas (psicologia do desenvolvimento humano e saúde mental), em relação ao funcionamento positivo ou ótimo (Ryff, 1989). É um constructo multidimensional, que integra diferentes variáveis, como os fatores de personalidade e categorias sociodemográficas, com base no argumento de que este modelo permite descrever as competências cognitivas de um indivíduo, necessárias para resolver os desafios que ocorrem em diversas situações ao longo da vida, inclusive situação de doença (Ryff, 1989).

Este conceito, segundo alguns autores, determina seis dimensões que englobam as características fundamentais do funcionamento do indivíduo relacionadas com o BEP: a aceitação de si, o crescimento pessoal, os objetivos de vida, as relações positivas com os outros, o domínio do meio e a autonomia: i) A autoaceitação ou a aceitação de si, constitui um elemento fundamental da saúde mental, sendo uma característica que revela um nível elevado de autoconhecimento, excelente funcionamento e maturidade; ii) o crescimento pessoal decorre da necessidade permanente de crescimento do indivíduo e da sua evolução pessoal, no sentido do aperfeiçoamento, bem como a pré-disposição para se envolver em novas experiências para ultrapassar desafios ou obstáculos que se apresentam em diferentes fases da sua vida; iii) os objetivos de vida constituem a dimensão do BEP, que diz respeito às crenças do indivíduo em relação a uma variedade de propósitos de vida. Devem ser entendidos como a manutenção de objetivos, intenções e sentido de direção perante a vida, mantendo o sentimento de que a vida tem um significado; iv) o relacionamento positivo com os outros, manifesta-se através dos fortes sentimentos de empatia e afeição para com os outros, na capacidade de amar profundamente, de manter amizade e de identificação com o outro; v) O domínio do meio representa a capacidade do indivíduo escolher e criar ambientes adequados às suas características psicológicas, participando de forma acentuada no meio em que se encontra inserido, e a capacidade de controlo e manipulação de ambientes mais complexos; vi) A autonomia, fator que permite ao indivíduo ter maior senso de liberdade em relação às normas vigentes, resistência às pressões pessoais e a revelação da capacidade de se confrontar com os problemas da vida de forma mais positiva, com base em critérios pessoais (Novo, 2003; F. Rodrigues, 2010; Ryff, 1989; Siqueira & Padovam, 2008).

Outros autores estudaram o BEP, como é o caso de Novo (2003), que se referiu ao BEP como a capacidade que cada pessoa tem de gerir de forma satisfatória a sua própria vida, responder

e enfrentar eficazmente exigências externas, avaliar de forma positiva a sua vida e a si própria, bem como um sentimento de contínuo desenvolvimento como pessoa. A crença de que a vida é importante, significativa e o sentido de autodeterminação e de independência face a pressões.

Para A. Ferreira (2007), o BEP representa:

a avaliação subjetiva que os indivíduos fazem das suas vidas, incluindo conceitos como a satisfação com a vida, a felicidade, as emoções agradáveis, os sentimentos de realização pessoal e de satisfação com o trabalho e a qualidade de vida, em detrimento de sentimentos negativos e desagradáveis. (p.1)

De acordo com os conceitos apresentados, o BEP é um constructo multidimensional, integrando diferentes domínios do funcionamento psicológico positivo na idade adulta, tendo em atenção os aspetos cognitivos e afetivos. Segundo Lawton (1991), o BEP resulta não só das competências comportamentais, condições objetivas do ambiente externo, qualidade de vida percebida, mas também da avaliação pessoal sobre o conjunto e sobre a dinâmica das relações entre os outros três domínios. Portanto, o BEP avalia expectativas pessoais, condições sociais, orgânicas e psicológicas atuais, e a coerência entre as metas desejadas e as metas obtidas (Liberalesso, 2002).

Segundo Siqueira e Padovam (2008), as conceções teóricas do BEP são construídas sobre formulações psicológicas acerca do desenvolvimento humano e dimensionadas em capacidades para enfrentar os desafios da vida.

Ao tomar conhecimento do diagnóstico de doença oncológica da mama, a mulher vivencia uma experiência negativa que lhe causa sofrimento e infelicidade que, frequentemente, afeta o seu projeto de vida, as relações com os outros e o seu bem-estar. O diagnóstico é experienciado emocionalmente de modo diverso por cada mulher, embora constitua para todas uma ameaça à vida e à integridade com a qual têm que lidar. Nesta fase conturbada da mulher, é importante promover o BEP para que sinta estabilidade emocional, contribuindo, assim, para enfrentar de uma forma mais positiva a experiência de doença oncológica da mama recentemente diagnosticada.