Em se tratando da Ação Crítico-Emancipatória dentro da educação, Kunz (2014) afirma que é necessária que a mesma busque uma emancipação dos indivíduos voltada para a formação da cidadania do jovem e não apenas uma mera instrumentalização técnica direcionada para o trabalho. Para Kunz (1994 apud RODRIGUES, 2002, p.139):
Não existe cultura que não seja corporal, o se movimentar seria uma especificidade desta cultura. Além disso, este autor defende uma abordagem crítico- emancipatória e didático-comunicativa para o ensino da educação física escolar (cultura corporal de movimento) que não se resume à discussão da intencionalidade do praticante. Nesta perspectiva, cabe à educação escolar formar sujeitos livres e emancipados, desenvolvendo as competências humanas da comunicação (linguagem), da interação social e da competência objetiva (trabalho).
A ideia de Kunz é casável com a própria teoria e as leis que regem a educação brasileira e mais especificamente a Educação Física escolar:
[...] uma disciplina que introduz e integra o aluno na cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida. (PCN-EF, p. 29)
Existe uma concentração do autor na questão de formar integralmente o discente, levando em consideração para tanto a questão histórica e cultural que constitui a formação e educação corporal do ser humano. O mesmo acredita que o educador físico possa ser este mediador da integração entre a ação corporal e os seus significados em relação ao mundo e ao próprio meio escolar. É maravilhoso imaginar que além de meramente contribuir com a educação física da criança, o educador possa agir como um fomentador da formação cidadã, auxiliando para que a mesma possa ver o mundo com olhos mais esmerados, com criticidade, autenticidade, ressignificação das coisas que o regem.
E vai ainda mais fundo no sentido de responsabilizar a Educação Física escolar pelo acesso às práticas de cultura corporal: “É tarefa da Educação física escolar, portanto, garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal para a construção de um estilo pessoal de
praticá-las, e oferecer instrumentos para que sejam capazes de apreciá-las criticamente” (PCN-EF, p. 30).
Acima de tudo que já tenha sido afirmado aqui também é importante frisar que ao querer do aluno uma postura crítica-emancipatória é preciso que o docente também dê espaço e condições para que tal situação possa se desenrolar. Ou seja, é necessário que o docente adote uma concepção de ensino aberta, de forma a permitir que os alunos participem ativamente das decisões. O grau de participação discriminado aos alunos deve ser proporcional à capacidade dos mesmos de tomar decisões conscientes e críticas. Na medida em que estas potencialidades são desenvolvidas o grau de participação dos mesmos nas decisões pode aumentar, de acordo com os critérios adotados pelo professor.
Também é interessante que a Educação Física possa no desenrolar de sua ação específica, enquanto disciplina educadora, proporcionar que, independente das teorias educacionais abordadas, o discente desenvolva-se em seus aspectos e tenha uma interação com o outro na perspectiva de ampliar o seu campo de visão sobre o mundo e promover partilha de ideias e renovação de expectativas. Para tanto é necessário, que mesmo transitando por teorias diferentes, o professor esteja seguro do trabalho que está realizando. Acredita-se que discussões em torno das tendências dentro da Educação Física devam buscar convergências, sem esperar que estas venham a partir de concordâncias entre tendências diferentes, mas sim, que venham da percepção de que o mais importante é a postura de como se ensina.
Afinal de contas a existência do homem no mundo é muito mais complexa do que apenas treinar o corpo. É preciso que o ser humano se movimente em busca das autonomias que lhe forem possíveis e que haja uma expansão frequente desses supostos limites previamente estipulados. Kunz (2014) se destaca por:
Considerar a subjetividade no ensino, levando em conta a essência e a existência do sujeito, sendo a subjetividade a maneira de o indivíduo habitar o mundo, tratá-lo e interpretá-lo e a importância de se pensar no sujeito que está aprendendo, no ser humano que se movimenta, respeitando as dimensões afetivas, cognitivas, sociais e motoras.
Quando se propõe que um conteúdo ou uma disciplina específica passe a fazer parte do currículo escolar é necessário que se leve em consideração infinitos detalhes. Assim, quando se propõe que o conteúdo de lutas e especificamente da capoeira esteja dentro da Educação Física escolar como uma forma de Ação Crítico-Emancipatória não se faz isso de forma impensada. Os conteúdos selecionados, organizados e sistematizados devem promover uma
concepção científica do mundo, a formação de interesses e a manifestação de possibilidades e aptidões para conhecer a natureza e a sociedade. Para isto é preciso fomentar o processo criativo e estimular tais ações e que o sistema de relações sociais entre os homens também passe por uma repaginar, repensar, recriar, inovar. (SOARES et al. 1992)
A capoeira não agirá apenas como uma ideia linear de aprendizado. Ela será instrumento de socialização e de superação, de descoberta e redescoberta dos elementos culturais brasileiros e das formas especiais que estes elementos adquirem em cada espaço. O que é positivo na construção do conhecimento não linear é que o aprendizado se dá nas relações sociais determinadas culturalmente (VYGOTSKY, 1991).
Sobre conceitos em Vygotsky a respeito de níveis de desenvolvimento que podem ser alcançados com o desenrolar de atividades que promovam interação social entre os indivíduos é possível identificar dois níveis. Aquilo que o indivíduo já sabe é chamado de nível de desenvolvimento real ou afetivo e aquilo que o indivíduo ainda vai construir enquanto conhecimento é chamado de nível de desenvolvimento proximal. Sem o estímulo dos adultos e das pessoas mais maduras que estão ao seu redor, o indivíduo permanece em seu nível de desenvolvimento real, mas a zona de desenvolvimento proximal é um campo que pode ser percorrido mais fluidamente se o meio auxilia o indivíduo no processo.
Além da interação dos indivíduos entre si e de sua socialização é também interessante que a prática esportiva em ambiente escolar possa partir do conhecimento do aluno para a compreensão científica do mesmo. Na prática a “transformação didático-pedagógica” do esporte se dá pela identificação de um significado central do se-movimentar atribuído a cada modalidade esportiva. (KUNZ, 2014). Entre outras circunstâncias também é possível perceber uma realidade em que, segundo Gramsci (1978 apud ALVES, AMARAL & BERTAZZOLI, 2008, p. 208): “O homem deve ser concebido como um bloco histórico de elementos puramente subjetivos e individuais e de elementos de massa – objetivos ou materiais – com os quais o indivíduo está em relação ativa”. A politização do homem ou mesmo a abordagem política do ensino seria nesta premissa uma forma de abrir os olhos do cidadão às infinitas possibilidades de reflexão, mudança, ação. O movimento, nesse contexto, poderia sobrepor-se a ideia de um sentido corporal e ter sentido politizado, intrinsecamente relacionado ao contexto histórico e cultural.
Durante muito tempo a Educação Física Escolar esteva atrelada a um estereótipo e acerca deste estereótipo construído muitos profissionais passaram a queixar-se de uma falta de interesse intelectual pela atividade. Para Elenor Kunz (2014, p.17), no entanto:
O ensino da Educação Física Escolar deve ser considerado parte de um conjunto pedagógico-educacional que integra a Educação Escolar. Assim como a educação ele tem o compromisso de fomentar o desenvolvimento de um “campo existencial” e de determinadas competências aos seus alunos.
Assim, a educação abre portas e amplia olhares. As transformações sociais e de convívio estendem-se pelos vários espaços em que cada indivíduo vive. O papel da Educação Física, nesse sentido, é ampliar estes horizontes em todas as direções possíveis estimulando o desenvolvimento individual de cada sujeito de acordo com suas peculiaridades. Mas, embora ampliar um campo existencial possa ser uma motivação e um trabalho escolar, tal trajetória não se limita a este mundo e está em todos os ambientes e todos os convívios para além da escola que também fazem parte da vida das pessoas. Na escola, é necessário que tais ações, no sentido do Se-Movimentar possuam relevância e significado. Para ampliar um campo existencial é necessário que a escola objetive desenvolver competências. “A Educação Física orientada para a abertura e ampliação de campos existenciais dos alunos a partir do ensino dos esportes só pode acontecer se este passar por uma ‘Transformação didático-pedagógica’” (KUNZ, 2014, p.19).
Na década de 80, surgiram duas situações de crítica à atuação da Educação Física. Em um primeiro momento, a mesma era vista como um instrumento de alienação. Em um segundo momento, questionava-se o ensino de modalidades esportivas para crianças de séries iniciais, o que se classificava como precoce. Os professores formados por um modelo de competição tinham dificuldade de respeitar a legislação que proibia o aprendizado de esportes na forma de iniciação à competição naquela idade. A diferença entre os dois modelos de crítica é que o primeiro, apenas recentemente apresentou propostas de prática coerentes com suas falas, enquanto que o segundo buscou no exterior uma alternativa: a psicomotricidade. Esta, por sua vez, preocupava-se com a formação integral do indivíduo. Mas, as teorias ainda eram falhas em apontar relevância sociopolítica e educacional.
No início da década de 90, surgem publicações que referenciam a prática da Educação Física Escolar. Segundo Trebels (apud KUNZ, 2014, p.27) “o esporte passa por uma transformação didático-pedagógica para atender às possibilidades de realização bem-sucedida de todos os participantes do ensino e não apenas de uma minoria”. Nesse mesmo período,
algumas obras com foco na prática de Educação Física Escolar são notórias. O esporte ganha uma nova relevância e passa por um repensar, uma análise.
Para ensinar os esportes aos alunos deve-se observar, pelo menos: as experiências anteriores dos alunos nas modalidades que se pretende ensinar, as influências e expectativas do esporte normatizado e clubístico, as coisas locais e materiais da escola para o ensino da modalidade e, ainda, a própria organização do ensino e da escola. (KUNZ, 2014, p.28)
O esporte, para os autores desse período, precisava sair da superfície e aprofundar seu trabalho pedagógico. O esporte é parte de um contexto e a desmistificação é parte de um plano de questionamento e crítica necessários para a sua compreensão, o aprendizado de seus valores sociais e culturais e uma desmistificação proporcionada pelo conhecimento adquirido. Embora falem sobre este conhecimento que transcende a prática, estes trabalhos não apontam de que forma poderia ocorrer este ‘ir além’. Mais uma vez, o que deveria ser uma solução prática para o trabalho do educador, mostrou-se uma metodologia abstrata. O esporte, fenômeno praticado em todas as sociedades, continuava com seus padrões, impedindo a subjetividade do indivíduo que o praticava e a descoberta de novas formas, habilidades, movimentos e motivações. O esporte, como produto cultural, estava mais preocupado com a alta performance de seus atletas e nessa abordagem tornavam o atleta, sujeito à intervenções externas continuamente, um ser inútil perante seu próprio treinamento. Um padrão de sociedade industrial pensando no homem como máquina esqueceu-se do social e do cultural, da pessoa por trás dos números de desempenho.
Kunz (2014, p.34) pergunta: “sob quais condições e de que forma o esporte deve e pode ser praticado na escola?”. As crianças desenvolvem sua identidade na educação através de um processo exploratório. Na sociedade brasileira, verifica-se, no entanto, que as coisas têm uma função fixa e há necessidade de certos conhecimentos que só o professor, com seu saber técnico, possui. Não significa que aprender aquilo que vem sendo engessado pela massificação de uma sociedade como esta possa atender aos interesses reais de cada indivíduo. O esporte é um dos meios de dominação ideológica responsáveis pela criação de segundas naturezas nas pessoas. Ele ajuda a criar padrões. As necessidades reais são maquiadas por necessidades outras. Dentre as necessidades criadas e recriadas está o movimento.
Kunz (2014) pretende atingir as relações práticas do ensino do esporte através do desenvolvimento de competências como a autonomia, a interação social e a competência objetiva. O mesmo apresenta uma adaptação de um esquema de ensino desenvolvido por
Hilbert Mayer em 1987 que pauta um processo de ensino, com os conteúdos, o método e os objetivos organizando-o de acordo com as categorias do trabalho, da interação e da linguagem. Segundo Kunz (2014, p. 46), esta adaptação assim se apresenta:
TRABALHO INTERAÇÃO LINGUAGEM
ASPECTOS DOS CONTEÚDOS Ter acesso a conhecimentos e informação de relevância e sentido para a aquisição de habilidades ao esporte de acordo com o contexto.
Ter acesso a relações esportivo-culturais, vinculadas à cultura do movimento do contexto social.
Ter acesso a conteúdos
simbólicos e linguísticos que transcendem o contexto esportivo. ASPECTO DO MÉTODO Possibilitar o acesso a estratégias de aprendizagem, técnicas, habilidades especificas e de capacidades físicas. Capacitação para assumir conscientemente papéis sociais e a possibilidade de reconhecer a inerente necessidade de se-movimentar. Aperfeiçoamento das relações de entendimento de forma racional e organizada. ASPECTO DOS OBJETIVOS
Capacitar para o mundo
dos esportes,
movimentos e jogos de forma efetiva e antônoma com vistas à vida futura relacionada ao lazer e ao tempo livre.
Capacitar para um agir solidário, cooperativo e participativo. Desenvolver capacidades criativas, explorativas, além da capacidade de discernir e julgar de forma critica.
Competência Objetiva Social Comunicativa
A categoria do trabalho, além de fazer parte de uma estrutura universal, e de proporcionar uma ação produtiva no sentido de treinar habilidades e técnicas também faz com que o ensino siga um processo racional, organizado e sistematizado para desenvolver e progressivamente alcançar um melhor desempenho físico e técnico para as práticas esportivas. Embora essa categoria apresente características de etapa fechada do processo, em dado momento é preciso que haja um entendimento entre os alunos e deles com o professor e isso reforça a interação social, exigindo que haja uma democratização. Nesse sentido é preciso que se fomente um agir solidário dos alunos para que haja codeterminação e autodeterminação.
É impossível para uma ação crítico-emancipatória eficaz um planejamento e uma ação propriamente dita que não considere a interação social. Esta categoria é sumariamente necessária à expansão do campo existencial e à formação de um aluno que seja crítico e emancipado. A percepção, o convívio com o outro, o diálogo com as diferenças, a formulação de questionamentos e de opiniões são partes determinantes desta categoria. Por fim, o trabalho está ligado à interação social que não se dá plenamente sem o uso da linguagem e sem as
ações comunicativas. “Uma teoria pedagógica no sentido crítico-emancipatório precisa, na prática, estar acompanhada de uma didática comunicativa” (KUNZ 2014, p.38).
A Pedagogia Crítico-Emancipatória acredita que para que sua eficácia seja plena são necessárias ações comunicativas. Para Kunz (2014, p.49), “é a linguagem que permite interpretar nossas experiências bem como as experiências dos participantes num processo de ensino do esporte”. Nesse contexto, não se considera apenas a linguagem verbal, mas também a expressão corporal, o movimento. Ressalta-se, no entanto, que é preciso que a Educação Física não se concentre apenas na linguagem do movimento. Afinal de contas, as experiências, as percepções, os entendimentos, o conhecimento científico e técnico do mundo dos esportes também respalda a ideia de linguagem, de ação comunicativa. Assim, é importante que o aluno seja orientado a lapidar os seus saberes a fim de poder utilizar-se com propriedade de um discurso que foge da linguagem comum e possua argumentação e possibilidades para discernir a comunicação que amplia conhecimentos daquela que exerce coerção por atuar de forma distorcida, perturbada.
Além da competência comunicativa é necessário desenvolver no aluno outras duas competências: a objetiva e a social. Segundo Kunz (2014):
Na competência objetiva, vale que o aluno receba conhecimentos e informações específicos de cada área do saber humano. O que, no caso da Educação Física, significa que o aluno precisa aprender habilidades práticas de diversas manifestações da cultura do movimento. Na competência social, é importante que o aluno receba conhecimentos e esclarecimentos que possibilitem a ele compreender as relações socioculturais do ambiente no qual está inserido, os problemas e contradições nas relações vivenciadas nesse ambiente, os papéis que os indivíduos acabam assumindo em uma sociedade como os mesmos se organizam, se preparam e se estabelecem para satisfazer as expectativas da sociedade em que vivem. Na competência comunicativa, o que se espera, é que haja uma aprendizagem consciente da linguagem e da comunicação corporal e dos movimentos, no sentido de saber se comunicar e entender a forma de se comunicar do outro em um processo reflexivo que desencadeie o pensamento crítico.
Nessa perspectiva, parte-se de um saber do aluno que é refletido através de uma lapidação científica proposta pelo conteúdo componente curricular e propõe-se que ao final desse processo não haja um final propriamente dito, mas que o indivíduo torne-se alguém capaz de compreender e manifestar com conhecimento científico aquilo que vivenciou. Para Kunz, (2014, p.119):
O ensino na concepção crítico-emancipatória deve ser um ensino de libertação de falsas ilusões, de falsos interesses e desejos, criados e construídos nos alunos pela visão de mundo que apresentam a partir de ‘conhecimentos’ colocados à disposição pelo contexto sociocultural onde vivem.
Objetiva-se também que o aluno torne-se um sujeito capaz de tomar decisões, fazer escolhas e ser ele mesmo, a mudança e a lapidação do mundo em que vive, na medida em que puder melhor compreendê-lo e argumentá-lo como sujeito emancipado e esclarecido, dotado de domínio de sua percepção crítica. Segundo Kunz (2014, p.39):
O aluno enquanto sujeito do processo de ensino deve ser capacitado para sua participação na vida social, cultural e esportiva, o que significa não somente a aquisição de uma capacidade de ação funcional, mas a capacidade de conhecer, reconhecer e problematizar sentidos e significados nesta vida, pela reflexão crítica.
Kunz (2014) acredita que é importante para os professores de Educação Física um melhor conhecimento sobre determinados problemas que atingem os atletas. Nesse sentido, dois problemas são passíveis de maior reflexão: o treinamento especializado precoce e o doping. No treinamento especializado precoce as crianças são inseridas em um treinamento planejado e organizado de longo prazo. Esta prática ocorre com maior frequência em países de hegemonia mundial. São consequências dessa prática formação escolar deficiente, a unilaterização do desenvolvimento, a redução da participação em atividades do mundo infantil e prejuízos à saúde (KUNZ, 2014). Este tipo de prática não é uma escolha espontânea da criança e normalmente está atrelada a vaidade e espírito pretensioso de alguns, além da cobiça nacional por medalhas olímpicas. Isso gerou reflexões na década de 80 em território alemão. Era preciso garantir que o rendimento esportivo da criança pudesse vir aliado a uma vida saudável. Falava-se de uma autonomia e liberdade de escolha que deveria ser dada ao jovem. E mesmo havendo estes parênteses, o fato é que o que sempre se espera da criança em um sistema esportivo de alto rendimento é que seu sucesso seja uma reta crescente em um sistema cartesiano.
O uso do doping, por sua vez, é assunto bem mais conhecido. Fruto dessa constante necessidade de alimentar a reta crescente de superações no esporte de alto rendimento muita gente lança mão de meios bem menos idôneos para superar o próprio tempo, limites de força, velocidade e também os de seus adversários.
A questão começa na escola. Os atletas mirins devem ser encaminhados às organizações responsáveis por atletas de alto rendimento? Como é pedagogicamente correto lidar com tais circunstâncias? Para Kunz (2014, p.66):
O fim de tudo certamente só alcançaremos quando conseguirmos ensinar um esporte de tal forma que as nossas crianças possam crescer, desenvolver-se e tornar-se
adultas através dele e, quando isso acontecer, quando se tornarem adultas, possam praticar esportes, movimentos e jogos como crianças.
O conceito de esporte que se relaciona à Educação Física é um conceito restrito, pois